Publicado em

DOMINGO, DIA 18 DE OUTUBRO DE 2026

XXIX DOMINGO DO TEMPO COMUM
Cor Litúrgica verde

Primeira leitura
— Is 45, 1. 4-6

Leitura do Livro do Profeta Isaías

1Isto diz o Senhor sobre Ciro, seu Ungido: “Tomei-o pela mão para submeter os povos ao seu domínio, dobrar o orgulho dos reis, abrir todas as portas à sua marcha, e para não deixar trancar os portões.
4Por causa de meu servo Jacó, e de meu eleito Israel, chamei-te pelo nome; reservei-te, e não me reconheceste. 5Eu sou o Senhor, não existe outro: fora de mim não há deus. Armei-te guerreiro, sem me reconheceres, 6para que todos saibam, do oriente ao ocidente, que fora de mim outro não existe. Eu sou o Senhor, não há outro”.
— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus.
Salmo Responsorial — Sl 95(96), 1. 2a. 3. 4-5. 7-8. 9-10a. c (R. 7ab)

℟. Ó família das nações, dai ao Senhor poder e glória!

— 1Cantai ao Senhor Deus um canto novo, 2acantai ao Senhor Deus, ó terra inteira! 3manifestai a sua glória entre as nações, e entre os povos do universo seus prodígios! ℟.

℟. Ó família das nações, dai ao Senhor poder e glória!

— 4Pois Deus é grande e muito digno de louvor, é mais terrível e maior que os outros deuses, 5porque um nada são os deuses dos pagãos. Foi o Senhor e nosso Deus quem fez os céus. ℟.

℟. Ó família das nações, dai ao Senhor poder e glória!

— 7Ó família das nações, dai ao Senhor, ó nações, dai ao Senhor poder e glória, 8dai-lhe a glória que é devida ao seu nome! Oferecei um sacrifício nos seus átrios. ℟.

℟. Ó família das nações, dai ao Senhor poder e glória!

— 9Adorai-o no esplendor da santidade, terra inteira, estremecei diante dele! 10aPublicai entre as nações: “Reina o Senhor!” 10cpois os povos ele julga com justiça. ℟.

℟. Ó família das nações, dai ao Senhor poder e glória!

Segunda leitura
— 1Ts 1, 1-5b

Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Tessalonicenses

1Paulo, Silvano e Timóteo, à Igreja dos tessalonicenses, reunida em Deus Pai e no Senhor Jesus Cristo: a vós, graça e paz! 2Damos graças a Deus por todos vós, lembrando-vos sempre em nossas orações. 3Diante de Deus, nosso Pai, recordamos sem cessar a atuação da vossa fé, o esforço da vossa caridade e a firmeza da vossa esperança em nosso Senhor Jesus Cristo.
4Sabemos, irmãos amados por Deus, que sois do número dos escolhidos. 5bPorque o nosso evangelho não chegou até vós somente por meio de palavras, mas também mediante a força que é o Espírito Santo; e isso, com toda a abundância.
— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus.
℟. Aleluia, Aleluia, Aleluia.
℣. Como astros no mundo, vós resplandeçais, mensagem de vida ao mundo anunciando, da vida a Palavra, com fé, proclameis, quais astros luzentes no mundo brilheis. (cf. Fl 2, 15d. 16a) ℟.
Evangelho — Mt 22, 15-21

℣. O Senhor esteja convosco.
℟. Ele está no meio de nós.

℣. Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo ✠ segundo Mateus
℟. Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 15Os fariseus fizeram um plano para apanhar Jesus em alguma palavra. 16Então mandaram os seus discípulos, junto com alguns do partido de Herodes, para dizerem a Jesus: “Mestre, sabemos que és verdadeiro e que, de fato, ensinas o caminho de Deus. Não te deixas influenciar pela opinião dos outros, pois não julgas um homem pelas aparências. 17Dize-nos, pois, o que pensas: É lícito ou não pagar imposto a César?”
18Jesus percebeu a maldade deles e disse: “Hipócritas! Por que me preparais uma armadilha? 19Mostrai-me a moeda do imposto!” Levaram-lhe então a moeda. 20E Jesus disse: “De quem é a figura e a inscrição desta moeda?” 21Eles responderam: “De César”. Jesus então lhes disse: “Dai pois a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus”.
— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

SANTO DO DIA
São Lucas (Festa)

Lucas, evangelista e autor dos Atos dos Apóstolos, é cognominado “o escritor da mansidão de Cristo”. Paulo o chama “amado médico” (Cl 4, 14), companheiro de suas viagens missionárias e seu consolador, quando esteve na prisão (cf. Cl 4, 11; Fm 24, 2; 2Tm 4, 11). O seu Evangelho apresenta Jesus como o Salvador de todos os homens; testemunhou também sua misericórdia e seu amor para com os pobres. No livro dos Atos dos Apóstolos Lucas traça o retrato ideal da Igreja perseverante no ensinamento dos Apóstolos, na caridade fraterna, na fração do pão e na oração (cf. At 2, 42).

Roma, Alexandria e Antioquia da Síria eram as três mais importantes cidades do Império Romano. Na Antioquia da Síria formara-se um núcleo dinâmico de cristãos, que exerceram grande influência no cristianismo primitivo. Lá se converteu Lucas, médico, homem culto, que será missionário com São Paulo, participando de muitas de suas viagens apostólicas e provavelmente assistindo-o nos últimos momentos.

A sua origem pagã e a intimidade com São Paulo fizeram dele um escritor ideal do Evangelho, no qual destaca em Jesus Cristo, sobretudo, o amor imenso e universal, que a todos buscava sem distinção. Devemos ao evangelista Lucas os episódios tocantes da boa vontade do pecador Zaqueu e da mulher arrependida, bem como a parábola do filho pródigo, em que o desmedido amor do pai se eleva onipotente sobre a ingratidão e o pecado do filho, acolhendo-o simplesmente porque se arrependeu sinceramente. Nos Atos dos Apóstolos são descritos os primeiros passos da Comunidade cristã que, depois da Ascensão, inicia sua marcha à luz do Cristo ressuscitado e do Espírito Santo. Depois da morte de Paulo, nada sabemos com certeza da vida de São Lucas. Segundo a tradição, São Lucas morreu em avançada idade em Patras, na Acaia. Entre nós, São Lucas é considerado patrono dos médicos.

Os textos litúrgicos realçam bem as características de São Lucas. O missionário evangelizador na Antífona da entrada. O mistério do amor de Deus para com os pobres aparece particularmente na Oração coleta. Realça-se ainda a Igreja como comunidade de amor, perseverante num só coração e numa só alma. A Oração sobre as oferendas faz alusão à saúde, lembrando São Lucas, o médico: que as oferendas nos tragam a saúde nesta vida e a glória eterna. A Oração depois da Comunhão nos convida a abraçar o Evangelho anunciado por São Lucas.

Referência:
BECKHÄUSER, Frei Alberto. Os Santos na Liturgia: testemunhas de Cristo. Petrópolis: Vozes, 2013. 391 p. Adaptações: Equipe Pocket Terço.

São Lucas, rogai por nós!

Publicado em

SÁBADO, DIA 17 DE OUTUBRO DE 2026

Santo Inácio de Antioquia, Bispo e Mártir, Memória
Cor Litúrgica vermelha

Primeira leitura
— Ef 1, 15-23

Leitura da Carta de São Paulo aos Efésios

Irmãos, 15desde que soube da vossa fé no Senhor Jesus e do vosso amor para com todos os santos, 16não cesso de dar graças a vosso respeito, quando me lembro de vós em minhas orações.
17Que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai a quem pertence a glória, vos dê um espírito de sabedoria que vo-lo revele e faça verdadeiramente conhecer. 18Que ele abra o vosso coração à sua luz, para que saibais qual a esperança que o seu chamamento vos dá, qual a riqueza da glória que está na vossa herança com os santos, 19e que imenso poder ele exerceu em favor de nós que cremos, de acordo com a sua ação e força onipotente.
20Ele manifestou sua força em Cristo, quando o ressuscitou dos mortos e o fez sentar-se à sua direita nos céus, 21bem acima de toda a autoridade, poder, potência, soberania ou qualquer título que se possa nomear não somente neste mundo, mas ainda no mundo futuro. 22Sim, ele pôs tudo sob os seus pés e fez dele, que está acima de tudo, a Cabeça da Igreja, 23que é o seu corpo, a plenitude daquele que possui a plenitude universal.
— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus.
Salmo Responsorial — Sl 8, 2-3a. 4-5. 6-7 (R. cf. 7)

℟. Vós destes o domínio ao vosso Filho sobre tudo o que criastes.

— 2Ó Senhor nosso Deus, como é grande vosso nome por todo o universo! Desdobrastes nos céus vossa glória com grandeza, esplendor, majestade. 3aO perfeito louvor vos é dado pelos lábios dos mais pequeninos. ℟.

℟. Vós destes o domínio ao vosso Filho sobre tudo o que criastes.

— 4Contemplando estes céus que plasmastes e formastes com dedos de artista; vendo a lua e estrelas brilhantes, 5perguntamos: “Senhor, que é o homem, para dele assim vos lembrardes e o tratardes com tanto carinho?” ℟.

℟. Vós destes o domínio ao vosso Filho sobre tudo o que criastes.

— 6Pouco abaixo de Deus o fizestes, coroando-o de glória e esplendor; 7vós lhe destes poder sobre tudo, vossas obras aos pés lhe pusestes. ℟.

℟. Vós destes o domínio ao vosso Filho sobre tudo o que criastes.

℟. Aleluia, Aleluia, Aleluia.
℣. O Espírito Santo, a verdade, de mim irá testemunhar; e vós minhas testemunhas sereis em todo lugar. (Jo 15, 26b. 27a) ℟.
Evangelho — Lc 12, 8-12

℣. O Senhor esteja convosco.
℟. Ele está no meio de nós.

℣. Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo ✠ segundo Lucas
℟. Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 8“Todo aquele que der testemunho de mim diante dos homens, o Filho do Homem também dará testemunho dele diante dos anjos de Deus. 9Mas aquele que me renegar diante dos homens, será negado diante dos anjos de Deus. 10Todo aquele que disser alguma coisa contra o Filho do Homem será perdoado. Mas quem blasfemar contra o Espírito Santo não será perdoado.
11Quando vos conduzirem diante das sinagogas, magistrados e autoridades, não fiqueis preocupados como ou com que vos defendereis, ou com o que direis. 12Pois nessa hora o Espírito Santo vos ensinará o que deveis dizer”.
— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

SANTO DO DIA
Santo Inácio de Antioquia (Memória)

Local: Roma, Itália
Data: 17 de Outubro † 107

Diz a tradição que Santo Inácio foi o segundo sucessor de São Pedro na sede de Antioquia na Síria. Pode ser considerado também como o primeiro pastor como bispo de uma Igreja. Se ele foi o terceiro bispo, onde os discípulos de Cristo foram, pela primeira vez, chamados cristãos, Inácio foi, por sua vez, o primeiro a chamar a Igreja de Igreja Católica.

Estamos diante de uma figura extraordinária da Igreja subapostólica do fim do primeiro século. Como bispo de Antioquia, era muito conhecido e estimado em todo o Oriente cristão. Não se sabe praticamente nada sobre as circunstâncias em que foi preso durante o governo do imperador Trajano, que faleceu em 117 depois de Cristo, bem como o ano em que foi dado às feras no circo de Roma. Menciona-se, ora o ano 110, ora o ano 107. Nesta última data, o imperador preparara grandioso espetáculo em Roma, em que foram mortos muitos gladiadores juntamente com homens ilustres em luta com 11.000 animais ferozes.

Inácio fora condenado às feras em sua sede em Antioquia da Síria e provavelmente foi destinado às feras em Roma em 107. Durante o itinerário que conduziu Santo Inácio chamado Teóforo, isto é, Portador de Deus, de Antioquia para Roma, aproveitou ele a oportunidade para dirigir cartas às Comunidades cristãs da Ásia Menor. São sete ao todo, sendo uma dirigida à Igreja de Roma. Nelas ele lembra a organização das ditas Comunidades, concentradas na pessoa do bispo com seus presbíteros e diáconos. Insiste na adesão ao bispo a quem se deve seguir como Cristo seguiu a vontade do Pai. É muito importante o testemunho que estas cartas dão sobre as crenças e a organização interna da Igreja cristã menos de um século após a Ascensão de Cristo. Fora dos autores hagiográficos do Novo Testamento, Santo Inácio é o primeiro escritor a ressaltar o parto virginal de Maria. Também o mistério da Trindade é plenamente dado como certo. Nele já se encontram elementos sólidos de Cristologia. Não menos notáveis são as expressões que ele usa em relação à Santíssima Eucaristia: “Carne de Cristo”, “dom de Deus”, “remédio de imortalidade”. Inácio denuncia os hereges “que não reconhecem que a Eucaristia é a carne de nosso Salvador Jesus Cristo, carne que padeceu por nossos pecados e que o Pai, em sua bondade, ressuscitou”.

A mais importante das sete cartas de Santo Inácio é a endereçada à comunidade eclesial de Roma, no desejo de preparar sua chegada à Cidade Eterna. Neste escrito, respira-se o perfume do mais puro amor a Cristo que anima o coração de Inácio. Percebe-se o seu ardente desejo de morrer mártir para estar com Deus, para estar para sempre com Cristo. Nesta carta ele pede que a comunidade de Roma não interfira em favor dele: “Deixai-me ser comida para as feras, pelas quais me é possível encontrar Deus. Sou trigo de Deus e sou moído pelos dentes das feras para encontrar-me como pão puro de Cristo”.

Inácio foi de fato atirado às feras em Roma provavelmente no ano de 107. Por decênios suas cartas foram lidas em público nas igrejas, quase com a mesma veneração com que se liam as cartas de São Paulo. No decurso da história do cristianismo encontramos certamente em Santo Inácio de Antioquia muitos dos mais eloquentes testemunhos de doação completa e de amor a Cristo. Ele impressiona, sobretudo, por sua devoção martirial, vendo no martírio pela fé o meio por excelência de fazer-se discípulo perfeito de Cristo.

Este amor total a Cristo presente na Eucaristia e o desejo do martírio para ficar para sempre com ele aparecem de modo eloquente nos textos litúrgicos. A Oração coleta destaca o testemunho do martírio como ornamento da Igreja. A Oração sobre as oferendas pede que Deus aceite a nossa oblação como acolheu Santo Inácio, trigo do Cristo, transformado pelo martírio em pão sem mistura. O pensamento do trigo de Cristo moído pelos dentes das feras volta na Antífona da Comunhão. E na Antífona do Magnificat aparece sua fé ardente na Eucaristia: Eu desejo o Pão de Deus, que é a carne de Jesus descendente de Davi: eu desejo esta bebida que é o sangue de Jesus, caridade incorruptível. A Oração depois da Comunhão pede que sejamos revigorados pelo pão celeste que recebemos na festa de Santo Inácio de Antioquia para que não tenhamos apenas o nome de cristãos, mas realmente o sejamos por nossa vida.

Referência:
BECKHÄUSER, Frei Alberto. Os Santos na Liturgia: testemunhas de Cristo. Petrópolis: Vozes, 2013. 391 p. Adaptações: Equipe Pocket Terço.

Santo Inácio de Antioquia, rogai por nós!

Publicado em

SEXTA-FEIRA, DIA 16 DE OUTUBRO DE 2026

XVIII SEMANA DO TEMPO COMUM
Cor Litúrgica verde

Primeira leitura
— Ef 1, 11-14

Leitura da Carta de São Paulo aos Efésios

Irmãos, 11em Cristo nós recebemos a nossa parte. Segundo o projeto daquele que conduz tudo conforme a decisão de sua vontade, nós fomos predestinados 12a sermos, para o louvor de sua glória, os que de antemão colocaram a sua esperança em Cristo.
13Nele também vós ouvistes a palavra da verdade, o evangelho que vos salva. Nele, ainda, acreditastes e fostes marcados com o selo do Espírito prometido, o Espírito Santo, 14o que é o penhor da nossa herança para a redenção do povo que ele adquiriu, para o louvor da sua glória.
— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus.
Salmo Responsorial — Sl 32(33), 1-2. 4-5. 12-13 (R. 12b)

℟. Feliz o povo que o Senhor escolheu por sua herança!

— 1Ó justos, alegrai-vos no Senhor! Aos retos fica bem glorificá-lo. 2Dai graças ao Senhor ao som da harpa, na lira de dez cordas celebrai-o! ℟.

℟. Feliz o povo que o Senhor escolheu por sua herança!

— 4Pois reta é a palavra do Senhor, e tudo o que ele faz merece fé. 5Deus ama o direito e a justiça, transborda em toda a terra a sua graça. ℟.

℟. Feliz o povo que o Senhor escolheu por sua herança!

— 12Feliz o povo cujo Deus é o Senhor, e a nação que escolheu por sua herança! 13Dos altos céus o Senhor olha e observa; ele se inclina para olhar todos os homens. ℟.

℟. Feliz o povo que o Senhor escolheu por sua herança!

℟. Aleluia, Aleluia, Aleluia.
℣. Sobre nós venha, Senhor, a vossa graça, da mesma forma que em vós nós esperamos! (Sl 32, 22) ℟.
Evangelho — Lc 12, 1-7

℣. O Senhor esteja convosco.
℟. Ele está no meio de nós.

℣. Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo ✠ segundo Lucas
℟. Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 1milhares de pessoas se reuniram, a ponto de uns pisarem os outros. Jesus começou a falar, primeiro a seus discípulos: “Tomai cuidado com o fermento dos fariseus, que é a hipocrisia. 2Não há nada de escondido, que não venha a ser revelado, e não há nada de oculto que não venha a ser conhecido. 3Portanto, tudo o que tiverdes dito na escuridão, será ouvido à luz do dia; e o que tiverdes pronunciado ao pé do ouvido, no quarto, será proclamado sobre os telhados.
4Pois bem, meus amigos, eu vos digo: não tenhais medo daqueles que matam o corpo, não podendo fazer mais do que isto. 5Vou mostrar-vos a quem deveis temer: temei aquele que, depois de tirar a vida, tem o poder de lançar-vos no inferno. Sim, eu vos digo, a este temei.
6Não se vendem cinco pardais por uma pequena quantia? No entanto, nenhum deles é esquecido por Deus. 7Até mesmo os cabelos de vossa cabeça estão todos contados. Não tenhais medo! Vós valeis mais do que muitos pardais”.
— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

SANTO DO DIA
Santa Edviges (Memória Facultativa)

Local: Trebnitz, Alemanha
Data: 16 de Outubro † 1243

Edviges, duquesa da Silésia e Polônia, nasceu no norte da Baviera, na Alemanha, por volta de 1174. Dois de seus irmãos foram bispos, uma irmã foi abadessa, outra irmã foi rainha da Hungria e mãe de Santa Isabel da Hungria, e outra irmã casou-se com Filipe II da França. Frequentou a Abadia das beneditinas, onde aprendeu o amor às Escrituras. Menina de 12 anos, foi dada em matrimônio ao principe da Silésia, Henrique 1. Foi mãe de sete filhos. Apenas Gertrudes sobreviveu e ela. Os filhos foram motivo de muita dor e tristeza para Edviges.

Durante a vida de esposa distinguiu-se por um profundo espírito de oração, de penitência e, sobretudo, de caridade. Na posição de duquesa, tudo fazia em favor dos humildes. Incentivou bastante a evangelização da Silésia, sobretudo pela fundação de mosteiros entre os quais o de Trebniz, no qual terminou seus dias. A vida agitada do tempo não lhe poupou duras provações; além de perder vários filhos ainda crianças, teve o desgosto de ver seu marido preso, e perdeu-o pouco depois. Consta que guardava para si parte mínima de suas rendas; todo o resto ela aplicava em favor dos pobres que servia com as próprias mãos. Talvez, por isso, no Brasil ela seja venerada como patrona dos endividados.

Santa Edviges, após a morte de seis filhos e do marido, deixou o mundo e entrou no mosteiro cisterciense de Trebniz, do qual era abadessa sua filha Gertrudes, sem, no entanto, professar propriamente, pois desejava continuar a administrar os seus bens na prática das obras de misericórdia. Por isso, ela é considerada religiosa. Foi mulher, modelo dos três estados femininos, da virgem, da esposa e da viúva.

Edviges pertenceu ao grupo dos numerosos santos do século XIII: os grandes fundadores de Ordens como Francisco de Assis e Domingos de Gusmão, luzeiros de ciência como Alberto Magno, Tomás de Aquino, Boaventura, Antônio de Pádua e a santidade coroada dos reis Fernando de Castela, Luís de França e das rainhas Brígida, Isabel de Portugal, Isabel da Hungria e Edviges da Silésia.

Provada pela vida e pelas virtudes, faleceu em 1243. Foi canonizada em 1267 e entrou no Calendário geral em 1706. Santa Edviges, nascida alemã, soube conciliar as diversas culturas como a da Silésia, da Polônia e da Boêmia, servindo a todos de coração aberto.

A Oração coleta lembra sobretudo a humildade de Santa Edviges, humildade manifestada na resignação nos sofrimentos e no serviço da caridade: Nós vos pedimos, ó Deus onipotente, que a intercessão de Santa Edviges nos obtenha a graça de imitar o que nela admiramos, pois a humildade de sua vida serve de exemplo para todos.

Referência:
BECKHÄUSER, Frei Alberto. Os Santos na Liturgia: testemunhas de Cristo. Petrópolis: Vozes, 2013. 391 p. Adaptações: Equipe Pocket Terço.

Santa Edviges, rogai por nós!

Santa Margarida Maria Alacoque (Memória Facultativa)
Local: Paray-le-Monial, França
Data: 16 de Outubro † 1690

No século XVII, o jansenismo grassava na Europa. Este movimento herético distanciava as pessoas da confiança em Deus. O espírito de amor do Novo Testamento era dominado pelo temor do Antigo Testamento. Para reacender esse amor, surgiram entre 1625 e 1690 três santos: João Eudes, Cláudio La Colombière e Margarida Maria Alacoque. O nome de Margarida Maria está indelevelmente associado à moderna devoção ao Sagrado Coração de Jesus, embora São João Eudes e Santa Margarida Maria apresentem aspectos diferentes da devoção. A de São João Eudes realça mais a bondade de Deus manifestada em Cristo a ser imitada. Contempla o Senhor Jesus que passa pelo mundo fazendo o bem. Admira e rende graças. A devoção deixada por Santa Margarida Maria realça mais o culto de reparação e de expiação pelos muitos pecados da humanidade que se nega a corresponder ao amor misericordioso de Jesus.

Margarida Maria Alacoque nasceu na Borgonha, França, no ano de 1647. Teve infância e adolescência muito atribuladas. Órfã de pai, foi confiada ainda criança às irmãs clarissas para ser educada. Mas estranha moléstia afetou o seu organismo. Acabou voltando para a casa da mãe, onde, junto com a mãe, teve que sofrer muitos maus-tratos e humilhações por parte de uma sua irmã. Recuperada a saúde, pôde continuar sua formação cultural e religiosa. Ao entrar na vida religiosa no mosteiro da Visitação de Paray-le-Monial fez dessa Casa religiosa o centro da devoção ao Sagrado Coração de Jesus. No mosteiro Margarida encontrou muitas dificuldades e provações, inclusive, na prática da oração. Orientada por sua superiora, começou a cultivar, sobretudo, a oração diante do Santíssimo Sacramento do Altar. Encontrou, então, as luzes que iam abrir caminho para o culto ao Sagrado Coração de Jesus. Numa visão diante do tabernáculo, ouviu a mensagem: “Eis o coração que tanto amou os homens e deles só recebe ingratidões”. Daí por diante ela se tornará apóstola da reparação ao Coração de Jesus.

Na comunidade eram postas em dúvida suas experiências místicas, pelo que sofreu muitas humilhações e grande oposição. Providencialmente, entrou, então, em sua vida o padre jesuíta bem-aventurado Cláudio de La Colombière. Ele converteu-se em devoto e apóstolo, dando todo apoio a Margarida Maria.

A devoção ao Coração de Jesus passou do mosteiro de Paray-le-Monial aos demais mosteiros da Ordem, e depois ganhou toda a Igreja, tornando-se uma das devoções mais queridas dos fiéis, incentivando ao máximo a piedade eucarística, em tempo em que a participação da Missa com Comunhão era bastante rara. Desenvolveu-se muito a devoção eucarística fora da Missa. Surgiu a festa do Sagrado Coração de Jesus, a prática da Comunhão nas primeiras sextas-feiras de cada mês, o mês de junho dedicado ao Coração de Jesus com a Ladainha do Coração de Jesus. Vários papas deram a sua chancela ao novo culto, desde Leão XIII até Pio XII, que mais uma vez recomendou tal devoção mediante uma carta encíclica.

Santa Margarida Maria faleceu relativamente cedo, em 1690, com 43 anos. Foi canonizada por Bento XV em 1920.

A festa do Sagrado Coração de Jesus começou a ser celebrada simultaneamente pela Congregação do padre João Eudes e pelo movimento suscitado por Santa Margarida Maria. Por isso, no decorrer do tempo a Missa passou por vários formulários diferentes, ora atendendo ao enfoque da devoção suscitada e cultivada por São João Eudes, ora atendendo à linha da devoção reparadora promovida por Santa Margarida Maria. A reforma pós-conciliar se inspira nas duas tradições, tanto que na Missa da solenidade do Sagrado Coração de Jesus se apresentam duas Orações coletas, à escolha. Analisando os textos, parece até que a tradição de São João Eudes está mais presente do que a de Santa Margarida Maria.

Na primeira opção se diz: Concedei, ó Deus todo-poderoso, que, alegrando-nos pela solenidade do Coração do vosso Filho, meditemos as maravilhas de seu amor e possamos receber, desta fonte de vida, uma torrente de graças.

A segunda opção reza assim: Ó Deus, que no Coração do vosso Filho, ferido por nossos pecados, nos concedestes infinitos tesouros de amor, fazei que lhe ofereçamos uma justa reparação consagrando-lhe toda a nossa vida.

A Oração coleta da comemoração da santa também não faz alusão à reparação, mas acentua o conhecimento do amor do Cristo: Ó Deus, derramai em nós o espírito com que enriquecestes Santa Margarida Maria, para que, conhecendo o amor do Cristo, que supera todo conhecimento, possamos gozar a vossa plenitude.

Referência:
BECKHÄUSER, Frei Alberto. Os Santos na Liturgia: testemunhas de Cristo. Petrópolis: Vozes, 2013. 391 p. Adaptações: Equipe Pocket Terço.

Santa Margarida Maria Alacoque, rogai por nós!

Publicado em

QUINTA-FEIRA, DIA 15 DE OUTUBRO DE 2026

Santa Teresa de Jesus, Virgem e Doutora da Igreja, Memória
Cor Litúrgica branca

Primeira leitura
— Ef 1, 1-10

Início da Carta de São Paulo aos Efésios

1Paulo, apóstolo de Cristo Jesus pela vontade de Deus, aos santos e fiéis em Cristo Jesus: 2a vós, graça e paz, da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo.
3Bendito seja Deus, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo. Ele nos abençoou com toda a bênção do seu Espírito em virtude de nossa união com Cristo, no céu. 4Em Cristo, ele nos escolheu, antes da fundação do mundo, para que sejamos santos e irrepreensíveis sob o seu olhar, no amor. 5Ele nos predestinou para sermos seus filhos adotivos por intermédio de Jesus Cristo, conforme a decisão da sua vontade, 6para o louvor da sua glória e da graça com que ele nos cumulou no seu Bem-amado.
7Pelo seu sangue, nós somos libertados. Nele, as nossas faltas são perdoadas, segundo a riqueza da sua graça, 8que Deus derramou profusamente sobre nós, abrindo-nos a toda a sabedoria e prudência. 9Ele nos fez conhecer o mistério da sua vontade, o desígnio benevolente que de antemão determinou em si mesmo, 10para levar à plenitude o tempo estabelecido e recapitular em Cristo, o universo inteiro: tudo o que está nos céus e tudo o que está sobre a terra.
— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus.
Salmo Responsorial — Sl 97(98), 1. 2-3ab. 3cd-4. 5-6 (R. 2a)

℟. O Senhor fez conhecer seu poder salvador perante as nações.

— 1Cantai ao Senhor Deus um canto novo, porque ele fez prodígios! Sua mão e o seu braço forte e santo alcançaram-lhe a vitória. ℟.

℟. O Senhor fez conhecer seu poder salvador perante as nações.

— 2O Senhor fez conhecer a salvação, e às nações, sua justiça; 3arecordou o seu amor sempre fiel bpela casa de Israel. ℟.

℟. O Senhor fez conhecer seu poder salvador perante as nações.

— cOs confins do universo contemplaram da salvação do nosso Deus. 4Aclamai o Senhor Deus, ó terra inteira, alegrai-vos e exultai! ℟.

℟. O Senhor fez conhecer seu poder salvador perante as nações.

— 5Cantai salmos ao Senhor ao som da harpa e da cítara suave! 6Aclamai, com os clarins e as trombetas, ao Senhor, o nosso Rei! ℟.

℟. O Senhor fez conhecer seu poder salvador perante as nações.

℟. Aleluia, Aleluia, Aleluia.
℣. Sou o Caminho, a Verdade e a Vida, ninguém vem ao Pai, senão por mim. (Jo 14, 6) ℟.
Evangelho — Lc 11, 47-54

℣. O Senhor esteja convosco.
℟. Ele está no meio de nós.

℣. Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo ✠ segundo Lucas
℟. Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, disse o Senhor: 47“Ai de vós, porque construís os túmulos dos profetas; no entanto, foram vossos pais que os mataram. 48Com isso, vós sois testemunhas e aprovais as obras de vossos pais, pois eles mataram os profetas e vós construís os túmulos.
49É por isso que a sabedoria de Deus afirmou: Eu lhes enviarei profetas e apóstolos, e eles matarão e perseguirão alguns deles, 50a fim de que se peçam contas a esta geração do sangue de todos os profetas, derramado desde a criação do mundo, 51desde o sangue de Abel até o sangue de Zacarias, que foi morto entre o altar e o santuário. Sim, eu vos digo: serão pedidas contas disso a esta geração. 52Ai de vós, mestres da Lei, porque tomastes a chave da ciência. Vós mesmos não entrastes, e ainda impedistes os que queriam entrar”.
53Quando Jesus saiu daí, os mestres da Lei e os fariseus começaram a tratá-lo mal, e a provocá-lo sobre muitos pontos. 54Armavam ciladas, para pegá-lo de surpresa, por qualquer palavra que saísse de sua boca.
— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

SANTO DO DIA
Santa Teresa de Jesus (Memória)

Local: Ávila, Espanha
Data: 15 de Outubro † 1582

Estamos diante de uma figura extraordinária de mulher no cristianismo. Teresa D Ávila, a chamada Teresa, a Grande, na Liturgia recebeu o nome oficial de Teresa de Jesus.

Teresa pertence ao número eleito de santos que deixaram marca indelével na história da santidade por ter criado uma forma de espiritualidade que forma precioso patrimônio doutrinal da Igreja.

Teresa nasceu em Ávila, Espanha, em 1515. Desde menina era acostumada a leitura de livros, tendo preferência a vida dos santos. Aos 20 anos de idade ingressou no Carmelo de Ávila uma jovem de família fidalga, bela, inteligente, daquelas que tinham diante de si um porvir sorridente no mundo.

Os primeiros anos de sua consagração a Deus no Carmelo não foram nada edificantes. O relaxamento no fervor religioso podia colocar em perigo sua perseverança. Procurava conciliar sua vida religiosa no claustro com o apego às criaturas, aos parentes, com longas conversas desnecessárias no parlatório e até com certa frivolidade. Certo dia, tocada profundamente pelo olhar da imagem de um Cristo sofredor, resolveu mudar de atitude. Foi uma verdadeira conversão para uma nova vida.

Em 1562 deu início à reforma da Ordem Carmelita, ajudada por homens ilustres como São João da Cruz e São Pedro de Alcântara. Enfrentou com grande coragem todas as dificuldades e contradições que implicava a reforma. Conseguiu que algumas dezenas de conventos aceitassem voltar ao fervor primitivo da vocação carmelitana. Depois do mosteiro de São José em Ávila, com a autorização do Geral da Ordem, dedicou-se apaixonadamente a outras fundações e pôde estender a reforma também ao ramo masculino. Fiel à Igreja, no espírito do Concílio de Trento, contribuiu para a renovação da comunidade eclesial.

Em meio a uma vida sumamente agitada, devido à promoção da Reforma, Teresa foi ao mesmo tempo a grande mística, cujas experiências deixou escritas em seus livros como o Caminho da perfeição, As moradas, o Livro da vida (autobiografia).

Teresa morreu retornando da visita a uma de suas fundações às nove horas da noite do dia 4 de outubro de 1582. Exatamente no dia seguinte, entrou em vigor a reforma do Calendário gregoriano, suprimindo dez dias, de modo que passou a valer pelo dia 15 de outubro, data em que foi fixada a sua festa. Seu corpo foi enterrado em Alba de Tormes. Ela foi canonizada em 1622.

Mulher de envergadura excepcional, foi chamada de “Teresa, a Grande”. Como grande mestra de espiritualidade, foi a primeira mulher a ser declarada “Doutora da Igreja” por Paulo VI em 27 de setembro de 1970.

Nos textos da Liturgia da Missa aparece uma mulher abrasada pelo amor de Deus. A Oração coleta lembra que Deus fez surgir Santa Teresa para recordar à Igreja o caminho da perfeição e pede que possamos encontrar sempre alimento em sua doutrina celeste e sentir em nós o desejo da verdadeira santidade. A Oração sobre as oferendas lembra a total consagração de Santa Teresa a Deus. A Antífona da Comunhão e a Oração depois da Comunhão recordam um dos aspectos fundamentais da espiritualidade de Teresa de Jesus: “Cantar eternamente as misericórdias de Deus”, pensamento tirado do Sl 88, 2: Senhor, quero cantar eternamente a vossa misericórdia e a vossa fidelidade de geração em geração.

Referência:
BECKHÄUSER, Frei Alberto. Os Santos na Liturgia: testemunhas de Cristo. Petrópolis: Vozes, 2013. 391 p. Adaptações: Equipe Pocket Terço.

Santa Teresa de Jesus, rogai por nós!

Publicado em

QUARTA-FEIRA, DIA 14 DE OUTUBRO DE 2026

XXVIII SEMANA DO TEMPO COMUM
Cor Litúrgica verde

Primeira leitura
— Gl 5, 18-25

Leitura da Carta de São Paulo aos Gálatas

Irmãos, 18se sois conduzidos pelo Espírito, então não estais sob o jugo da Lei.
19São bem conhecidas as obras da carne: fornicação, libertinagem, devassidão, 20idolatria, feitiçaria, inimizades, contendas, ciúmes, iras, intrigas, discórdias, facções, 21invejas, bebedeiras, orgias, e coisas semelhantes a estas. Eu vos previno, como aliás já o fiz: os que praticam essas coisas não herdarão o reino de Deus.
22Porém, o fruto do Espírito é: caridade, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, lealdade, 23mansidão, continência. Contra estas coisas não existe lei. 24Os que pertencem a Jesus Cristo crucificaram a carne com suas paixões e seus maus desejos. 25Se vivemos pelo Espírito, procedamos também segundo o Espírito, corretamente.
— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus.
Salmo Responsorial — Sl 1, 1-2. 3. 4 e 6 (R. cf. Jo 8, 12)

℟. Senhor, quem vos seguir, terá a luz da vida!

— 1Feliz é todo aquele que não anda conforme os conselhos dos perversos; que não entra no caminho dos malvados, nem junto aos zombadores vai sentar-se; 2mas encontra seu prazer na lei de Deus e a medita, dia e noite, sem cessar. ℟.

℟. Senhor, quem vos seguir, terá a luz da vida!

— 3Eis que ele é semelhante a uma árvore que à beira da torrente está plantada; ela sempre dá seus frutos a seu tempo, e jamais as suas folhas vão murchar. Eis que tudo o que ele faz vai prosperar, ℟.

℟. Senhor, quem vos seguir, terá a luz da vida!

— 4mas bem outra é a sorte dos perversos. Ao contrário, são iguais à palha seca espalhada e dispersada pelo vento. 6Pois Deus vigia o caminho dos eleitos, mas a estrada dos malvados leva à morte. ℟.

℟. Senhor, quem vos seguir, terá a luz da vida!

℟. Aleluia, Aleluia, Aleluia.
℣. Minhas ovelhas escutam minha voz, eu as conheço e elas me seguem. (Jo 10, 27) ℟.
Evangelho — Lc 11, 42-46

℣. O Senhor esteja convosco.
℟. Ele está no meio de nós.

℣. Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo ✠ segundo Lucas
℟. Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, disse o Senhor: 42“Ai de vós, fariseus, porque pagais o dízimo da hortelã, da arruda e de todas as outras ervas, mas deixais de lado a justiça e o amor de Deus. Vós deveríeis praticar isso, sem deixar de lado aquilo. 43Ai de vós, fariseus, porque gostais do lugar de honra nas sinagogas, e de serdes cumprimentados nas praças públicas. 44Aí de vós, porque sois como túmulos que não se veem, sobre os quais os homens andam sem saber”.
45Um mestre da Lei tomou a palavra e disse: “Mestre, falando assim, insultas-nos também a nós!” 46Jesus respondeu: “Ai de vós também, mestres da Lei, porque colocais sobre os homens cargas insuportáveis, e vós mesmos não tocais nessas cargas, nem com um só dedo”.
— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

SANTO DO DIA
São Calisto I (Memória Facultativa)

Local: Roma, Itália
Data: 14 de Outubro † c. 222

São Calisto I é certamente um dos grandes papas dos primeiros séculos do cristianismo. As notícias sobre ele são bastante escassas e as que possuímos provêm de fonte hostil a ele, isto é, de Hipólito, adversário do papa anterior a Calisto e do próprio papa Calisto I. No ano de 217, com a morte do papa Zeferino, subiu à cátedra de Pedro em Roma um liberto, ou seja, um ex-escravo. É bom saber que, então, os libertos, em Roma, constituíam uma classe muito ativa, em cujas mãos estava grande parte do comércio e da indústria.

Ainda jovem escravo, Calisto esteve a serviço de certo cristão de nome Carpóforo, comerciante, mas não foi bem-sucedido em seus negócios, sendo obrigado a indenizar o dono pelos prejuízos causados. Foi deportado para a ilha da Sardenha e condenado a trabalhos forçados nas minas. Aí se encontrou com muitos cristãos condenados por motivos da fé. Passados alguns anos, Calisto foi indultado e pôde voltar do exílio. O papa Zeferino quis aproveitar as capacidades extraordinárias de Calisto, encarregando-o da administração dos cemitérios ou catacumbas na Via Ápia, que, em seguida, passaram à história com o nome de São Calisto.

Com a morte de Zeferino, clero e povo elegeram Calisto para sucessor do Papa, apesar de ter tido origem escrava. Mas ao ser eleito sofreu séria oposição do presbítero Hipólito, homem de vasta cultura e escritor fecundo em assuntos doutrinários. Hipólito chegou a formar contra ele uma comunidade rival, tornando-se, inclusive, o primeiro antipapa. Mais tarde, Hipólito, condenado às minas por ser cristão, se reconciliou com a Igreja e morreu mártir.

Durante seu curto pontificado de seis anos, a Igreja foi perturbada por discussões sobre o mistério da Santíssima Trindade. Calisto condenou a doutrina de Sabélio que defendia o modalismo, doutrina que reduz as pessoas divinas a modalidades da única pessoa do Pai Eterno. Condenou também ideias rigoristas de Tertuliano e de Hipólito que negavam a absolvição dos pecados de apostasia, adultério e homicídio. São Calisto firmou a doutrina: “Todo pecado pode ser perdoado pela Igreja, cumpridas as devidas condições de penitência”.

Desconhecem-se as circunstâncias do martírio. É possível que tenha sido assassinado durante um motim popular contra os cristãos, no ano 222. Sua memória ficou bem viva na comunidade cristã de Roma, que sempre o venerou como mártir.

A Oração coleta faz alusão apenas ao martírio. Seu nome ficou ligado às catacumbas ou cemitérios de Roma e ao culto dos mártires. A mensagem de sua comemoração parece ir além. Sim, antes de tudo, ele se apresenta como mártir e pastor. Podemos lembrar, no entanto, outros elementos. Jesus não fez acepção de pessoas.

Todos são chamados a segui-lo e a testemunhá-lo. Não importa que alguém tenha sido ou seja escravo, pois, também ele, como o publicano Mateus, pode se tornar apóstolo de Cristo. Outro aspecto é o cuidado dos mortos. A sacralidade dos túmulos cristãos na esperança da ressurreição e o culto dos mártires e dos santos em geral.

Referência:
BECKHÄUSER, Frei Alberto. Os Santos na Liturgia: testemunhas de Cristo. Petrópolis: Vozes, 2013. 391 p. Adaptações: Equipe Pocket Terço.

São Calisto I, rogai por nós!

Publicado em

TERÇA-FEIRA, DIA 13 DE OUTUBRO DE 2026

XXVIII SEMANA DO TEMPO COMUM
Cor litúrgica verde

Primeira leitura
(Gl 5,1-6)
Leitura da Carta de São Paulo aos Gálatas.
Irmãos, 1 É para a liberdade que Cristo nos libertou. Ficai pois firmes e não vos deixeis amarrar de novo ao jugo da escravidão. 2 Eis que eu, Paulo, vos digo que Cristo não será de nenhum proveito para vós, se vos deixardes circuncidar. 3 Mais uma vez, atesto a todo homem circuncidado que ele está obrigado a observar toda a Lei. 4 Vós que procurais a vossa justificação na Lei, rompestes com Cristo, decaístes da graça. 5 Quanto a nós, que nos deixamos conduzir pelo Espírito, é da fé que aguardamos a justificação, objeto de nossa esperança. 6 Com efeito, em Jesus Cristo, o que vale é a fé agindo pela caridade; observar ou não a circuncisão não tem valor algum.
– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

Responsório Sl 118(119),41.43.44.45.47.48 (R. 41a)
– Senhor, que desça sobre mim a vossa graça!
– Senhor, que desça sobre mim a vossa graça!

– Senhor, que desça sobre mim a vossa graça e a vossa salvação que prometestes! 

– Senhor, que desça sobre mim a vossa graça!

– Não retireis vossa verdade de meus lábios, pois eu confio em vossos justos julgamentos! 

– Senhor, que desça sobre mim a vossa graça!

– Cumprirei constantemente a vossa lei; para sempre, eternamente a cumprirei! 

– Senhor, que desça sobre mim a vossa graça!

– É amplo e agradável meu caminho, porque busco e pesquiso as vossas ordens. 

– Senhor, que desça sobre mim a vossa graça!

– Muito me alegro com os vossos mandamentos, que eu amo, amo tanto, mais que tudo! 

– Senhor, que desça sobre mim a vossa graça!

– Elevarei as minhas mãos para louvar-vos e com prazer meditarei vossa vontade. 

– Senhor, que desça sobre mim a vossa graça!

Evangelho (Lc 11,37-41)
– Aleluia, Aleluia, Aleluia.
– A palavra do Senhor é viva e eficaz: ela julga os pensamentos e as intenções do coração.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas.
– Glória a vós, Senhor.
Naquele tempo, 37 enquanto Jesus falava, um fariseu convidou-o para jantar com ele. Jesus entrou e pôs-se à mesa. 38 O fariseu ficou admirado ao ver que Jesus não tivesse lavado as mãos antes da refeição. 39 O Senhor disse ao fariseu: “Vós fariseus, limpais o copo e o prato por fora, mas o vosso interior está cheio de roubos e maldades. 40 Insensatos! Aquele que fez o exterior não fez também o interior? 41 Antes, dai esmola do que vós possuís e tudo ficará puro para vós”.
— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

SANTO DO DIA
Beata Alexandrina Maria da Costa: Virgindade Preservada

Origens 
Alexandrina Maria da Costa nasceu em Balasar, Póvoa de Varzim, Arquidiocese de Braga, no dia 30 de março de 1904. Foi batizada no dia 2 de abril, um Sábado Santo. Foi educada cristãmente pela mãe, junto com a irmã Deolinda. Alexandrina viveu em casa até aos 7 anos. Depois, foi para uma pensão dum marceneiro na Póvoa de Varzim, a fim de frequentar a escola primária que não existia em Balasar. Fez a primeira comunhão na sua terra natal, em 1911, e, no ano seguinte, recebeu o sacramento da Crisma pelo Bispo do Porto.
Passados 18 meses, voltou a Balasar e foi morar com a mãe e a irmã na localidade do “Calvario”, onde irá permanecer até a morte.
Infância 
Robusta de constituição física, começou a trabalhar nos campos, equiparando-se aos homens e a ganhar o mesmo que eles. A sua infância foi muito viva: dotada de temperamento feliz e comunicativo, era muito querida pelas colegas. Aos 12 anos, porém, adoeceu: uma grave infecção (uma febre tifoide, talvez) colocou-a quase à morte. Superou a doença, mas a sua saúde ficou abalada para sempre.
Juventude 
Aos 14 anos aconteceu um fato que seria decisivo para a sua vida. Era Sábado Santo de 1918, e, nesse dia, ela, a irmã Deolinda e mais uma mocinha aprendiz estavam a trabalhar de costura, quando perceberam que três homens tentavam entrar na sala onde se encontravam. Embora estivessem fechadas, os três homens forçaram as portas e conseguiram entrar. 
Beata Alexandrina Maria da Costa: Virgindade Preservada
Conservação de sua Pureza 
Alexandrina, para salvar a sua pureza ameaçada, não hesitou em atirar-se pela janela, de uma altura de quatro metros. As consequências foram terríveis, embora não imediatas. De fato, as várias visitas médicas a que foi sucessivamente submetida diagnosticaram, cada vez com maior clareza, um fato irreversível.
Início do Sofrimento
Até os 19 anos, pôde ainda arrastar-se até a igreja, onde gostava de ficar recolhida, com grande admiração das pessoas. A paralisia foi avançando cada vez mais, até que as dores se tornaram insuportáveis; as articulações perderam qualquer movimento; e ela ficou completamente paralisada. Era o dia 14 de abril de 1925 quando a Beata Alexandrina Maria da Costa ficou definitivamente de cama. Ali haveria de passar os restantes 30 anos de sua vida.
“Jesus, você é um prisioneiro no Tabernáculo e eu estou em minha cama por sua vontade. Faremos companhia.”  (Beata Alexandrina Maria da Costa)
Vocação 
Até 1928 não deixou de pedir a Deus, por intercessão de Nossa Senhora, a graça da cura, prometendo que se sarasse partiria para as missões. Depois, compreendeu que a sua vocação era o sofrimento. Abraçou-a prontamente. 
São desse período os primeiros fenômenos místicos: Alexandrina iniciou uma vida de grande união com Cristo nos Tabernáculos, por meio de Nossa Senhora. Quanto mais clara se tornava a sua vocação de vítima, tanto mais crescia nela o amor ao sofrimento. Comprometeu-se com voto a fazer sempre o que fosse mais perfeito.
A Consagração do mundo ao Coração Imaculado de Maria
Desde 1934, orientada espiritualmente por um padre jesuíta, passou a escrever tudo quanto lhe dizia Jesus, durante seus êxtases contemplativos. Em 1936, segundo ela, por ordem de Jesus, pediu ao Papa a consagração do mundo ao Coração Imaculado de Maria. O pedido foi renovado várias vezes até 1941, quando, então, Alexandrina parou de escrever ao Papa e também em seu diário. A partir de 27 de março de 1942, deixou de alimentar-se, vivendo exclusivamente da eucaristia. No ano seguinte, passou a ser estudada por uma junta médica.
O diário
Em 1944, seu novo diretor espiritual, um padre salesiano, após constatar a profundidade espiritual a que tinha chegado, animou Alexandrina a voltar a ditar o seu diário; o que ela fez até a morte. No mesmo ano ela se inscreveu na União dos Cooperadores Salesianos, querendo colaborar com o seu sofrimento e as suas orações para a salvação das almas, sobretudo os jovens. Atraídas pela fama de santidade, muitas pessoas vindas de longe buscavam os conselhos da “rosa branca de Jesus”, como era também chamada pelos fiéis, que já veneravam em vida a “santinha de Balazar”.
Vivia em seu corpo as dores da Paixão 
A Paixão 
De sexta-feira, 3 de Outubro de 1938 a 24 de Março de 1942, ou seja por 182 vezes, viveu, em todas as sextas-feiras, os sofrimentos da Paixão: Alexandrina, superando o estado habitual de paralisia, descia da cama e com movimentos e gestos, acompanhados de angustiantes dores, repetia, por três horas e meia, os diversos momentos da Via Crucis.
Páscoa
Em 1950, Alexandrina comemora os 25 anos de sua imobilidade. Em 7 de janeiro de 1955, foi anunciado que este seria o ano de sua morte. No dia 12 de outubro, quis receber a unção dos enfermos. No dia 13 de outubro, aniversário da última aparição de Nossa Senhora em Fátima, ela foi ouvida exclamando: “Estou feliz, porque vou para o céu”. Às 19h30 ele faleceu.
Via de Santificação
Foi beatificada por João Paulo II, no Terceiro Domingo da Páscoa, 25 de abril de 2004. Durante a celebração eucarística, ocorreu a beatificação de seis pessoas, o presbítero Augustus Czartoryski; e quatro monjas: Laura Montoya, Maria Guadalupe García Zavala, Nemesia Valle, Eusebia Palomino Yenes; e a leiga, Alexandrina Maria da Costa, que hoje celebramos. 
Minha oração
“Grande devota de Eucaristia, soubeste se alimentar e viver apenas de Jesus, ajudai-nos a não perder a fé neste sacramento e amá-lo com todas as nossas forças assim como tu fizeste. Que a Eucaristia seja o sentido da nossa vida. Amém. ”
Beata Alexandrina Maria da Costa, rogai por nós!

São Carlo Acutis

A Igreja no Brasil celebra no dia 12 de outubro a solenidade de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do país. Neste mesmo dia, é a memória facultativa de são Carlo Acutis, canonizado em 7 de setembro do ano passado. Diante dessa coincidência de datas, a Comissão Episcopal para a Liturgia da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) disse à ACI Digital que o santo millenial pode ser celebrado “no âmbito da igreja particular” em outra data, como o dia 13 de outubro.
Em abril deste ano, a 62ª Assembleia Geral da CNBB decidiu pedir à Santa Sé que a memória litúrgica de são Carlo Acutis no Brasil seja celebrada no dia 13 de outubro. A mudança, porém, precisa da aprovação do Dicastério para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos da Santa Sé.
Sobre a mudança de datas, a Comissão Episcopal para a Liturgia da CNBB disse que, “neste momento, essa celebração deve ser compreendida no âmbito da Igreja particular, especialmente nas igrejas paroquiais que já o têm como padroeiro ou onde sua devoção esteja legitimamente estabelecida”.

Publicado em

SEGUNDA-FEIRA, DIA 12 DE OUTUBRO DE 2026

Bem-aventurada Virgem Maria da Conceição Aparecida, PADROEIRA DO BRASIL,Solenidade
Cor Litúrgica branca

Primeira leitura
— Est 5, 1b-2; 7, 2b-3

Leitura do Livro de Ester

Ester revestiu-se com vestes de rainha e foi colocar-se no vestíbulo interno do palácio real, frente à residência do rei. O rei estava sentado no trono real, na sala do trono, frente à entrada. 2Ao ver a rainha Ester parada no vestíbulo, olhou para ela com agrado e estendeu-lhe o cetro de ouro que tinha na mão, e Ester aproximou-se para tocar a ponta do cetro.
7, 2bEntão, o rei lhe disse: “O que me pedes, Ester; o que queres que eu faça? Ainda que me pedisses a metade do meu reino, ela te seria concedida”. 3Ester respondeu-lhe: “Se ganhei as tuas boas graças, ó rei, e se for de teu agrado, concede-me a vida — eis o meu pedido! — e a vida do meu povo — eis o meu desejo!”
— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus.

Salmo Responsorial — Sl 44(45), 11-12a. 12b-13. 14-15a. 15b-16 (R. 11a. 12a)

℟. Escutai, minha filha, olhai, ouvi isto: que o Rei se encante com vossa beleza!

— Escutai, minha filha, olhai, ouvi isto: “Esquecei vosso povo e a casa paterna! Que o Rei se encante com vossa beleza! Prestai-lhe homenagem: é vosso Senhor! ℟.

℟. Escutai, minha filha, olhai, ouvi isto: que o Rei se encante com vossa beleza!

— O povo de Tiro vos traz seus presentes, os grandes do povo vos pedem favores. Majestosa, a princesa real vem chegando, vestida de ricos brocados de ouro. ℟.

℟. Escutai, minha filha, olhai, ouvi isto: que o Rei se encante com vossa beleza!

— Em vestes vistosas ao Rei se dirige, e as virgens amigas lhe formam cortejo; entre cantos de festa e com grande alegria, ingressam, então, no palácio real”. ℟.

℟. Escutai, minha filha, olhai, ouvi isto: que o Rei se encante com vossa beleza!

Segunda leitura
— Ap 12, 1. 5. 13a. 15-16a

Leitura do Livro do Apocalipse de São João

Apareceu no céu um grande sinal: uma mulher vestida do sol, tendo a lua debaixo dos pés e sobre a cabeça uma coroa de doze estrelas. 5E ela deu à luz um filho homem, que veio para governar todas as nações com cetro de ferro. Mas o filho foi levado para junto de Deus e do seu trono. 13aQuando viu que tinha sido expulso para a terra, o dragão começou a perseguir a mulher que tinha dado à luz o menino.
15A serpente, então, vomitou como um rio de água atrás da mulher, a fim de a submergir. 16aA terra, porém, veio em socorro da mulher.
— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus.

℟. Aleluia, Aleluia, Aleluia.
℣. Disse a Mãe de Jesus aos serventes: “fazei tudo o que Ele disser!” (Jo 2, 5b) ℟.
℟. Aleluia, Aleluia, Aleluia.
Evangelho — Jo 2, 1-11

℣. O Senhor esteja convosco.
℟. Ele está no meio de nós.

℣. Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo ✠ segundo João 
℟. Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 1houve um casamento em Caná da Galileia. A mãe de Jesus estava presente. 2Também Jesus e seus discípulos tinham sido convidados para o casamento. 3Como o vinho veio a faltar, a mãe de Jesus lhe disse: “Eles não têm mais vinho”.
4Jesus respondeu-lhe: “Mulher, por que dizes isto a mim? Minha hora ainda não chegou”. 5Sua mãe disse aos que estavam servindo: “Fazei o que ele vos disser”. 6Estavam seis talhas de pedra colocadas aí para a purificação que os judeus costumam fazer. Em cada uma delas cabiam mais ou menos cem litros.
7Jesus disse aos que estavam servindo: “Enchei as talhas de água”. Encheram-nas até a boca. 8Jesus disse: “Agora tirai e levai ao mestre-sala”. E eles levaram. 9O mestre-sala experimentou a água, que se tinha transformado em vinho. Ele não sabia de onde vinha, mas os que estavam servindo sabiam, pois eram eles que tinham tirado a água.
10O mestre-sala chamou então o noivo e lhe disse: “Todo mundo serve primeiro o vinho melhor e, quando os convidados já estão embriagados, serve o vinho menos bom. Mas tu guardaste o vinho melhor até agora!” 11Este foi o início dos sinais de Jesus. Ele o realizou em Caná da Galileia e manifestou a sua glória, e seus discípulos creram nele.
— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

Homilia do dia 12/10/2026

Corredentora e Medianeira de todas as graças

Nesta Solenidade de Nossa Senhora Aparecida, somos chamados a olhar para as maravilhas que Deus realizou em nossa Mãe Santíssima, tornando-a cooperadora da Redenção de Cristo e fazendo-a, pela união com o Filho, instrumento de mediação de todas as graças.

Meditação. — Nas bodas de Caná, Maria percebe a necessidade dos noivos antes mesmo que alguém lhe peça ajuda e dirige-se ao Filho: “Eles não têm mais vinho.” Depois, volta-se para os serventes e pronuncia aquelas palavras que resumem toda a sua missão materna: “Fazei tudo o que Ele vos disser.” Nossa Senhora aparece, assim, como aquela que intercede, conduz a Cristo e prepara os corações para receber a graça.

A intercessão de Maria, porém, não deve ser compreendida simplesmente como a de mais uma santa entre os santos. Desde os primeiros séculos, a Igreja contempla um vínculo singular entre a Virgem e a obra da nossa salvação. Cristo é o único Redentor, mas Deus quis associar sua Mãe de maneira única e inteiramente subordinada à obra realizada por Ele.

É nesse sentido que a tradição cristã contempla Maria como a Nova Eva . A antiga Eva, ainda virgem, foi abordada pelo anjo caído e, pela desobediência, cooperou para a entrada do pecado no mundo. Maria, Virgem Imaculada, recebe o anúncio do anjo Gabriel e responde com fé e obediência. Pela primeira mulher veio a desobediência; pela nova Eva, Deus quis que viesse ao mundo o Salvador.

Essa comparação é muito antiga. Padres da Igreja como São Justino, Santo Irineu e outros autores dos primeiros séculos já contemplavam Maria à luz desse paralelo: aquilo que fora ligado pela incredulidade de Eva começa a ser desatado pela fé da Virgem. Maria não ocupa o lugar de Cristo; ao contrário, toda a sua grandeza vem precisamente de sua união com Ele.

Por isso, na tradição teológica, Nossa Senhora é chamada Corredentora . O termo não significa que existam dois redentores, como se Jesus e Maria estivessem no mesmo nível. Somente Cristo nos salva. Maria, porém, cooperou de maneira singular com essa única Redenção: deu ao Filho de Deus a humanidade que seria oferecida na Cruz e, aos pés dela, permaneceu unida ao sacrifício de Jesus com uma fé e uma entrega incomparáveis.

Há aqui um belíssimo contraste. Eva, diante da árvore, estendeu a mão para tomar o fruto. Maria, diante da árvore da Cruz, não toma para si o fruto bendito de seu ventre, mas o entrega. Seu coração materno participa dolorosamente da oblação do Filho, acolhendo a vontade de Deus mesmo quando uma espada lhe atravessa a alma.

A Redenção realizada por Cristo também precisa alcançar concretamente cada um de nós. A porta do Céu foi aberta pelo sacrifício do Senhor, mas cada alma precisa receber a graça, corresponder a ela e deixar-se transformar. É nesse sentido que a tradição mariana fala também de Nossa Senhora como Medianeira de todas as graças , sempre em dependência da única mediação de Jesus Cristo.

Essa presença materna aparece desde o início do Evangelho. Na Visitação, Maria leva Jesus em seu ventre até a casa de Isabel, e São João Batista exulta ainda no seio de sua mãe. Em Caná, é por sua intercessão que a necessidade dos esposos é apresentada ao Senhor e acontece o primeiro dos sinais de Cristo.

Depois, no Calvário, Jesus entrega Maria ao discípulo amado: “Eis aí tua mãe.” A maternidade que começara em Nazaré abre-se agora para todos os discípulos de Cristo. E, após a Ressurreição e a Ascensão, encontramos novamente Nossa Senhora no Cenáculo, perseverando em oração com os Apóstolos quando a Igreja espera a vinda do Espírito Santo.

Esses acontecimentos revelam uma admirável continuidade: Maria está presente quando Cristo entra no mundo; está presente quando manifesta sua glória em Caná; permanece junto à Cruz e está em oração quando o Espírito Santo desce sobre a Igreja. Sua missão é sempre materna: receber de Deus para conduzir-nos a Deus.

A devoção da Medalha Milagrosa oferece uma bela imagem dessa verdade. Na aparição a Santa Catarina Labouré, Nossa Senhora é contemplada com as mãos estendidas, das quais partem raios simbolizando as graças de Deus derramadas sobre o mundo. A imagem exprime de forma simples uma realidade profundamente cristã: as graças passam pelas mãos daquela por cujas mãos o próprio Cristo quis passar para vir até nós.

Essa mediação materna não significa que Maria substitua nossa oração ou a intercessão dos santos. Quando rezamos, é Deus quem concede a graça; quando os santos intercedem, é Cristo quem permanece a fonte de todo dom. Maria está inteiramente dentro dessa ordem querida por Deus, intercedendo como Mãe e conduzindo todas as coisas ao seu Filho.

Embora a fórmula “Medianeira de todas as graças” não tenha sido definida pela Igreja como dogma, ela está profundamente ligada à tradição de oração e piedade do povo cristão. Lex orandi, lex credendi: a lei da oração manifesta a fé da Igreja. Há séculos os cristãos recorrem espontaneamente à Virgem, constroem-lhe santuários, invocam sua proteção e confiam-lhe suas necessidades, certos de que a Mãe leva os filhos ao Coração de Cristo.

É também à luz desse mistério que contemplamos Nossa Senhora da Conceição Aparecida. Deus quis conceder ao Brasil uma particular expressão do carinho materno de Maria. Ao chamá-la Padroeira e Rainha, colocamos esta Terra de Santa Cruz sob sua intercessão e pedimos que ela conduza nossa pátria, nossas famílias e cada um de nós ao seu Filho.

Quando Deus concede privilégios à Virgem, portanto, não a afasta de nós; ao contrário, torna-a ainda mais nossa. Tudo o que recebeu foi recebido em vista de Cristo e de sua missão materna. Quanto mais contemplamos as maravilhas realizadas por Deus em Maria, mais somos chamados a glorificar aquele que fez nela grandes coisas.

Recorramos, pois, com confiança à nossa Mãe. Talvez nem saibamos quantas vezes sua oração materna já nos acompanhou, quantas graças nos alcançaram quando sequer percebíamos sua presença e quantas vezes ela nos conduziu silenciosamente de volta a Jesus.

Que Nossa Senhora nos ensine a repetir o seu “sim”, a permanecer junto à Cruz quando a fé for provada e a guardar no coração sua grande orientação de Caná: “Fazei tudo o que Ele vos disser.” Sob sua proteção, deixemo-nos formar à imagem de Cristo, para que a graça recebida nesta vida amadureça em nós até a comunhão perfeita com Deus no Céu.
Deus abençoe você!

SANTO DO DIA
Nossa Senhora Aparecida (Solenidade)

“Salva das águas” . A solenidade do dia 12 de outubro celebra Nossa Senhora da Conceição Aparecida. Em 1930 ela foi solenemente proclamada Padroeira do Brasil por Pio XI.

Para compreendermos e celebrarmos devidamente esta solenidade parece importante situá-la no contexto da mensagem dos santuários. A devoção deu origem a um santuário, situado na cidade de Aparecida, no Vale do Paraíba, Estado de São Paulo. Cada santuário tem sua mensagem própria, seja por fatos históricos, seja pela topografia. Deus comunica-se com a humanidade também através de lugares especiais de graças, transformando-se, desta forma, em santuários.

O mesmo aconteceu com Aparecida. Lá, numa curva do rio Paraíba, em 1717, é encontrada nas águas por três pescadores uma imagem; primeiro, o corpo e, depois, a cabeça. Ela é recomposta e começa a ser venerada. Aos poucos, aparecem os milagres e as graças alcançadas. Constrói-se uma capelinha, depois uma igreja maior e, finalmente, a grande basílica nacional, dedicada pelo papa João Paulo II em 1980, em sua visita ao Brasil.

Nossa Senhora da Conceição faz parte da devoção do povo brasileiro a Nossa Senhora. Nela, os cristãos contemplam a própria vocação à santidade. A partir do seu santuário, Nossa Senhora da Conceição revela uma mensagem muito rica: Ela é salva das águas; é restaurada; é morena; foi entronizada numa colina como Rainha e Padroeira do Brasil. Dentro da linguagem simbólica, podemos perceber o conteúdo da mensagem. Maria é sinal escatológico de toda a Igreja, de toda a humanidade. Toda a Igreja nasce das águas do batismo por ação do Espírito Santo. Nestas águas ela é purificada e santificada, iniciando sua caminhada para a perfeição da caridade. Maria foi imaculada por privilégio, os cristãos são chamados a serem santos e imaculados pela graça. Assim, através da fé e das águas do batismo, o ser humano é restaurado, readquire sua identidade.

Maria, a Imaculada, manifesta-se em cor morena. Também isso pode ter seu significado. Ela é a mãe de todos, a mãe do povo brasileiro, formado de muitas raças. Todas se confraternizam num mesmo povo. Imitando a Imaculada Conceição e sob a sua proteção, todo o povo brasileiro é enaltecido, tornando-se um povo sacerdotal, real e profético. Ele alcança o alto de sua realização.

As leituras realçam a mensagem da mediação de Maria na figura de Ester (cf. 1ª leitura, Est 5, 1b-2; 7 ,2b-31) e na solicitude de Maria nas bodas de Caná (cf. Evangelho, Jo 2, 1-11). Na 2ª leitura, Maria é apresentada como grandioso sinal que apareceu no céu, ameaçada, mas não tragada pelas águas de um rio. A mulher foi socorrida pela terra (cf. Ap 12, 1-5. 13a. 15-16a).

Salvos das águas pela fé e pelo batismo, os cristãos podem atingir algo daquilo que contemplam em Maria, a Imaculada, se seguirem o seu conselho: Fazei tudo o que ele vos disser.

A Oração coleta traduz bem o mistério celebrado: Ó Deus todo-poderoso, ao rendermos culto à Imaculada Conceição de Maria, Mãe de Deus e Senhora nossa, concedei que o povo brasileiro, fiel à sua vocação e vivendo na paz e na justiça, possa chegar um dia à pátria definitiva.

Referência:
BECKHÄUSER, Frei Alberto. Os Santos na Liturgia: testemunhas de Cristo. Petrópolis: Vozes, 2013. 391 p. Adaptações: Equipe Pocket Terço.

Nossa Senhora Aparecida, rogai por nós!

Publicado em

DOMINGO, DIA 11 DE OUTUBRO DE 2026

— Is 25, 6-10a

Leitura do Livro do Profeta Isaías

OSenhor dos exércitos dará neste monte, para todos os povos, um banquete de ricas iguarias, regado com vinho puro, servido de pratos deliciosos e dos mais finos vinhos. 7Ele removerá, neste monte, a ponta da cadeia que ligava todos os povos, a teia em que tinha envolvido todas as nações. 😯 Senhor Deus eliminará para sempre a morte e enxugará as lágrimas de todas as faces e acabará com a desonra do seu povo em toda a terra; o Senhor o disse. 9Naquele dia, se dirá: “Este é o nosso Deus, esperamos nele, até que nos salvou; este é o Senhor, nele temos confiado: vamos alegrar-nos e exultar por nos ter salvo”. 10aE a mão do Senhor repousará sobre este monte.
— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus.

Salmo responsorial — Sl 22(23), 1-3a. 3b-4. 5-6 (R. 6cd)

℟. Na casa do Senhor habitarei, eternamente.

— O Senhor é o pastor que me conduz; não me falta coisa alguma. Pelos prados e campinas verdejantes ele me leva a descansar. Para as águas repousantes me encaminha, e restaura as minhas forças. ℟.

℟. Na casa do Senhor habitarei, eternamente.

— Ele me guia no caminho mais seguro, pela honra do seu nome. Mesmo que eu passe pelo vale tenebroso, nenhum mal eu temerei; estais comigo com bastão e com cajado; eles me dão a segurança! ℟.

℟. Na casa do Senhor habitarei, eternamente.

— Preparais à minha frente uma mesa, bem à vista do inimigo, e com óleo vós ungis minha cabeça; o meu cálice transborda. ℟.

℟. Na casa do Senhor habitarei, eternamente.

— Felicidade e todo bem hão de seguir-me por toda a minha vida; e na casa do Senhor habitarei pelos tempos infinitos. ℟.

℟. Na casa do Senhor habitarei, eternamente.

Segunda leitura
— Fl 4, 12-14. 19-20

Leitura da Carta de São Paulo aos Filipenses

Irmãos: 12Sei viver na miséria e sei viver na abundância. Eu aprendi o segredo de viver em toda e qualquer situação, estando farto ou passando fome, tendo de sobra ou sofrendo necessidade. 13Tudo posso naquele que me dá força. 14No entanto, fizestes bem em compartilhar as minhas dificuldades. 19O meu Deus proverá esplendidamente com sua riqueza a todas as vossas necessidades, em Cristo Jesus. 20Ao nosso Deus e Pai a glória pelos séculos dos séculos. Amém.
— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus.

℟. Aleluia, Aleluia, Aleluia.
℣. Que o Pai do Senhor Jesus Cristo nos dê do saber o espírito; conheçamos, assim, a esperança à qual nos chamou, como herança! (Cf. Ef 1, 17-18) ℟.
℟. Aleluia, Aleluia, Aleluia.

Evangelho — Mt 22, 1-14 ou mais breve 22, 1-10

℣. O Senhor esteja convosco.
℟. Ele está no meio de nós.

℣. Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo ✠ segundo Mateus 
℟. Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, [ 1Jesus voltou a falar em parábolas aos sumos sacerdotes e aos anciãos do povo, dizendo: 2“O Reino dos Céus é como a história do rei que preparou a festa de casamento do seu filho. 3E mandou os seus empregados para chamar os convidados para a festa, mas estes não quiseram ir. 4O rei mandou outros empregados, dizendo: ‘Dizei aos convidados: já preparei o banquete, os bois e os animais cevados já foram abatidos e tudo está pronto. Vinde para a festa!’
5Mas os convidados não deram a menor atenção: um foi para o seu campo, outro para os seus negócios, 6outros agarraram os empregados, bateram neles e os mataram. 7O rei ficou indignado e mandou suas tropas para matar aqueles assassinos e incendiar a cidade deles. 8Em seguida, o rei disse aos empregados: ‘A festa de casamento está pronta, mas os convidados não foram dignos dela. 9Portanto, ide até as encruzilhadas dos caminhos e convidai para a festa todos os que encontrardes’.
10Então os empregados saíram pelos caminhos e reuniram todos os que encontraram, maus e bons. E a sala da festa ficou cheia de convidados.] 11Quando o rei entrou para ver os convidados, observou aí um homem que não estava usando traje de festa 12e perguntou-lhe: ‘Amigo, como entraste aqui sem o traje de festa?’ Mas o homem nada respondeu.
13Então o rei disse aos que serviam: ‘Amarrai os pés e as mãos desse homem e jogai-o fora, na escuridão! Aí haverá choro e ranger de dentes’. 14Porque muitos são chamados, e poucos são escolhidos”.
— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

SANTO DO DIA
São João XXIII (Memória Facultativa)

Local: Roma, Itália
Data: 11 de Outubro † 1963

Angelo Giuseppe Roncalli nasceu a 25 de Novembro de 1881, em Sotto il Monte, Província de Bérgamo, Itália. Passou a infância na cidade natal, crescendo numa família rural de origens humildes. Em 1892 entrou no seminário de Bérgamo, onde em 1895 começou a escrever as «notas espirituais» que depois fariam parte do Giornale dell anima. Em 1900 foi enviado a Roma, onde se formou em teologia e, em 1904, recebeu a ordenação sacerdotal. No ano seguinte foi chamado pelo bispo Radini Tedeschi a voltar para Bérgamo, tornando-se o seu secretário, permanecendo ao seu lado até 1914, assimilando a sua vivacidade pastoral e o seu espírito reformador.

Depois da experiência da guerra, tornou-se diretor espiritual no seminário maior. Em 1921 transferiu-se para Roma a fim de desempenhar o cargo de presidente do conselho central da Obra da propagação da fé.

A 3 de Março de 1925, Pio XI nomeou-o visitador apostólico na Bulgária. Recebeu a ordenação episcopal a 19 de Março sucessivo, escolhendo como lema Oboedientia et pax. No dia 17 de Novembro de 1934 tornou-se delegado apostólico na Turquia e Grécia, e no dia 23 administrador apostólico do vicariato de Constantinopla. Depois, a 23 de Dezembro de 1944, foi transferido para a França, onde foi núncio apostólico durante oito anos. Na conclusão do seu mandato, a 12 de Janeiro de 1953, Pio XII criou-o cardeal e três dias depois nomeou-o patriarca de Veneza.

Em 1958, após a morte do Papa Pacelli, participou no conclave que teve início a 25 de Outubro. Já com 77 anos, depois de onze escrutínios, foi eleito Papa na tarde do dia 28, com uma escolha que foi interpretada no sinal da «transição» no final do longo e difícil pontificado do Papa Pacelli. Três meses depois, no dia 25 de Janeiro de 1959, na basílica de São Paulo fora dos Muros, surpreendeu todos anunciando a intenção de convocar «um concílio ecumênico para a Igreja universal», manifestando também a vontade de proclamar um Sínodo diocesano para Roma e de atualizar o Codex iuris canonici. Foi uma decisão inesperada e clamorosa, que suscitou uma repercussão vastíssima na opinião pública e orientou de modo preeminente todo o seu pontificado. De fato, a partir desse dia dedicou-se com determinação à realização da assembleia, que depois de três anos de preparação, teve início a 11 de Outubro de 1962 na presença de mais de dois mil bispos e numerosos observadores de Igrejas não católicas reunidos em São Pedro. O mesmo Pontífice concluiu a primeira fase dos trabalhos conciliares a 8 de Dezembro sucessivo, indicando a perspectiva do «longo caminho» que ainda se devia percorrer e que teria sido concluído pelo seu sucessor, Paulo VI.

Se o concílio absorveu grande parte das suas energias, não podemos esquecer as outras linhas fundamentais de um pontificado que se mostrou profundamente radicado na dimensão pastoral e episcopal do serviço papal. Em cinco anos multiplicaram-se as visitas e os encontros com os fiéis de Roma, consolidou-se a internacionalização do colégio cardinalício e valorizou-se cada vez mais o papel dos episcopados locais. A propensão ao diálogo encontrou terreno fértil sobretudo nos âmbitos do ecumenismo e das relações com as outras religiões. Ao mesmo tempo, teve início a política de abertura destinada a melhorar as relações entre a Santa Sé e os países do bloco comunista, e aumentou a competência do Pontífice no cenário internacional, como demonstrou, entre outras, a ação pacificadora durante a crise dos mísseis em Cuba, em 1962. O Papa Roncalli dedicou também à paz a sua oitava e última encíclica Pacem in terris, publicada em Abril de 1963. Precisamente naqueles meses as suas condições de saúde agravaram-se repentinamente devido ao aumento do tumor que lhe tinha sido diagnosticado no Outono precedente. Faleceu na noite de 3 de Junho de 1963. No dia 18 de Novembro de 1965, durante a última fase do concílio, o Papa Montini anunciou o início da causa de beatificação, juntamente com a do predecessor Pio XII. Foi proclamado beato por São João Paulo II a 3 de Setembro de 2000 e santo pelo Papa Francisco no dia 27 de abril de 2014

Publicado no L Osservatore Romano edição em português, n.18 de 03 de maio de 2014. Disponível em https://www.vatican.va/. Adaptado pela Equipe Pocket Terço.

São João XXIII, rogai por nós!

Publicado em

SÁBADO, DIA 10 DE OUTUBRO DE 2026

XXVII SEMANA DO TEMPO COMUM
Cor Litúrgica verde

Primeira leitura
— Gl 3, 22-29

Leitura da Carta de São Paulo aos Gálatas

Irmãos, 22a Escritura pôs todos e tudo sob o jugo do pecado, a fim de que, pela fé em Jesus Cristo, se cumprisse a promessa em favor dos que creem. 23Antes que se inaugurasse o regime da fé, nós éramos guardados, como prisioneiros, sob o jugo da Lei. Éramos guardados para o regime da fé, que estava para ser revelado. 24Assim, a Lei foi como um pedagogo que nos conduziu até Cristo, para que fôssemos justificados pela fé. 25Mas, uma vez inaugurado o regime da fé, já não estamos na dependência desse pedagogo.
26Com efeito, vós todos sois filhos de Deus pela fé em Jesus Cristo. 27Vós todos que fostes batizados em Cristo vos revestistes de Cristo. 28O que vale não é mais ser judeu nem grego, nem escravo nem livre, nem homem nem mulher, pois todos vós sois um só, em Jesus Cristo. 29Sendo de Cristo, sois então descendência de Abraão, herdeiros segundo a promessa.
— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus.
Salmo Responsorial — Sl 104(105), 2-3. 4-5. 6-7 (R. 8a)

℟. O Senhor se lembra sempre da Aliança!
Ou: Aleluia, Aleluia, Aleluia.

— 2Cantai, entoai salmos para ele, publicai todas as suas maravilhas! 3Gloriai-vos em seu nome que é santo, exulte o coração que busca a Deus! ℟.

℟. O Senhor se lembra sempre da Aliança!

— 4Procurai o Senhor Deus e seu poder, buscai constantemente a sua face! 5Lembrai as maravilhas que ele fez, seus prodígios e as palavras de seus lábios! ℟.

℟. O Senhor se lembra sempre da Aliança!

— 6Descendentes de Abraão, seu servidor, e filhos de Jacó, seu escolhido, 7ele mesmo, o Senhor, é nosso Deus, vigoram suas leis em toda a terra. ℟.

℟. O Senhor se lembra sempre da Aliança!

℟. Aleluia, Aleluia, Aleluia.
℣. Feliz quem ouve e observa a palavra de Deus! (Lc 11, 28) ℟.
℟. Aleluia, Aleluia, Aleluia.
Evangelho — Lc 11, 27-28

℣. O Senhor esteja convosco.
℟. Ele está no meio de nós.

℣. Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo ✠ segundo Lucas
℟. Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 27enquanto Jesus falava, uma mulher levantou a voz no meio da multidão e lhe disse: “Feliz o ventre que te trouxe e os seios que te amamentaram”.
28Jesus respondeu: “Muito mais felizes são aqueles que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática”.
— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

SANTO DO DIA
São Daniel Comboni (Memória Facultativa)

Local: Khartoum, Sudão
Data: 10 de Outubro † 1881

Daniel Comboni: um filho de camponeses-jardineiros pobres que se tornou o primeiro Bispo católico da África Central e um dos maiores missionários na história da Igreja.

É mesmo verdade: quando o Senhor decide intervir e encontra uma pessoa generosa e disponível, acontecem coisas novas e grandiosas.

Daniel Comboni nasceu em Limone sul Garda (Brescia – Itália) a 15 de Março de 1831, duma família de camponeses ao serviço de um rico senhor local. O pai e a mãe, Luis e Domenica, eram afeiçoadíssimos a Daniel, o quarto de oito filhos falecidos quase todos em tenra idade. Eles formavam uma família unida, rica de fé e de valores humanos, mas pobre de meios econômicos. E é exatamente a pobreza da família Comboni que obriga Daniel a deixar a aldeia natal para ir frequentar a escola em Verona, no Instituto fundado pelo sacerdote Don Nicola Mazza.

Nestes anos passados em Verona, Daniel descobre a sua vocação ao sacerdócio, completa os estudos de filosofia e teologia e, sobretudo, abre-se à missão da África Central, fascinado pelo testemunho dos primeiros missionários mazzianos que regressavam do continente africano. Em 1854 Daniel Comboni é ordenado sacerdote e três anos depois parte para a África juntamente com outros cinco missionários do Istituto Mazza, com a benção da mãe Domenica que lhe diz: «Vai, Daniel, e que o Senhor te abençoe».

Após quatro meses de viagem, a expedição missionária de que Comboni faz parte chega a Cartum, capital do Sudão. O impacto com a realidade africana é enorme. Daniel dá-se imediatamente conta das dificuldades que comporta a sua nova missão. O cansaço, o clima insuportável, as doenças, a morte de numerosos e jovens companheiros, a pobreza e abandono do povo impelem-no cada vez mais a seguir em frente e a não abandonar a missão iniciada com tanto entusiasmo. Da missão de Santa Cruz escreve aos seus pais: «Teremos que sofrer, suar, morrer, mas o pensar que se sofre e morre por amor de Jesus Cristo e da salvação das almas mais abandonadas do mundo é demasiado consolador para nos fazer desistir da grande empresa».

Ao assistir à morte na África de um jovem companheiro missionário, Comboni em vez de desanimar sente-se interiormente confirmado na decisão de continuar a sua missão: «Ou Nigrizia ou morte, ou a África ou a morte».

E é sempre a África e a sua gente que levam Comboni, uma vez regressado a Itália, a conceber uma nova estratégia missionária. Em 1864, recolhido em oração junto ao túmulo de São Pedro em Roma, Daniel tem uma iluminação fulgurante que o leva a elaborar o seu famoso Plano para a regeneração da África, um projeto missionário (que se pode sintetizar numa intuição), «Salvar a África com a África», e que é fruto da sua ilimitada confiança nas capacidades humanas e religiosas dos povos africanos.

No meio de dificuldades e incompreensões não indiferentes, Daniel Comboni tem a intuição de que a sociedade europeia e a Igreja católica são chamadas a tomar em maior consideração a missão da África Central. Com este objetivo dedica-se a uma incansável animação missionária em todos os recantos da Europa, pedindo ajudas espirituais e materiais para as missões africanas, quer aos Reis, Bispos e grandes Senhores, quer ao povo pobre e simples. Como instrumento de animação missionária cria uma revista missionária, a primeira na Itália.

A sua fé inquebrantável no Senhor e na África leva-o a fundar em 1867 e 1872, respectivamente, os seus Institutos missionários, masculino e feminino, posteriormente conhecidos como Missionários Combonianos e Irmãs Missionárias Combonianas.

Como teólogo do Bispo de Verona, participa no Concílio Vaticano I, levando 70 Bispos a subscreverem uma petição em favor da evangelização da África Central (Postulatum pro Nigris Africæ Centralis).

A 2 de Julho de 1877 Comboni é nomeado Vigário Apostólico da África Central e consagrado Bispo um mês mais tarde: é a confirmação de que as suas ideias e as suas ações, por muitos consideradas demasiado arrojadas ou até paranoicas, são extremamente eficazes para o anúncio do Evangelho e para a libertação do continente africano.

Nos anos de 1877-1878 sofre no corpo e no espírito, juntamente com os seus missionários e missionárias, a tragédia duma estiagem e carestia sem precedentes que dizimam a população local e abalam o pessoal e a atividade missionária.

Em 1880, com o entusiasmo de sempre, o Bispo Comboni regressa à África pela oitava e última vez, decidido a continuar, lado a lado com os seus missionários e missionárias, a luta contra a praga da escravatura e a consolidar a atividade missionária através dos próprios africanos. Um ano depois, provado pelo cansaço, pelas frequentes e recentes mortes dos seus colaboradores e pela amargura de acusações e calúnias, o grande missionário adoece. A 10 de Outubro de 1881, com apenas 50 anos de idade, marcado pela cruz que, qual esposa fiel e amada, nunca o abandonou, morre em Cartum no meio da sua gente, consciente de que a obra missionária não morreria. «Eu morro, mas a minha obra não morrerá».

Daniel Comboni tinha visto bem. A sua obra não morreu; pelo contrário, como todas as grandes obras que «nascem e crescem aos pés da cruz», continua a viver graças à doação da vida feita por tantos homens e mulheres que escolheram seguir Comboni no caminho da árdua e entusiasmante missão entre os povos mais necessitados na fé e mais abandonados pela solidariedade humana. Em 17 de Março de 1996 é beatificado em São Pedro por Sua Santidade o Papa São João Paulo II. Em 5 de Outubro de 2003 é canonizado em São Pedro por Sua Santidade o Papa São João Paulo II.

Fonte: vatican.va (adaptado)

São Daniel Comboni, rogai por nós!

Publicado em

SEXTA-FEIRA, DIA 09 DE OUTUBRO DE 2026

XXVII SEMANA DO TEMPO COMUM
Cor Litúrgica verde

Primeira leitura
— Gl 3, 7-14

Leitura da Carta de São Paulo aos Gálatas

Irmãos, 7ficai cientes que os que creem é que são verdadeiros filhos de Abraão. 8E a Escritura, prevendo que Deus justificaria as nações pagãs pela fé, anunciou, muito antes, a Abraão: “Em ti serão abençoadas todas as nações”. 9Portanto, os crentes são abençoados com o crente Abraão.
10Aliás, todos os que põem sua confiança na prática da Lei estão ameaçados pela maldição, porque está escrito: “Maldito quem não cumprir perseverantemente tudo o que está escrito no livro da Lei”. 11Pela Lei ninguém se justifica perante Deus; isso é evidente porque o justo vive da fé. 12E a Lei não se funda na fé mas no cumprimento: Aquele que cumpre a Lei, por ela viverá.
13Cristo resgatou-nos da maldição da Lei, fazendo-se maldição por nós, pois está escrito: ʽMaldito todo aquele que é suspenso no madeiro!ʼ 14Assim a bênção de Abraão se estendeu aos pagãos em Cristo Jesus e pela fé recebemos a promessa do Espírito.
— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus.

Salmo Responsorial — Sl 110(111), 1-2. 3-4. 5-6 (R. 5b)

℟. O Senhor se lembra sempre da Aliança!
Ou: Aleluia, Aleluia, Aleluia.

— 1Eu agradeço a Deus de todo o coração junto com todos os seus justos reunidos! 2Que grandiosas são as obras do Senhor, elas merecem todo o amor e admiração! ℟.

℟. O Senhor se lembra sempre da Aliança!
Ou: Aleluia, Aleluia, Aleluia.

— 3Que beleza e esplendor são os seus feitos! Sua justiça permanece eternamente! 4O Senhor bom e clemente nos deixou a lembrança de suas grandes maravilhas. ℟.

℟. O Senhor se lembra sempre da Aliança!
Ou: Aleluia, Aleluia, Aleluia.

— 5Ele dá o alimento aos que o temem e jamais esquecerá sua Aliança. 6Ao seu povo manifesta seu poder, dando a ele a herança das nações. ℟.

℟. O Senhor se lembra sempre da Aliança!
Ou: Aleluia, Aleluia, Aleluia.

℟. Aleluia, Aleluia, Aleluia.
℣. Agora o príncipe deste mundo há de ser lançado fora; quando eu for elevado da terra, atrairei para mim todo ser. (Jo 12, 31b-32) ℟.
℟. Aleluia, Aleluia, Aleluia.
Evangelho — Lc 11, 15-26

℣. O Senhor esteja convosco.
℟. Ele está no meio de nós.

℣. Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo ✠ segundo Lucas
℟. Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, Jesus estava expulsando um demônio. 15Mas alguns disseram: “É por Belzebu, o príncipe dos demônios, que ele expulsa os demônios”. 16Outros, para tentar Jesus, pediam-lhe um sinal do céu.
17Mas, conhecendo seus pensamentos, Jesus disse-lhes: “Todo reino dividido contra si mesmo será destruído; e cairá uma casa por cima da outra. 18Ora, se até Satanás está dividido contra si mesmo, como poderá sobreviver o seu reino? Vós dizeis que é por Belzebu que eu expulso os demônios. 19Se é por meio de Belzebu que eu expulso demônios, vossos filhos os expulsam por meio de quem? Por isso, eles mesmos serão vossos juízes. 20Mas, se é pelo dedo de Deus que eu expulso os demônios, então chegou para vós o Reino de Deus.
21Quando um homem forte e bem armado guarda a própria casa, seus bens estão seguros. 22Mas, quando chega um homem mais forte do que ele, vence-o, arranca-lhe a armadura na qual ele confiava, e reparte o que roubou. 23Quem não está comigo, está contra mim. E quem não recolhe comigo, dispersa.
24Quando o espírito mau sai de um homem, fica vagando em lugares desertos, à procura de repouso; não o encontrando, ele diz: ʽVou voltar para minha casa de onde saíʼ. 25Quando ele chega, encontra a casa varrida e arrumada. 26Então ele vai, e traz consigo outros sete espíritos piores do que ele. E, entrando, instalam-se aí. No fim, esse homem fica em condição pior do que antes”.
— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

SANTO DO DIA
São John Henry Newman (Memória Facultativa)

Local: Edgbaston, Inglaterra
Data: 09 de Outubro † 1890

São John Henry Newman nasceu em Londres em 21 de fevereiro de 1801 em uma família anglicana: a mãe era huguenote e pai de uma orientação religiosa muito tolerante. Ele foi o primeiro de seis filhos de John, um banqueiro, e Jemina Fourdrinier. Em 1808 ele ingressou na Great Ealing School, no então extremo subúrbio de Londres, onde recebeu uma educação superior e era conhecido por seus dons de inteligência.

Em 1816, ano em que terminou os estudos em Ealing e simultaneamente testemunhou a falência do banco do pai, amadureceu a adesão aos princípios mais radicais do calvinismo: passou a acreditar que o Papa era o anticristo. Em 1817 ingressou no Trinity College em Oxford, onde obteve o Bacharelado em Artes.

Em 1822 foi eleito Fellow do Oriel College, onde nasceu sua amizade com Edward Bouverie Pusey. Em 13 de junho de 1824 foi ordenado diácono na Igreja Anglicana, tornando-se coadjutor da paróquia de São Clemente em Oxford. Em 29 de maio de 1825 foi ordenado sacerdote anglicano.

John Henry Newman de 1826 a 1832 é Tutor no Oriel College, onde lida com a educação cultural de muitos estudantes universitários; aqui ele está em contato próximo com Edward Bouverie Pusey, John Keble e Richard Hurrel Froude. Em 14 de março de 1828 foi nomeado pároco da igreja universitária de Santa Maria, desempenhando uma rica atividade pastoral e de pregação que o tornou muito famoso. Em 1832, ele acompanhou o presbítero Froude em sua viagem ao sul da Europa: ele visitou Roma, Malta, Corfu e Sicília.

No Colégio Inglês de Roma, o santo encontra pela primeira vez Don Nicholas Wiseman, o futuro Arcebispo Católico de Westminster. Escreveu o poema (publicado posteriormente em 1834) Lyra Apostólica e o poema Lead, Kindly Light, expressando o seu abandono total à Providência, que o mostraria e o faria cumprir a sua missão específica. Em 14 de julho de 1833, em Oxford, ele ouve o sermão de Keble National Apostasy: nasce o Movimento de Oxford que vê em Newman a figura principal. Entre 1833 e 1841, Newman, Froude, Keble, Pusey e William Palmer publicaram Tracts for the Times de 90 ensaios publicados, Newman é autor de até 26, incluindo o mais recente, Tract 90 (Comentários sobre certas passagens em Trinta e Nove Artigos) em que ele tentou interpretar os 39 artigos da Igreja Anglicana de um ponto de vista católico. Os protestos suscitados levam o bispo de Oxford a suspender a publicação dos tratados. Condenado pelo Conselho Hebdomedal da Universidade de Oxford e rejeitado por 42 bispos, o santo renuncia à paróquia universitária. Em 9 de abril de 1842, ele se retirou com alguns amigos para Littlemore para redigir com eles o famoso Ensaio de desenvolvimento da Doutrina Cristã; aqui a sua “conversão” ao catolicismo atinge a maturidade.

Em 1846 o santo foi para Roma com alguns companheiros anglicanos que haviam passado para o catolicismo, sem planos definitivos. No Memorando de 1848, ele escreve para considerar a possibilidade de ingressar nos Redentoristas, mas depois escolhe fazer parte do Oratório de San Filippo Neri; na verdade, ele frequentará a Igreja Nova em Roma e os padres dessa comunidade. Ordenado sacerdote em 2 de fevereiro de 1848, recebeu o caloroso encorajamento do Beato Pio IX (Magna Nobis sempre , de 26 de novembro de 1847).

Decidido a se tornar um oratoriano, o Santo Newman pede ao Papa que possa fundar um Oratório em Birmingham, a fim de adaptar as constituições do Oratório Romano às necessidades do lugar. O novo Oratório teve início em 1847, quando ele, com seis companheiros, iniciou o noviciado numa ala da Abadia de Santa Croce, que lhes foi colocada à disposição. Depois de algumas transferências, o primeiro escritório real está localizado em Edgbaston, nos arredores de Birmingham.

Enquanto isso, em 1848, um grupo de oratorianos, liderado pelo padre Frederick William Faber, mudou-se para Londres, onde nasceu a segunda congregação filipina inglesa. Em 1854, o padre Newman foi nomeado reitor da Universidade Católica de Dublin, permanecendo no cargo por quatro anos. Em 1864 publicou a Apologia pro vita sua e em 1878 o Trinity College de Oxford elegeu-o como primeiro membro honorário.

Papa Leão XIII, por sugestão de Monsenhor William Bernard Ullathorne, Bispo de Birmingham, em 12 de maio de 1879 faz Newman Cardeal com o título de San Giorgio al Velabro; o lema escolhido é: Cor ad cor loquitur (São Francisco de Sales). Desde 1889, tem havido um declínio físico crescente do cardeal de quase noventa anos; no dia de Natal, ele celebrou sua última Santa Missa em público e em 11 de agosto de 1890 morreu em seu quarto em Edgbaston. Em seu túmulo, ele quis que escrevesse: Ex umbris et imaginibus in veritatem., que quer dizer “Das sombras e imagens rumo à verdade”. Foi beatificado no dia 19 de setembro de 2010 pelo Papa Bento XVI e canonizado pelo Papa Francisco no dia 13 de outubro de 2019.

Fonte: causesanti.va (adaptado)

São John Henry Newman, rogai por nós!