São Gregório Magno, Papa e Doutor da Igreja Memória
Cor Litúrgica branca
Primeira leitura
— 1Cor 3, 18-23
Leitura da Primeira Carta de São Paulo ao Coríntios
Irmãos, 18ninguém se iluda: se algum de vós pensa que é sábio nas coisas deste mundo, reconheça sua insensatez, para se tornar sábio de verdade; 19pois a sabedoria deste mundo é insensatez diante de Deus. Com efeito, está escrito: “Ele apanha os sábios em sua própria astúcia”, 20e ainda: “O Senhor conhece os pensamentos dos sábios; sabe que são vãos”.
21Portanto, que ninguém ponha a sua glória em homem algum. Com efeito, tudo vos pertence: 22Paulo, Apolo, Cefas, o mundo, a vida, a morte, o presente, o futuro, tudo é vosso, 23mas vós sois de Cristo, e Cristo é de Deus.
— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus.
Salmo Responsorial — Sl 23(24), 1-2. 3-4ab. 5-6 (R. 1)
℟. Ao Senhor pertence a terra e o que ela encerra.
— Ao Senhor pertence a terra e o que ela encerra, o mundo inteiro com os seres que o povoam; porque ele a tornou firme sobre os mares, e sobre as águas a mantém inabalável. ℟.
℟. Ao Senhor pertence a terra e o que ela encerra.
— “Quem subirá até o monte do Senhor, quem ficará em sua santa habitação?” “Quem tem mãos puras e inocente coração, quem não dirige sua mente para o crime. ℟.
℟. Ao Senhor pertence a terra e o que ela encerra.
— Sobre este desce a bênção do Senhor e a recompensa de seu Deus e Salvador.” “É assim a geração dos que o procuram, e do Deus de Israel buscam a face.” ℟.
℟. Ao Senhor pertence a terra e o que ela encerra.
℟. Aleluia, Aleluia, Aleluia.
℣. Vinde após mim, disse o Senhor, e eu ensinarei a pescar gente. (Mt 4, 19) ℟.
℟. Aleluia, Aleluia, Aleluia.
Evangelho — Lc 5, 1-11
℣. O Senhor esteja convosco.
℟. Ele está no meio de nós.
℣. Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo ✠ segundo Lucas
℟. Glória a vós, Senhor.
Naquele tempo, 1Jesus estava na margem do lago de Genesaré, e a multidão apertava-se ao seu redor para ouvir a palavra de Deus. 2Jesus viu duas barcas paradas na margem do lago. Os pescadores haviam desembarcado e lavavam as redes. 3Subindo numa das barcas, que era de Simão, pediu que se afastasse um pouco da margem. Depois sentou-se e, da barca, ensinava as multidões.
4Quando acabou de falar, disse a Simão: “Avança para águas mais profundas, e lançai vossas redes para a pesca”. 5Simão respondeu: “Mestre, nós trabalhamos a noite inteira e nada pescamos. Mas, em atenção à tua palavra, vou lançar as redes”. 6Assim fizeram, e apanharam tamanha quantidade de peixes que as redes se rompiam. 7Então fizeram sinal aos companheiros da outra barca, para que viessem ajudá-los. Eles vieram, e encheram as duas barcas, a ponto de quase afundarem.
8Ao ver aquilo, Simão Pedro atirou-se aos pés de Jesus, dizendo: “Senhor, afasta-te de mim, porque sou um pecador!” 9É que o espanto se apoderara de Simão e de todos os seus companheiros, por causa da pesca que acabavam de fazer. 10Tiago e João, filhos de Zebedeu, que eram sócios de Simão, também ficaram espantados. Jesus, porém, disse a Simão: “Não tenhas medo! De hoje em diante tu serás pescador de homens”. 11Então levaram as barcas para a margem, deixaram tudo e seguiram a Jesus.
— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.
SANTO DO DIA
São Gregório Magno, Papa e Doutor da Igreja (Memória)
Local: Roma, Itália
Data: 03 de Setembro † 604
Gregório nasceu em Roma pelo ano de 540 e morreu no dia 12 de março de 604 como um dos pontífices romanos mais importantes da história da Igreja. Para não cair sempre na Quaresma, sua memória é comemorada no dia 3 de setembro, dia de sua ordenação episcopal em 590. Pela grandeza de sua obra como Papa recebeu o título de Magno, o primeiro e único depois de Leão Magno, que governou a Igreja um século e meio antes dele.
São Gregório Magno é tomado e cultuado como modelo de pastor. Viveu e atuou num tempo de transição da cultura greco-romana para a era medieval.
Nascido em Roma, de família rica senatorial, foi prefeito da cidade de Roma. Com a morte do pai tornou-se uma das maiores fortunas de Roma. Com alma de monge dotou com seus bens seis mosteiros na Sicília e um perto de sua habitação no monte Célio. Foi aqui que ele se encerrou para viver como monge, em vida contemplativa. A Providência, porém, lhe reservava outro caminho. O papa Pelágio II (579-590) o fez diácono e enviou-o como seu representante à corte de Constantinopla, onde teve a oportunidade de conhecer de perto a política eclesiástica imperial e o modo de pensar da Igreja bizantina. Retornando a Roma retirou-se novamente para o seu mosteiro de Santo André, onde se tornou abade. Era secretário do Papa quando este foi vitimado pela peste que se espalhou em consequência das enchentes do ano 590. O clero e o povo romano proclamaram Gregório sucessor de Pelágio II. Em vão procurou ocultar-se, pois o povo descobriu seu esconderijo e o forçou a aceitar o cargo,
Gregório foi o homem certo, posto no momento certo na Cátedra de Pedro. O Império Romano estava em derrocada e invasões de bárbaros por toda parte provocavam a formação de um novo tipo de sociedade. Gregório é um marco na história da Igreja e da própria Europa e assinala o ponto de partida de uma nova época, a do tempo de transição do mundo romano para o novo mundo medieval, que ia fundir as antigas culturas grega e romana com as novas culturas germânica e eslava.
Embora fosse de saúde delicada, exerceu multiforme e intensa atividade no governo da Igreja, na solicitude da caridade, na tutela das populações maltratadas pelos bárbaros e na ação missionária. Autor e legislador no campo da Liturgia e do canto sacro, cuidou da elaboração de um Sacramentário que traz seu nome e constitui o núcleo fundamental do Missal romano. Deixou escritos de caráter pastoral, moral, homilético e espiritual, que formaram várias gerações cristãs especialmente na Idade Média.
Ao papa São Gregório I deve-se a evangelização da Inglaterra, para onde enviou um grupo de 40 monges do seu mosteiro de Santo André em Roma, sob a direção de Santo Agostinho de Cantuária. Visando o afervoramento do clero, escreveu para ele a Regra Pastoral que pode ser lida com edificação também hoje em dia. A fim de incentivar a piedade e o amor à santidade, redigiu o Livro dos Diálogos. São Gregório foi o primeiro papa que também foi monge e ajudou a superar uma espiritualidade preponderantemente eremítica e monacal, realçando uma espiritualidade pastoral, unindo numa só realidade a contemplação e a ação. É considerado um dos quatro grandes doutores da Igreja do Ocidente, com Santo Ambrósio, Santo Agostinho e São Jerônimo.
Este infatigável chefe da Igreja, que a governou durante treze anos, muito doente e quase sempre acamado no fim da vida, veio a falecer no ano 604 com cerca de 65 anos de idade. Foi o primeiro papa a chamar-se “Servo dos servos de Deus”. O título de Grande (Magno) lhe foi dado pelo papa Bonifácio VIII.
O hino do seu Oficio o canta como apóstolo dos ingleses, alguém que, calçando aos pés a riqueza e a glória, seguiu pobre o Pobre, de toda a terra Senhor. Na terceira estrofe, a Igreja o contempla como pastor da grei que o Supremo Pastor, o Cristo, lhe confia, imitando a Pedro no cargo e no seguimento da Lei. A seguinte estrofe mostra como ele contempla os mistérios das Sagradas Escrituras e como a Verdade o alça à luz da contemplação. Como Papa e Doutor da Igreja torna-se servo de todos os servos. E a última estrofe o relaciona com a Sagrada Liturgia.
A Antífona do Benedictus o canta como Pastor: Pastor exímio, São Gregório nos deixou um grande exemplo de uma vida de pastor e uma regra a seus irmãos.
A Antífona do Magnificat mostra sua coerência de vida: São Gregório praticava tudo aquilo que pregava e se fez exemplo vivo dos mistérios que ensinava.
Sob esta luz do santo e do pastor devem ser vistas as orações:
Na Oração coleta apresenta-se o papa Gregório como quem governa com amor o povo de Deus. Pede o espírito de sabedoria para aqueles a quem Deus confiou o governo da sua Igreja e que o progresso das ovelhas contribua para a alegria eterna dos pastores.
A Oração depois da Comunhão relaciona o papa São Gregório com o Cristo Mestre e o Cristo pão da vida: Ó Pai, instruí pelo Cristo Mestre os que saciastes com o Cristo que é o pão da vida, para que, na festa de São Gregório, cheguemos ao conhecimento da verdade e a realizemos pela caridade.
A grande lição de São Gregório para todos os tempos é viver o que ensina; testemunhar e ensinar a verdade e viver a caridade. A contemplação e a ação devem formar um todo na vida dos cristãos, qualquer que seja o seu estado de vida, profissão ou função na Igreja ou na sociedade.
Referência:
BECKHÄUSER, Frei Alberto. Os Santos na Liturgia: testemunhas de Cristo. Petrópolis: Vozes, 2013. 391 p. Adaptações: Equipe Pocket Terço.
São Gregório Magno, rogai por nós!



