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SEGUNDA-FEIRA, DIA 12 DE OUTUBRO DE 2026

Bem-aventurada Virgem Maria da Conceição Aparecida, PADROEIRA DO BRASIL,Solenidade
Cor Litúrgica branca

Primeira leitura
— Est 5, 1b-2; 7, 2b-3

Leitura do Livro de Ester

Ester revestiu-se com vestes de rainha e foi colocar-se no vestíbulo interno do palácio real, frente à residência do rei. O rei estava sentado no trono real, na sala do trono, frente à entrada. 2Ao ver a rainha Ester parada no vestíbulo, olhou para ela com agrado e estendeu-lhe o cetro de ouro que tinha na mão, e Ester aproximou-se para tocar a ponta do cetro.
7, 2bEntão, o rei lhe disse: “O que me pedes, Ester; o que queres que eu faça? Ainda que me pedisses a metade do meu reino, ela te seria concedida”. 3Ester respondeu-lhe: “Se ganhei as tuas boas graças, ó rei, e se for de teu agrado, concede-me a vida — eis o meu pedido! — e a vida do meu povo — eis o meu desejo!”
— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus.

Salmo Responsorial — Sl 44(45), 11-12a. 12b-13. 14-15a. 15b-16 (R. 11a. 12a)

℟. Escutai, minha filha, olhai, ouvi isto: que o Rei se encante com vossa beleza!

— Escutai, minha filha, olhai, ouvi isto: “Esquecei vosso povo e a casa paterna! Que o Rei se encante com vossa beleza! Prestai-lhe homenagem: é vosso Senhor! ℟.

℟. Escutai, minha filha, olhai, ouvi isto: que o Rei se encante com vossa beleza!

— O povo de Tiro vos traz seus presentes, os grandes do povo vos pedem favores. Majestosa, a princesa real vem chegando, vestida de ricos brocados de ouro. ℟.

℟. Escutai, minha filha, olhai, ouvi isto: que o Rei se encante com vossa beleza!

— Em vestes vistosas ao Rei se dirige, e as virgens amigas lhe formam cortejo; entre cantos de festa e com grande alegria, ingressam, então, no palácio real”. ℟.

℟. Escutai, minha filha, olhai, ouvi isto: que o Rei se encante com vossa beleza!

Segunda leitura
— Ap 12, 1. 5. 13a. 15-16a

Leitura do Livro do Apocalipse de São João

Apareceu no céu um grande sinal: uma mulher vestida do sol, tendo a lua debaixo dos pés e sobre a cabeça uma coroa de doze estrelas. 5E ela deu à luz um filho homem, que veio para governar todas as nações com cetro de ferro. Mas o filho foi levado para junto de Deus e do seu trono. 13aQuando viu que tinha sido expulso para a terra, o dragão começou a perseguir a mulher que tinha dado à luz o menino.
15A serpente, então, vomitou como um rio de água atrás da mulher, a fim de a submergir. 16aA terra, porém, veio em socorro da mulher.
— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus.

℟. Aleluia, Aleluia, Aleluia.
℣. Disse a Mãe de Jesus aos serventes: “fazei tudo o que Ele disser!” (Jo 2, 5b) ℟.
℟. Aleluia, Aleluia, Aleluia.
Evangelho — Jo 2, 1-11

℣. O Senhor esteja convosco.
℟. Ele está no meio de nós.

℣. Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo ✠ segundo João 
℟. Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 1houve um casamento em Caná da Galileia. A mãe de Jesus estava presente. 2Também Jesus e seus discípulos tinham sido convidados para o casamento. 3Como o vinho veio a faltar, a mãe de Jesus lhe disse: “Eles não têm mais vinho”.
4Jesus respondeu-lhe: “Mulher, por que dizes isto a mim? Minha hora ainda não chegou”. 5Sua mãe disse aos que estavam servindo: “Fazei o que ele vos disser”. 6Estavam seis talhas de pedra colocadas aí para a purificação que os judeus costumam fazer. Em cada uma delas cabiam mais ou menos cem litros.
7Jesus disse aos que estavam servindo: “Enchei as talhas de água”. Encheram-nas até a boca. 8Jesus disse: “Agora tirai e levai ao mestre-sala”. E eles levaram. 9O mestre-sala experimentou a água, que se tinha transformado em vinho. Ele não sabia de onde vinha, mas os que estavam servindo sabiam, pois eram eles que tinham tirado a água.
10O mestre-sala chamou então o noivo e lhe disse: “Todo mundo serve primeiro o vinho melhor e, quando os convidados já estão embriagados, serve o vinho menos bom. Mas tu guardaste o vinho melhor até agora!” 11Este foi o início dos sinais de Jesus. Ele o realizou em Caná da Galileia e manifestou a sua glória, e seus discípulos creram nele.
— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

Homilia do dia 12/10/2026

Corredentora e Medianeira de todas as graças

Nesta Solenidade de Nossa Senhora Aparecida, somos chamados a olhar para as maravilhas que Deus realizou em nossa Mãe Santíssima, tornando-a cooperadora da Redenção de Cristo e fazendo-a, pela união com o Filho, instrumento de mediação de todas as graças.

Meditação. — Nas bodas de Caná, Maria percebe a necessidade dos noivos antes mesmo que alguém lhe peça ajuda e dirige-se ao Filho: “Eles não têm mais vinho.” Depois, volta-se para os serventes e pronuncia aquelas palavras que resumem toda a sua missão materna: “Fazei tudo o que Ele vos disser.” Nossa Senhora aparece, assim, como aquela que intercede, conduz a Cristo e prepara os corações para receber a graça.

A intercessão de Maria, porém, não deve ser compreendida simplesmente como a de mais uma santa entre os santos. Desde os primeiros séculos, a Igreja contempla um vínculo singular entre a Virgem e a obra da nossa salvação. Cristo é o único Redentor, mas Deus quis associar sua Mãe de maneira única e inteiramente subordinada à obra realizada por Ele.

É nesse sentido que a tradição cristã contempla Maria como a Nova Eva . A antiga Eva, ainda virgem, foi abordada pelo anjo caído e, pela desobediência, cooperou para a entrada do pecado no mundo. Maria, Virgem Imaculada, recebe o anúncio do anjo Gabriel e responde com fé e obediência. Pela primeira mulher veio a desobediência; pela nova Eva, Deus quis que viesse ao mundo o Salvador.

Essa comparação é muito antiga. Padres da Igreja como São Justino, Santo Irineu e outros autores dos primeiros séculos já contemplavam Maria à luz desse paralelo: aquilo que fora ligado pela incredulidade de Eva começa a ser desatado pela fé da Virgem. Maria não ocupa o lugar de Cristo; ao contrário, toda a sua grandeza vem precisamente de sua união com Ele.

Por isso, na tradição teológica, Nossa Senhora é chamada Corredentora . O termo não significa que existam dois redentores, como se Jesus e Maria estivessem no mesmo nível. Somente Cristo nos salva. Maria, porém, cooperou de maneira singular com essa única Redenção: deu ao Filho de Deus a humanidade que seria oferecida na Cruz e, aos pés dela, permaneceu unida ao sacrifício de Jesus com uma fé e uma entrega incomparáveis.

Há aqui um belíssimo contraste. Eva, diante da árvore, estendeu a mão para tomar o fruto. Maria, diante da árvore da Cruz, não toma para si o fruto bendito de seu ventre, mas o entrega. Seu coração materno participa dolorosamente da oblação do Filho, acolhendo a vontade de Deus mesmo quando uma espada lhe atravessa a alma.

A Redenção realizada por Cristo também precisa alcançar concretamente cada um de nós. A porta do Céu foi aberta pelo sacrifício do Senhor, mas cada alma precisa receber a graça, corresponder a ela e deixar-se transformar. É nesse sentido que a tradição mariana fala também de Nossa Senhora como Medianeira de todas as graças , sempre em dependência da única mediação de Jesus Cristo.

Essa presença materna aparece desde o início do Evangelho. Na Visitação, Maria leva Jesus em seu ventre até a casa de Isabel, e São João Batista exulta ainda no seio de sua mãe. Em Caná, é por sua intercessão que a necessidade dos esposos é apresentada ao Senhor e acontece o primeiro dos sinais de Cristo.

Depois, no Calvário, Jesus entrega Maria ao discípulo amado: “Eis aí tua mãe.” A maternidade que começara em Nazaré abre-se agora para todos os discípulos de Cristo. E, após a Ressurreição e a Ascensão, encontramos novamente Nossa Senhora no Cenáculo, perseverando em oração com os Apóstolos quando a Igreja espera a vinda do Espírito Santo.

Esses acontecimentos revelam uma admirável continuidade: Maria está presente quando Cristo entra no mundo; está presente quando manifesta sua glória em Caná; permanece junto à Cruz e está em oração quando o Espírito Santo desce sobre a Igreja. Sua missão é sempre materna: receber de Deus para conduzir-nos a Deus.

A devoção da Medalha Milagrosa oferece uma bela imagem dessa verdade. Na aparição a Santa Catarina Labouré, Nossa Senhora é contemplada com as mãos estendidas, das quais partem raios simbolizando as graças de Deus derramadas sobre o mundo. A imagem exprime de forma simples uma realidade profundamente cristã: as graças passam pelas mãos daquela por cujas mãos o próprio Cristo quis passar para vir até nós.

Essa mediação materna não significa que Maria substitua nossa oração ou a intercessão dos santos. Quando rezamos, é Deus quem concede a graça; quando os santos intercedem, é Cristo quem permanece a fonte de todo dom. Maria está inteiramente dentro dessa ordem querida por Deus, intercedendo como Mãe e conduzindo todas as coisas ao seu Filho.

Embora a fórmula “Medianeira de todas as graças” não tenha sido definida pela Igreja como dogma, ela está profundamente ligada à tradição de oração e piedade do povo cristão. Lex orandi, lex credendi: a lei da oração manifesta a fé da Igreja. Há séculos os cristãos recorrem espontaneamente à Virgem, constroem-lhe santuários, invocam sua proteção e confiam-lhe suas necessidades, certos de que a Mãe leva os filhos ao Coração de Cristo.

É também à luz desse mistério que contemplamos Nossa Senhora da Conceição Aparecida. Deus quis conceder ao Brasil uma particular expressão do carinho materno de Maria. Ao chamá-la Padroeira e Rainha, colocamos esta Terra de Santa Cruz sob sua intercessão e pedimos que ela conduza nossa pátria, nossas famílias e cada um de nós ao seu Filho.

Quando Deus concede privilégios à Virgem, portanto, não a afasta de nós; ao contrário, torna-a ainda mais nossa. Tudo o que recebeu foi recebido em vista de Cristo e de sua missão materna. Quanto mais contemplamos as maravilhas realizadas por Deus em Maria, mais somos chamados a glorificar aquele que fez nela grandes coisas.

Recorramos, pois, com confiança à nossa Mãe. Talvez nem saibamos quantas vezes sua oração materna já nos acompanhou, quantas graças nos alcançaram quando sequer percebíamos sua presença e quantas vezes ela nos conduziu silenciosamente de volta a Jesus.

Que Nossa Senhora nos ensine a repetir o seu “sim”, a permanecer junto à Cruz quando a fé for provada e a guardar no coração sua grande orientação de Caná: “Fazei tudo o que Ele vos disser.” Sob sua proteção, deixemo-nos formar à imagem de Cristo, para que a graça recebida nesta vida amadureça em nós até a comunhão perfeita com Deus no Céu.
Deus abençoe você!

SANTO DO DIA
Nossa Senhora Aparecida (Solenidade)

“Salva das águas” . A solenidade do dia 12 de outubro celebra Nossa Senhora da Conceição Aparecida. Em 1930 ela foi solenemente proclamada Padroeira do Brasil por Pio XI.

Para compreendermos e celebrarmos devidamente esta solenidade parece importante situá-la no contexto da mensagem dos santuários. A devoção deu origem a um santuário, situado na cidade de Aparecida, no Vale do Paraíba, Estado de São Paulo. Cada santuário tem sua mensagem própria, seja por fatos históricos, seja pela topografia. Deus comunica-se com a humanidade também através de lugares especiais de graças, transformando-se, desta forma, em santuários.

O mesmo aconteceu com Aparecida. Lá, numa curva do rio Paraíba, em 1717, é encontrada nas águas por três pescadores uma imagem; primeiro, o corpo e, depois, a cabeça. Ela é recomposta e começa a ser venerada. Aos poucos, aparecem os milagres e as graças alcançadas. Constrói-se uma capelinha, depois uma igreja maior e, finalmente, a grande basílica nacional, dedicada pelo papa João Paulo II em 1980, em sua visita ao Brasil.

Nossa Senhora da Conceição faz parte da devoção do povo brasileiro a Nossa Senhora. Nela, os cristãos contemplam a própria vocação à santidade. A partir do seu santuário, Nossa Senhora da Conceição revela uma mensagem muito rica: Ela é salva das águas; é restaurada; é morena; foi entronizada numa colina como Rainha e Padroeira do Brasil. Dentro da linguagem simbólica, podemos perceber o conteúdo da mensagem. Maria é sinal escatológico de toda a Igreja, de toda a humanidade. Toda a Igreja nasce das águas do batismo por ação do Espírito Santo. Nestas águas ela é purificada e santificada, iniciando sua caminhada para a perfeição da caridade. Maria foi imaculada por privilégio, os cristãos são chamados a serem santos e imaculados pela graça. Assim, através da fé e das águas do batismo, o ser humano é restaurado, readquire sua identidade.

Maria, a Imaculada, manifesta-se em cor morena. Também isso pode ter seu significado. Ela é a mãe de todos, a mãe do povo brasileiro, formado de muitas raças. Todas se confraternizam num mesmo povo. Imitando a Imaculada Conceição e sob a sua proteção, todo o povo brasileiro é enaltecido, tornando-se um povo sacerdotal, real e profético. Ele alcança o alto de sua realização.

As leituras realçam a mensagem da mediação de Maria na figura de Ester (cf. 1ª leitura, Est 5, 1b-2; 7 ,2b-31) e na solicitude de Maria nas bodas de Caná (cf. Evangelho, Jo 2, 1-11). Na 2ª leitura, Maria é apresentada como grandioso sinal que apareceu no céu, ameaçada, mas não tragada pelas águas de um rio. A mulher foi socorrida pela terra (cf. Ap 12, 1-5. 13a. 15-16a).

Salvos das águas pela fé e pelo batismo, os cristãos podem atingir algo daquilo que contemplam em Maria, a Imaculada, se seguirem o seu conselho: Fazei tudo o que ele vos disser.

A Oração coleta traduz bem o mistério celebrado: Ó Deus todo-poderoso, ao rendermos culto à Imaculada Conceição de Maria, Mãe de Deus e Senhora nossa, concedei que o povo brasileiro, fiel à sua vocação e vivendo na paz e na justiça, possa chegar um dia à pátria definitiva.

Referência:
BECKHÄUSER, Frei Alberto. Os Santos na Liturgia: testemunhas de Cristo. Petrópolis: Vozes, 2013. 391 p. Adaptações: Equipe Pocket Terço.

Nossa Senhora Aparecida, rogai por nós!