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QUINTA-FEIRA, DIA 08 DE OUTUBRO DE 2026

XXVII SEMANA DO TEMPO COMUM
Cor Litúrgica verde

Primeira leitura
— Gl 3, 1-5

Leitura da Carta de São Paulo aos Gálatas

1Ó gálatas insensatos, quem é que vos fascinou? Diante de vossos olhos, não foi acaso representado, como que ao vivo, Jesus Cristo crucificado? 2Só isto quero saber de vós: Recebestes o Espírito pela prática da Lei ou pela fé através da pregação?
3Sois assim tão insensatos? A ponto de, depois de terdes começado pelo espírito, quererdes terminar pela carne? 4Foi acaso em vão que sofrestes tanto? Se é que foi mesmo em vão! 5Aquele que vos dá generosamente o Espírito e realiza milagres entre vós, faz isso porque praticais a Lei ou porque crestes, através da pregação?
— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus.
Salmo Responsorial — Lc 1, 69-70. 71-72. 73 e 75 (R. cf. 68)

℟. Bendito seja o Senhor Deus de Israel, porque a seu povo visitou e libertou!

— 69Fez surgir um poderoso Salvador na casa de Davi, seu servidor, 70como falara pela boca de seus santos, os profetas desde os tempos mais antigos. ℟.

℟. Bendito seja o Senhor Deus de Israel, porque a seu povo visitou e libertou!

— 71para salvar-nos do poder dos inimigos e da mão de todos quantos nos odeiam. 72Assim mostrou misericórdia a nossos pais, recordando a sua santa Aliança. ℟.

℟. Bendito seja o Senhor Deus de Israel, porque a seu povo visitou e libertou!

— 73E o juramento a Abraão, o nosso pai, de conceder-nos 74que, libertos do inimigo, a ele nós sirvamos sem temor 75em santidade e em justiça diante dele, enquanto perdurarem nossos dias. ℟.

℟. Bendito seja o Senhor Deus de Israel, porque a seu povo visitou e libertou!

℟. Aleluia, Aleluia, Aleluia.
℣. Abri-nos, ó Senhor, o coração para ouvirmos a palavra de Jesus! (Cf. At 16, 14b) ℟.
℟. Aleluia, Aleluia, Aleluia.
Evangelho — Lc 11, 5-13

℣. O Senhor esteja convosco.
℟. Ele está no meio de nós.

℣. Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo ✠ segundo Lucas
℟. Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 5“Se um de vós tiver um amigo e for procurá-lo à meia-noite e lhe disser: ʽAmigo, empresta-me três pães, 6porque um amigo meu chegou de viagem e nada tenho para lhe oferecerʼ, 7e se o outro responder lá de dentro: ʽNão me incomodes! Já tranquei a porta, e meus filhos e eu já estamos deitados; não me posso levantar para te dar os pãesʼ; 8eu vos declaro: mesmo que o outro não se levante para dá-los porque é seu amigo, vai levantar-se ao menos por causa da impertinência dele e lhe dará quanto for necessário.
9Portanto, eu vos digo: pedi e recebereis; procurai e encontrareis; batei e vos será aberto. 10Pois quem pede, recebe; quem procura, encontra; e, para quem bate, se abrirá.
11Será que algum de vós que é pai, se o filho pedir um peixe, lhe dará uma cobra? 12Ou ainda, se pedir um ovo, lhe dará um escorpião? 13Ora, se vós que sois maus, sabeis dar coisas boas aos vossos filhos, quanto mais o Pai do Céu dará o Espírito Santo aos que o pedirem!”
— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

SANTO DO DIA
Santa Pelágia (Memória Facultativa)

Local: Antioquia, Síria
Data: 08 de Outubro † c. 302

O Martirológio Romano lembra quatro santas com este nome. Trata-se de caso bastante comum de desdobramento. De duas mulheres com este nome, uma só seria a santa autêntica. Parece que a notoriedade de uma penitente, sobre a qual fala são João Crisóstomo em um dos seus sermões, tenha obscurecido o nome e as vicissitudes de uma jovem mártir de Antioquia de nome Pelágia, vítima da perseguição de Diocleciano. A menina de 15 anos testemunhou de modo muito esquisito sua fidelidade a Cristo. Quando os soldados do imperador foram à sua casa para levá-la ao tribunal que certamente a condenaria porque era cristã, Pelágia pediu-lhes para trocar de roupas. Obtida a licença, subiu ao andar superior e conscientizada do tratamento indigno a que seria exposto seu corpo, para se apresentar incontaminado à presença do Esposo, atirou-se pela janela e foi se rebentar contra a terra.

A mulher de que fala são João Crisóstomo era bailarina de Antioquia, que o povo chamava Margarida, isto é, pérola preciosa, pela rara beleza de sua face e pelos ricos ornamentos do seu corpo, tão impressionantes a ponto de numa procissão ter chamado a atenção do próprio bispo da cidade. Este, após instantes de desorientação, se recompôs e achou um modo de extrair um útil ensinamento moral daquela aparição tão sedutora: se uma mulher – comentou – torna-se tão bela para aprazer a um homem mortal, como deveremos nós enfeitar a nossa alma destinada ao eterno Deus? Aquela mulher foi atingida pela graça ao escutar ocasionalmente as palavras do bispo. Foi prostrar-se aos seus pés e obteve o batismo. Trocou, portanto, os preciosos vestidos por uma túnica de penitente.

Abandonando de noite a cidade de Antioquia, foi a pé até Jerusalém, onde viveu o resto dos seus anos de vida fechada numa gruta no monte das Oliveiras.

Qual das duas Pelágias comemora hoje o calendário cristão? A jovem virgem e mártir ou a penitente? Como a Igreja primitiva reservasse culto especial aos mártires, podemos deduzir que a santa honrada neste dia seja a jovenzinha de Antioquia.

Referência:
SGARBOSSA, Mario; GIOVANNI, Luigi. Um santo para cada dia. São Paulo: Paulus, 1983. 397 p. Tradução de: Onofre Ribeiro. Adaptações: Equipe Pocket Terço.

Santa Pelágia, rogai por nós!

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QUARTA-FEIRA, DIA 07 DE OUTUBRO DE 2026

Bem-aventurada Virgem Maria do Rosário, Memória
Cor Litúrgica branca

Primeira leitura
— At 1, 12-14

Leitura dos Atos dos Apóstolos

Depois que Jesus subiu ao céu, 12os apóstolos voltaram para Jerusalém, vindo do monte das Oliveiras, que fica perto de Jerusalém, a mais ou menos um quilômetro. 13Entraram na cidade e subiram para a sala de cima, onde costumavam ficar. Eram Pedro e João, Tiago e André, Filipe e Tomé, Bartolomeu e Mateus, Tiago, filho de Alfeu, Simão Zelota e Judas, filho de Tiago.
14Todos eles perseveravam na oração em comum, junto com algumas mulheres, entre as quais Maria, mãe de Jesus, e com os irmãos de Jesus.
— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus.
Salmo Responsorial — Lc 1, 46-47. 48-49. 50-51. 52-53. 54-55 (R. 49 ou:)

℟. O Poderoso fez por mim maravilhas, e Santo é o seu nome.
ou: Bendita sejais, ó Virgem Maria; trouxestes no ventre a Palavra eterna!

— 46A minhʼalma engrandece ao Senhor, 47e se alegrou o meu espírito em Deus, meu Salvador, ℟.

℟. O Poderoso fez por mim maravilhas, e Santo é o seu nome.
ou: Bendita sejais, ó Virgem Maria; trouxestes no ventre a Palavra eterna!

— 48pois, ele viu a pequenez de sua serva, desde agora as gerações hão de chamar-me de bendita. 49O Poderoso fez por mim maravilhas e Santo é o seu nome! ℟.

℟. O Poderoso fez por mim maravilhas, e Santo é o seu nome.
ou: Bendita sejais, ó Virgem Maria; trouxestes no ventre a Palavra eterna!

— 50Seu amor, de geração em geração, chega a todos que o respeitam. 51Demonstrou o poder de seu braço, dispersou os orgulhosos. ℟.

℟. O Poderoso fez por mim maravilhas, e Santo é o seu nome.
ou: Bendita sejais, ó Virgem Maria; trouxestes no ventre a Palavra eterna!

— 52Derrubou os poderosos de seus tronos e os humildes exaltou. 53De bens saciou os famintos e despediu, sem nada, os ricos. ℟.

℟. O Poderoso fez por mim maravilhas, e Santo é o seu nome.
ou: Bendita sejais, ó Virgem Maria; trouxestes no ventre a Palavra eterna!

— 54Acolheu Israel, seu servidor, fiel ao seu amor, 55como havia prometido aos nossos pais, em favor de Abraão e de seus filhos, para sempre. ℟.

℟. O Poderoso fez por mim maravilhas, e Santo é o seu nome.
ou: Bendita sejais, ó Virgem Maria; trouxestes no ventre a Palavra eterna!

℟. Aleluia, Aleluia, Aleluia.
℣. Maria, alegra-te, ó cheia de graça, o Senhor é contigo; és bendita entre todas as mulheres da terra! (Cf. Lc 1, 28) ℟.
℟. Aleluia, Aleluia, Aleluia.

Evangelho — Lc 1, 26-38

℣. O Senhor esteja convosco.
℟. Ele está no meio de nós.

℣. Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo ✠ segundo Lucas
℟. Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 26o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia, chamada Nazaré, 27a uma virgem, prometida em casamento a um homem chamado José. Ele era descendente de Davi e o nome da virgem era Maria. 28O anjo entrou onde ela estava e disse: “Alegra-te, cheia de graça, o Senhor está contigo!”
29Maria ficou perturbada com estas palavras e começou a pensar qual seria o significado da saudação. 30O anjo, então, disse-lhe: “Não tenhas medo, Maria, porque encontraste graça diante de Deus. 31Eis que conceberás e darás à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus. 32Ele será grande, será chamado Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi. 33Ele reinará para sempre sobre os descendentes de Jacó, e o seu reino não terá fim”.
34Maria perguntou ao anjo: “Como acontecerá isso, se eu não conheço homem algum?” 35O anjo respondeu: “O Espírito virá sobre ti, e o poder do Altíssimo te cobrirá com sua sombra. Por isso, o menino que vai nascer será chamado Santo, Filho de Deus. 36Também Isabel, tua parenta, concebeu um filho na velhice. Este já é o sexto mês daquela que era considerada estéril, 37porque para Deus nada é impossível”.
38Maria, então, disse: “Eis aqui a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra!” E o anjo retirou-se.
— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

SANTO DO DIA
Nossa Senhora do Rosário (Memória)

Data: 07 de Outubro

A devoção do Rosário começou a desenvolver-se no século XV, sobretudo, por obra dos dominicanos. A festa do Santo Rosário, por sua vez, foi instituída por São Pio V, papa dominicano, para lembrar a vitória das tropas cristãs contra os turcos, em torno de Lepanto, no dia 7 de outubro de 1571 e atribuída ao auxílio da Santa Mãe de Deus, invocada com a oração do Rosário. Esta memória mariana é, portanto, de origem devocional.

A celebração deste dia é um convite a todos os fiéis para que meditem os mistérios de Cristo, em companhia da Virgem Maria, que foi associada de modo muito especial à Encarnação, à Paixão e à Ressurreição do Filho de Deus. Os quinze mistérios estavam na base da contemplação da Encarnação, da Paixão e da Ressurreição, os mistérios gozosos, dolorosos e gloriosos. E cada cinco mistérios formavam um terço do Rosário; daí, sobretudo no Brasil, o termo “devoção do terço”, a “reza do terço”.

Com a introdução de mais cinco mistérios a serem contemplados, os mistérios luminosos acontecidos na vida pública de Jesus, os textos desta comemoração precisariam ser reformulados. Agora já não são quinze mistérios, mas vinte. Já não são 150 Ave-Marias, correspondendo aos 150 salmos, mas 200 Ave-Marias.

Em todo caso, creio que convém situar esta comemoração no âmbito de uma reflexão sobre a devoção do Santo Rosário. Podemos dizer que de certa forma o Rosário é o Breviário dos leigos. Quando o Breviário ou a Liturgia das Horas se tornou uma oração quase exclusiva do clero, o povo procurou sua forma de oração, mais simples e compreensível, sem precisar do uso de livros. Começou a meditar os Mistérios da Redenção de outra maneira. Na escola de oração de São Domingos e dos dominicanos formou-se um tipo de oração em que as leituras e as antífonas do Breviário foram substituídas pelos mistérios, e os salmos, pelas Ave-Marias.

Os 150 salmos foram substituídos pelas 150 Ave-Marias dos três terços (agora, quatro quartos), chamados mistérios gozosos, dolorosos e gloriosos. A oração do Rosário é, pois, uma meditação e um louvor. A meditação se faz sobretudo através da contemplação dos mistérios, ao passo que a resposta de louvor, através dos Pai-nossos, Ave-Marias e Glória-ao-Pai.

Mais importante do que conhecer como surgiu a devoção do Rosário é descobrir a sua riqueza. A devoção do Rosário contempla o Mistério da Redenção desde a Encarnação até a glória da Ascensão, de Pentecostes e a escatologia, contemplada em Maria.

Nos mistérios gozosos se contemplam o Mistério da Encarnação, os mistérios da manifestação do Verbo feito homem por amor dos homens. Vivemos os mistérios da manifestação celebrados pela Igreja sobretudo no Ciclo de Natal.

Nos mistérios dolorosos se contempla mais de perto a obra da Redenção pela Paixão e Morte de Cristo. É o tempo da Quaresma e da Paixão.

Nos mistérios gloriosos contemplamos a vitória de Cristo, o aspecto triunfante do mistério da Redenção em Cristo e em nós. Cristo venceu o pecado e a morte e ressuscitou. Celebramos o seu triunfo, subindo aos céus. Depois, contemplamos a continuação da vitória de Cristo pelo Espírito Santo na Igreja. Para evocar a contemplação da vitória final da Igreja, consideramos o triunfo de Maria elevada aos céus, como realização e prenúncio de nossa vitória e glorificação. Eis o Tempo da Páscoa e o Tempo durante o ano, de Pentecostes ao Advento.

Com o acréscimo dos mistérios da luz, que se realizaram durante os anos da vida pública de Jesus, desfez-se a trilogia tradicional do mistério pascal. “Querendo indicar à comunidade cristã cinco momentos significativos mistérios luminosos – desta fase da vida de Cristo, considero, diz o papa João Paulo II, que se podem justamente individuar: 1°) no seu batismo no Jordão; 2°) na sua autorrevelação nas bodas de Caná; 3°) no seu anúncio do reino de Deus com o convite à conversão; 4°) na sua Transfiguração e, enfim, 5°) na instituição da Eucaristia, expressão sacramental do mistério pascal” (cf. João Paulo II, Carta apostólica Rosarium Virginis Mariae, n. 21).

Afinal, todos os mistérios de Cristo, celebrados durante o Ano litúrgico, são contemplados na devoção do Rosário. Podemos dizer, então, que o Rosário é a meditação do povo cristão sobre os mistérios da Redenção, procurando conformar sua vida à de Cristo e de sua Mãe Santíssima.

Se por vários séculos o povo cristão conservou sua fé e se aprofundou no Mistério de Cristo, apesar de o “culto da Igreja” estar numa língua desconhecida, devemo-lo em grande parte à devoção do Rosário ou do terço rezado em particular ou em família. Agora, já não é mais o terço, mas, o “quarto”.

A devoção do Santo Rosário constitui, na verdade, uma espécie de Celebração da Palavra de Deus. Quando rezado em comum é a Igreja rezando, com a garantia da presença de Cristo no meio da comunidade orante. O importante é rezar o terço (o quarto) ou o Rosário não maquinalmente, mas de maneira consciente e pessoal, para que possa ser realmente eficaz.

No fundo a devoção do Rosário é uma devoção bem cristocêntrica. Por isso, podemos dizer que existe uma relação íntima entre o Rosário e a Eucaristia. Celebra-se o mesmo mistério de Cristo. Assim, a devoção do Rosário pode constituir, como a Liturgia das Horas, uma ressonância da Eucaristia e uma preciosa preparação para ela.

Os textos da Missa e da Liturgia das Horas expressam muito bem toda a riqueza da devoção do Santo Rosário. Como disse, merecem, porém, uma atualização em vista dos mistérios da luz.

Referência:
BECKHÄUSER, Frei Alberto. Os Santos na Liturgia: testemunhas de Cristo. Petrópolis: Vozes, 2013. 391 p. Adaptações: Equipe Pocket Terço.

Nossa Senhora do Rosário, rogai por nós!

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TERÇA-FEIRA, DIA 06 DE OUTUBRO DE 2026

XXVII SEMANA DO TEMPO COMUM
Cor Litúrgica verde

Primeira leitura
— Gl 1, 13-24

Leitura da Carta de São Paulo aos Gálatas

Irmãos, 13certamente ouvistes falar como foi outrora a minha conduta no judaísmo, com que excessos perseguia e devastava a Igreja de Deus 14e como progredia no judaísmo mais do que muitos judeus de minha idade, mostrando-me extremamente zeloso das tradições paternas.
15Quando, porém, aquele que me separou desde o ventre materno e me chamou por sua graça 16se dignou revelar-me o seu Filho, para que eu o pregasse entre os pagãos, não consultei carne nem sangue 17nem subi, logo, a Jerusalém para estar com os que eram apóstolos antes de mim. Pelo contrário, parti para a Arábia e, depois, voltei ainda a Damasco.
18Três anos mais tarde, fui a Jerusalém para conhecer Cefas e fiquei com ele quinze dias. 19E não estive com nenhum outro apóstolo, a não ser Tiago, o irmão do Senhor. 20Escrevendo estas coisas, afirmo diante de Deus que não estou mentindo.
21Depois, fui para as regiões da Síria e da Cilícia. 22Ainda não era pessoalmente conhecido das igrejas da Judéia que estão em Cristo. 23Apenas tinham ouvido dizer que “aquele que, antes, nos perseguia, está agora pregando a fé que, antes, procurava destruir”. 24E glorificavam a Deus por minha causa.
— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus.
Salmo Responsorial — Sl 138(139), 1-3. 13-14ab. 14c-15 (R. 24b)

℟. Conduzi-me no caminho para a vida, ó Senhor!

— 1Senhor, vós me sondais e conheceis, 2sabeis quando me sento ou me levanto; de longe penetrais meus pensamentos, 3percebeis quando me deito e quando eu ando, os meus caminhos vos são todos conhecidos. ℟.

℟. Conduzi-me no caminho para a vida, ó Senhor!

— 13Fostes vós que me formastes as entranhas, e no seio de minha mãe vós me tecestes. 14aEu vos louvo e vos dou graças, ó Senhor, porque de modo admirável me formastes! 14bQue prodígio e maravilha as vossas obras! ℟.

℟. Conduzi-me no caminho para a vida, ó Senhor!

— 14cAté o mais íntimo, Senhor me conheceis; 15nenhuma sequer de minhas fibras ignoráveis; quando eu era modelado ocultamente, era formado nas entranhas subterrâneas. ℟.

℟. Conduzi-me no caminho para a vida, ó Senhor!

℟. Aleluia, Aleluia, Aleluia.
℣. Feliz quem ouve e observa a palavra de Deus! (Lc 11, 28) ℟.
℟. Aleluia, Aleluia, Aleluia.
Evangelho — Lc 10, 38-42

℣. O Senhor esteja convosco.
℟. Ele está no meio de nós.

℣. Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo ✠ segundo Lucas
℟. Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 38Jesus entrou num povoado, e certa mulher, de nome Marta, recebeu-o em sua casa. 39Sua irmã, chamada Maria, sentou-se aos pés do Senhor, e escutava a sua palavra.
40Marta, porém, estava ocupada com muitos afazeres. Ela aproximou-se e disse: “Senhor, não te importas que minha irmã me deixe sozinha, com todo o serviço? Manda que ela me venha ajudar!” 41O Senhor, porém, lhe respondeu: “Marta, Marta! Tu te preocupas e andas agitada por muitas coisas. 42Porém, uma só coisa é necessária. Maria escolheu a melhor parte e esta não lhe será tirada”.
— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

SANTO DO DIA
São Bruno (Memória Facultativa)

Local: La Torre, Itália
Data: 06 de Outubro † 1101

Bruno, de família nobre de Colônia, Alemanha, nasceu em 1035. Fez seus estudos superiores em Reims e Paris. Ordenado sacerdote, voltou para sua cidade natal, exercendo o ministério pastoral.

O arcebispo de Reims, que conhecia suas grandes qualidades de inteligência e piedade, convidou-o para lecionar na célebre escola de sua Catedral. Mestre de grandes méritos, desempenhou o magistério sem grandes dificuldades enquanto vivia o arcebispo. Bruno, homem reto e piedoso, não suportou as arbitrariedades do novo bispo.

Depois de lecionar por mais de vinte e cinco anos em Reims, já cinquentenário, o cônego Bruno começou a amadurecer um projeto que faria dele o fundador de uma das ordens religiosas mais severas da Igreja. Após curtos estágios em mosteiros beneditinos, retirou-se com alguns seguidores para a região deserta de Chartreuse (Cartuxa), na diocese de Grenoble no sul da França. Procurou o bispo de Grenoble, expondo-lhe seu plano de vida religiosa. Este se entusiasmou com a iniciativa e ofereceu-lhes o lugar apropriado para a solidão. Estava lançada a semente da Ordem eremítica dos Cartuxos ou cartusianos, em que predominava a vida solitária, temperada apenas pela reunião dos monges nos atos litúrgicos.

Ao ser eleito Papa, Urbano II (1088-1099), antigo discípulo do mestre Bruno em Reims, chamou-o a Roma como seu auxiliar.

Pouco tempo ficou ali o amante do silêncio. Fundou na Calábria ainda o mosteiro de Santa Maria da Torre, onde veio a falecer em 1101. A Ordem dos Cartuxos que atravessou a história sem nenhuma reforma conta ainda com uma vintena de mosteiros, com pouco mais de quatrocentos monges, sendo que, há alguns anos, foi fundado o mosteiro Nossa Senhora Medianeira, em Ivorá, na arquidiocese de Santa Maria, Rio Grande do Sul.

A mensagem de São Bruno: Foi mestre intransigente da verdade. Mas o que talvez mais o tivesse distinguido foi a contemplação com especial realce no silêncio. São Bruno foi chamado por Deus a lhe servir na solidão. A Oração coleta pede que, por suas preces, estejamos sempre voltados para Deus, em meio à agitação do mundo. O mundo de hoje, tão bombardeado pelos meios sociais, certamente está precisando da solidão e do silêncio para encontrar-se com mais facilidade com Deus e com o próximo.

Referência:
BECKHÄUSER, Frei Alberto. Os Santos na Liturgia: testemunhas de Cristo. Petrópolis: Vozes, 2013. 391 p. Adaptações: Equipe Pocket Terço.

São Bruno, rogai por nós!

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SEGUNDA-FEIRA, DIA 05 DE OUTUBRO DE 2026

Memória Facultativa
São Benedito, , Religioso
Santa Maria Faustina Kowalska, apóstola da Divina Misericórdia

Primeira leitura
— Gl 1, 6-12

Leitura da Carta de São Paulo aos Gálatas

Irmãos, 6admiro-me de terdes abandonado tão depressa aquele que vos chamou, na graça de Cristo, e de terdes passado para um outro evangelho. 7Não que haja outro evangelho, mas algumas pessoas vos estão perturbando e querendo mudar o evangelho de Cristo. 8Pois bem, mesmo que nós ou um anjo vindo do céu vos pregasse um evangelho diferente daquele que vos pregamos, seja excomungado. 9Como já dissemos e agora repito: Se alguém vos pregar um evangelho diferente daquele que recebestes, seja excomungado. 10Será que eu estou buscando a aprovação dos homens ou a aprovação de Deus? Ou estou procurando agradar aos homens? Se eu ainda estivesse preocupado em agradar aos homens, não seria servo de Cristo.
11Irmãos, asseguro-vos que o evangelho pregado por mim não é conforme a critérios humanos. 12Com efeito, não o recebi nem aprendi de homem algum, mas por revelação de Jesus Cristo.
— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus.
Salmo Responsorial — Sl 110(111), 1-2. 7-8. 9 e 10c (R. 5b)

℟. O Senhor se lembra sempre da Aliança.
Ou: Aleluia, Aleluia, Aleluia.

— 1Eu agradeço a Deus de todo o coração junto com todos os seus justos reunidos! 2Que grandiosas são as obras do Senhor, elas merecem todo o amor e admiração! ℟.

℟. O Senhor se lembra sempre da Aliança.
Ou: Aleluia, Aleluia, Aleluia.

— 7Suas obras são verdade e são justiça, seus preceitos, todos eles, são estáveis, 8confirmados para sempre e pelos séculos, realizados na verdade e retidão. ℟.

℟. O Senhor se lembra sempre da Aliança.
Ou: Aleluia, Aleluia, Aleluia.

— 9Enviou libertação para o seu povo, confirmou sua Aliança para sempre. Seu nome é santo e é digno de respeito. 10cPermaneça eternamente o seu louvor. ℟.

℟. O Senhor se lembra sempre da Aliança.
Ou: Aleluia, Aleluia, Aleluia.

℟. Aleluia, Aleluia, Aleluia.
℣. Eu vos dou novo preceito: que uns aos outros vos ameis, como eu vos tenho amado. (Jo 13, 34) ℟.
℟. Aleluia, Aleluia, Aleluia.
Evangelho — Lc 10, 25-37

℣. O Senhor esteja convosco.
℟. Ele está no meio de nós.

℣. Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo ✠ segundo Lucas
℟. Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 25um mestre da Lei se levantou e, querendo pôr Jesus em dificuldade, perguntou: “Mestre, que devo fazer para receber em herança a vida eterna?” 26Jesus lhe disse: “O que está escrito na Lei? Como lês?” 27Ele então respondeu: “Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração e com toda a tua alma, com toda a tua força e com toda a tua inteligência; e ao teu próximo como a ti mesmo!” 28Jesus lhe disse: “Tu respondeste corretamente. Faze isso e viverás”.
29Ele, porém, querendo justificar-se, disse a Jesus: “E quem é o meu próximo?” 30Jesus respondeu: “Certo homem descia de Jerusalém para Jericó e caiu nas mãos de assaltantes. Estes arrancaram-lhe tudo, espancaram-no, e foram-se embora deixando-o quase morto. 31Por acaso, um sacerdote estava descendo por aquele caminho. Quando viu o homem, seguiu adiante, pelo outro lado. 32O mesmo aconteceu com um levita: chegou ao lugar, viu o homem e seguiu adiante, pelo outro lado. 33Mas um samaritano que estava viajando, chegou perto dele, viu e sentiu compaixão. 34Aproximou-se dele e fez curativos, derramando óleo e vinho nas feridas. Depois colocou o homem em seu próprio animal e levou-o a uma pensão, onde cuidou dele. 35No dia seguinte, pegou duas moedas de prata e entregou-as ao dono da pensão, recomendando: ʽToma conta dele! Quando eu voltar, vou pagar o que tiveres gasto a maisʼ”.
E Jesus perguntou: 36“Na tua opinião, qual dos três foi o próximo do homem que caiu nas mãos dos assaltantes?” 37Ele respondeu: “Aquele que usou de misericórdia para com ele”. Então Jesus lhe disse: “Vai e faze a mesma coisa”.
— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

SANTO DO DIA
São Benedito
São Benedito, , Religioso (Memória Facultativa)

Local: Palermo, Itália
Data: 05 de Outubro † 1589

Nas terras da Sicília, em 1524, Deus preparava o caminho para um santo que traria luz à escuridão do mundo, acendendo os corações com o fogo da fé e da humildade. São Benedito, filho de africanos que haviam sido escravizados, nasceu no vilarejo de San Fratello. Sua vida, desde o primeiro instante, foi marcada pelo toque divino. Mesmo nascendo em condições humildes, Benedito carregava dentro de si um senso profundo de liberdade: a liberdade de servir, amar e confiar completamente em Jesus e Maria.

Desde menino, Benedito destacava-se por sua pureza de coração e por sua devoção à Santíssima Virgem. Seus pais, apesar da dureza de vida, transmitiram-lhe a fé, e Benedito abraçou cada ensinamento com simplicidade e fervor. Quando trabalhava como pastor, era frequente encontrá-lo em oração, sempre elevando seu coração a Deus em meio às tarefas mais cotidianas.

Aos 18 anos, Benedito deixou sua casa e juntou-se a um grupo de eremitas franciscanos. Lá, no silêncio das montanhas, ele dedicou sua vida à oração e à penitência, buscando uma união mais profunda com Deus. Mesmo na solidão, sua santidade começou a chamar a atenção, e muitos procuravam Benedito em busca de milagres e de conselhos espirituais. Embora fosse analfabeto, sua sabedoria e dons espirituais eram evidentes para todos que o conheciam.

Foi nesse período que Benedito começou a enfrentar intensas batalhas espirituais. Tal como Santo Antônio, ele foi atormentado por tentações, mas sua fé o manteve firme. A confiança que depositava em Deus era inabalável, e cada provação servia apenas para aproximá-lo ainda mais do Senhor. A partir de então, sua vida passou a ser marcada por uma série de milagres, como curas, multiplicações de alimentos e, inclusive, a ressurreição de mortos.

Em obediência à ordem do Papa Pio IV, Benedito foi chamado a deixar sua vida de eremita e ingressou no convento de Santa Maria de Jesus, em Palermo, onde assumiu a função de cozinheiro. Era na simplicidade da cozinha que Benedito continuava a exercer sua santidade. Relatos de época contam que, quando os alimentos começavam a faltar, Benedito confiava em Deus, e a comida se multiplicava de forma milagrosa. Ele sempre atribuía esses prodígios à providência divina, sem jamais buscar glória para si.

Mesmo com uma função tão humilde, Benedito logo foi chamado a posições de maior responsabilidade. Em 1578, ele foi eleito Superior do convento, apesar de ser um simples irmão leigo e analfabeto. Sua liderança, marcada pela obediência, humildade e amor, trouxe paz e fervor espiritual à comunidade. Ao fim de seu mandato, retornou com alegria às suas atividades na cozinha, servindo seus irmãos com a mesma dedicação.

Um dos aspectos mais comoventes da vida de São Benedito era sua profunda devoção ao Menino Jesus. Ele passava longos momentos em oração diante de uma imagem de Nossa Senhora, que até hoje se conserva na igreja principal do convento de Palermo. Conta-se que, em uma dessas ocasiões de oração, Nossa Senhora lhe oferecia o Menino Jesus para que ele o sustentasse em seus braços. Com uma simplicidade encantadora, Benedito permanecia brincando com o Menino Deus entre seus braços, profundamente imerso na sua oração.

No entanto, sua obediência era tão grande aos compromissos da vida comunitária que, em certo momento, ao ouvir o sino do convento, Benedito, para não se atrasar, rapidamente lançou o Menino Jesus nos braços de Nossa Senhora, saindo apressado para cumprir suas tarefas. Curiosamente, a imagem de Nossa Senhora parece, desde então, segurar o Menino Jesus de forma um tanto desajeitada, como um testemunho visível da simplicidade e obediência de Benedito. Esse episódio revela não só sua intimidade com Deus, mas também seu compromisso com a disciplina da vida religiosa.

A vida de São Benedito era uma contínua comunhão entre o céu e a terra. Ele vivia intensamente sua fé, seja nas tarefas mais simples, seja nos momentos de oração profunda. Sua humildade e serviço constantes faziam dele um reflexo da vida de Cristo, especialmente no cuidado pelos pobres e necessitados. Em uma ocasião, ao ver um irmão prestes a jogar fora um pedaço de pão, Benedito correu e pegou o alimento, dizendo: “Não jogue fora este pão, aqui contém o sangue dos pobres!” Esse gesto revelou a compaixão profunda que ele nutria por aqueles que sofriam e sua compreensão de que cada ato de generosidade e cuidado tinha um valor eterno.

Benedito era também um homem de milagres. Além das curas, ele multiplicava os alimentos para alimentar os frades e os pobres que vinham ao convento em busca de ajuda. Mesmo em sua simplicidade, os dons espirituais de Benedito atraíam multidões, mas ele sempre procurava manter-se longe das glórias humanas, atribuindo tudo à vontade de Deus e à intercessão da Santíssima Virgem.

Em 1589, São Benedito faleceu em plena fama de santidade, aos 63 anos. Seu corpo foi encontrado incorrupto, exalando um suave perfume, sinal da pureza com que viveu. Logo após sua morte, a devoção a São Benedito se espalhou por toda a Europa, alcançando também as Américas.

No Brasil, São Benedito se tornou um dos santos mais venerados, especialmente entre as comunidades afro-brasileiras. Sua história de humildade e serviço tocava profundamente os corações de escravizados e oprimidos, que o viam como um exemplo de dignidade e santidade. Em diversas regiões do país, as congadas e irmandades se formaram para honrar sua memória e espalhar sua devoção. O povo brasileiro, especialmente nas regiões mais simples, carrega São Benedito no coração como um protetor e intercessor poderoso, alguém que verdadeiramente entende as dores e lutas da vida.

Nos dias de festa em sua honra, é comum ver procissões, cantos e celebrações em várias partes do Brasil. Em Palermo, no museu do convento onde repousam seus restos mortais, há fotos e registros das inúmeras paróquias e capelas brasileiras dedicadas ao santo, testemunhando o amor e devoção do povo brasileiro.

São Benedito é um exemplo vivo de como a santidade não depende de riqueza, status ou conhecimento, mas de uma alma simples, cheia de amor e disposição para servir a Deus e aos outros. Ele nos ensina que a verdadeira grandeza está na humildade, no serviço silencioso e na profunda confiança em Deus. Que, por sua intercessão, possamos aprender a trilhar o caminho da santidade, amando e servindo com a mesma devoção com que ele amou Jesus e Maria.

Referência:
• Instituto Plinio Corrêa de Oliveira. “São Benedito, o Mouro – 05 de outubro”. 2024.
• Redemptor. “São Benedito, o Preto – 4 de abril”.
• Phillip Mericle. “São Benedito, o Mouro – A vida e a santidade de um exemplo extraordinário.”
• Vatican News. “São Benedito: um dos santos mais amados pelos brasileiros”. Bruno Franguelli, SJ.

São Benedito, rogai por nós!

Santa Maria Faustina Kowalska, apóstola da Divina Misericórdia

Origens 
A mística da Misericórdia nasceu no dia 25 de agosto de 1905, em Glogowiec, na Polônia Central. Faustina foi a terceira dos dez filhos do casal Stanislaus e Marianna Kowalska, que os educaram com grande disciplina espiritual. Muito pobres, só foi possível à Faustina que completasse três anos de estudos. Ela e suas irmãs tinham apenas um bom vestido que tinham de revezar para ir às missas. Todas as irmãs iam à missa, mas cada uma assistia a uma missa diferente. Ela também trabalhou de doméstica por um tempo, antes de entrar no convento. 
Juventude
Com 18 anos, a jovem Faustina disse à sua mãe que desejava ser religiosa, mas os pais não permitiram. Aos 19 anos, estava dançando em um baile, quando viu Jesus coberto de chagas parado junto a si, então, Ele lhe disse: “Até quando hei de ter paciência contigo? Até quando tu me enganarás?”. Faustina disfarçou o acontecido para que sua irmã não percebesse. Quando pôde, abandonou discretamente o baile e dirigiu-se até a Catedral de São Estanislau Kostka. Na Igreja, ela pediu ao Senhor, em oração profunda, que lhe mostrasse o caminho a ser seguido, logo escutou uma voz que lhe dizia: “Vá imediatamente a Varsóvia, lá entrarás em um convento”.
Ousadia de Santa Faustina para o encontro de Jesus
No outro dia, apenas com a roupa do corpo, decidiu sair de sua casa mesmo sem a permissão dos pais. Ela vagou de convento em convento sendo rejeitada por causa de sua baixa escolaridade e pobreza. Depois de várias semanas de busca, a Madre Superiora do convento das Irmãs de Nossa Senhora da Misericórdia decidiu lhe dar uma chance com a condição de que pagasse pelo ingresso, o que a levou a trabalhar como doméstica por um ano, período em que fazia depósitos na conta do convento até que completasse o montante exigido. 
Entrada no Convento
Em 30 de abril de 1926, aos 20 anos, ingressou no convento adotando o nome de Maria Faustina do Santíssimo Sacramento. O nome Faustina significa abençoada, afortunada e pode ser uma referência ao mártir cristão Faustinus. Segundo conta em seus diários, poucas semanas depois de seu ingresso no convento, teve a tentação de abandoná-lo.
Da quase saída do convento ao abandono em Deus 
Chegou a procurar a Madre Superiora, porém, não encontrou-a, retirando-se então para seu dormitório. Lá teve uma visão de Jesus, com seu rosto desfigurado por conta das chagas. Ela questionou-o: “Jesus, quem te feriu tanto?”. Jesus respondeu: “Esta é a dor que me causarias se tivesses abandonado este convento. É para cá que eu te trouxe e não para outro; e tenho preparadas para ti muitas bênçãos”. Ela compreendeu que o plano de Deus para ela era que ficasse ali. O tempo que lhe sobrava dos trabalhos e obrigações passava-se em adoração ao Senhor culto no tabernáculo; d’Ele recebeu luzes especialíssimas sobre o mistério da Santíssima Trindade e as demais verdades da Fé, de forma que costumava dizer: “Ele é meu Mestre”.
Trabalhos no Convento
Neste convento, trabalhou na cozinha e como cuidadora de outras irmãs. Em abril de 1928, fez votos como freira, seus pais estiveram presentes na cerimônia. Um ano mais tarde, Faustina foi enviada a um convento de Vilnius, Lituânia, onde também trabalhou como cozinheira, ficou por pouco tempo, mas retornou ao local mais tarde, ocasião em que encontrou com Michał Sopoćko, que apoiou sua missão. Um ano depois de seu retorno de Vilnius, em maio de 1930, ela foi transferida para um convento em Płock, na Polônia, onde ficou por cerca de 5 anos.
A Primeira Revelação de Jesus 
Em 22 de fevereiro de 1931, Irmã Faustina relatou, em seus diários (diário I, sessões 47, 48 e 49), ter tido a primeira revelação de Jesus enquanto Rei da Divina Misericórdia em seu quarto. Segundo ela, Jesus apareceu vestido de branco e de seu coração emanava feixes de luz vermelho e branco. 
O pedido de Jesus para Santa Faustina 
Entre outras coisas, Jesus pediu-lhe que pintasse uma imagem sua, fiel à imagem que se mostrava a ela. A imagem deveria conter a inscrição: “Jesus, eu confio em vós”. Jesus manifestou a vontade de que esta imagem fosse venerada, primeiro, em sua capela, posteriormente, no mundo todo e solenemente no domingo que sucede ao domingo de Páscoa, Jesus ainda teria dito a ela que quem quer que venerasse tal imagem seria salvo. Por não saber pintar, Faustina solicitou ajuda das irmãs de seu convento, contudo, não recebeu nenhum auxílio. 
O Livro de suas Visões 
Em 1933, ela começou a ser dirigida pelo Padre Sopoćko, que, ao ouvir suas experiências místicas, procurou submetê-la a avaliações psiquiátricas. Depois que a Dra. Helena Maciejewska deu o parecer de sanidade, padre Sopoćko teve confiança e começou a aconselhá-la. Pediu que escrevesse um diário para registrar as mensagens que recebia e conversas que tinha com Jesus, livro que se tornou mundialmente famoso e um verdadeiro guia espiritual para as almas. 
Imagem da Divina Misericórdia
Faustina contou ao padre sobre a imagem da Divina Misericórdia, em janeiro de 1934, ele a apresentou ao artista plástico Eugene Kazimierowski, que finalizou a obra em junho desse mesmo ano. Entretanto, a imagem que tornou-se famosa no mundo inteiro foi realizada pelo pintor Adolf Hyła, feita em agradecimento pela salvação de sua família da guerra.
Terço da Divina Misericórdia
Faustina escreveu (n. 476) a respeito de uma visão envolvendo o Terço da Divina Misericórdia, o propósito das orações do terço são: obter misericórdia, confiar na misericórdia de Cristo e mostrar misericórdia para com os outros. 
Festa da Divina Misericórdia
Também relatou (n. 1044) que teve uma visão na qual a Festa da Divina Misericórdia seria celebrada na sua capela local e seria assistida por uma multidão de fiéis; e que a mesma cerimônia também teria lugar em Roma e seria conduzida pelo Papa. Em 1937, Faustina recebeu uma mensagem de Jesus com instruções sobre a Novena da Divina Misericórdia. Esse ano foi marcado pela divulgação das mensagens da Divina Misericórdia, foram impressos os primeiros cartões com a imagem da Divina Misericórdia, também foi publicado um panfleto intitulado Cristo, o Rei da Misericórdia, que incluía o terço, a novena e a litania da Divina Misericórdia.
Páscoa 
Santa Faustina sofreu muito, e por muitos anos, com a tuberculose, os dez últimos anos de sua vida foram particularmente atrozes. No dia 5 de outubro de 1938, sussurrou à irmã enfermeira: “Hoje, o Senhor me receberá”. E assim aconteceu. Foi beatificada a 18 de abril de 1993, pelo Papa João Paulo II, Santa Faustina, a “Apóstola da Divina Misericórdia”; e foi canonizada pelo mesmo Sumo Pontífice no dia 30 de abril de 2000.
Minha oração
“Querida apóstola da misericórdia, educai-nos para que vivamos da melhor maneira esse conselho evangélico, nele encontremos a misericórdia divina e sejamos misericordiosos com nossos irmãos. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.”
Santa Maria Faustina Kowalska , rogai por nós!

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DOMINGO, DIA 04 DE OUTUBRO DE 2026

XXVII DOMINGO DO TEMPO COMUM
Cor Litúrgica verde

Primeira leitura
— Is 5, 1-7

Leitura do Livro do Profeta Isaías

Vou cantar para o meu amado o cântico da vinha de um amigo meu: Um amigo meu possuía uma vinha em fértil encosta. 2Cercou-a, limpou-a de pedras, plantou videiras escolhidas, edificou uma torre no meio e construiu um lagar; esperava que ela produzisse uvas boas, mas produziu uvas selvagens.
3Agora, habitantes de Jerusalém e cidadãos de Judá, julgai a minha situação e a de minha vinha. 4O que poderia eu ter feito a mais por minha vinha e não fiz? Eu contava com uvas de verdade, mas por que produziu ela uvas selvagens?
5Pois agora vou mostrar-vos o que farei com minha vinha: vou desmanchar a cerca, e ela será devastada; vou derrubar o muro, e ela será pisoteada. 6Vou deixá-la inculta e selvagem: ela não será podada nem lavrada, espinhos e sarças tomarão conta dela; não deixarei as nuvens derramar a chuva sobre ela. 7Pois bem, a vinha do Senhor dos exércitos é a casa de Israel, e o povo de Judá, sua dileta plantação; eu esperava deles frutos de justiça — e eis injustiça; esperava obras de bondade — e eis iniquidade.
— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus.

Salmo Responsorial — Sl 79(80), 9. 12. 13-14. 15-16. 19-20 (R. Is 5, 7a)

℟. A vinha do Senhor é a casa de Israel.

— Arrancastes do Egito esta videira, e expulsastes as nações para plantá-la; até o mar se estenderam seus sarmentos, até o rio os seus rebentos se espalharam. ℟.

℟. A vinha do Senhor é a casa de Israel.

— Por que razão vós destruístes sua cerca, para que todos os passantes a vindimem, o javali da mata virgem a devaste, e os animais do descampado nela pastem? ℟.

℟. A vinha do Senhor é a casa de Israel.

— Voltai-vos para nós, Deus do universo! Olhai dos altos céus e observai. Visitai a vossa vinha e protegei-a! Foi a vossa mão direita que a plantou; protegei-a, e ao rebento que firmastes! ℟.

℟. A vinha do Senhor é a casa de Israel.

— E nunca mais vos deixaremos, Senhor Deus! Dai-nos vida, e louvaremos vosso nome! Convertei-nos, ó Senhor Deus do universo, e sobre nós iluminai a vossa face! Se voltardes para nós, seremos salvos! ℟.

℟. A vinha do Senhor é a casa de Israel.

Segunda leitura
— Fl 4, 6-9

Leitura da Carta de São Paulo aos Filipenses

Irmãos: 6Não vos inquieteis com coisa alguma, mas apresentai as vossas necessidades a Deus, em orações e súplicas, acompanhadas de ação de graças. 7E a paz de Deus, que ultrapassa todo o entendimento, guardará os vossos corações e pensamentos em Cristo Jesus. 8Quanto ao mais, irmãos, ocupai-vos com tudo o que é verdadeiro, respeitável, justo, puro, amável, honroso, tudo o que é virtude ou de qualquer modo mereça louvor.
9Praticai o que aprendestes e recebestes de mim, ou que de mim vistes e ouvistes. Assim, o Deus da paz estará convosco.
— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus.

℟. Aleluia, Aleluia, Aleluia.
℣. Eu vos escolhi, foi do meio do mundo, a fim de que deis um fruto que dure. Eu vos escolhi, foi do meio do mundo. Amém! Aleluia, Aleluia! (Cf. Jo 15, 16) ℟.
℟. Aleluia, Aleluia, Aleluia.
Evangelho — Mt 21, 33-43

℣. O Senhor esteja convosco.
℟. Ele está no meio de nós.

℣. Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo ✠ segundo Mateus 
℟. Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, Jesus disse aos sumos sacerdotes e aos anciãos do povo: 33“Escutai esta outra parábola: Certo proprietário plantou uma vinha, pôs uma cerca em volta, fez nela um lagar para esmagar as uvas, e construiu uma torre de guarda. Depois, arrendou-a a vinhateiros, e viajou para o estrangeiro. 34Quando chegou o tempo da colheita, o proprietário mandou seus empregados aos vinhateiros para receber seus frutos. 35Os vinhateiros, porém, agarraram os empregados, espancaram a um, mataram a outro, e ao terceiro apedrejaram.
36O proprietário mandou de novo outros empregados, em maior número do que os primeiros. Mas eles os trataram da mesma forma. 37Finalmente, o proprietário enviou-lhes o seu filho, pensando: ‘Ao meu filho eles vão respeitar’.
38Os vinhateiros, porém, ao verem o filho, disseram entre si: ‘Este é o herdeiro. Vinde, vamos matá-lo e tomar posse da sua herança!’ 39Então agarraram o filho, jogaram-no para fora da vinha e o mataram. 40Pois bem, quando o dono da vinha voltar, o que fará com esses vinhateiros?”
41Os sumos sacerdotes e os anciãos do povo responderam: “Com certeza mandará matar de modo violento esses perversos e arrendará a vinha a outros vinhateiros, que lhe entregarão os frutos no tempo certo”.
42Então Jesus lhes disse: “Vós nunca lestes nas Escrituras: ‘A pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a pedra angular; isto foi feito pelo Senhor e é maravilhoso aos nossos olhos?’
43Por isso, eu vos digo: o Reino de Deus vos será tirado e será entregue a um povo que produzirá frutos”.
— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

SANTO DO DIA
São Francisco de Assis, Religioso (Memória)

Local: Assis, Itália
Data: 04 de Outubro † 1226

São Francisco nasceu em Assis, cidade medieval da Úmbria, no centro da Itália, em 1182. O pai, notável comerciante, ambicionava que seu filho continuasse na mesma carreira, mas Francisco não possuía o perfil de comerciante. De gênio alegre e folgazão, sentia em si um forte pendor para os prazeres do mundo.

Quando jovem, sonhou com as glórias militares. Participou de uma guerra entre a cidade de Assis e a vizinha cidade de Perugia, mas não foi feliz. Acabou sendo preso e colocado em dura prisão, onde ficou sofrendo por um ano. Quando dava início a outra aventura militar, sentiu repentina crise de consciência que lhe questionava a validade das ações militares. Voltou logo para sua cidade natal e, aos poucos, foi amadurecendo nele uma radical conversão: Deus o chamava, não às vaidades do mundo, não à glória militar, nem à ambição do comércio, mas à imitação radical do Cristo pobre e crucificado. Depois de usar de misericórdia para com os leprosos (Testamento), converteu-se ao Evangelho e viveu-o com extrema coerência, em pobreza e grande alegria, seguindo o Cristo humilde, pobre e casto, conforme as bem-aventuranças.

A partir de 1208 começou a ser imitado por alguns seguidores e, quando no ano seguinte Inocêncio III aprovava oralmente seu novo estilo de vida cristã, nascia a Ordem dos Frades Menores. A Regra ou Forma de Vida que ele deixou era simples: Vida de oração e contemplação, pobreza, como imitação do Cristo pobre e humilde, no mistério da Encarnação, da Cruz e da Eucaristia, a fraternidade universal, a vida de penitência ou de conversão evangélica permanente e a pregação do Evangelho, tendo como centro o Amor a Deus e ao próximo.

Com a jovem conterrânea Clara, que quis seguir seu ideal, lançou os fundamentos da Ordem II, a das Damas Pobres ou Clarissas. Em 1221 nascia também, à sua sombra, o movimento de leigos denominado Ordem Terceira, hoje, Ordem Franciscana Secular. Dois anos antes da morte selou, por assim dizer, sua ânsia de semelhança com Jesus Cristo através dos estigmas. Seus últimos anos de vida foram atormentados por várias doenças que culminaram na cegueira quase total. Faleceu na tarde do dia 3 de outubro de 1226 com 44 anos de idade.

São Francisco é, sem dúvida, uma das mais atraentes personalidades da história, um patrimônio de toda a humanidade, homem sem fronteiras que tem atraído a simpatia de todos indistintamente. Já os contemporâneos se impressionaram profundamente com ele. Nos primeiros decênios depois de sua morte os escritores se empenharam em descrever o mistério de sua vida tão rica. Hoje ainda ele continua a entusiasmar os estudiosos. É difícil dizer o que mais fascina em São Francisco. Foi, sem dúvida, o homem apaixonado pelo Deus-Amor, a quem quis corresponder com uma resposta de Amor. É visto como Evangelho vivo. Multidões o contemplam como o “Pobrezinho”, o irmão universal. O historiador alemão Joseph Lortz deu-lhe o título de “Santo Incomparável”.

É significativo que o santo não é caracterizado, não é colocado em nenhum grupo de santos. Não é apresentado como religioso nem como diácono. Talvez, qualquer caracterização reduzisse a grandeza deste santo universal, “o homem de Deus”.

Como é que o apresenta a Liturgia? Homem de Deus, pobre e desvalido (Antífona da Entrada). Homem semelhante a Cristo por uma vida de humildade e pobreza, seguidor de Jesus Cristo na perfeita alegria (Oração coleta). A Oração sobre as oferendas lança Francisco no mistério da Cruz, abraçado com intenso amor. A Antífona da Comunhão volta à bem-aventurança da pobreza vivida por Francisco. A Oração depois da Comunhão volta a realçar o grande amor de São Francisco, chamado na Ordem o Serafim de Assis, e o seu zelo apostólico no empenho pela salvação de todos.

Referência:
BECKHÄUSER, Frei Alberto. Os Santos na Liturgia: testemunhas de Cristo. Petrópolis: Vozes, 2013. 391 p. Adaptações: Equipe Pocket Terço.

São Francisco de Assis, rogai por nós!

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SÁBADO, DIA 03 DE OUTUBRO DE 2026

Santos André de Soveral e Ambrósio Francisco Ferro, Presbíteros, Mateus Moreira e companheiros, Mártires, Memória
Cor Litúrgica vermelha

Primeira leitura
— Jó 42, 1-3. 5-6. 12-16

Leitura do Livro de Jó

1Jó respondeu ao Senhor, dizendo: 2“Reconheço que podes tudo e que para ti nenhum pensamento é oculto. 3- Quem é esse que ofusca a Providência, sem nada entender? Falei, pois, de coisas que não entendia, de maravilhas que ultrapassam a minha compreensão. 5Conhecia o Senhor apenas por ouvir falar, mas, agora, eu o vejo com meus olhos. 6Por isso me retrato e faço penitência no pó e na cinza”.
12O Senhor abençoou a Jó no fim de sua vida mais do que no princípio; ele possuía agora catorze mil ovelhas, seis mil camelos, mil juntas de bois e mil jumentas. 13Teve outros sete filhos e três filhas: 14a primeira chamava-se “Rola”, a segunda “Cássia”, e a terceira “Azeviche”. 15Não havia em toda a terra mulheres mais belas que as filhas de Jó. Seu pai lhes destinou uma parte da herança, entre os seus irmãos. 16Depois destes acontecimentos, Jó viveu cento e quarenta anos, e viu seus filhos e os filhos de seus filhos até a quarta geração. E Jó morreu velho e repleto de anos.
— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus.

Salmo Responsorial — Sl 118(119), 66. 71. 75. 91. 125. 130 (R. 135a)

℟. Fazei brilhar vosso semblante ao vosso servo e ensinai-me vossas leis e mandamentos.

— 66Dai-me bom senso, retidão, sabedoria, pois tenho fé nos vossos santos mandamentos! ℟.

℟. Fazei brilhar vosso semblante ao vosso servo e ensinai-me vossas leis e mandamentos.

— 71Para mim foi muito bom ser humilhado, porque assim eu aprendi vossa vontade! ℟.

℟. Fazei brilhar vosso semblante ao vosso servo e ensinai-me vossas leis e mandamentos.

— 75Sei que os vossos julgamentos são corretos, e com justiça me provastes, ó Senhor! ℟.

℟. Fazei brilhar vosso semblante ao vosso servo e ensinai-me vossas leis e mandamentos.

— 91Porque mandastes, tudo existe até agora; todas as coisas, ó Senhor, vos obedecem! ℟.

℟. Fazei brilhar vosso semblante ao vosso servo e ensinai-me vossas leis e mandamentos.

— 125Sou vosso servo: concedei-me inteligência, para que eu possa compreender vossa Aliança! ℟.

℟. Fazei brilhar vosso semblante ao vosso servo e ensinai-me vossas leis e mandamentos.

— 130Vossa palavra, ao revelar-se, me ilumina, ela dá sabedoria aos pequeninos. ℟.

℟. Fazei brilhar vosso semblante ao vosso servo e ensinai-me vossas leis e mandamentos.

℟. Aleluia, Aleluia, Aleluia.
℣. Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, pois revelaste os mistérios do teu Reino aos pequeninos, escondendo-os aos doutores! (cf. Mt 11, 25) ℟.
℟. Aleluia, Aleluia, Aleluia.
Evangelho — Lc 10, 17-24

℣. O Senhor esteja convosco.
℟. Ele está no meio de nós.

℣. Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo ✠ segundo Lucas
℟. Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 17os setenta e dois voltaram muito contentes, dizendo: “Senhor, até os demônios nos obedeceram por causa do teu nome”. 18Jesus respondeu: “Eu vi Satanás cair do céu, como um relâmpago. 19Eu vos dei o poder de pisar em cima de cobras e escorpiões e sobre toda a força do inimigo. E nada vos poderá fazer mal. 20Contudo, não vos alegreis porque os espíritos vos obedecem. Antes, ficai alegres porque vossos nomes estão escritos no céu”.
21Naquele momento, Jesus exultou no Espírito Santo e disse: “Eu te louvo, Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste essas coisas aos sábios e inteligentes, e as revelaste aos pequeninos. Sim, Pai, porque assim foi do teu agrado. 22Tudo me foi entregue pelo meu Pai. Ninguém conhece quem é o Filho, a não ser o Pai; e ninguém conhece quem é o Pai, a não ser o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar”.
23Jesus voltou-se para os discípulos e disse-lhes em particular: “Felizes os olhos que veem o que vós vedes! 24Pois eu vos digo que muitos profetas e reis quiseram ver o que estais vendo, e não puderam ver; quiseram ouvir o que estais ouvindo, e não puderam ouvir”.
— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

SANTO DO DIA
Santo André de Soveral, Ambrósio Ferro e companheiros (Memória)

Local: Rio Grande do Norte, Brasil
Data: 03 de Outubro † 1645

São 28 os companheiros mártires leigos, homens, mulheres e crianças. Eles são conhecidos também como os Mártires do Rio Grande do Norte ou os protomártires do Brasil.

Estamos no Brasil, Colônia de Portugal do século XVII. Também a capitania do Rio Grande, atual Estado do Rio Grande do Norte, foi invadida pelos holandeses, atraídos pela produção canavieira.

No dia 16 de julho de 1645, os holandeses, que ocupavam o Nordeste do Brasil, chegaram a Cunhaú, no Rio Grande do Norte, onde residiam vários colonos ao redor do engenho, ocupados no plantio da cana-de-açúcar. Era domingo e a comunidade estava reunida para a missa na capela da casa-grande, dedicada a Nossa Senhora das Candeias. A capela foi cercada e invadida por soldados e índios que trucidaram os que aí estavam. Os membros da Comunidade não opuseram resistência aos agressores e entregaram piedosamente suas almas ao Criador. Dentre os martirizados, ficaram na história o padre André de Soveral e o leigo Domingos de Carvalho.

Aterrorizados com o acontecimento de Cunhaú, o padre Ambrósio Francisco Ferro e outros moradores da capitania solicitaram abrigo no Forte dos Reis Magos. Outras pessoas, não podendo asilar-se no forte, providenciaram a construção de abrigos improvisados na localidade denominada Potengi, distante 25km da Fortaleza dos Reis Magos. Os flamengos deixaram Cunhaú e atingiram Potengi e, após porem cerco à resistência dos moradores refugiados, conseguiram rendê-los e conduzi-los à fortaleza dos Reis Magos. Chegou ao forte ordem do Alto e Secreto Conselho do Recife, órgão de domínio do Brasil holandês, para executar imediatamente os rebeldes.

O primeiro grupo executado foi aquele do qual participava o padre Ambrósio junto com outras pessoas de destaque na cidade. Era o dia 3 de outubro de 1645, quando o grupo composto de doze pessoas foi conduzido ao porto de Uruaçu, a 18km da Fortaleza dos Reis Magos. No porto, tudo já estava preparado para a execução, comandada pelo chefe potiguar Antônio Paraopaba, o qual, embora indígena, fora educado na Holanda e se convertera à Igreja reformada.

Quando os condenados chegaram, receberam ordens para se despirem e se ajoelharem. Os holandeses, de religião calvinista, trouxeram um pastor protestante para demovê-los de sua fé católica. Todos resistiram a esta tentativa e foram barbaramente mortos. Entre eles estava Mateus Moreira que, ao lhe ser arrancado o coração pelas costas, morreu exclamando: “Louvado seja o Santíssimo Sacramento”. O segundo grupo foi executado no mesmo local, com a mesma crueldade e violência. Entre os mortos encontravam-se algumas mulheres e crianças.

Forte é a relação dos mártires com a Eucaristia. Uns foram mortos durante a Missa, Mateus Moreira morreu louvando o Santíssimo Sacramento. Vida eucarística e martírio têm em comum o testemunho do Senhor Jesus.

O caso dos mártires de Cunhaú e de Uruaçu leva a vários questionamentos. Entre eles, a tolerância religiosa. A religião que leva a atentar contra a vida não pode ser verdadeira religião. Note-se também que por trás dos atos dos cristãos reformados que assassinaram os mártires de Cunhaú e Uruaçu havia fortes interesses econômicos. A religião, quando se torna serva de grupos econômicos, deixa de servir a Deus.

A mensagem que esses mártires legaram é que vale a pena dar a vida por causa do Evangelho. Por outro lado, leva-nos a notar que a religião de Jesus não é a da dominação, da morte, da exploração, mas da vida e do amor.

Referência:
BECKHÄUSER, Frei Alberto. Os Santos na Liturgia: testemunhas de Cristo. Petrópolis: Vozes, 2013. 391 p. Adaptações: Equipe Pocket Terço.

Santo André de Soveral, Ambrósio Ferro e companheiros, rogai por nós!

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SEXTA-FEIRA, DIA 02 DE OUTUBRO DE 2026

Santos Anjos da Guarda, Memória
Cor Litúrgica branca

Primeira leitura
— Ex 23, 20-23

Leitura do Livro do Êxodo

Assim diz o Senhor: 20“Vou enviar um anjo que vá à tua frente, que te guarde pelo caminho e te conduza ao lugar que te preparei. 21Respeita-o e ouve a sua voz. Não lhe sejas rebelde, porque não suportará as vossas transgressões, e nele está o meu nome. 22Se ouvires a sua voz e fizeres tudo o que eu disser, serei inimigo dos teus inimigos, e adversário dos teus adversários. 23O meu anjo irá à tua frente e te conduzirá à terra dos amorreus, dos hititas, dos fereseus, dos cananeus, dos heveus e dos jebuseus, e eu os exterminarei”.
— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus.

Salmo Responsorial — Sl 90(91), 1-2. 3-4. 5-6. 10-11 (R. 11)

℟. O Senhor deu uma ordem aos seus anjos, para em todos os caminhos te guardarem.

— 1Quem habita ao abrigo do Altíssimo e vive à sombra do Senhor onipotente, 2diz ao Senhor: “Sois meu refúgio e proteção, sois o meu Deus, no qual confio inteiramente”. ℟.

℟. O Senhor deu uma ordem aos seus anjos, para em todos os caminhos te guardarem.

— 3Do caçador e do seu laço ele te livra. Ele te salva da palavra que destrói. 4Com suas asas haverá de proteger-te, com seu escudo e suas armas, defender-te. ℟.

℟. O Senhor deu uma ordem aos seus anjos, para em todos os caminhos te guardarem.

— 5Não temerás terror algum durante a noite, nem a flecha disparada em pleno dia; 6nem a peste que caminha pelo escuro, nem a desgraça que devasta ao meio-dia. ℟.

℟. O Senhor deu uma ordem aos seus anjos, para em todos os caminhos te guardarem.

— 10Nenhum mal há de chegar perto de ti, nem a desgraça baterá à tua porta; 11pois o Senhor deu uma ordem a seus anjos para em todos os caminhos te guardarem. ℟.

℟. O Senhor deu uma ordem aos seus anjos, para em todos os caminhos te guardarem.

℟. Aleluia, Aleluia, Aleluia.
℣. Bendizei ao Senhor Deus, os seus poderes, seus ministros que fazeis sua vontade! (Sl 102(103), 21) ℟.
Evangelho — Mt 18, 1-5. 10

℣. O Senhor esteja convosco.
℟. Ele está no meio de nós.

℣. Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo ✠ segundo Mateus
℟. Glória a vós, Senhor.

Naquela hora, 1os discípulos aproximaram-se de Jesus e perguntaram: “Quem é o maior no Reino dos Céus?” 2Jesus chamou uma criança, colocou-a no meio deles 3e disse:
“Em verdade vos digo, se não vos converterdes, e não vos tornardes como crianças, não entrareis no Reino dos Céus. 4Quem se faz pequeno como esta criança, esse é o maior no Reino dos Céus. 5E quem recebe em meu nome uma criança como esta, é a mim que recebe. 10Não desprezeis nenhum desses pequeninos, pois eu vos digo que os seus anjos nos céus veem sem cessar a face do meu Pai que está nos céus”.
— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

SANTO DO DIA
Santos Anjos da Guarda (Memória)

Data: 02 de Outubro

A primeira manifestação de uma comemoração dos Santos Anjos da Guarda aparece em 1411 em Valência, na Espanha. Em 1590, o papa Sisto V concedeu a Portugal um Ofício especial. Da Espanha e Portugal esta memória passou para o Calendário romano, em 1608.

Creio que todos nos lembramos, na nossa infância, daquelas figuras da criança protegida por um anjo ao atravessar uma ponte arruinada! A comemoração dos Anjos da Guarda está mais na compreensão comum da fé do que no nível da discussão teológica.

A Igreja, em sua piedade, sempre acreditou na existência não só de anjos em geral, dos quais nos falam repetidamente as páginas da Sagrada Escritura, mas também de anjos destinados a guardar e proteger os homens na caminhada terrestre.

Na História da Salvação, Deus confia aos anjos o encargo de proteger os patriarcas, os seus servos (Sl 90, 11-13) e todo o povo eleito (Ex 23, 20-23). No Novo Testamento o papel dos anjos é mais claro. Os anjos anunciam o nascimento de Cristo e acompanham a vida toda do Divino Mestre. Aparecem por ocasião de sua paixão e morte e são testemunhas de sua ressurreição. Igualmente nos Atos dos Apóstolos é bem evidente a intervenção dos anjos que vai marcando os primeiros passos da Igreja. Eles tomam parte ativa nos progressos do Evangelho, manifestando assim que a comunidade eclesial se liga intimamente ao ministério de Cristo.

O autor da Carta aos Hebreus dá testemunho disso quando escreve, falando dos anjos de Deus: Não são todos eles espíritos servidores, enviados para servir os que devem herdar a salvação? (Hb 1, 14).

Para justificar a existência dos anjos da guarda poderemos citar primeiramente o Sl 90, que se refere ao futuro Messias, fala explicitamente que Deus mandou seus anjos guardar o Messias: Em todos os seus passos, eles o sustentarão em suas mãos para que não tropece em alguma pedra. Se Cristo, em sua humanidade, apesar de unida com a Divindade, era continuamente protegido por anjos, muito mais devemos ser nós, seus membros. Certa vez, Jesus, falando das crianças, que propunha como modelos de inocência, de simplicidade e de docilidade, teve palavras fortes contra os possíveis escandalizadores das crianças e acrescentou: Cuidado para não desprezar um desses pequeninos, porque eu vos digo que seus anjos estão continuamente no céu, na presença do meu Pai celeste (Mt 18, 10). Quando Pedro, libertado da cadeia, por intervenção de um anjo (At 12, 7-9; cf. tb. At 5, 19), se dirigia à noite à casa do amigo Marcos, bateu à porta, mas de dentro não se atreviam a abrir, embora reconhecendo que fosse sua voz, pois diziam: Deve ser o anjo dele (At 12, 15). Esta frase faz pensar na convicção dos primeiros cristãos relativa à existência de um anjo que acompanha cada um de nós. Esta é, de fato, a crença universal e pacífica da Igreja em todos os tempos.

Os temas da proteção e dos anjos como guias perpassam toda a Liturgia. Eles são vistos como seres que bendizem o Senhor e cantam a sua glória e o louvam eternamente e os fiéis são convidados a louvarem a Deus na presença dos anjos (cf. Antífona da entrada e da Comunhão).

A Oração coleta reconhece que Deus na sua providência manda os seus anjos para guardar-nos. Na Oração sobre as oferendas a Igreja pede que as nossas oferendas em honra dos Santos Anjos façam com que eles nos guardem dos perigos desta vida e nos levem à vida eterna. Na Oração depois da Comunhão se pede que Deus nos guie por meio dos seus Anjos no caminho da salvação e da paz.

Podemos dizer que toda a celebração se volta para Deus que, na sua providência, coloca seus espíritos amigos, que o louvam e glorificam, a serviço dos seres humanos no caminho da salvação e da paz.

Importa que sejamos gratos a Deus por nos proteger e guiar pelos seus anjos, que nos unamos a eles na glorificação de Deus como o somos convidados a fazer em cada Missa na hora do Santo, e que todos também sejamos cada vez mais anjos do Senhor, mensageiros da Paz e do Bem, mensageiros do Cristo morto e ressuscitado.

Referência:
BECKHÄUSER, Frei Alberto. Os Santos na Liturgia: testemunhas de Cristo. Petrópolis: Vozes, 2013. 391 p. Adaptações: Equipe Pocket Terço.

Santos Anjos da Guarda, rogai por nós!

Oração. — Santo Anjo do Senhor, meu zeloso guardador, se a ti me confiou a piedade divina, sempre me rege, guarda, governa e ilumina. Amém.

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QUINTA-FEIRA, DIA 01 DE OUTUBRO DE 2026

Santa Teresinha do Menino Jesus, Virgem e Doutora da Igreja, Memória
Cor Litúrgica branca

Primeira leitura
— Jó 19, 21-27

Leitura do Livro de Jó

Disse Jó: 21“Piedade, piedade de mim, meus amigos, pois a mão de Deus me feriu! 22Por que me perseguis como Deus, e não vos cansais de me torturar? 23Gostaria que minhas palavras fossem escritas e gravadas numa inscrição 24com ponteiro de ferro e com chumbo, cravadas na rocha para sempre! 25Eu sei que o meu redentor está vivo e que, por último, se levantará sobre o pó; 26e depois que tiverem destruído esta minha pele, na minha carne, verei a Deus. 27Eu mesmo o verei, meus olhos o contemplarão, e não os olhos de outros. Dentro de mim consomem-se os meus rins”.
— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus.

Salmo Responsorial — Sl 26(27), 7-8a. 8b-9abc. 13-14 (R. 13)

℟. Sei que a bondade do Senhor eu hei de ver, na terra dos viventes.

— 7Ó Senhor, ouvi a voz do meu apelo, atendei por compaixão! 8aMeu coração fala convosco confiante e os meus olhos vos procuram. ℟.

℟. Sei que a bondade do Senhor eu hei de ver, na terra dos viventes.

— 8bSenhor é vossa face que eu procuro; não me escondais a vossa face! 9aNão afasteis em vossa ira o vosso servo, sois vós o meu auxílio! 9bNão me esqueçais nem me deixeis abandonado, 9cmeu Deus e Salvador! ℟.

℟. Sei que a bondade do Senhor eu hei de ver, na terra dos viventes.

— 13Sei que a bondade do Senhor eu hei de ver na terra dos viventes. 14Espera no Senhor e tem coragem, espera no Senhor! ℟.

℟. Sei que a bondade do Senhor eu hei de ver, na terra dos viventes.

℟. Aleluia, Aleluia, Aleluia.
℣. Convertei-vos e crede no Evangelho, pois o Reino de Deus está chegando! (Mc 1, 15)℟.
℟. Aleluia, Aleluia, Aleluia.
Evangelho — Lc 10, 1-12

℣. O Senhor esteja convosco.
℟. Ele está no meio de nós.

℣. Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo ✠ segundo Lucas
℟. Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 1o Senhor escolheu outros setenta e dois discípulos e os enviou dois a dois, na sua frente, a toda cidade e lugar aonde ele próprio devia ir. 2E dizia-lhes: “A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. Por isso, pedi ao dono da messe que mande trabalhadores para a colheita. 3Eis que vos envio como cordeiros para o meio de lobos. 4Não leveis bolsa, nem sacola, nem sandálias, e não cumprimenteis ninguém pelo caminho!
5Em qualquer casa em que entrardes, dizei primeiro: ʽA paz esteja nesta casa!ʼ 6Se ali morar um amigo da paz, a vossa paz repousará sobre ele; se não, ela voltará para vós. 7Permanecei naquela mesma casa, comei e bebei do que tiverem, porque o trabalhador merece o seu salário. Não passeis de casa em casa.
8Quando entrardes numa cidade e fordes bem recebidos, comei do que vos servirem, 9curai os doentes que nela houver e dizei ao povo: ʽO Reino de Deus está próximo de vós.ʼ
10Mas, quando entrardes numa cidade e não fordes bem recebidos, saindo pelas ruas, dizei: 11ʽAté a poeira de vossa cidade, que se apegou aos nossos pés, sacudimos contra vós. No entanto, sabei que o Reino de Deus está próximo!ʼ 12Eu vos digo que, naquele dia, Sodoma será tratada com menos rigor do que essa cidade”.
— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

SANTO DO DIA
Santa Teresinha do Menino Jesus (Memória)

Local: Lisieux, França
Data: 01 de Outubro † 1897

Importante tomar em consideração que Santa Teresinha foi religiosa carmelita que viveu muito em pouco tempo. Colocou o amor no centro de sua vida. Morreu com apenas 24 anos de idade a 30 de setembro de 1897.

Maria Francisca Teresa, na vida religiosa carmelitana, Teresa do Menino Jesus e da Sagrada Face, chamada também Santa Teresa de Lisieux e, entre nós no Brasil, chamada Santa Teresinha do Menino Jesus ou, simplesmente, Santa Teresinha, nasceu em Alençon, na Normandia, em 1873. Seus pais, Luís Martin e Maria Zélia Guérin, quando jovens, aspiravam, ambos, a se consagrarem a Deus na vida religiosa. Por circunstâncias especiais não foram admitidos. Ao se casarem Zélia pediu a Deus a graça de ter muitos filhos e que se consagrassem a Deus. Do piedoso casal, beatificado por João Paulo II em 2008, nasceram nove filhos. Três faleceram em tenra idade e os demais, todas meninas, tornaram-se religiosas conforme o desejo da mãe.

Teresinha ficou órfã de mãe aos 4 anos. O pai, depois da morte da esposa, mudou-se com a família para Lisieux, onde tinha um cunhado, cuja esposa zelava pela educação das filhas.

Numa audiência com o papa Leão XIII, Teresinha lhe pediu a licença de entrar no Carmelo sem a idade exigida. O Papa naturalmente deixou a questão nas mãos das autoridades competentes. Pouco mais tarde ela recebeu do seu bispo a permissão de entrar no Carmelo de Lisieux.

Viveu no Carmelo não mais de oito anos. Graças à sua autobiografia, a História de uma alma, sabemos que a jovem carmelita não fez nada de extraordinário: apenas cumpriu de modo extraordinário os seus deveres de religiosa carmelita. Teresinha pelo próprio temperamento aspirava a grandes coisas; queria ser santa de verdade. Num momento de entusiasmo, escreve que por amor do Amor desejava ser guerreiro, padre, apóstolo, mártir. Procurava ansiosamente o caminho para tal realização. Vale a pena transcrever o modo como ela encontrou este caminho, o caminho do amor, conforme se pode ler na autobiografia, trecho que constitui a leitura hagiográfica do Ofício das Leituras:

“Meus imensos desejos me eram um autêntico martírio. Fui, então, às cartas de São Paulo a ver se encontrava uma resposta. Meus olhos caíram por acaso nos capítulos doze e treze da Primeira Carta aos Coríntios. No primeiro destes li que todos não podem ser ao mesmo tempo Apóstolos, profetas, doutores, e que a Igreja consta de vários membros; os olhos não podem ser mãos ao mesmo tempo. Resposta clara, sem dúvida, mas não capaz de satisfazer meu desejo e dar-me paz. Perseverei na leitura sem desanimar e encontrei esta frase sublime: Aspirai aos melhores carismas. E vos indico um caminho ainda mais excelente (1Cor 12, 31). O Apóstolo esclarece que os melhores carismas nada são sem a caridade e esta caridade é o caminho mais excelente que leva com segurança a Deus. Achara enfim o repouso. Ao considerar o Corpo místico da Igreja, não me encontrara em nenhum dos membros enumerados por São Paulo, mas, ao contrário, desejava ver-me em todos eles. A caridade deu-me o eixo de minha vocação. Compreendi que a Igreja tem um corpo formado de vários membros e neste corpo não pode faltar o membro necessário e o mais nobre: entendi que a Igreja tem um coração, e este coração está inflamado de amor. Compreendi que os membros da Igreja são impelidos a agir por um único amor, de forma que, extinto este, os Apóstolos não mais anunciariam o Evangelho, os mártires não mais derramariam o sangue. Percebi e reconheci que o amor encerra em si todas as vocações, que o amor é tudo, abraça todos os tempos e lugares, numa palavra, o amor é eterno. Então, delirante de alegria, exclamei: Ó Deus, meu amor, encontrei, afinal, minha vocação: minha vocação é o amor. Sim, encontrei o meu lugar na Igreja, tu me deste este lugar, meu Deus. No coração da Igreja, minha mãe, eu serei o amor e desse modo serei tudo, e meu desejo se realizará”.

Eis o pequeno caminho de Teresinha, o caminho da infância espiritual ou das almas pequeninas, o caminho da confiança e da entrega total, da vivência do ordinário do dia a dia tornado extraordinário pelo amor. O caminho de Santa Teresinha, assim chamado na Oração coleta, é mais uma prática do que um ensino teórico. Consiste na intimidade com Deus, o abandono nas mãos de sua providência, a simplicidade e a transparência como virtudes ordenadoras da vida. Teresinha ofereceu sua imolação interior, sobretudo pela santificação dos missionários, com alguns dos quais manteve edificante correspondência epistolar. Por este seu espírito foi proclamada por Pio XI, em 1927, padroeira dos missionários que se dedicam à conversão dos infiéis, juntamente com São Francisco Xavier. Ela mesma, antes da doença que a levou à morte, estava propensa a responder ao apelo das carmelitas de Hanói, na Indochina, que desejavam tê-la consigo.

Teresinha passou seus últimos anos de vida minada por uma terrível doença, que suportou com heroica paciência; padeceu simultaneamente uma dura provação interior que lhe purificou o espírito. Morreu no dia 30 de setembro de 1897. Teresinha havia prometido que faria descer sobre a terra uma chuva contínua de rosas. Seu culto se espalhou em pouco tempo por todos os recantos da terra. Foi beatificada em 1923 e canonizada em 1925. Em 1997, como terceira mulher, foi declarada doutora da Igreja por João Paulo II.

O culto a Santa Teresinha é um dos mais populares no mundo inteiro. No Brasil são inúmeras as capelas, as igrejas paroquiais e mesmo catedrais dedicadas a Santa Teresinha. O seu caminho espiritual da simplicidade, da humildade e do amor vivido no cotidiano da vida é modelar para todos.

Os textos litúrgicos estão perpassados desta espiritualidade da infância espiritual das almas pequeninas. A Oração coleta resume bem esse caminho espiritual: Ó Deus, que preparais o vosso reino para os pequenos e humildes, dai-nos seguir confiantes o caminho de Santa Teresinha, para que, por sua intercessão, nos seja revelada a vossa glória.

Referência:
BECKHÄUSER, Frei Alberto. Os Santos na Liturgia: testemunhas de Cristo. Petrópolis: Vozes, 2013. 391 p. Adaptações: Equipe Pocket Terço.

Santa Teresinha do Menino Jesus, rogai por nós!

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QUARTA-FEIRA, DIA 30 DE SETEMBRO DE 2026

São Jerônimo, Presbítero e Doutor da Igreja, Memória
Cor Litúrgica branca

Primeira leitura
— Jó 9, 1-12. 14-16

Leitura do Livro de Jó

1Jó respondeu a seus amigos e disse: 2“Sei muito bem que é assim: como poderia o homem ser justo diante de Deus? 3Se quisesse disputar com ele, entre mil razões não haverá uma para rebatê-lo. 4Ele é sábio de coração e poderoso em força; quem poderia enfrentá-lo e ficar ileso? 5Ele desloca as montanhas, sem que elas percebam e as derruba em sua cólera. 6Ele abala a terra em suas bases e suas colunas vacilam. 7Ele manda ao sol que não brilhe e guarda escondidas as estrelas. 8Sozinho desdobra os céus, e caminha sobre as ondas do mar. 9Criou a Ursa e o Êrion, as Plêiades e as constelações do Sul. 10Faz prodígios insondáveis, maravilhas sem conta. 11Se passa junto de mim, não o vejo, e quando se afasta, não o percebo. 12Se ele apanha uma presa, quem ousa impedi-lo? Quem pode dizer-lhe: – ʽO que está fazendo?ʼ 14Quem sou eu para replicar-lhe, e contra ele escolher meus argumentos? 15Ainda que eu tivesse razão, não poderia replicar, e deveria pedir misericórdia ao meu juiz. 16Se eu clamasse e ele me respondesse, não creio que daria atenção à minha voz”.
— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus.

Salmo Responsorial — Sl 87(88), 10bc-11. 12-13. 14-15 (R. 3a)

℟. Chegue a minha oração até a vossa presença!

— 10bClamo a vós, ó Senhor sem cessar, todo o dia, 10cminhas mãos para vós se levantam em prece. 11Para os mortos, acaso, faríeis milagres? poderiam as sombras erguer-se e louvar-vos? ℟.

℟. Chegue a minha oração até a vossa presença!

— 12No sepulcro haverá quem vos cante o amor e proclame entre os mortos a vossa verdade? 13Vossas obras serão conhecidas nas trevas, vossa graça, no reino onde tudo se esquece? ℟.

℟. Chegue a minha oração até a vossa presença!

— 14Quanto a mim, ó Senhor, clamo a vós na aflição, minha prece se eleva até vós desde a aurora. 15Por que vós, ó Senhor, rejeitais a minh’alma? E por que escondeis vossa face de mim? ℟.

℟. Chegue a minha oração até a vossa presença!

℟. Aleluia, Aleluia, Aleluia.
℣. Eu tudo considero como perda e como lixo, a fim de eu ganhar Cristo e ser achado nele! (Fl 3,
℟. Aleluia, Aleluia, Aleluia.
Evangelho — Lc 9, 57-62

℣. O Senhor esteja convosco.
℟. Ele está no meio de nós.

℣. Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo ✠ segundo Lucas
℟. Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 57enquanto Jesus e seus discípulos caminhavam, alguém na estrada disse a Jesus: “Eu te seguirei para onde quer que fores”. 58Jesus lhe respondeu: “As raposas têm tocas e os pássaros têm ninhos; mas o Filho do Homem não tem onde repousar a cabeça”.
59Jesus disse a outro: “Segue-me”. Este respondeu: “Deixa-me primeiro ir enterrar meu pai”. 60Jesus respondeu: “Deixa que os mortos enterrem os seus mortos; mas tu, vai anunciar o Reino de Deus”.
61Um outro ainda lhe disse: “Eu te seguirei, Senhor, mas deixa-me primeiro despedir-me dos meus familiares”. 62Jesus, porém, respondeu-lhe: “Quem põe a mão no arado e olha para trás, não está apto para o Reino de Deus”.
— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

SANTO DO DIA
São Jerônimo (Memória)

Local: Belém, Israel
Data: 30 de Setembro † 420

Estamos diante de uma figura única da história da Igreja: polemista, apologeta, estudioso das Escrituras, penitente e santo. São Jerônimo imortalizou-se por sua tradução da Bíblia para o latim, denominada Vulgata, e pelos muitos comentários bíblicos que legou à Igreja. Por isso, ela o celebra como o doutor máximo das Sagradas Escrituras.

Eusébio Jerônimo Sofrônio nasceu em Estridão, Dalmácia, cerca do ano 340. Estudou em Roma e aí foi batizado. Viajou depois para o Oriente, onde passou algum tempo junto aos monges. Foi ordenado presbítero em Antioquia meio contra a sua vontade. Aí não permanecendo, dirigiu-se a Constantinopla, onde travou amizade com Gregório de Nazianzo e Gregório de Nissa. Depois disso, o papa São Dâmaso o reteve em Roma como seu secretário. Por seu grande conhecimento do latim, do grego e do hebraico, o Papa lhe confiou a tradução da Bíblia para o latim. Na tradução, mas sobretudo nas anotações ao texto, Jerônimo revela agudo senso crítico. O Papa, de fato, desejava uma tradução da Bíblia mais fiel em tudo aos textos originais, traduzida e apresentada em latim mais correto, que pudesse servir de texto único e uniforme na Liturgia. O conjunto de sua tradução da Bíblia em latim chamou-se “Vulgata” e foi o texto usado largamente nos séculos posteriores, tornando-se oficial com o Concílio de Trento e só cedeu o lugar ultimamente às novas traduções à luz dos novos estudos exegéticos.

Em Roma, criou-se em torno ao sábio e penitente presbítero, largo círculo de amizades, sobretudo de senhoras da alta sociedade, que ele orientou nos ásperos caminhos da santidade de cunho monástico. Mas, quando São Dâmaso morreu, em 384, e ele perdeu o apoio para o cargo de secretário, São Jerônimo se viu numa situação bastante difícil. Nos dois anos posteriores, mesmo tendo impressionado toda a cidade de Roma por sua santidade pessoal, seu saber e sua honestidade, ao mesmo tempo, arranjou um vasto círculo de pessoas que não gostavam dele. Por mais que se justificasse sua indignação, o seu modo de falar as coisas provocava ressentimentos. A própria reputação dele foi objeto de ataques. Levantaram-se até calúnias contra ele. Jerônimo ficou sobremodo indignado com tudo isso e resolveu retornar ao Oriente, a fim de lá encontrar um refúgio na calma.

Viveu os últimos 35 anos em Belém, na oração, na penitência, na direção de cenáculos de vida ascética e monástica. Continuou a dedicar-se à tradução da Bíblia a partir dos textos originais e à revisão da antiga versão latina. Escreveu muitos comentários da Bíblia e vários tratados. São Jerônimo foi uma personalidade vigorosa, de inteligência extraordinária, de temperamento indomável. Teve uma correspondência literária muito vasta, de grande interesse histórico; ele se sentia presente e engajado como escritor em todos os problemas doutrinários do seu tempo.

Morreu em Belém no ano 420. Foi declarado padroeiro dos estudos bíblicos. Ele deixou escrito: “Se, conforme o apóstolo Paulo, Cristo é o poder de Deus e a sabedoria de Deus, e quem ignora as Escritura ignora o poder de Deus e sua sabedoria, ignorar as Escrituras é ignorar Cristo” (cf. Leitura hagiográfica).

Os textos da Missa traduzem um homem apaixonado pelas Sagradas Escrituras.

Que todo cristão possa viver o que reza a Antífona da entrada: Que as palavras da Escritura estejam sempre em teus lábios, para que, meditando-as dia e noite, te esforces para realizar tudo aquilo que ensinam, e terá sentido e valor a tua vida (Js 1,8).

A Oração do dia realça o amor pela Sagrada Escritura dado por Deus a São Jerônimo; que este Deus conceda ao seu povo alimentar-se cada vez mais da sua palavra e nela encontre a fonte da vida.

Na Oração sobre as oferendas, a Igreja pede que, à semelhança de São Jerônimo meditando vossa palavra em nossos corações, sejamos mais solícitos em oferecer-vos o sacrifício que nos salva.

A Oração depois da Comunhão pede que, sempre atentos às Sagradas Escrituras, conheçamos o caminho a seguir e cheguemos por ele à vida eterna.

Convém fechar esta reflexão com a Antífona da Comunhão: Vossas palavras foram encontradas e eu as devorei; elas se tornaram minha delícia e a alegria do meu coração; porque vosso nome, Senhor Deus, foi invocado sobre mim.

Referência:
BECKHÄUSER, Frei Alberto. Os Santos na Liturgia: testemunhas de Cristo. Petrópolis: Vozes, 2013. 391 p. Adaptações: Equipe Pocket Terço.

São Jerônimo, rogai por nós!

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TERÇA-FEIRA, DIA 29 DE SETEMBRO DE 2026

Santos Miguel, Gabriel e Rafael, Arcanjos, Festa
Cor Litúrgica branca

Primeira leitura
— Dn 7, 9-10. 13-14

Leitura da Profecia de Daniel

9Eu continuava olhando até que foram colocados uns tronos, e um Ancião de muitos dias aí tomou lugar. Sua veste era branca como neve e os cabelos da cabeça, como lã pura; seu trono eram chamas de fogo, e as rodas do trono, como fogo em brasa. 10Derramava-se aí um rio de fogo que nascia diante dele; serviam-no milhares de milhares, e milhões de milhões assistiam-no ao trono; foi instalado o tribunal e os livros foram abertos. 13Continuei insistindo na visão noturna, e eis que, entre as nuvens do céu, vinha um como filho de homem, aproximando-se do Ancião de muitos dias, e foi conduzido à sua presença. 14Foram-lhe dados poder, glória e realeza, e todos os povos, nações e línguas o serviam: seu poder é um poder eterno que não lhe será tirado, e seu reino, um reino que não se dissolverá.
— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus.

Ou:

Primeira Leitura — Ap 12, 7-12a

Leitura do Apocalipse de São João

7Houve uma batalha no céu: Miguel e seus anjos guerrearam contra o Dragão. O Dragão lutou juntamente com os seus anjos, 8mas foi derrotado, e não se encontrou mais o seu lugar no céu. 9E foi expulso o grande Dragão, a antiga Serpente, que é chamado Diabo e Satanás, o sedutor do mundo inteiro. Ele foi expulso para a terra, e os seus anjos foram expulsos com ele. 10Ouvi então uma voz forte no céu, proclamando: “Agora realizou-se a salvação, a força e a realeza do nosso Deus, e o poder do seu Cristo. Porque foi expulso o acusador dos nossos irmãos, aquele que os acusava dia e noite diante do nosso Deus. 11Eles venceram o Dragão pelo sangue do Cordeiro e pela palavra do seu próprio testemunho, pois não se apegaram à vida, mesmo diante da morte. 12aPor isso, alegra-te, ó céu, e todos os que viveis nele”.
— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus.

Salmo Responsorial — Sl 137(138), 1-2a. 2bc-3. 4-5 (R. 1c)

℟. Perante os vossos anjos vou cantar-vos, ó Senhor!

— Ó Senhor, de coração eu vos dou graças, porque ouvistes as palavras dos meus lábios! Perante os vossos anjos vou cantar-vos e ante o vosso templo vou prostrar-me. ℟.

℟. Perante os vossos anjos vou cantar-vos, ó Senhor!

— Eu agradeço vosso amor, vossa verdade, porque fizestes muito mais que prometestes; naquele dia em que gritei, vós me escutastes e aumentastes o vigor da minha alma. ℟.

℟. Perante os vossos anjos vou cantar-vos, ó Senhor!

— Os reis de toda a terra hão de louvar-vos, quando ouvirem, ó Senhor, vossa promessa. Hão de cantar vossos caminhos e dirão: “como a glória do Senhor é grandiosa!” ℟.

℟. Perante os vossos anjos vou cantar-vos, ó Senhor!

℟. Aleluia, Aleluia, Aleluia.
℣. Bendizei ao Senhor Deus, os seus poderes, seus ministros que fazeis sua vontade! (Sl 102, 21) ℟.
℟. Aleluia, Aleluia, Aleluia.
Evangelho — Jo 1, 47-51
℣. O Senhor esteja convosco.
℟. Ele está no meio de nós.

℣. Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo ✠ segundo João 
℟. Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 47Jesus viu Natanael que vinha para ele e comentou: “Aí vem um israelita de verdade, um homem sem falsidade”. 48Natanael perguntou: “De onde me conheces?” Jesus respondeu: “Antes que Filipe te chamasse, enquanto estavas debaixo da figueira, eu te vi”. 49Natanael respondeu: “Rabi, tu és o Filho de Deus, tu és o Rei de Israel”. 50Jesus disse: “Tu crês porque te disse: “Eu te vi debaixo da figueira? Coisas maiores que esta verás!” 51E Jesus continuou: “Em verdade, em verdade, eu vos digo: Vereis o céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem”.
— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

SANTO DO DIA
São Miguel, São Gabriel e São Rafael, Arcanjos (Festa)

Data: 29 de Setembro

A festa dos três arcanjos, agora celebrados numa só data, e a dos Anjos da Guarda no dia 2 de outubro como memória obrigatória, expressa a fé da Igreja em seres espirituais que vivem junto a Deus. A fé em seres celestiais, comumente chamados anjos, encontra-se expressa também em outros momentos da Liturgia. No Confesso a Deus do Ato penitencial, no convite à grande doxologia do Santo, Santo, Santo, na Missa, no Oficio dos Defuntos, sobretudo na Encomendação dos mortos.

A palavra anjo significa mensageiro de Deus. Neste sentido, Santo Ambrósio chama João Batista de Anjo, porque anunciou a vinda de Jesus Cristo. Assim, todo cristão pode ser considerado anjo, ou seja, mensageiro do Evangelho.

Nas Homilias sobre os Evangelhos, de que temos um trecho na leitura hagiográfica do Ofício das Leituras da Festa, São Gregório Magno faz interessante distinção entre anjos e arcanjos. Começa dizendo: “A palavra anjo indica o ofício, não a natureza”. E continua: “Estes santos espíritos da pátria celeste são sempre espíritos, mas nem sempre podem ser chamados anjos, porque somente são anjos quando por eles é feito algum anúncio. Aqueles que anunciam fatos menores são ditos anjos; os que levam as maiores notícias, arcanjos.

Foi por isto que à Virgem Maria não foi enviado um anjo qualquer, mas o arcanjo Gabriel; para esta missão era justo que viesse o máximo anjo para anunciar a máxima notícia. Por isso, também a eles são dados nomes especiais para designar, pelo vocábulo, seu poder na ação. Quando vêm até nós para cumprir uma missão, trazem também entre nós um nome derivado desta missão. Assim Miguel significa: Quem como Deus?; Gabriel, Força de Deus; e Rafael, Deus curou”.

Dos sete arcanjos venerados tanto pela tradição judaica como pela tradição cristã, como sendo os anjos que ocupam um lugar proeminente diante do trono de Deus, apenas três são mencionados pelo nome na Bíblia: Miguel, Gabriel e Rafael. Estes três foram venerados pela Igreja desde os primórdios, principalmente no Oriente, mas somente a partir do pontificado do papa Bento XV é que as festividades litúrgicas dos dois últimos se tornaram obrigatórias em toda a Igreja do Ocidente.

O culto a São Miguel (Quem como Deus?) é o mais espalhado na Igreja. Miguel é o arcanjo que se insurgiu contra satanás e seus seguidores (Jd 9; Ap 12, 7; cf. Zc 13, 12), defensor dos amigos de Deus (Dn 10. 12. 21), protetor de seu povo (Dn 12, 1). O arcanjo São Miguel é venerado sobretudo na Europa como o chefe do exército celeste, protetor dos exércitos, e com a função de proteger o povo, de conduzir as almas a Deus e de pesar as almas no juízo.

São Gabriel (Força de Deus) era comemorado desde 1921, com Bento XV, no dia 24 de março, véspera da festa da Anunciação. Gabriel é um dos espíritos que estão diante de Deus (Lc 1, 19), revela a Daniel os segredos do plano de Deus (Dn 8. 16; 9, 21-22), anuncia a Zacarias o nascimento de João Batista (Lc 1. 11-20) e a Maria, o nascimento de Jesus (Lc 1, 26-39). É venerado desde o século II como arcanjo e, na Igreja síria, como o primeiro entre os anjos. Trata-se de um arcanjo que, como Miguel e Rafael, também está profundamente ligado à História da Salvação.

São Rafael (Deus curou), ele também está entre os sete anjos que estão diante do trono de Deus (Tb 12, 15; cf. Ap 8, 2), acompanha e protege Tobias nas peripécias de sua viagem e cura-lhe o pai cego.

Seria longo realçar todos os aspectos comemorados na festa dos três arcanjos. Os textos falam por si. Nesta festa somos convidados de modo particular a render graças a Deus pela glória de que os anjos gozam e a nos rejubilar pela sua felicidade; a agradecer a Deus pela sua misericórdia por ter constituído estes seres celestiais para nos assistirem e serem nossos protetores; a nos unirmos a eles no culto de adoração e de louvor a Deus, elevando nossas preces aos céus para que sempre façamos a sua santa vontade, assim como estes bem-aventurados espíritos celestiais a cumprem lá no céu. E, por fim, somos convidados a honrá-los e a invocar a sua ajuda e intercessão. Tudo isso vem sintetizado no Prefácio: É a vós que glorificamos, ao louvarmos os anjos, que criastes e que foram dignos do vosso amor. A admiração que eles merecem nos mostra como sois grande e como deveis ser amado acima de todas as criaturas. Pelo Cristo, vosso Filho e Senhor nosso, louvam os Anjos a vossa glória, as Dominações vos adoram e, reverentes, vos servem Potestades e Virtudes. Concedei-nos também a nós associar-nos à multidão dos Querubins e Serafins, cantando a uma só voz: Santo, Santo, Santo…

Referência:
BECKHÄUSER, Frei Alberto. Os Santos na Liturgia: testemunhas de Cristo. Petrópolis: Vozes, 2013. 391 p. Adaptações: Equipe Pocket Terço.

São Miguel, São Gabriel e São Rafael, rogai por nós!