Publicado em

SEGUNDA-FEIRA, DIA 05 DE OUTUBRO DE 2026

Memória Facultativa
São Benedito, , Religioso
Santa Maria Faustina Kowalska, apóstola da Divina Misericórdia

Primeira leitura
— Gl 1, 6-12

Leitura da Carta de São Paulo aos Gálatas

Irmãos, 6admiro-me de terdes abandonado tão depressa aquele que vos chamou, na graça de Cristo, e de terdes passado para um outro evangelho. 7Não que haja outro evangelho, mas algumas pessoas vos estão perturbando e querendo mudar o evangelho de Cristo. 8Pois bem, mesmo que nós ou um anjo vindo do céu vos pregasse um evangelho diferente daquele que vos pregamos, seja excomungado. 9Como já dissemos e agora repito: Se alguém vos pregar um evangelho diferente daquele que recebestes, seja excomungado. 10Será que eu estou buscando a aprovação dos homens ou a aprovação de Deus? Ou estou procurando agradar aos homens? Se eu ainda estivesse preocupado em agradar aos homens, não seria servo de Cristo.
11Irmãos, asseguro-vos que o evangelho pregado por mim não é conforme a critérios humanos. 12Com efeito, não o recebi nem aprendi de homem algum, mas por revelação de Jesus Cristo.
— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus.
Salmo Responsorial — Sl 110(111), 1-2. 7-8. 9 e 10c (R. 5b)

℟. O Senhor se lembra sempre da Aliança.
Ou: Aleluia, Aleluia, Aleluia.

— 1Eu agradeço a Deus de todo o coração junto com todos os seus justos reunidos! 2Que grandiosas são as obras do Senhor, elas merecem todo o amor e admiração! ℟.

℟. O Senhor se lembra sempre da Aliança.
Ou: Aleluia, Aleluia, Aleluia.

— 7Suas obras são verdade e são justiça, seus preceitos, todos eles, são estáveis, 8confirmados para sempre e pelos séculos, realizados na verdade e retidão. ℟.

℟. O Senhor se lembra sempre da Aliança.
Ou: Aleluia, Aleluia, Aleluia.

— 9Enviou libertação para o seu povo, confirmou sua Aliança para sempre. Seu nome é santo e é digno de respeito. 10cPermaneça eternamente o seu louvor. ℟.

℟. O Senhor se lembra sempre da Aliança.
Ou: Aleluia, Aleluia, Aleluia.

℟. Aleluia, Aleluia, Aleluia.
℣. Eu vos dou novo preceito: que uns aos outros vos ameis, como eu vos tenho amado. (Jo 13, 34) ℟.
℟. Aleluia, Aleluia, Aleluia.
Evangelho — Lc 10, 25-37

℣. O Senhor esteja convosco.
℟. Ele está no meio de nós.

℣. Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo ✠ segundo Lucas
℟. Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 25um mestre da Lei se levantou e, querendo pôr Jesus em dificuldade, perguntou: “Mestre, que devo fazer para receber em herança a vida eterna?” 26Jesus lhe disse: “O que está escrito na Lei? Como lês?” 27Ele então respondeu: “Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração e com toda a tua alma, com toda a tua força e com toda a tua inteligência; e ao teu próximo como a ti mesmo!” 28Jesus lhe disse: “Tu respondeste corretamente. Faze isso e viverás”.
29Ele, porém, querendo justificar-se, disse a Jesus: “E quem é o meu próximo?” 30Jesus respondeu: “Certo homem descia de Jerusalém para Jericó e caiu nas mãos de assaltantes. Estes arrancaram-lhe tudo, espancaram-no, e foram-se embora deixando-o quase morto. 31Por acaso, um sacerdote estava descendo por aquele caminho. Quando viu o homem, seguiu adiante, pelo outro lado. 32O mesmo aconteceu com um levita: chegou ao lugar, viu o homem e seguiu adiante, pelo outro lado. 33Mas um samaritano que estava viajando, chegou perto dele, viu e sentiu compaixão. 34Aproximou-se dele e fez curativos, derramando óleo e vinho nas feridas. Depois colocou o homem em seu próprio animal e levou-o a uma pensão, onde cuidou dele. 35No dia seguinte, pegou duas moedas de prata e entregou-as ao dono da pensão, recomendando: ʽToma conta dele! Quando eu voltar, vou pagar o que tiveres gasto a maisʼ”.
E Jesus perguntou: 36“Na tua opinião, qual dos três foi o próximo do homem que caiu nas mãos dos assaltantes?” 37Ele respondeu: “Aquele que usou de misericórdia para com ele”. Então Jesus lhe disse: “Vai e faze a mesma coisa”.
— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

SANTO DO DIA
São Benedito
São Benedito, , Religioso (Memória Facultativa)

Local: Palermo, Itália
Data: 05 de Outubro † 1589

Nas terras da Sicília, em 1524, Deus preparava o caminho para um santo que traria luz à escuridão do mundo, acendendo os corações com o fogo da fé e da humildade. São Benedito, filho de africanos que haviam sido escravizados, nasceu no vilarejo de San Fratello. Sua vida, desde o primeiro instante, foi marcada pelo toque divino. Mesmo nascendo em condições humildes, Benedito carregava dentro de si um senso profundo de liberdade: a liberdade de servir, amar e confiar completamente em Jesus e Maria.

Desde menino, Benedito destacava-se por sua pureza de coração e por sua devoção à Santíssima Virgem. Seus pais, apesar da dureza de vida, transmitiram-lhe a fé, e Benedito abraçou cada ensinamento com simplicidade e fervor. Quando trabalhava como pastor, era frequente encontrá-lo em oração, sempre elevando seu coração a Deus em meio às tarefas mais cotidianas.

Aos 18 anos, Benedito deixou sua casa e juntou-se a um grupo de eremitas franciscanos. Lá, no silêncio das montanhas, ele dedicou sua vida à oração e à penitência, buscando uma união mais profunda com Deus. Mesmo na solidão, sua santidade começou a chamar a atenção, e muitos procuravam Benedito em busca de milagres e de conselhos espirituais. Embora fosse analfabeto, sua sabedoria e dons espirituais eram evidentes para todos que o conheciam.

Foi nesse período que Benedito começou a enfrentar intensas batalhas espirituais. Tal como Santo Antônio, ele foi atormentado por tentações, mas sua fé o manteve firme. A confiança que depositava em Deus era inabalável, e cada provação servia apenas para aproximá-lo ainda mais do Senhor. A partir de então, sua vida passou a ser marcada por uma série de milagres, como curas, multiplicações de alimentos e, inclusive, a ressurreição de mortos.

Em obediência à ordem do Papa Pio IV, Benedito foi chamado a deixar sua vida de eremita e ingressou no convento de Santa Maria de Jesus, em Palermo, onde assumiu a função de cozinheiro. Era na simplicidade da cozinha que Benedito continuava a exercer sua santidade. Relatos de época contam que, quando os alimentos começavam a faltar, Benedito confiava em Deus, e a comida se multiplicava de forma milagrosa. Ele sempre atribuía esses prodígios à providência divina, sem jamais buscar glória para si.

Mesmo com uma função tão humilde, Benedito logo foi chamado a posições de maior responsabilidade. Em 1578, ele foi eleito Superior do convento, apesar de ser um simples irmão leigo e analfabeto. Sua liderança, marcada pela obediência, humildade e amor, trouxe paz e fervor espiritual à comunidade. Ao fim de seu mandato, retornou com alegria às suas atividades na cozinha, servindo seus irmãos com a mesma dedicação.

Um dos aspectos mais comoventes da vida de São Benedito era sua profunda devoção ao Menino Jesus. Ele passava longos momentos em oração diante de uma imagem de Nossa Senhora, que até hoje se conserva na igreja principal do convento de Palermo. Conta-se que, em uma dessas ocasiões de oração, Nossa Senhora lhe oferecia o Menino Jesus para que ele o sustentasse em seus braços. Com uma simplicidade encantadora, Benedito permanecia brincando com o Menino Deus entre seus braços, profundamente imerso na sua oração.

No entanto, sua obediência era tão grande aos compromissos da vida comunitária que, em certo momento, ao ouvir o sino do convento, Benedito, para não se atrasar, rapidamente lançou o Menino Jesus nos braços de Nossa Senhora, saindo apressado para cumprir suas tarefas. Curiosamente, a imagem de Nossa Senhora parece, desde então, segurar o Menino Jesus de forma um tanto desajeitada, como um testemunho visível da simplicidade e obediência de Benedito. Esse episódio revela não só sua intimidade com Deus, mas também seu compromisso com a disciplina da vida religiosa.

A vida de São Benedito era uma contínua comunhão entre o céu e a terra. Ele vivia intensamente sua fé, seja nas tarefas mais simples, seja nos momentos de oração profunda. Sua humildade e serviço constantes faziam dele um reflexo da vida de Cristo, especialmente no cuidado pelos pobres e necessitados. Em uma ocasião, ao ver um irmão prestes a jogar fora um pedaço de pão, Benedito correu e pegou o alimento, dizendo: “Não jogue fora este pão, aqui contém o sangue dos pobres!” Esse gesto revelou a compaixão profunda que ele nutria por aqueles que sofriam e sua compreensão de que cada ato de generosidade e cuidado tinha um valor eterno.

Benedito era também um homem de milagres. Além das curas, ele multiplicava os alimentos para alimentar os frades e os pobres que vinham ao convento em busca de ajuda. Mesmo em sua simplicidade, os dons espirituais de Benedito atraíam multidões, mas ele sempre procurava manter-se longe das glórias humanas, atribuindo tudo à vontade de Deus e à intercessão da Santíssima Virgem.

Em 1589, São Benedito faleceu em plena fama de santidade, aos 63 anos. Seu corpo foi encontrado incorrupto, exalando um suave perfume, sinal da pureza com que viveu. Logo após sua morte, a devoção a São Benedito se espalhou por toda a Europa, alcançando também as Américas.

No Brasil, São Benedito se tornou um dos santos mais venerados, especialmente entre as comunidades afro-brasileiras. Sua história de humildade e serviço tocava profundamente os corações de escravizados e oprimidos, que o viam como um exemplo de dignidade e santidade. Em diversas regiões do país, as congadas e irmandades se formaram para honrar sua memória e espalhar sua devoção. O povo brasileiro, especialmente nas regiões mais simples, carrega São Benedito no coração como um protetor e intercessor poderoso, alguém que verdadeiramente entende as dores e lutas da vida.

Nos dias de festa em sua honra, é comum ver procissões, cantos e celebrações em várias partes do Brasil. Em Palermo, no museu do convento onde repousam seus restos mortais, há fotos e registros das inúmeras paróquias e capelas brasileiras dedicadas ao santo, testemunhando o amor e devoção do povo brasileiro.

São Benedito é um exemplo vivo de como a santidade não depende de riqueza, status ou conhecimento, mas de uma alma simples, cheia de amor e disposição para servir a Deus e aos outros. Ele nos ensina que a verdadeira grandeza está na humildade, no serviço silencioso e na profunda confiança em Deus. Que, por sua intercessão, possamos aprender a trilhar o caminho da santidade, amando e servindo com a mesma devoção com que ele amou Jesus e Maria.

Referência:
• Instituto Plinio Corrêa de Oliveira. “São Benedito, o Mouro – 05 de outubro”. 2024.
• Redemptor. “São Benedito, o Preto – 4 de abril”.
• Phillip Mericle. “São Benedito, o Mouro – A vida e a santidade de um exemplo extraordinário.”
• Vatican News. “São Benedito: um dos santos mais amados pelos brasileiros”. Bruno Franguelli, SJ.

São Benedito, rogai por nós!

Santa Maria Faustina Kowalska, apóstola da Divina Misericórdia

Origens 
A mística da Misericórdia nasceu no dia 25 de agosto de 1905, em Glogowiec, na Polônia Central. Faustina foi a terceira dos dez filhos do casal Stanislaus e Marianna Kowalska, que os educaram com grande disciplina espiritual. Muito pobres, só foi possível à Faustina que completasse três anos de estudos. Ela e suas irmãs tinham apenas um bom vestido que tinham de revezar para ir às missas. Todas as irmãs iam à missa, mas cada uma assistia a uma missa diferente. Ela também trabalhou de doméstica por um tempo, antes de entrar no convento. 
Juventude
Com 18 anos, a jovem Faustina disse à sua mãe que desejava ser religiosa, mas os pais não permitiram. Aos 19 anos, estava dançando em um baile, quando viu Jesus coberto de chagas parado junto a si, então, Ele lhe disse: “Até quando hei de ter paciência contigo? Até quando tu me enganarás?”. Faustina disfarçou o acontecido para que sua irmã não percebesse. Quando pôde, abandonou discretamente o baile e dirigiu-se até a Catedral de São Estanislau Kostka. Na Igreja, ela pediu ao Senhor, em oração profunda, que lhe mostrasse o caminho a ser seguido, logo escutou uma voz que lhe dizia: “Vá imediatamente a Varsóvia, lá entrarás em um convento”.
Ousadia de Santa Faustina para o encontro de Jesus
No outro dia, apenas com a roupa do corpo, decidiu sair de sua casa mesmo sem a permissão dos pais. Ela vagou de convento em convento sendo rejeitada por causa de sua baixa escolaridade e pobreza. Depois de várias semanas de busca, a Madre Superiora do convento das Irmãs de Nossa Senhora da Misericórdia decidiu lhe dar uma chance com a condição de que pagasse pelo ingresso, o que a levou a trabalhar como doméstica por um ano, período em que fazia depósitos na conta do convento até que completasse o montante exigido. 
Entrada no Convento
Em 30 de abril de 1926, aos 20 anos, ingressou no convento adotando o nome de Maria Faustina do Santíssimo Sacramento. O nome Faustina significa abençoada, afortunada e pode ser uma referência ao mártir cristão Faustinus. Segundo conta em seus diários, poucas semanas depois de seu ingresso no convento, teve a tentação de abandoná-lo.
Da quase saída do convento ao abandono em Deus 
Chegou a procurar a Madre Superiora, porém, não encontrou-a, retirando-se então para seu dormitório. Lá teve uma visão de Jesus, com seu rosto desfigurado por conta das chagas. Ela questionou-o: “Jesus, quem te feriu tanto?”. Jesus respondeu: “Esta é a dor que me causarias se tivesses abandonado este convento. É para cá que eu te trouxe e não para outro; e tenho preparadas para ti muitas bênçãos”. Ela compreendeu que o plano de Deus para ela era que ficasse ali. O tempo que lhe sobrava dos trabalhos e obrigações passava-se em adoração ao Senhor culto no tabernáculo; d’Ele recebeu luzes especialíssimas sobre o mistério da Santíssima Trindade e as demais verdades da Fé, de forma que costumava dizer: “Ele é meu Mestre”.
Trabalhos no Convento
Neste convento, trabalhou na cozinha e como cuidadora de outras irmãs. Em abril de 1928, fez votos como freira, seus pais estiveram presentes na cerimônia. Um ano mais tarde, Faustina foi enviada a um convento de Vilnius, Lituânia, onde também trabalhou como cozinheira, ficou por pouco tempo, mas retornou ao local mais tarde, ocasião em que encontrou com Michał Sopoćko, que apoiou sua missão. Um ano depois de seu retorno de Vilnius, em maio de 1930, ela foi transferida para um convento em Płock, na Polônia, onde ficou por cerca de 5 anos.
A Primeira Revelação de Jesus 
Em 22 de fevereiro de 1931, Irmã Faustina relatou, em seus diários (diário I, sessões 47, 48 e 49), ter tido a primeira revelação de Jesus enquanto Rei da Divina Misericórdia em seu quarto. Segundo ela, Jesus apareceu vestido de branco e de seu coração emanava feixes de luz vermelho e branco. 
O pedido de Jesus para Santa Faustina 
Entre outras coisas, Jesus pediu-lhe que pintasse uma imagem sua, fiel à imagem que se mostrava a ela. A imagem deveria conter a inscrição: “Jesus, eu confio em vós”. Jesus manifestou a vontade de que esta imagem fosse venerada, primeiro, em sua capela, posteriormente, no mundo todo e solenemente no domingo que sucede ao domingo de Páscoa, Jesus ainda teria dito a ela que quem quer que venerasse tal imagem seria salvo. Por não saber pintar, Faustina solicitou ajuda das irmãs de seu convento, contudo, não recebeu nenhum auxílio. 
O Livro de suas Visões 
Em 1933, ela começou a ser dirigida pelo Padre Sopoćko, que, ao ouvir suas experiências místicas, procurou submetê-la a avaliações psiquiátricas. Depois que a Dra. Helena Maciejewska deu o parecer de sanidade, padre Sopoćko teve confiança e começou a aconselhá-la. Pediu que escrevesse um diário para registrar as mensagens que recebia e conversas que tinha com Jesus, livro que se tornou mundialmente famoso e um verdadeiro guia espiritual para as almas. 
Imagem da Divina Misericórdia
Faustina contou ao padre sobre a imagem da Divina Misericórdia, em janeiro de 1934, ele a apresentou ao artista plástico Eugene Kazimierowski, que finalizou a obra em junho desse mesmo ano. Entretanto, a imagem que tornou-se famosa no mundo inteiro foi realizada pelo pintor Adolf Hyła, feita em agradecimento pela salvação de sua família da guerra.
Terço da Divina Misericórdia
Faustina escreveu (n. 476) a respeito de uma visão envolvendo o Terço da Divina Misericórdia, o propósito das orações do terço são: obter misericórdia, confiar na misericórdia de Cristo e mostrar misericórdia para com os outros. 
Festa da Divina Misericórdia
Também relatou (n. 1044) que teve uma visão na qual a Festa da Divina Misericórdia seria celebrada na sua capela local e seria assistida por uma multidão de fiéis; e que a mesma cerimônia também teria lugar em Roma e seria conduzida pelo Papa. Em 1937, Faustina recebeu uma mensagem de Jesus com instruções sobre a Novena da Divina Misericórdia. Esse ano foi marcado pela divulgação das mensagens da Divina Misericórdia, foram impressos os primeiros cartões com a imagem da Divina Misericórdia, também foi publicado um panfleto intitulado Cristo, o Rei da Misericórdia, que incluía o terço, a novena e a litania da Divina Misericórdia.
Páscoa 
Santa Faustina sofreu muito, e por muitos anos, com a tuberculose, os dez últimos anos de sua vida foram particularmente atrozes. No dia 5 de outubro de 1938, sussurrou à irmã enfermeira: “Hoje, o Senhor me receberá”. E assim aconteceu. Foi beatificada a 18 de abril de 1993, pelo Papa João Paulo II, Santa Faustina, a “Apóstola da Divina Misericórdia”; e foi canonizada pelo mesmo Sumo Pontífice no dia 30 de abril de 2000.
Minha oração
“Querida apóstola da misericórdia, educai-nos para que vivamos da melhor maneira esse conselho evangélico, nele encontremos a misericórdia divina e sejamos misericordiosos com nossos irmãos. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.”
Santa Maria Faustina Kowalska , rogai por nós!

Publicado em

DOMINGO, DIA 04 DE OUTUBRO DE 2026

XXVII DOMINGO DO TEMPO COMUM
Cor Litúrgica verde

Primeira leitura
— Is 5, 1-7

Leitura do Livro do Profeta Isaías

Vou cantar para o meu amado o cântico da vinha de um amigo meu: Um amigo meu possuía uma vinha em fértil encosta. 2Cercou-a, limpou-a de pedras, plantou videiras escolhidas, edificou uma torre no meio e construiu um lagar; esperava que ela produzisse uvas boas, mas produziu uvas selvagens.
3Agora, habitantes de Jerusalém e cidadãos de Judá, julgai a minha situação e a de minha vinha. 4O que poderia eu ter feito a mais por minha vinha e não fiz? Eu contava com uvas de verdade, mas por que produziu ela uvas selvagens?
5Pois agora vou mostrar-vos o que farei com minha vinha: vou desmanchar a cerca, e ela será devastada; vou derrubar o muro, e ela será pisoteada. 6Vou deixá-la inculta e selvagem: ela não será podada nem lavrada, espinhos e sarças tomarão conta dela; não deixarei as nuvens derramar a chuva sobre ela. 7Pois bem, a vinha do Senhor dos exércitos é a casa de Israel, e o povo de Judá, sua dileta plantação; eu esperava deles frutos de justiça — e eis injustiça; esperava obras de bondade — e eis iniquidade.
— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus.

Salmo Responsorial — Sl 79(80), 9. 12. 13-14. 15-16. 19-20 (R. Is 5, 7a)

℟. A vinha do Senhor é a casa de Israel.

— Arrancastes do Egito esta videira, e expulsastes as nações para plantá-la; até o mar se estenderam seus sarmentos, até o rio os seus rebentos se espalharam. ℟.

℟. A vinha do Senhor é a casa de Israel.

— Por que razão vós destruístes sua cerca, para que todos os passantes a vindimem, o javali da mata virgem a devaste, e os animais do descampado nela pastem? ℟.

℟. A vinha do Senhor é a casa de Israel.

— Voltai-vos para nós, Deus do universo! Olhai dos altos céus e observai. Visitai a vossa vinha e protegei-a! Foi a vossa mão direita que a plantou; protegei-a, e ao rebento que firmastes! ℟.

℟. A vinha do Senhor é a casa de Israel.

— E nunca mais vos deixaremos, Senhor Deus! Dai-nos vida, e louvaremos vosso nome! Convertei-nos, ó Senhor Deus do universo, e sobre nós iluminai a vossa face! Se voltardes para nós, seremos salvos! ℟.

℟. A vinha do Senhor é a casa de Israel.

Segunda leitura
— Fl 4, 6-9

Leitura da Carta de São Paulo aos Filipenses

Irmãos: 6Não vos inquieteis com coisa alguma, mas apresentai as vossas necessidades a Deus, em orações e súplicas, acompanhadas de ação de graças. 7E a paz de Deus, que ultrapassa todo o entendimento, guardará os vossos corações e pensamentos em Cristo Jesus. 8Quanto ao mais, irmãos, ocupai-vos com tudo o que é verdadeiro, respeitável, justo, puro, amável, honroso, tudo o que é virtude ou de qualquer modo mereça louvor.
9Praticai o que aprendestes e recebestes de mim, ou que de mim vistes e ouvistes. Assim, o Deus da paz estará convosco.
— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus.

℟. Aleluia, Aleluia, Aleluia.
℣. Eu vos escolhi, foi do meio do mundo, a fim de que deis um fruto que dure. Eu vos escolhi, foi do meio do mundo. Amém! Aleluia, Aleluia! (Cf. Jo 15, 16) ℟.
℟. Aleluia, Aleluia, Aleluia.
Evangelho — Mt 21, 33-43

℣. O Senhor esteja convosco.
℟. Ele está no meio de nós.

℣. Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo ✠ segundo Mateus 
℟. Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, Jesus disse aos sumos sacerdotes e aos anciãos do povo: 33“Escutai esta outra parábola: Certo proprietário plantou uma vinha, pôs uma cerca em volta, fez nela um lagar para esmagar as uvas, e construiu uma torre de guarda. Depois, arrendou-a a vinhateiros, e viajou para o estrangeiro. 34Quando chegou o tempo da colheita, o proprietário mandou seus empregados aos vinhateiros para receber seus frutos. 35Os vinhateiros, porém, agarraram os empregados, espancaram a um, mataram a outro, e ao terceiro apedrejaram.
36O proprietário mandou de novo outros empregados, em maior número do que os primeiros. Mas eles os trataram da mesma forma. 37Finalmente, o proprietário enviou-lhes o seu filho, pensando: ‘Ao meu filho eles vão respeitar’.
38Os vinhateiros, porém, ao verem o filho, disseram entre si: ‘Este é o herdeiro. Vinde, vamos matá-lo e tomar posse da sua herança!’ 39Então agarraram o filho, jogaram-no para fora da vinha e o mataram. 40Pois bem, quando o dono da vinha voltar, o que fará com esses vinhateiros?”
41Os sumos sacerdotes e os anciãos do povo responderam: “Com certeza mandará matar de modo violento esses perversos e arrendará a vinha a outros vinhateiros, que lhe entregarão os frutos no tempo certo”.
42Então Jesus lhes disse: “Vós nunca lestes nas Escrituras: ‘A pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a pedra angular; isto foi feito pelo Senhor e é maravilhoso aos nossos olhos?’
43Por isso, eu vos digo: o Reino de Deus vos será tirado e será entregue a um povo que produzirá frutos”.
— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

SANTO DO DIA
São Francisco de Assis, Religioso (Memória)

Local: Assis, Itália
Data: 04 de Outubro † 1226

São Francisco nasceu em Assis, cidade medieval da Úmbria, no centro da Itália, em 1182. O pai, notável comerciante, ambicionava que seu filho continuasse na mesma carreira, mas Francisco não possuía o perfil de comerciante. De gênio alegre e folgazão, sentia em si um forte pendor para os prazeres do mundo.

Quando jovem, sonhou com as glórias militares. Participou de uma guerra entre a cidade de Assis e a vizinha cidade de Perugia, mas não foi feliz. Acabou sendo preso e colocado em dura prisão, onde ficou sofrendo por um ano. Quando dava início a outra aventura militar, sentiu repentina crise de consciência que lhe questionava a validade das ações militares. Voltou logo para sua cidade natal e, aos poucos, foi amadurecendo nele uma radical conversão: Deus o chamava, não às vaidades do mundo, não à glória militar, nem à ambição do comércio, mas à imitação radical do Cristo pobre e crucificado. Depois de usar de misericórdia para com os leprosos (Testamento), converteu-se ao Evangelho e viveu-o com extrema coerência, em pobreza e grande alegria, seguindo o Cristo humilde, pobre e casto, conforme as bem-aventuranças.

A partir de 1208 começou a ser imitado por alguns seguidores e, quando no ano seguinte Inocêncio III aprovava oralmente seu novo estilo de vida cristã, nascia a Ordem dos Frades Menores. A Regra ou Forma de Vida que ele deixou era simples: Vida de oração e contemplação, pobreza, como imitação do Cristo pobre e humilde, no mistério da Encarnação, da Cruz e da Eucaristia, a fraternidade universal, a vida de penitência ou de conversão evangélica permanente e a pregação do Evangelho, tendo como centro o Amor a Deus e ao próximo.

Com a jovem conterrânea Clara, que quis seguir seu ideal, lançou os fundamentos da Ordem II, a das Damas Pobres ou Clarissas. Em 1221 nascia também, à sua sombra, o movimento de leigos denominado Ordem Terceira, hoje, Ordem Franciscana Secular. Dois anos antes da morte selou, por assim dizer, sua ânsia de semelhança com Jesus Cristo através dos estigmas. Seus últimos anos de vida foram atormentados por várias doenças que culminaram na cegueira quase total. Faleceu na tarde do dia 3 de outubro de 1226 com 44 anos de idade.

São Francisco é, sem dúvida, uma das mais atraentes personalidades da história, um patrimônio de toda a humanidade, homem sem fronteiras que tem atraído a simpatia de todos indistintamente. Já os contemporâneos se impressionaram profundamente com ele. Nos primeiros decênios depois de sua morte os escritores se empenharam em descrever o mistério de sua vida tão rica. Hoje ainda ele continua a entusiasmar os estudiosos. É difícil dizer o que mais fascina em São Francisco. Foi, sem dúvida, o homem apaixonado pelo Deus-Amor, a quem quis corresponder com uma resposta de Amor. É visto como Evangelho vivo. Multidões o contemplam como o “Pobrezinho”, o irmão universal. O historiador alemão Joseph Lortz deu-lhe o título de “Santo Incomparável”.

É significativo que o santo não é caracterizado, não é colocado em nenhum grupo de santos. Não é apresentado como religioso nem como diácono. Talvez, qualquer caracterização reduzisse a grandeza deste santo universal, “o homem de Deus”.

Como é que o apresenta a Liturgia? Homem de Deus, pobre e desvalido (Antífona da Entrada). Homem semelhante a Cristo por uma vida de humildade e pobreza, seguidor de Jesus Cristo na perfeita alegria (Oração coleta). A Oração sobre as oferendas lança Francisco no mistério da Cruz, abraçado com intenso amor. A Antífona da Comunhão volta à bem-aventurança da pobreza vivida por Francisco. A Oração depois da Comunhão volta a realçar o grande amor de São Francisco, chamado na Ordem o Serafim de Assis, e o seu zelo apostólico no empenho pela salvação de todos.

Referência:
BECKHÄUSER, Frei Alberto. Os Santos na Liturgia: testemunhas de Cristo. Petrópolis: Vozes, 2013. 391 p. Adaptações: Equipe Pocket Terço.

São Francisco de Assis, rogai por nós!

Publicado em

SÁBADO, DIA 03 DE OUTUBRO DE 2026

Santos André de Soveral e Ambrósio Francisco Ferro, Presbíteros, Mateus Moreira e companheiros, Mártires, Memória
Cor Litúrgica vermelha

Primeira leitura
— Jó 42, 1-3. 5-6. 12-16

Leitura do Livro de Jó

1Jó respondeu ao Senhor, dizendo: 2“Reconheço que podes tudo e que para ti nenhum pensamento é oculto. 3- Quem é esse que ofusca a Providência, sem nada entender? Falei, pois, de coisas que não entendia, de maravilhas que ultrapassam a minha compreensão. 5Conhecia o Senhor apenas por ouvir falar, mas, agora, eu o vejo com meus olhos. 6Por isso me retrato e faço penitência no pó e na cinza”.
12O Senhor abençoou a Jó no fim de sua vida mais do que no princípio; ele possuía agora catorze mil ovelhas, seis mil camelos, mil juntas de bois e mil jumentas. 13Teve outros sete filhos e três filhas: 14a primeira chamava-se “Rola”, a segunda “Cássia”, e a terceira “Azeviche”. 15Não havia em toda a terra mulheres mais belas que as filhas de Jó. Seu pai lhes destinou uma parte da herança, entre os seus irmãos. 16Depois destes acontecimentos, Jó viveu cento e quarenta anos, e viu seus filhos e os filhos de seus filhos até a quarta geração. E Jó morreu velho e repleto de anos.
— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus.

Salmo Responsorial — Sl 118(119), 66. 71. 75. 91. 125. 130 (R. 135a)

℟. Fazei brilhar vosso semblante ao vosso servo e ensinai-me vossas leis e mandamentos.

— 66Dai-me bom senso, retidão, sabedoria, pois tenho fé nos vossos santos mandamentos! ℟.

℟. Fazei brilhar vosso semblante ao vosso servo e ensinai-me vossas leis e mandamentos.

— 71Para mim foi muito bom ser humilhado, porque assim eu aprendi vossa vontade! ℟.

℟. Fazei brilhar vosso semblante ao vosso servo e ensinai-me vossas leis e mandamentos.

— 75Sei que os vossos julgamentos são corretos, e com justiça me provastes, ó Senhor! ℟.

℟. Fazei brilhar vosso semblante ao vosso servo e ensinai-me vossas leis e mandamentos.

— 91Porque mandastes, tudo existe até agora; todas as coisas, ó Senhor, vos obedecem! ℟.

℟. Fazei brilhar vosso semblante ao vosso servo e ensinai-me vossas leis e mandamentos.

— 125Sou vosso servo: concedei-me inteligência, para que eu possa compreender vossa Aliança! ℟.

℟. Fazei brilhar vosso semblante ao vosso servo e ensinai-me vossas leis e mandamentos.

— 130Vossa palavra, ao revelar-se, me ilumina, ela dá sabedoria aos pequeninos. ℟.

℟. Fazei brilhar vosso semblante ao vosso servo e ensinai-me vossas leis e mandamentos.

℟. Aleluia, Aleluia, Aleluia.
℣. Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, pois revelaste os mistérios do teu Reino aos pequeninos, escondendo-os aos doutores! (cf. Mt 11, 25) ℟.
℟. Aleluia, Aleluia, Aleluia.
Evangelho — Lc 10, 17-24

℣. O Senhor esteja convosco.
℟. Ele está no meio de nós.

℣. Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo ✠ segundo Lucas
℟. Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 17os setenta e dois voltaram muito contentes, dizendo: “Senhor, até os demônios nos obedeceram por causa do teu nome”. 18Jesus respondeu: “Eu vi Satanás cair do céu, como um relâmpago. 19Eu vos dei o poder de pisar em cima de cobras e escorpiões e sobre toda a força do inimigo. E nada vos poderá fazer mal. 20Contudo, não vos alegreis porque os espíritos vos obedecem. Antes, ficai alegres porque vossos nomes estão escritos no céu”.
21Naquele momento, Jesus exultou no Espírito Santo e disse: “Eu te louvo, Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste essas coisas aos sábios e inteligentes, e as revelaste aos pequeninos. Sim, Pai, porque assim foi do teu agrado. 22Tudo me foi entregue pelo meu Pai. Ninguém conhece quem é o Filho, a não ser o Pai; e ninguém conhece quem é o Pai, a não ser o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar”.
23Jesus voltou-se para os discípulos e disse-lhes em particular: “Felizes os olhos que veem o que vós vedes! 24Pois eu vos digo que muitos profetas e reis quiseram ver o que estais vendo, e não puderam ver; quiseram ouvir o que estais ouvindo, e não puderam ouvir”.
— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

SANTO DO DIA
Santo André de Soveral, Ambrósio Ferro e companheiros (Memória)

Local: Rio Grande do Norte, Brasil
Data: 03 de Outubro † 1645

São 28 os companheiros mártires leigos, homens, mulheres e crianças. Eles são conhecidos também como os Mártires do Rio Grande do Norte ou os protomártires do Brasil.

Estamos no Brasil, Colônia de Portugal do século XVII. Também a capitania do Rio Grande, atual Estado do Rio Grande do Norte, foi invadida pelos holandeses, atraídos pela produção canavieira.

No dia 16 de julho de 1645, os holandeses, que ocupavam o Nordeste do Brasil, chegaram a Cunhaú, no Rio Grande do Norte, onde residiam vários colonos ao redor do engenho, ocupados no plantio da cana-de-açúcar. Era domingo e a comunidade estava reunida para a missa na capela da casa-grande, dedicada a Nossa Senhora das Candeias. A capela foi cercada e invadida por soldados e índios que trucidaram os que aí estavam. Os membros da Comunidade não opuseram resistência aos agressores e entregaram piedosamente suas almas ao Criador. Dentre os martirizados, ficaram na história o padre André de Soveral e o leigo Domingos de Carvalho.

Aterrorizados com o acontecimento de Cunhaú, o padre Ambrósio Francisco Ferro e outros moradores da capitania solicitaram abrigo no Forte dos Reis Magos. Outras pessoas, não podendo asilar-se no forte, providenciaram a construção de abrigos improvisados na localidade denominada Potengi, distante 25km da Fortaleza dos Reis Magos. Os flamengos deixaram Cunhaú e atingiram Potengi e, após porem cerco à resistência dos moradores refugiados, conseguiram rendê-los e conduzi-los à fortaleza dos Reis Magos. Chegou ao forte ordem do Alto e Secreto Conselho do Recife, órgão de domínio do Brasil holandês, para executar imediatamente os rebeldes.

O primeiro grupo executado foi aquele do qual participava o padre Ambrósio junto com outras pessoas de destaque na cidade. Era o dia 3 de outubro de 1645, quando o grupo composto de doze pessoas foi conduzido ao porto de Uruaçu, a 18km da Fortaleza dos Reis Magos. No porto, tudo já estava preparado para a execução, comandada pelo chefe potiguar Antônio Paraopaba, o qual, embora indígena, fora educado na Holanda e se convertera à Igreja reformada.

Quando os condenados chegaram, receberam ordens para se despirem e se ajoelharem. Os holandeses, de religião calvinista, trouxeram um pastor protestante para demovê-los de sua fé católica. Todos resistiram a esta tentativa e foram barbaramente mortos. Entre eles estava Mateus Moreira que, ao lhe ser arrancado o coração pelas costas, morreu exclamando: “Louvado seja o Santíssimo Sacramento”. O segundo grupo foi executado no mesmo local, com a mesma crueldade e violência. Entre os mortos encontravam-se algumas mulheres e crianças.

Forte é a relação dos mártires com a Eucaristia. Uns foram mortos durante a Missa, Mateus Moreira morreu louvando o Santíssimo Sacramento. Vida eucarística e martírio têm em comum o testemunho do Senhor Jesus.

O caso dos mártires de Cunhaú e de Uruaçu leva a vários questionamentos. Entre eles, a tolerância religiosa. A religião que leva a atentar contra a vida não pode ser verdadeira religião. Note-se também que por trás dos atos dos cristãos reformados que assassinaram os mártires de Cunhaú e Uruaçu havia fortes interesses econômicos. A religião, quando se torna serva de grupos econômicos, deixa de servir a Deus.

A mensagem que esses mártires legaram é que vale a pena dar a vida por causa do Evangelho. Por outro lado, leva-nos a notar que a religião de Jesus não é a da dominação, da morte, da exploração, mas da vida e do amor.

Referência:
BECKHÄUSER, Frei Alberto. Os Santos na Liturgia: testemunhas de Cristo. Petrópolis: Vozes, 2013. 391 p. Adaptações: Equipe Pocket Terço.

Santo André de Soveral, Ambrósio Ferro e companheiros, rogai por nós!

Publicado em

SEXTA-FEIRA, DIA 02 DE OUTUBRO DE 2026

Santos Anjos da Guarda, Memória
Cor Litúrgica branca

Primeira leitura
— Ex 23, 20-23

Leitura do Livro do Êxodo

Assim diz o Senhor: 20“Vou enviar um anjo que vá à tua frente, que te guarde pelo caminho e te conduza ao lugar que te preparei. 21Respeita-o e ouve a sua voz. Não lhe sejas rebelde, porque não suportará as vossas transgressões, e nele está o meu nome. 22Se ouvires a sua voz e fizeres tudo o que eu disser, serei inimigo dos teus inimigos, e adversário dos teus adversários. 23O meu anjo irá à tua frente e te conduzirá à terra dos amorreus, dos hititas, dos fereseus, dos cananeus, dos heveus e dos jebuseus, e eu os exterminarei”.
— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus.

Salmo Responsorial — Sl 90(91), 1-2. 3-4. 5-6. 10-11 (R. 11)

℟. O Senhor deu uma ordem aos seus anjos, para em todos os caminhos te guardarem.

— 1Quem habita ao abrigo do Altíssimo e vive à sombra do Senhor onipotente, 2diz ao Senhor: “Sois meu refúgio e proteção, sois o meu Deus, no qual confio inteiramente”. ℟.

℟. O Senhor deu uma ordem aos seus anjos, para em todos os caminhos te guardarem.

— 3Do caçador e do seu laço ele te livra. Ele te salva da palavra que destrói. 4Com suas asas haverá de proteger-te, com seu escudo e suas armas, defender-te. ℟.

℟. O Senhor deu uma ordem aos seus anjos, para em todos os caminhos te guardarem.

— 5Não temerás terror algum durante a noite, nem a flecha disparada em pleno dia; 6nem a peste que caminha pelo escuro, nem a desgraça que devasta ao meio-dia. ℟.

℟. O Senhor deu uma ordem aos seus anjos, para em todos os caminhos te guardarem.

— 10Nenhum mal há de chegar perto de ti, nem a desgraça baterá à tua porta; 11pois o Senhor deu uma ordem a seus anjos para em todos os caminhos te guardarem. ℟.

℟. O Senhor deu uma ordem aos seus anjos, para em todos os caminhos te guardarem.

℟. Aleluia, Aleluia, Aleluia.
℣. Bendizei ao Senhor Deus, os seus poderes, seus ministros que fazeis sua vontade! (Sl 102(103), 21) ℟.
Evangelho — Mt 18, 1-5. 10

℣. O Senhor esteja convosco.
℟. Ele está no meio de nós.

℣. Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo ✠ segundo Mateus
℟. Glória a vós, Senhor.

Naquela hora, 1os discípulos aproximaram-se de Jesus e perguntaram: “Quem é o maior no Reino dos Céus?” 2Jesus chamou uma criança, colocou-a no meio deles 3e disse:
“Em verdade vos digo, se não vos converterdes, e não vos tornardes como crianças, não entrareis no Reino dos Céus. 4Quem se faz pequeno como esta criança, esse é o maior no Reino dos Céus. 5E quem recebe em meu nome uma criança como esta, é a mim que recebe. 10Não desprezeis nenhum desses pequeninos, pois eu vos digo que os seus anjos nos céus veem sem cessar a face do meu Pai que está nos céus”.
— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

SANTO DO DIA
Santos Anjos da Guarda (Memória)

Data: 02 de Outubro

A primeira manifestação de uma comemoração dos Santos Anjos da Guarda aparece em 1411 em Valência, na Espanha. Em 1590, o papa Sisto V concedeu a Portugal um Ofício especial. Da Espanha e Portugal esta memória passou para o Calendário romano, em 1608.

Creio que todos nos lembramos, na nossa infância, daquelas figuras da criança protegida por um anjo ao atravessar uma ponte arruinada! A comemoração dos Anjos da Guarda está mais na compreensão comum da fé do que no nível da discussão teológica.

A Igreja, em sua piedade, sempre acreditou na existência não só de anjos em geral, dos quais nos falam repetidamente as páginas da Sagrada Escritura, mas também de anjos destinados a guardar e proteger os homens na caminhada terrestre.

Na História da Salvação, Deus confia aos anjos o encargo de proteger os patriarcas, os seus servos (Sl 90, 11-13) e todo o povo eleito (Ex 23, 20-23). No Novo Testamento o papel dos anjos é mais claro. Os anjos anunciam o nascimento de Cristo e acompanham a vida toda do Divino Mestre. Aparecem por ocasião de sua paixão e morte e são testemunhas de sua ressurreição. Igualmente nos Atos dos Apóstolos é bem evidente a intervenção dos anjos que vai marcando os primeiros passos da Igreja. Eles tomam parte ativa nos progressos do Evangelho, manifestando assim que a comunidade eclesial se liga intimamente ao ministério de Cristo.

O autor da Carta aos Hebreus dá testemunho disso quando escreve, falando dos anjos de Deus: Não são todos eles espíritos servidores, enviados para servir os que devem herdar a salvação? (Hb 1, 14).

Para justificar a existência dos anjos da guarda poderemos citar primeiramente o Sl 90, que se refere ao futuro Messias, fala explicitamente que Deus mandou seus anjos guardar o Messias: Em todos os seus passos, eles o sustentarão em suas mãos para que não tropece em alguma pedra. Se Cristo, em sua humanidade, apesar de unida com a Divindade, era continuamente protegido por anjos, muito mais devemos ser nós, seus membros. Certa vez, Jesus, falando das crianças, que propunha como modelos de inocência, de simplicidade e de docilidade, teve palavras fortes contra os possíveis escandalizadores das crianças e acrescentou: Cuidado para não desprezar um desses pequeninos, porque eu vos digo que seus anjos estão continuamente no céu, na presença do meu Pai celeste (Mt 18, 10). Quando Pedro, libertado da cadeia, por intervenção de um anjo (At 12, 7-9; cf. tb. At 5, 19), se dirigia à noite à casa do amigo Marcos, bateu à porta, mas de dentro não se atreviam a abrir, embora reconhecendo que fosse sua voz, pois diziam: Deve ser o anjo dele (At 12, 15). Esta frase faz pensar na convicção dos primeiros cristãos relativa à existência de um anjo que acompanha cada um de nós. Esta é, de fato, a crença universal e pacífica da Igreja em todos os tempos.

Os temas da proteção e dos anjos como guias perpassam toda a Liturgia. Eles são vistos como seres que bendizem o Senhor e cantam a sua glória e o louvam eternamente e os fiéis são convidados a louvarem a Deus na presença dos anjos (cf. Antífona da entrada e da Comunhão).

A Oração coleta reconhece que Deus na sua providência manda os seus anjos para guardar-nos. Na Oração sobre as oferendas a Igreja pede que as nossas oferendas em honra dos Santos Anjos façam com que eles nos guardem dos perigos desta vida e nos levem à vida eterna. Na Oração depois da Comunhão se pede que Deus nos guie por meio dos seus Anjos no caminho da salvação e da paz.

Podemos dizer que toda a celebração se volta para Deus que, na sua providência, coloca seus espíritos amigos, que o louvam e glorificam, a serviço dos seres humanos no caminho da salvação e da paz.

Importa que sejamos gratos a Deus por nos proteger e guiar pelos seus anjos, que nos unamos a eles na glorificação de Deus como o somos convidados a fazer em cada Missa na hora do Santo, e que todos também sejamos cada vez mais anjos do Senhor, mensageiros da Paz e do Bem, mensageiros do Cristo morto e ressuscitado.

Referência:
BECKHÄUSER, Frei Alberto. Os Santos na Liturgia: testemunhas de Cristo. Petrópolis: Vozes, 2013. 391 p. Adaptações: Equipe Pocket Terço.

Santos Anjos da Guarda, rogai por nós!

Oração. — Santo Anjo do Senhor, meu zeloso guardador, se a ti me confiou a piedade divina, sempre me rege, guarda, governa e ilumina. Amém.

Publicado em

QUINTA-FEIRA, DIA 01 DE OUTUBRO DE 2026

Santa Teresinha do Menino Jesus, Virgem e Doutora da Igreja, Memória
Cor Litúrgica branca

Primeira leitura
— Jó 19, 21-27

Leitura do Livro de Jó

Disse Jó: 21“Piedade, piedade de mim, meus amigos, pois a mão de Deus me feriu! 22Por que me perseguis como Deus, e não vos cansais de me torturar? 23Gostaria que minhas palavras fossem escritas e gravadas numa inscrição 24com ponteiro de ferro e com chumbo, cravadas na rocha para sempre! 25Eu sei que o meu redentor está vivo e que, por último, se levantará sobre o pó; 26e depois que tiverem destruído esta minha pele, na minha carne, verei a Deus. 27Eu mesmo o verei, meus olhos o contemplarão, e não os olhos de outros. Dentro de mim consomem-se os meus rins”.
— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus.

Salmo Responsorial — Sl 26(27), 7-8a. 8b-9abc. 13-14 (R. 13)

℟. Sei que a bondade do Senhor eu hei de ver, na terra dos viventes.

— 7Ó Senhor, ouvi a voz do meu apelo, atendei por compaixão! 8aMeu coração fala convosco confiante e os meus olhos vos procuram. ℟.

℟. Sei que a bondade do Senhor eu hei de ver, na terra dos viventes.

— 8bSenhor é vossa face que eu procuro; não me escondais a vossa face! 9aNão afasteis em vossa ira o vosso servo, sois vós o meu auxílio! 9bNão me esqueçais nem me deixeis abandonado, 9cmeu Deus e Salvador! ℟.

℟. Sei que a bondade do Senhor eu hei de ver, na terra dos viventes.

— 13Sei que a bondade do Senhor eu hei de ver na terra dos viventes. 14Espera no Senhor e tem coragem, espera no Senhor! ℟.

℟. Sei que a bondade do Senhor eu hei de ver, na terra dos viventes.

℟. Aleluia, Aleluia, Aleluia.
℣. Convertei-vos e crede no Evangelho, pois o Reino de Deus está chegando! (Mc 1, 15)℟.
℟. Aleluia, Aleluia, Aleluia.
Evangelho — Lc 10, 1-12

℣. O Senhor esteja convosco.
℟. Ele está no meio de nós.

℣. Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo ✠ segundo Lucas
℟. Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 1o Senhor escolheu outros setenta e dois discípulos e os enviou dois a dois, na sua frente, a toda cidade e lugar aonde ele próprio devia ir. 2E dizia-lhes: “A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. Por isso, pedi ao dono da messe que mande trabalhadores para a colheita. 3Eis que vos envio como cordeiros para o meio de lobos. 4Não leveis bolsa, nem sacola, nem sandálias, e não cumprimenteis ninguém pelo caminho!
5Em qualquer casa em que entrardes, dizei primeiro: ʽA paz esteja nesta casa!ʼ 6Se ali morar um amigo da paz, a vossa paz repousará sobre ele; se não, ela voltará para vós. 7Permanecei naquela mesma casa, comei e bebei do que tiverem, porque o trabalhador merece o seu salário. Não passeis de casa em casa.
8Quando entrardes numa cidade e fordes bem recebidos, comei do que vos servirem, 9curai os doentes que nela houver e dizei ao povo: ʽO Reino de Deus está próximo de vós.ʼ
10Mas, quando entrardes numa cidade e não fordes bem recebidos, saindo pelas ruas, dizei: 11ʽAté a poeira de vossa cidade, que se apegou aos nossos pés, sacudimos contra vós. No entanto, sabei que o Reino de Deus está próximo!ʼ 12Eu vos digo que, naquele dia, Sodoma será tratada com menos rigor do que essa cidade”.
— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

SANTO DO DIA
Santa Teresinha do Menino Jesus (Memória)

Local: Lisieux, França
Data: 01 de Outubro † 1897

Importante tomar em consideração que Santa Teresinha foi religiosa carmelita que viveu muito em pouco tempo. Colocou o amor no centro de sua vida. Morreu com apenas 24 anos de idade a 30 de setembro de 1897.

Maria Francisca Teresa, na vida religiosa carmelitana, Teresa do Menino Jesus e da Sagrada Face, chamada também Santa Teresa de Lisieux e, entre nós no Brasil, chamada Santa Teresinha do Menino Jesus ou, simplesmente, Santa Teresinha, nasceu em Alençon, na Normandia, em 1873. Seus pais, Luís Martin e Maria Zélia Guérin, quando jovens, aspiravam, ambos, a se consagrarem a Deus na vida religiosa. Por circunstâncias especiais não foram admitidos. Ao se casarem Zélia pediu a Deus a graça de ter muitos filhos e que se consagrassem a Deus. Do piedoso casal, beatificado por João Paulo II em 2008, nasceram nove filhos. Três faleceram em tenra idade e os demais, todas meninas, tornaram-se religiosas conforme o desejo da mãe.

Teresinha ficou órfã de mãe aos 4 anos. O pai, depois da morte da esposa, mudou-se com a família para Lisieux, onde tinha um cunhado, cuja esposa zelava pela educação das filhas.

Numa audiência com o papa Leão XIII, Teresinha lhe pediu a licença de entrar no Carmelo sem a idade exigida. O Papa naturalmente deixou a questão nas mãos das autoridades competentes. Pouco mais tarde ela recebeu do seu bispo a permissão de entrar no Carmelo de Lisieux.

Viveu no Carmelo não mais de oito anos. Graças à sua autobiografia, a História de uma alma, sabemos que a jovem carmelita não fez nada de extraordinário: apenas cumpriu de modo extraordinário os seus deveres de religiosa carmelita. Teresinha pelo próprio temperamento aspirava a grandes coisas; queria ser santa de verdade. Num momento de entusiasmo, escreve que por amor do Amor desejava ser guerreiro, padre, apóstolo, mártir. Procurava ansiosamente o caminho para tal realização. Vale a pena transcrever o modo como ela encontrou este caminho, o caminho do amor, conforme se pode ler na autobiografia, trecho que constitui a leitura hagiográfica do Ofício das Leituras:

“Meus imensos desejos me eram um autêntico martírio. Fui, então, às cartas de São Paulo a ver se encontrava uma resposta. Meus olhos caíram por acaso nos capítulos doze e treze da Primeira Carta aos Coríntios. No primeiro destes li que todos não podem ser ao mesmo tempo Apóstolos, profetas, doutores, e que a Igreja consta de vários membros; os olhos não podem ser mãos ao mesmo tempo. Resposta clara, sem dúvida, mas não capaz de satisfazer meu desejo e dar-me paz. Perseverei na leitura sem desanimar e encontrei esta frase sublime: Aspirai aos melhores carismas. E vos indico um caminho ainda mais excelente (1Cor 12, 31). O Apóstolo esclarece que os melhores carismas nada são sem a caridade e esta caridade é o caminho mais excelente que leva com segurança a Deus. Achara enfim o repouso. Ao considerar o Corpo místico da Igreja, não me encontrara em nenhum dos membros enumerados por São Paulo, mas, ao contrário, desejava ver-me em todos eles. A caridade deu-me o eixo de minha vocação. Compreendi que a Igreja tem um corpo formado de vários membros e neste corpo não pode faltar o membro necessário e o mais nobre: entendi que a Igreja tem um coração, e este coração está inflamado de amor. Compreendi que os membros da Igreja são impelidos a agir por um único amor, de forma que, extinto este, os Apóstolos não mais anunciariam o Evangelho, os mártires não mais derramariam o sangue. Percebi e reconheci que o amor encerra em si todas as vocações, que o amor é tudo, abraça todos os tempos e lugares, numa palavra, o amor é eterno. Então, delirante de alegria, exclamei: Ó Deus, meu amor, encontrei, afinal, minha vocação: minha vocação é o amor. Sim, encontrei o meu lugar na Igreja, tu me deste este lugar, meu Deus. No coração da Igreja, minha mãe, eu serei o amor e desse modo serei tudo, e meu desejo se realizará”.

Eis o pequeno caminho de Teresinha, o caminho da infância espiritual ou das almas pequeninas, o caminho da confiança e da entrega total, da vivência do ordinário do dia a dia tornado extraordinário pelo amor. O caminho de Santa Teresinha, assim chamado na Oração coleta, é mais uma prática do que um ensino teórico. Consiste na intimidade com Deus, o abandono nas mãos de sua providência, a simplicidade e a transparência como virtudes ordenadoras da vida. Teresinha ofereceu sua imolação interior, sobretudo pela santificação dos missionários, com alguns dos quais manteve edificante correspondência epistolar. Por este seu espírito foi proclamada por Pio XI, em 1927, padroeira dos missionários que se dedicam à conversão dos infiéis, juntamente com São Francisco Xavier. Ela mesma, antes da doença que a levou à morte, estava propensa a responder ao apelo das carmelitas de Hanói, na Indochina, que desejavam tê-la consigo.

Teresinha passou seus últimos anos de vida minada por uma terrível doença, que suportou com heroica paciência; padeceu simultaneamente uma dura provação interior que lhe purificou o espírito. Morreu no dia 30 de setembro de 1897. Teresinha havia prometido que faria descer sobre a terra uma chuva contínua de rosas. Seu culto se espalhou em pouco tempo por todos os recantos da terra. Foi beatificada em 1923 e canonizada em 1925. Em 1997, como terceira mulher, foi declarada doutora da Igreja por João Paulo II.

O culto a Santa Teresinha é um dos mais populares no mundo inteiro. No Brasil são inúmeras as capelas, as igrejas paroquiais e mesmo catedrais dedicadas a Santa Teresinha. O seu caminho espiritual da simplicidade, da humildade e do amor vivido no cotidiano da vida é modelar para todos.

Os textos litúrgicos estão perpassados desta espiritualidade da infância espiritual das almas pequeninas. A Oração coleta resume bem esse caminho espiritual: Ó Deus, que preparais o vosso reino para os pequenos e humildes, dai-nos seguir confiantes o caminho de Santa Teresinha, para que, por sua intercessão, nos seja revelada a vossa glória.

Referência:
BECKHÄUSER, Frei Alberto. Os Santos na Liturgia: testemunhas de Cristo. Petrópolis: Vozes, 2013. 391 p. Adaptações: Equipe Pocket Terço.

Santa Teresinha do Menino Jesus, rogai por nós!

Publicado em

QUARTA-FEIRA, DIA 30 DE SETEMBRO DE 2026

São Jerônimo, Presbítero e Doutor da Igreja, Memória
Cor Litúrgica branca

Primeira leitura
— Jó 9, 1-12. 14-16

Leitura do Livro de Jó

1Jó respondeu a seus amigos e disse: 2“Sei muito bem que é assim: como poderia o homem ser justo diante de Deus? 3Se quisesse disputar com ele, entre mil razões não haverá uma para rebatê-lo. 4Ele é sábio de coração e poderoso em força; quem poderia enfrentá-lo e ficar ileso? 5Ele desloca as montanhas, sem que elas percebam e as derruba em sua cólera. 6Ele abala a terra em suas bases e suas colunas vacilam. 7Ele manda ao sol que não brilhe e guarda escondidas as estrelas. 8Sozinho desdobra os céus, e caminha sobre as ondas do mar. 9Criou a Ursa e o Êrion, as Plêiades e as constelações do Sul. 10Faz prodígios insondáveis, maravilhas sem conta. 11Se passa junto de mim, não o vejo, e quando se afasta, não o percebo. 12Se ele apanha uma presa, quem ousa impedi-lo? Quem pode dizer-lhe: – ʽO que está fazendo?ʼ 14Quem sou eu para replicar-lhe, e contra ele escolher meus argumentos? 15Ainda que eu tivesse razão, não poderia replicar, e deveria pedir misericórdia ao meu juiz. 16Se eu clamasse e ele me respondesse, não creio que daria atenção à minha voz”.
— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus.

Salmo Responsorial — Sl 87(88), 10bc-11. 12-13. 14-15 (R. 3a)

℟. Chegue a minha oração até a vossa presença!

— 10bClamo a vós, ó Senhor sem cessar, todo o dia, 10cminhas mãos para vós se levantam em prece. 11Para os mortos, acaso, faríeis milagres? poderiam as sombras erguer-se e louvar-vos? ℟.

℟. Chegue a minha oração até a vossa presença!

— 12No sepulcro haverá quem vos cante o amor e proclame entre os mortos a vossa verdade? 13Vossas obras serão conhecidas nas trevas, vossa graça, no reino onde tudo se esquece? ℟.

℟. Chegue a minha oração até a vossa presença!

— 14Quanto a mim, ó Senhor, clamo a vós na aflição, minha prece se eleva até vós desde a aurora. 15Por que vós, ó Senhor, rejeitais a minh’alma? E por que escondeis vossa face de mim? ℟.

℟. Chegue a minha oração até a vossa presença!

℟. Aleluia, Aleluia, Aleluia.
℣. Eu tudo considero como perda e como lixo, a fim de eu ganhar Cristo e ser achado nele! (Fl 3,
℟. Aleluia, Aleluia, Aleluia.
Evangelho — Lc 9, 57-62

℣. O Senhor esteja convosco.
℟. Ele está no meio de nós.

℣. Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo ✠ segundo Lucas
℟. Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 57enquanto Jesus e seus discípulos caminhavam, alguém na estrada disse a Jesus: “Eu te seguirei para onde quer que fores”. 58Jesus lhe respondeu: “As raposas têm tocas e os pássaros têm ninhos; mas o Filho do Homem não tem onde repousar a cabeça”.
59Jesus disse a outro: “Segue-me”. Este respondeu: “Deixa-me primeiro ir enterrar meu pai”. 60Jesus respondeu: “Deixa que os mortos enterrem os seus mortos; mas tu, vai anunciar o Reino de Deus”.
61Um outro ainda lhe disse: “Eu te seguirei, Senhor, mas deixa-me primeiro despedir-me dos meus familiares”. 62Jesus, porém, respondeu-lhe: “Quem põe a mão no arado e olha para trás, não está apto para o Reino de Deus”.
— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

SANTO DO DIA
São Jerônimo (Memória)

Local: Belém, Israel
Data: 30 de Setembro † 420

Estamos diante de uma figura única da história da Igreja: polemista, apologeta, estudioso das Escrituras, penitente e santo. São Jerônimo imortalizou-se por sua tradução da Bíblia para o latim, denominada Vulgata, e pelos muitos comentários bíblicos que legou à Igreja. Por isso, ela o celebra como o doutor máximo das Sagradas Escrituras.

Eusébio Jerônimo Sofrônio nasceu em Estridão, Dalmácia, cerca do ano 340. Estudou em Roma e aí foi batizado. Viajou depois para o Oriente, onde passou algum tempo junto aos monges. Foi ordenado presbítero em Antioquia meio contra a sua vontade. Aí não permanecendo, dirigiu-se a Constantinopla, onde travou amizade com Gregório de Nazianzo e Gregório de Nissa. Depois disso, o papa São Dâmaso o reteve em Roma como seu secretário. Por seu grande conhecimento do latim, do grego e do hebraico, o Papa lhe confiou a tradução da Bíblia para o latim. Na tradução, mas sobretudo nas anotações ao texto, Jerônimo revela agudo senso crítico. O Papa, de fato, desejava uma tradução da Bíblia mais fiel em tudo aos textos originais, traduzida e apresentada em latim mais correto, que pudesse servir de texto único e uniforme na Liturgia. O conjunto de sua tradução da Bíblia em latim chamou-se “Vulgata” e foi o texto usado largamente nos séculos posteriores, tornando-se oficial com o Concílio de Trento e só cedeu o lugar ultimamente às novas traduções à luz dos novos estudos exegéticos.

Em Roma, criou-se em torno ao sábio e penitente presbítero, largo círculo de amizades, sobretudo de senhoras da alta sociedade, que ele orientou nos ásperos caminhos da santidade de cunho monástico. Mas, quando São Dâmaso morreu, em 384, e ele perdeu o apoio para o cargo de secretário, São Jerônimo se viu numa situação bastante difícil. Nos dois anos posteriores, mesmo tendo impressionado toda a cidade de Roma por sua santidade pessoal, seu saber e sua honestidade, ao mesmo tempo, arranjou um vasto círculo de pessoas que não gostavam dele. Por mais que se justificasse sua indignação, o seu modo de falar as coisas provocava ressentimentos. A própria reputação dele foi objeto de ataques. Levantaram-se até calúnias contra ele. Jerônimo ficou sobremodo indignado com tudo isso e resolveu retornar ao Oriente, a fim de lá encontrar um refúgio na calma.

Viveu os últimos 35 anos em Belém, na oração, na penitência, na direção de cenáculos de vida ascética e monástica. Continuou a dedicar-se à tradução da Bíblia a partir dos textos originais e à revisão da antiga versão latina. Escreveu muitos comentários da Bíblia e vários tratados. São Jerônimo foi uma personalidade vigorosa, de inteligência extraordinária, de temperamento indomável. Teve uma correspondência literária muito vasta, de grande interesse histórico; ele se sentia presente e engajado como escritor em todos os problemas doutrinários do seu tempo.

Morreu em Belém no ano 420. Foi declarado padroeiro dos estudos bíblicos. Ele deixou escrito: “Se, conforme o apóstolo Paulo, Cristo é o poder de Deus e a sabedoria de Deus, e quem ignora as Escritura ignora o poder de Deus e sua sabedoria, ignorar as Escrituras é ignorar Cristo” (cf. Leitura hagiográfica).

Os textos da Missa traduzem um homem apaixonado pelas Sagradas Escrituras.

Que todo cristão possa viver o que reza a Antífona da entrada: Que as palavras da Escritura estejam sempre em teus lábios, para que, meditando-as dia e noite, te esforces para realizar tudo aquilo que ensinam, e terá sentido e valor a tua vida (Js 1,8).

A Oração do dia realça o amor pela Sagrada Escritura dado por Deus a São Jerônimo; que este Deus conceda ao seu povo alimentar-se cada vez mais da sua palavra e nela encontre a fonte da vida.

Na Oração sobre as oferendas, a Igreja pede que, à semelhança de São Jerônimo meditando vossa palavra em nossos corações, sejamos mais solícitos em oferecer-vos o sacrifício que nos salva.

A Oração depois da Comunhão pede que, sempre atentos às Sagradas Escrituras, conheçamos o caminho a seguir e cheguemos por ele à vida eterna.

Convém fechar esta reflexão com a Antífona da Comunhão: Vossas palavras foram encontradas e eu as devorei; elas se tornaram minha delícia e a alegria do meu coração; porque vosso nome, Senhor Deus, foi invocado sobre mim.

Referência:
BECKHÄUSER, Frei Alberto. Os Santos na Liturgia: testemunhas de Cristo. Petrópolis: Vozes, 2013. 391 p. Adaptações: Equipe Pocket Terço.

São Jerônimo, rogai por nós!

Publicado em

TERÇA-FEIRA, DIA 29 DE SETEMBRO DE 2026

Santos Miguel, Gabriel e Rafael, Arcanjos, Festa
Cor Litúrgica branca

Primeira leitura
— Dn 7, 9-10. 13-14

Leitura da Profecia de Daniel

9Eu continuava olhando até que foram colocados uns tronos, e um Ancião de muitos dias aí tomou lugar. Sua veste era branca como neve e os cabelos da cabeça, como lã pura; seu trono eram chamas de fogo, e as rodas do trono, como fogo em brasa. 10Derramava-se aí um rio de fogo que nascia diante dele; serviam-no milhares de milhares, e milhões de milhões assistiam-no ao trono; foi instalado o tribunal e os livros foram abertos. 13Continuei insistindo na visão noturna, e eis que, entre as nuvens do céu, vinha um como filho de homem, aproximando-se do Ancião de muitos dias, e foi conduzido à sua presença. 14Foram-lhe dados poder, glória e realeza, e todos os povos, nações e línguas o serviam: seu poder é um poder eterno que não lhe será tirado, e seu reino, um reino que não se dissolverá.
— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus.

Ou:

Primeira Leitura — Ap 12, 7-12a

Leitura do Apocalipse de São João

7Houve uma batalha no céu: Miguel e seus anjos guerrearam contra o Dragão. O Dragão lutou juntamente com os seus anjos, 8mas foi derrotado, e não se encontrou mais o seu lugar no céu. 9E foi expulso o grande Dragão, a antiga Serpente, que é chamado Diabo e Satanás, o sedutor do mundo inteiro. Ele foi expulso para a terra, e os seus anjos foram expulsos com ele. 10Ouvi então uma voz forte no céu, proclamando: “Agora realizou-se a salvação, a força e a realeza do nosso Deus, e o poder do seu Cristo. Porque foi expulso o acusador dos nossos irmãos, aquele que os acusava dia e noite diante do nosso Deus. 11Eles venceram o Dragão pelo sangue do Cordeiro e pela palavra do seu próprio testemunho, pois não se apegaram à vida, mesmo diante da morte. 12aPor isso, alegra-te, ó céu, e todos os que viveis nele”.
— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus.

Salmo Responsorial — Sl 137(138), 1-2a. 2bc-3. 4-5 (R. 1c)

℟. Perante os vossos anjos vou cantar-vos, ó Senhor!

— Ó Senhor, de coração eu vos dou graças, porque ouvistes as palavras dos meus lábios! Perante os vossos anjos vou cantar-vos e ante o vosso templo vou prostrar-me. ℟.

℟. Perante os vossos anjos vou cantar-vos, ó Senhor!

— Eu agradeço vosso amor, vossa verdade, porque fizestes muito mais que prometestes; naquele dia em que gritei, vós me escutastes e aumentastes o vigor da minha alma. ℟.

℟. Perante os vossos anjos vou cantar-vos, ó Senhor!

— Os reis de toda a terra hão de louvar-vos, quando ouvirem, ó Senhor, vossa promessa. Hão de cantar vossos caminhos e dirão: “como a glória do Senhor é grandiosa!” ℟.

℟. Perante os vossos anjos vou cantar-vos, ó Senhor!

℟. Aleluia, Aleluia, Aleluia.
℣. Bendizei ao Senhor Deus, os seus poderes, seus ministros que fazeis sua vontade! (Sl 102, 21) ℟.
℟. Aleluia, Aleluia, Aleluia.
Evangelho — Jo 1, 47-51
℣. O Senhor esteja convosco.
℟. Ele está no meio de nós.

℣. Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo ✠ segundo João 
℟. Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 47Jesus viu Natanael que vinha para ele e comentou: “Aí vem um israelita de verdade, um homem sem falsidade”. 48Natanael perguntou: “De onde me conheces?” Jesus respondeu: “Antes que Filipe te chamasse, enquanto estavas debaixo da figueira, eu te vi”. 49Natanael respondeu: “Rabi, tu és o Filho de Deus, tu és o Rei de Israel”. 50Jesus disse: “Tu crês porque te disse: “Eu te vi debaixo da figueira? Coisas maiores que esta verás!” 51E Jesus continuou: “Em verdade, em verdade, eu vos digo: Vereis o céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem”.
— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

SANTO DO DIA
São Miguel, São Gabriel e São Rafael, Arcanjos (Festa)

Data: 29 de Setembro

A festa dos três arcanjos, agora celebrados numa só data, e a dos Anjos da Guarda no dia 2 de outubro como memória obrigatória, expressa a fé da Igreja em seres espirituais que vivem junto a Deus. A fé em seres celestiais, comumente chamados anjos, encontra-se expressa também em outros momentos da Liturgia. No Confesso a Deus do Ato penitencial, no convite à grande doxologia do Santo, Santo, Santo, na Missa, no Oficio dos Defuntos, sobretudo na Encomendação dos mortos.

A palavra anjo significa mensageiro de Deus. Neste sentido, Santo Ambrósio chama João Batista de Anjo, porque anunciou a vinda de Jesus Cristo. Assim, todo cristão pode ser considerado anjo, ou seja, mensageiro do Evangelho.

Nas Homilias sobre os Evangelhos, de que temos um trecho na leitura hagiográfica do Ofício das Leituras da Festa, São Gregório Magno faz interessante distinção entre anjos e arcanjos. Começa dizendo: “A palavra anjo indica o ofício, não a natureza”. E continua: “Estes santos espíritos da pátria celeste são sempre espíritos, mas nem sempre podem ser chamados anjos, porque somente são anjos quando por eles é feito algum anúncio. Aqueles que anunciam fatos menores são ditos anjos; os que levam as maiores notícias, arcanjos.

Foi por isto que à Virgem Maria não foi enviado um anjo qualquer, mas o arcanjo Gabriel; para esta missão era justo que viesse o máximo anjo para anunciar a máxima notícia. Por isso, também a eles são dados nomes especiais para designar, pelo vocábulo, seu poder na ação. Quando vêm até nós para cumprir uma missão, trazem também entre nós um nome derivado desta missão. Assim Miguel significa: Quem como Deus?; Gabriel, Força de Deus; e Rafael, Deus curou”.

Dos sete arcanjos venerados tanto pela tradição judaica como pela tradição cristã, como sendo os anjos que ocupam um lugar proeminente diante do trono de Deus, apenas três são mencionados pelo nome na Bíblia: Miguel, Gabriel e Rafael. Estes três foram venerados pela Igreja desde os primórdios, principalmente no Oriente, mas somente a partir do pontificado do papa Bento XV é que as festividades litúrgicas dos dois últimos se tornaram obrigatórias em toda a Igreja do Ocidente.

O culto a São Miguel (Quem como Deus?) é o mais espalhado na Igreja. Miguel é o arcanjo que se insurgiu contra satanás e seus seguidores (Jd 9; Ap 12, 7; cf. Zc 13, 12), defensor dos amigos de Deus (Dn 10. 12. 21), protetor de seu povo (Dn 12, 1). O arcanjo São Miguel é venerado sobretudo na Europa como o chefe do exército celeste, protetor dos exércitos, e com a função de proteger o povo, de conduzir as almas a Deus e de pesar as almas no juízo.

São Gabriel (Força de Deus) era comemorado desde 1921, com Bento XV, no dia 24 de março, véspera da festa da Anunciação. Gabriel é um dos espíritos que estão diante de Deus (Lc 1, 19), revela a Daniel os segredos do plano de Deus (Dn 8. 16; 9, 21-22), anuncia a Zacarias o nascimento de João Batista (Lc 1. 11-20) e a Maria, o nascimento de Jesus (Lc 1, 26-39). É venerado desde o século II como arcanjo e, na Igreja síria, como o primeiro entre os anjos. Trata-se de um arcanjo que, como Miguel e Rafael, também está profundamente ligado à História da Salvação.

São Rafael (Deus curou), ele também está entre os sete anjos que estão diante do trono de Deus (Tb 12, 15; cf. Ap 8, 2), acompanha e protege Tobias nas peripécias de sua viagem e cura-lhe o pai cego.

Seria longo realçar todos os aspectos comemorados na festa dos três arcanjos. Os textos falam por si. Nesta festa somos convidados de modo particular a render graças a Deus pela glória de que os anjos gozam e a nos rejubilar pela sua felicidade; a agradecer a Deus pela sua misericórdia por ter constituído estes seres celestiais para nos assistirem e serem nossos protetores; a nos unirmos a eles no culto de adoração e de louvor a Deus, elevando nossas preces aos céus para que sempre façamos a sua santa vontade, assim como estes bem-aventurados espíritos celestiais a cumprem lá no céu. E, por fim, somos convidados a honrá-los e a invocar a sua ajuda e intercessão. Tudo isso vem sintetizado no Prefácio: É a vós que glorificamos, ao louvarmos os anjos, que criastes e que foram dignos do vosso amor. A admiração que eles merecem nos mostra como sois grande e como deveis ser amado acima de todas as criaturas. Pelo Cristo, vosso Filho e Senhor nosso, louvam os Anjos a vossa glória, as Dominações vos adoram e, reverentes, vos servem Potestades e Virtudes. Concedei-nos também a nós associar-nos à multidão dos Querubins e Serafins, cantando a uma só voz: Santo, Santo, Santo…

Referência:
BECKHÄUSER, Frei Alberto. Os Santos na Liturgia: testemunhas de Cristo. Petrópolis: Vozes, 2013. 391 p. Adaptações: Equipe Pocket Terço.

São Miguel, São Gabriel e São Rafael, rogai por nós!

Publicado em

SEGUNDA-FEIRA, DIA 28 DE SETEMBRO DE 2026

XXVI SEMANA DO TEMPO COMUM
Cor litúrgica verde

Primeira leitura
— Jó 1, 6-22

Leitura do Livro de Jó

6Um dia, foram os filhos de Deus apresentar-se ao Senhor; entre eles também Satanás. 7O Senhor, então, disse a Satanás: “Donde vens?” “Venho de dar umas voltas pela terra”, respondeu ele. 😯 Senhor disse-lhe: “Reparaste no meu servo Jó? Na terra não há outro igual: é um homem íntegro e correto, teme a Deus e afasta-se do mal”.
9Satanás respondeu ao Senhor: “Mas será por nada que Jó teme a Deus? 10Porventura não levantaste um muro de proteção ao redor dele, de sua casa e de todos os seus bens? Tu abençoaste tudo o que ele fez, e seus rebanhos cobrem toda a região. 11Mas, estende a mão e toca em todos os seus bens; e eu garanto que ele te lançará maldições no rosto!”
12Então o Senhor disse a Satanás: “Pois bem, de tudo o que ele possui, podes dispor, mas não estendas a mão contra ele”. E Satanás saiu da presença do Senhor. 13Ora, num dia em que os filhos e filhas de Jó comiam e bebiam vinho na casa do irmão mais velho, 14um mensageiro veio dizer a Jó: “Estavam os bois lavrando e as mulas pastando a seu lado, 15quando, de repente, apareceram os sabeus e roubaram tudo, passando os criados ao fio da espada. Só eu consegui escapar para trazer-te a notícia”.
16Estava ainda falando, quando chegou outro e disse: “Caiu do céu o fogo de Deus e matou ovelhas e pastores, reduzindo-os a cinza. Só eu consegui escapar para trazer-te a notícia”. 17Este ainda falava, quando chegou outro e disse: “Os caldeus, divididos em três bandos, lançaram-se sobre os camelos e levaram-nos consigo, depois de passarem os criados ao fio da espada. Só eu consegui escapar para trazer-te a notícia”.
18Este ainda falava, quando chegou outro e disse: “Teus filhos e tuas filhas estavam comendo e bebendo vinho na casa do irmão mais velho, 19quando um furacão se levantou das bandas do deserto e se lançou contra os quatro cantos da casa, que desabou sobre os jovens e os matou. Só eu consegui escapar para trazer-te a notícia”.
20Então, Jó levantou-se, rasgou o manto, rapou a cabeça, caiu por terra e, prostrado, disse: 21“Nu eu saí do ventre de minha mãe e nu voltarei para lá. O Senhor deu, o Senhor tirou: como foi do agrado do Senhor, assim foi feito. Bendito seja o nome do Senhor!” 22Apesar de tudo isso, Jó não cometeu pecado nem se revoltou contra Deus.
— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus.

Salmo Responsorial — Sl 16(17), 1. 2-3. 6-7 (R. 6b)

℟. Inclinai o vosso ouvido e escutai-me!

— Ó Senhor, ouvi a minha justa causa, escutai-me e atendei o meu clamor! Inclinai o vosso ouvido à minha prece, pois não existe falsidade nos meus lábios! ℟.

℟. Inclinai o vosso ouvido e escutai-me!

— De vossa face é que me venha o julgamento, pois vossos olhos sabem ver o que é justo. Provai meu coração durante a noite, visitai-o, examinai-o pelo fogo, mas em mim não achareis iniquidade. ℟.

℟. Inclinai o vosso ouvido e escutai-me!

— Eu vos chamo, ó meu Deus, porque me ouvis, inclinai o vosso ouvido e escutai-me! Mostrai-me vosso amor maravilhoso, vós que salvais e libertais do inimigo quem procura a proteção junto de vós. ℟.

℟. Inclinai o vosso ouvido e escutai-me!

℟. Aleluia, Aleluia, Aleluia.
℣. Veio o Filho do Homem, a fim de servir e dar sua vida em resgate por muitos. (Mc 10, 45) ℟.
℟. Aleluia, Aleluia, Aleluia.
Evangelho — Lc 9, 46-50

℣. O Senhor esteja convosco.
℟. Ele está no meio de nós.

℣. Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo ✠ segundo Lucas 
℟. Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 46houve entre os discípulos uma discussão, para saber qual deles seria o maior. 47Jesus sabia o que estavam pensando. Pegou então uma criança, colocou-a junto de si 48e disse-lhes: “Quem receber esta criança em meu nome, estará recebendo a mim. E quem me receber, estará recebendo aquele que me enviou. Pois aquele que entre todos vós for o menor, esse é o maior”.
49João disse a Jesus: “Mestre, vimos um homem que expulsa demônios em teu nome. Mas nós lho proibimos, porque não anda conosco”. 50Jesus disse-lhe: “Não o proibais, pois quem não está contra vós, está a vosso favor”.
— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

SANTO DO DIA
São Venceslau (Memória Facultativa)

Local: Stará Boleslav, República Checa
Data: 28 de Setembro † 929/935

No assassinato de Venceslau da Boêmia houve grande confusão de motivos religiosos e políticos. Este jovem príncipe, nascido na Boêmia por volta de 907, foi educado pela avó paterna, Santa Ludmila, que, depois, foi morta por ordem de Drahomira, a mãe de Venceslau. Estamos nos inícios dos anos em que a Boêmia se converteu ao catolicismo. Venceslau era profundamente religioso, de bons costumes e caridoso para com os pobres. Mas, com a morte súbita do pai, sendo Venceslau ainda menor, o ducado ficou sob a responsabilidade de Drahomira, que procurava restaurar o paganismo, inclusive, com a expulsão dos missionários católicos. A situação do reino era de confusão e de revolta. Pressionado por nobres, o príncipe herdeiro Venceslau, com um golpe de força contra a regente sua mãe, promotora do paganismo, assumiu a direção do ducado em 925.

Formado por sua avó dentro dos padrões da piedade e da moral cristã, não se interessou apenas em governar seu povo, mas também em promover o cristianismo através de missionários católicos e, sobretudo, de monges beneditinos. Nos oito anos de reinado, Venceslau deu exemplo de moderação e tino administrativo. Venceslau governou com tanta justiça e, ao mesmo tempo, com tanta brandura, que em pouco tempo se tornou muito querido pelo povo. Era amigo e protetor dos pobres, dos doentes, dos encarcerados, sendo para as viúvas e os órfãos um verdadeiro pai.

Por vários motivos, sobretudo o combate ao paganismo patrocinado por sua mãe, formou-se um partido de oposição, chefiado pela mãe e pelo irmão Boleslau. Tramou-se seu assassinato. Boleslau deu uma grande festa para a qual convidou o duque e seus cortesãos. Depois da festa o jovem duque se retirou para rezar numa igreja. O delito fratricida foi consumado no dia seguinte de manhã, quando Venceslau estava para ir à igreja. Foi assassinado pelo próprio irmão Boleslau, ajudado por seus sicários.

Venceslau foi logo venerado pelo povo como santo e mártir, embora o seu assassinato, segundo parece, apenas muito indiretamente estivesse ligado a motivos religiosos. No século XI, São Venceslau já era considerado o santo padroeiro dos habitantes da Boêmia; e como padroeiro da moderna República Tcheca, a devoção a ele às vezes, vem impregnada com uma alta dose de sentimento nacionalista.

A Oração do dia comemora São Venceslau como rei e mártir, que preferiu o reino do céu ao da terra. Apesar do manto do poder, deu prova de uma santidade que atraía muitos eruditos, monges e sacerdotes. Sua comemoração nos ensina que todos os caminhos, todos os estados de vida e todas as funções na sociedade e na Igreja podem conduzir ao testemunho de Cristo e podem levar à perfeição da caridade, à santidade de vida.

Referência:
BECKHÄUSER, Frei Alberto. Os Santos na Liturgia: testemunhas de Cristo. Petrópolis: Vozes, 2013. 391 p. Adaptações: Equipe Pocket Terço.

São Venceslau, rogai por nós!

Publicado em

DOMINGO, DIA 27 DE SETEMBRO DE 2026

XXVI DOMINGO DO TEMPO COMUM
CCor Litúrgica verde

Primeira leitura
— Ez 18, 25-28

Leitura da Profecia de Ezequiel

Assim diz o Senhor: 25Vós andais dizendo: “A conduta do Senhor não é correta”. Ouvi, vós da casa de Israel: É a minha conduta que não é correta, ou antes é a vossa conduta que não é correta?
26Quando um justo se desvia da justiça, pratica o mal e morre, é por causa do mal praticado que ele morre. 27Quando um ímpio se arrepende da maldade que praticou e observa o direito e a justiça, conserva a própria vida. 28Arrependendo-se de todos os seus pecados, com certeza viverá; não morrerá”.
— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus.

Salmo Responsorial — Sl 24, 4bc-5. 6-7. 8-9 (R. 6a)

℟. Recordai, Senhor meu Deus, vossa ternura e compaixão!

— Mostrai-me, ó Senhor, vossos caminhos, e fazei-me conhecer a vossa estrada! Vossa verdade me oriente e me conduza, porque sois o Deus da minha salvação; em vós espero, ó Senhor, todos os dias! ℟.

℟. Recordai, Senhor meu Deus, vossa ternura e compaixão!

— Recordai, Senhor meu Deus, vossa ternura e a vossa compaixão que são eternas! Não recordeis os meus pecados quando jovem, nem vos lembreis de minhas faltas e delitos! De mim lembrai-vos, porque sois misericórdia e sois bondade sem limites, ó Senhor! ℟.

℟. Recordai, Senhor meu Deus, vossa ternura e compaixão!

— O Senhor é piedade e retidão, e reconduz ao bom caminho os pecadores. Ele dirige os humildes na justiça, e aos pobres ele ensina o seu caminho. ℟.

℟. Recordai, Senhor meu Deus, vossa ternura e compaixão!

Segunda leitura
— Fl 2, 1-11 ou mais breve 2, 1-5

Leitura da Carta de São Paulo aos Filipenses

Irmãos: [1Se existe consolação na vida em Cristo, se existe alento no mútuo amor, se existe comunhão no Espírito, se existe ternura e compaixão, 2tornai então completa a minha alegria: aspirai à mesma coisa, unidos no mesmo amor; vivei em harmonia, procurando a unidade.  3Nada façais por competição ou vanglória, mas, com humildade, cada um julgue que o outro é mais importante, 4e não cuide somente do que é seu, mas também do que é do outro. 5Tende entre vós o mesmo sentimento que existe em Cristo Jesus.]
6Jesus Cristo, existindo em condição divina, não fez do ser igual a Deus uma usurpação, 7mas esvaziou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo e tornando-se igual aos homens. Encontrado com aspecto humano, 8humilhou-se a si mesmo, fazendo-se obediente até à morte, e morte de cruz. 9Por isso, Deus o exaltou acima de tudo e lhe deu o Nome que está acima de todo nome.
10Assim, ao nome de Jesus, todo joelho se dobre no céu, na terra e abaixo da terra, 11e toda língua proclame: “Jesus Cristo é o Senhor!” — para a glória de Deus Pai.
— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus.

℟. Aleluia, Aleluia, Aleluia.
℣. Minhas ovelhas escutam a minha voz, minha voz estão elas a escutar; eu conheço, então, minhas ovelhas, que me seguem, comigo a caminhar! (Jo 10, 27) ℟.
℟. Aleluia, Aleluia, Aleluia.
Evangelho — Mt 21, 28-32

℣. O Senhor esteja convosco.
℟. Ele está no meio de nós.

℣. Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo ✠ segundo Mateus 
℟. Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, Jesus disse aos sacerdotes e anciãos do povo: 28“Que vos parece? Um homem tinha dois filhos. Dirigindo-se ao primeiro, ele disse: ‘Filho, vai trabalhar hoje na vinha!’ 29O filho respondeu: ‘Não quero’. Mas depois mudou de opinião e foi. 30O pai dirigiu-se ao outro filho e disse a mesma coisa. Este respondeu: ‘Sim, senhor, eu vou’. Mas não foi. 31Qual dos dois fez a vontade do pai?”
Os sumos sacerdotes e os anciãos do povo responderam: “O primeiro”.
Então Jesus lhes disse: “Em verdade vos digo que os cobradores de impostos e as prostitutas vos precedem no Reino de Deus. 32Porque João veio até vós, num caminho de justiça, e vós não acreditastes nele. Ao contrário, os cobradores de impostos e as prostitutas creram nele. Vós, porém, mesmo vendo isso, não vos arrependestes para crer nele”.
— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

SANTO DO DIA
São Vicente de Paulo, Presbítero (Memória)

Local: Paris, França
Data: 27 de Setembro † 1660

São Vicente de Paulo, o santo “gigante da caridade”, deve ser situado no tempo do pós-Concílio de Trento, participando decisivamente da Contrarreforma católica na França do século XVII. Neste século a França se elevava à categoria de primeira potência na Europa. Apesar de ter sido o século de Luís XIV, o Rei Sol, foi na realidade também o século das grandes misérias: crianças abandonadas, prostituição, pobreza e ruínas ocasionadas por revoluções e guerras, além de ignorância religiosa das populações rurais e do estado lamentável de boa parte do clero.

Neste triste quadro da situação social e religiosa da França, Deus suscitou um grande apóstolo, um dos santos mais extraordinariamente fecundos na Igreja. Vicente, nascido em 1581, era natural de Pouy, aldeia próxima a Dax. Seus pais eram proprietários de um pequeno sítio. O pai, observando com satisfação as excelentes qualidades de espírito do filho, atendendo ao desejo de Vicente, fez os maiores esforços para lhe favorecer os estudos eclesiásticos. Estudou com os franciscanos em Dax, tornando-se membro da Ordem Terceira da Penitência de São Francisco de Assis. Foi ordenado sacerdote em 1600 com apenas 19 anos, esperando que o estado eclesiástico fosse ocasião para afirmação social.

Vicente trabalhou nos primeiros anos de sacerdócio na pequena paróquia de Clichy, nas vizinhanças de Paris. Em Paris, Vicente travou conhecimento com o santo sacerdote Pedro de Bérulle, mais tarde cardeal. Bérulle tinha grande estima por Vicente e o persuadiu a que fosse o tutor dos filhos de Filipe de Gondi, conde de Joigny. Madame de Gondi ficou encantada com Vicente e o escolheu como seu diretor espiritual e confessor.

Aos poucos, porém, no meio de tantas misérias, seu espirito foi se abrindo para sua futura vocação de apóstolo e organizador de grandiosas obras sociais. É difícil sintetizar em poucas linhas a múltipla operosidade de São Vicente. Podemos destacar quatro campos ou quatro frentes de ação apostólica.

A evangelização dos agricultores: Pastor sensível aos problemas pastorais, deu-se com empenho à pregação nos meios rurais, onde grassava lamentável ignorância religiosa. Com um grupo de colaboradores, instituiu a Congregação da Missão com a qual procurou dar resposta a tal necessidade de evangelização. A primeira residência destes padres no priorado de São Lázaro, em Paris, os fará conhecidos popularmente como lazaristas. Às vezes, são chamados também de vicentinos.

A reforma do clero: Obra de grande importância foi a criação de seminários para a formação do clero, que ele promoveu com outros eclesiásticos do tempo. Seus padres lazaristas, além das missões populares, tornaram-se beneméritos por sua obra de direção de seminários, que desenvolverão, também no Brasil, desde o século XIX.

O serviço aos pobres: Com Santa Luísa de Marillac, Vicente enfrentará o problema da miséria, fundando a Sociedade das Filhas da Caridade, conhecidas popularmente como irmãs vicentinas. Com ela a assistência aos pobres tornou-se organizada. A Congregação Vicentina dedica-se ao serviço dos abandonados, dos órfãos, dos velhos, dos inválidos, das moças em perigo, dos doentes. Talvez seja esta a instituição cristã dedicada à pura prática da caridade de maior extensão na geografia e no tempo. Até hoje as Irmãs de Caridade trabalham em leprosários, orfanatos, hospitais, manicômios, escolas e asilos, continuando a presença de São Vicente. O livre acesso de São Vicente aos palácios dos grandes foi-lhe de imensa ajuda no seu apostolado. Ele sabia tirar do rico para dar aos pobres, não pela força, mas pela persuasão.

Luta contra o jansenismo: Por fim, é preciso lembrar o empenho de São Vicente em opor um dique à triste corrente espiritual de seu século, o jansenismo, que com seu rigorismo e pessimismo resfriava a espiritualidade católica. Foi ele que convenceu muitos bispos franceses a apresentar ao Papa uma súmula das ideias corrosivas do jansenismo, condenadas depois pela Igreja.

São Vicente morreu no dia 27 de setembro de 1660. Seu nome continua vivo como padroeiro das obras de caridade. O grande apóstolo foi canonizado pela Igreja como um santo que levou a sério a mensagem cristã de que o amor a Deus e o amor ao próximo andam de mãos dadas.

As orações da Missa relacionam São Vicente, sobretudo, com a evangelização dos pobres. A Antífona da entrada canta: Repousa sobre mim o Espírito do Senhor; ele me ungiu para levar a boa-nova aos pobres, e curar os corações contritos (cf. Lc 4,18).

A Oração coleta comemora o socorro dos pobres e a formação do clero praticados por São Vicente, enriquecido pelas virtudes apostólicas.

A Oração sobre as oferendas recorda o espírito com que São Vicente celebrava os sagrados mistérios. Lembra, indiretamente, o trabalho de Vicente na renovação do Clero. Que os sacerdotes vivam de acordo com os mistérios que celebram.

A Oração depois da Comunhão recorda novamente a pregação do Evangelho aos pobres: Ó Deus, alimentados por esta Eucaristia, nós vos pedimos que, a exemplo de São Vicente e amparados por sua proteção, imitemos o vosso Filho na pregação do evangelho aos pobres.

Em conclusão, a força da mensagem evangélica de São Vicente de Paulo é imensa. Foi, realmente, uma testemunha do Cristo Senhor. Ele soube unir ação e oração, o amor a Deus e o amor ao próximo.

Referência:
BECKHÄUSER, Frei Alberto. Os Santos na Liturgia: testemunhas de Cristo. Petrópolis: Vozes, 2013. 391 p. Adaptações: Equipe Pocket Terço.

São Vicente de Paulo, rogai por nós!

Publicado em

SÁBADO, DIA 26 DE SETEMBRO DE 2026

Memória Facultativa
Santa Maria no Sábado ou Santos Cosme e Damião, Mártires
Cor Litúrgica verde

Primeira leitura
— Ecl 11, 9-12, 8

Leitura do Livro do Eclesiastes

11, 9Alegra-te, jovem, na tua adolescência, e que o teu coração repouse no bem nos dias da tua juventude; segue as aspirações do teu coração e os desejos dos teus olhos; fica sabendo, porém, que de tudo isso Deus te pedirá contas. 10Tira a tristeza do teu coração, e afasta a malícia do teu corpo, pois a adolescência e a juventude são vaidade.12, 1Lembra-te do teu Criador nos dias da juventude, antes que venham os dias da desgraça e cheguem os anos dos quais dirás: “Não sinto prazer neles”; 2 — antes que se obscureçam o sol, a luz, a lua e as estrelas, e voltem as nuvens depois da chuva; 3quando os guardas da casa começarem a tremer, e se curvarem os homens robustos; quando as poucas mulheres cessarem de moer, e ficarem turvas as vistas das que olham pelas janelas 4e se fecharem as portas que dão para a rua; quando enfraquecer o ruído do moinho, e os homens se levantarem ao canto dos pássaros, e silenciarem as vozes das canções, 5e houver medo das alturas e sobressaltos no caminho, enquanto a amendoeira floresce, o gafanhoto se arrasta e a alcaparra perde o seu gosto, porque o homem se encaminha para a morada eterna, e os que choram já rondam pelas ruas; 6— antes que se rompa o cordão de prata e se despedace a taça de ouro, a jarra se parta na fonte, a roldana se arrebente no poço, 7— antes que volte o pó à terra, de onde veio, e o sopro de vida volte a Deus que o concedeu. 8Vaidade das vaidades, diz o Eclesiastes, tudo é vaidade.
— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus.

Salmo Responsorial — Sl 89(90), 3-4. 5-6. 12-13. 14 e 17 (R. 1)

℟. Ó Senhor, vós fostes sempre um refúgio para nós.

— Vós fazeis voltar ao pó todo mortal, quando dizeis: “Voltai ao pó, filhos de Adão!” Pois mil anos para vós são como ontem, qual vigília de uma noite que passou. ℟.

℟. Ó Senhor, vós fostes sempre um refúgio para nós.

— Eles passam como o sono da manhã, são iguais à erva verde pelos campos: de manhã ela floresce vicejante, mas à tarde é cortada e logo seca. ℟.

℟. Ó Senhor, vós fostes sempre um refúgio para nós.

— Ensinai-nos a contar os nossos dias, e dai ao nosso coração sabedoria! Senhor, voltai-vos! Até quando tardareis? Tende piedade e compaixão de vossos servos! ℟.

℟. Ó Senhor, vós fostes sempre um refúgio para nós.

— Saciai-nos de manhã com vosso amor, e exultaremos de alegria todo o dia! Que a bondade do Senhor e nosso Deus repouse sobre nós e nos conduza! Tornai fecundo, ó Senhor, nosso trabalho. ℟.

℟. Ó Senhor, vós fostes sempre um refúgio para nós.

℟. Aleluia, Aleluia, Aleluia.
℣. Jesus Cristo Salvador destruiu o mal e a morte; fez brilhar, pelo Evangelho, a luz e a vida imperecíveis. (cf.
℟. Aleluia, Aleluia, Aleluia.
2Tm 1, 10) ℟.
Evangelho — Lc 9, 43b-45

℣. O Senhor esteja convosco.
℟. Ele está no meio de nós.

℣. Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo ✠ segundo Lucas 
℟. Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 43btodos estavam admirados com todas as coisas que Jesus fazia. Então Jesus disse a seus discípulos: 44“Prestai bem atenção às palavras que vou dizer: O Filho do Homem vai ser entregue nas mãos dos homens”. 45Mas os discípulos não compreendiam o que Jesus dizia. O sentido lhes ficava escondido, de modo que não podiam entender; e eles tinham medo de fazer perguntas sobre o assunto.
— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

SANTO DO DIA
São Cosme e São Damião, Mártires (Memória Facultativa)

Local: Cirro, Síria
Data: 26 de Setembro † c. s. III

O culto aos dois santos Cosme e Damião teve início no Oriente, passando, a seguir, para o Ocidente, onde gozou de muita popularidade. Em Roma foram dedicadas a eles várias igrejas, sendo a mais importante a construída pelo papa Félix IV, que governou a Igreja de 526 a 530.

Pouquíssima coisa se sabe sobre quem eles foram, quando viveram e quando foram martirizados. O único elemento historicamente constatável é que foram mártires da fé cristã. Uma tradição posterior, certamente lendária, diz que os dois eram irmãos, médicos, que viveram em Egeia, na Ásia Menor, muito caridosos e martirizados na perseguição dos inícios do século IV.

Em outras tradições lendárias eles são apresentados como irmãos gêmeos. Contudo, as lendas em torno de São Cosme e São Damião apresentam, inclusive, três duplas de irmãos médicos chamados Cosme e Damião, ou seja, em Constantinopla, em Roma e na Cilícia. Segundo a tradição grega, eram médicos e chamados anárgiros, sem dinheiro, porque exerciam a medicina gratuitamente.

No século VI, estes santos orientais conquistaram o Ocidente. Os dois médicos sírios estão, pois, no vértice da fileira dos mártires “curadores”. Conhecemos outras duplas como Ciro e João, Zenóbio e Zenóbia, Gervásio e Protásio. Desde a Idade Média os médicos veneraram São Cosme e São Damião como os seus padroeiros, junto com São Pantaleão e, depois, São Lucas. Cosme e Damião, enfim, são venerados como padroeiros dos médicos, dos farmacêuticos e das faculdades de Medicina.

Durante a história até se chegou a relacionar Cosme e Damião à mitologia grega. Houve quem quisesse demonstrar que eles seriam apenas a versão cristã da lenda dos filhos gêmeos de Zeus, Castor e Pólux. Talvez por esta via Cosme e Damião se tenham relacionado com as religiões afro-brasileiras.

A Igreja Católica celebrava a festa dos santos Cosme e Damião no dia 27 de setembro. No Calendário romano reformado em 1969, porém, pelo fato de no dia 27 comemorar a memória obrigatória São Vicente de Paulo, São Cosme e São Damião tiveram a memória facultativa removida para o dia 26. Sabe-se que em geral o costume popular tende a manter e impor sua tradição, como em outras datas religiosas.

As orações da Missa realçam simplesmente os santos como mártires, testemunhas de Cristo. Na Oração coleta a Igreja proclama neles a grandeza de Deus, pois em sua admirável providência lhes deu a glória eterna e os fez nossos protetores. Na Oração sobre as oferendas se diz que do sacrifício de Cristo nascem o ideal e a força dos mártires. Na Oração depois da Comunhão se pede que a Comunhão na festa dos mártires nos faça obter a salvação e a paz. Eis uma vaga alusão aos médicos curadores. Em latim, salvação significa tanto a saúde como a salvação eterna. Aqui, parece que a tradução deveria ser a saúde e a paz. A saúde é, pois, unida à paz.

Referência:
BECKHÄUSER, Frei Alberto. Os Santos na Liturgia: testemunhas de Cristo. Petrópolis: Vozes, 2013. 391 p. Adaptações: Equipe Pocket Terço.

São Cosme e São Damião, rogai por nós!