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SÁBADO, DIA 18 DE ABRIL DE 2026

II SEMANA DA PÁSCOA
Cor litúrgica branca

Primeira leitura
— At 6, 1-7
Leitura dos Atos dos Apóstolos
1Naqueles dias, o número dos discípulos tinha aumentado, e os fiéis de origem grega começaram a queixar-se dos fiéis de origem hebraica. Os de origem grega diziam que suas viúvas eram deixadas de lado no atendimento diário.
2Então os Doze Apóstolos reuniram a multidão dos discípulos e disseram: “Não está certo que nós deixemos a pregação da Palavra de Deus para servir às mesas. 3Irmãos, é melhor que escolhais entre vós sete homens de boa fama, repletos do Espírito e de sabedoria, e nós os encarregaremos dessa tarefa. 4Desse modo nós poderemos dedicar-nos inteiramente à oração e ao serviço da Palavra”.
5A proposta agradou a toda a multidão. Então escolheram Estêvão, homem cheio de fé e do Espírito Santo; e também Filipe, Prócoro, Nicanor, Timon, Pármenas e Nicolau de Antioquia, um pagão que seguia a religião dos judeus. 6Eles foram apresentados aos apóstolos, que oraram e impuseram as mãos sobre eles. 7Entretanto, a Palavra do Senhor se espalhava. O número dos discípulos crescia muito em Jerusalém, e grande multidão de sacerdotes judeus aceitava a fé.
– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

Salmo Responsorial — Sl 32(33), 1-2. 4-5. 18-19 (R. 22)
R. Sobre nós venha, Senhor, a vossa graça, da mesma forma que em vós nós esperamos!
– Ó justos, alegrai-vos no Senhor! Aos retos fica bem glorificá-lo. Dai graças ao Senhor ao som da harpa, na lira de dez cordas celebrai-o!
– Sobre nós venha, Senhor, a vossa graça, da mesma forma que em vós nós esperamos!
– Pois reta é a palavra do Senhor, e tudo o que ele faz merece fé. Deus ama o direito e a justiça, transborda em toda a terra a sua graça.
– Sobre nós venha, Senhor, a vossa graça, da mesma forma que em vós nós esperamos!
– O Senhor pousa o olhar sobre os que o temem, e que confiam esperando em seu amor, para da morte libertar as suas vidas e alimentá-los quando é tempo de penúria.
– Sobre nós venha, Senhor, a vossa graça, da mesma forma que em vós nós esperamos!

Evangelho — Jo 6, 16-21
Aleluia, Aleluia, Aleluia.
– Ressurgiu Cristo, o Senhor, que criou tudo; ele teve compaixão da humanidade.
– Aleluia, Aleluia, Aleluia.

– O Senhor esteja convosco.
– Ele está no meio de nós.
– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo ✠ segundo João 
– Glória a vós, Senhor.
16Ao cair da tarde, os discípulos desceram ao mar. 17Entraram na barca e foram em direção a Cafarnaum, do outro lado do mar. Já estava escuro, e Jesus ainda não tinha vindo ao encontro deles.
18Soprava um vento forte e o mar estava agitado. 19Os discípulos tinham remado mais ou menos cinco quilômetros, quando enxergaram Jesus, andando sobre as águas e aproximando-se da barca. E ficaram com medo. 20Mas Jesus disse: “Sou eu. Não tenhais medo”. 21Quiseram, então, recolher Jesus na barca, mas imediatamente a barca chegou à margem para onde estavam indo.
– Palavra da Salvação.
– Glória a vós, Senhor.

SANTO DO DIA
São Galdino

Galdino praticava a caridade e instigava todos a fazê-lo igualmente
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Milão honra São Galdino, cujo nome aparece associado aos de S. Ambrósio e São Carlos Borromeu, como um de seus principais padroeiros, no final da ladainha do rito milanês.
Galdino nasceu em 1096 e cresceu em Milão, na Porta Oriental, no início do século XII, e ali também se tornou religioso, passando logo a auxiliar diretamente o arcebispo Oberto de Pirovano. Juntos enfrentaram um inimigo pesado, o antipapa Vitor IV, que, apoiado pelo imperador Frederico, o Barbaroxa, oprimia violentamente para dominar o mundo.
Como Milão fazia oposição, a cidade foi simplesmente arrasada em 1162. O arcebispo e Galdino só não morreram porque procuraram abrigo junto ao papa oficial, Alexandre III.
Mas logo depois Oberto morreu, e o arcebispado precisava de alguém que continuasse sua luta. O papa não teve nenhuma dúvida em nomear o próprio Galdino e consagrou-o bispo, pessoalmente, em 1166.
Galdino não decepcionou sua diocese católica. Praticava a caridade e instigava todos a fazê-lo igualmente. Pregava contra os hereges, convertia multidões e socorria também os pobres que se encontravam presos por causa de dívidas, geralmente vítimas de agiotagem.
A esses serviu tanto que suas visitas de apoio receberam até um apelido: “o pão de são Galdino”. Uma espécie de “cesta básica” material e espiritual, pois dava pão para o corpo e orações, que eram o pão para o espírito. Foi uma fonte de força e fé para lutar contra os opressores.
Mas tudo isso era feito paralelamente ao trabalho político, pois no plano da diplomacia defendia seu povo e sua terra em tudo o que fosse preciso. Morreu no dia 18 de abril de 1176, justamente no instante em que fazia, no púlpito, um sermão inflamado contra os pecadores, os hereges, inimigos da Igreja, e os políticos, inimigos da cidade. Quando terminou o sermão emocionado, diante de um grande número de fiéis e religiosos, caiu morto de repente.
A Igreja também celebra hoje a memória dos santos: Faustino e Maria da Encarnação (B.Av.)
São Galdino, rogai por nós.

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SEXTA-FEIRA, DIA 17 DE ABRIL DE 2026

II SEMANA DO TEMPO PASCAL
Cor Litúrgica branca

Primeira leitura
— At 5, 34-42

Leitura dos Atos dos Apóstolos

Naqueles dias, 34um fariseu, chamado Gamaliel, levantou-se no Sinédrio. Era mestre da Lei e todo o povo o estimava. Gamaliel mandou que os acusados saíssem por um instante.
35Depois disse: “Homens de Israel, vede bem o que estais para fazer contra esses homens. 36Algum tempo atrás apareceu Teudas, que se fazia passar por uma pessoa importante, e a ele se juntaram cerca de quatrocentos homens. Depois ele foi morto e todos os que o seguiam debandaram, e nada restou.
37Depois dele, no tempo do recenseamento, apareceu Judas, o galileu, que arrastou o povo atrás de si. Contudo, também ele morreu e todos os seus seguidores se dispersaram. 38Quanto ao que está acontecendo agora, dou-vos um conselho: não vos preocupeis com esses homens e deixai-os ir embora. Porque, se este projeto ou esta atividade é de origem humana será destruído. 39Mas, se vem de Deus, vós não conseguireis eliminá-los. Cuidado para não vos pordes em luta contra Deus!” E os membros do Sinédrio aceitaram o parecer de Gamaliel.
40Chamaram então os apóstolos, mandaram açoitá-los, proibiram que eles falassem em nome de Jesus, e depois os soltaram. 41Os apóstolos saíram do Conselho muito contentes por terem sido considerados dignos de injúrias, por causa do nome de Jesus. 42E cada dia, no Templo e pelas casas, não cessavam de ensinar e anunciar o evangelho de Jesus Cristo.
— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus.

Salmo Responsorial — Sl 26(27), 1. 4. 13-14 (R. cf. 4ab)

– Ao Senhor eu peço apenas uma coisa: habitar no santuário do Senhor.

— O Senhor é minha luz e salvação; de quem eu terei medo? O Senhor é a proteção da minha vida; perante quem eu tremerei? ℟.

Ao Senhor eu peço apenas uma coisa: habitar no santuário do Senhor.

— Ao Senhor eu peço apenas uma coisa, e é só isto que eu desejo: habitar no santuário do Senhor por toda a minha vida; saborear a suavidade do Senhor e contemplá-lo no seu templo. ℟.

Ao Senhor eu peço apenas uma coisa: habitar no santuário do Senhor.

— Sei que a bondade do Senhor eu hei de ver na terra dos viventes. Espera no Senhor e tem coragem, espera no Senhor! ℟.

Ao Senhor eu peço apenas uma coisa: habitar no santuário do Senhor.
℟. Aleluia, Aleluia, Aleluia.
℣. O homem não vive somente de pão, mas de toda palavra da boca de Deus. (Mt 4, 4b) ℟.
Evangelho — Jo 6, 1-15

℣. O Senhor esteja convosco.
℟. Ele está no meio de nós.

℣. Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo ✠ segundo João 
℟. Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 1Jesus foi para o outro lado do mar da Galileia, também chamado de Tiberíades. 2Uma grande multidão o seguia, porque via os sinais que ele operava a favor dos doentes. 3Jesus subiu ao monte e sentou-se aí, com seus discípulos. 4Estava próxima a Páscoa, a festa dos judeus.
5Levantando os olhos, e vendo que uma grande multidão estava vindo ao seu encontro, Jesus disse a Filipe: “Onde vamos comprar pão para que eles possam comer?” 6Disse isso para pô-lo à prova, pois ele mesmo sabia muito bem o que ia fazer. 7Filipe respondeu: “Nem duzentas moedas de prata bastariam para dar um pedaço de pão a cada um”.
8Um dos discípulos, André, o irmão de Simão Pedro, disse: 9“Está aqui um menino com cinco pães de cevada e dois peixes. Mas o que é isso para tanta gente?” 10Jesus disse: “Fazei sentar as pessoas”. Havia muita relva naquele lugar, e lá se sentaram, aproximadamente, cinco mil homens.
11Jesus tomou os pães, deu graças e distribuiu-os aos que estavam sentados, tanto quanto queriam. E fez o mesmo com os peixes. 12Quando todos ficaram satisfeitos, Jesus disse aos discípulos: “Recolhei os pedaços que sobraram, para que nada se perca!”
13Recolheram os pedaços e encheram doze cestos com as sobras dos cinco pães, deixadas pelos que haviam comido. 14Vendo o sinal que Jesus tinha realizado, aqueles homens exclamavam: “Este é verdadeiramente o Profeta, aquele que deve vir ao mundo”. 15Mas, quando notou que estavam querendo levá-lo para proclamá-lo rei, Jesus retirou-se de novo, sozinho, para o monte.
— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

SANTO DO DIA
São Roberto Turlande (Memória Facultativa)

Local: Chaise-Dieu, França
Data: 17 de Abril † 1067

Roberto nasceu na família dos Turlande, no meio de uma floresta, quando a mãe, indo a uma visita ao castelo vizinho, sentiu as dores do parto.

Desde os primeiros dias, veio o presságio de que seria devotado à pureza, uma vez que, tendo sido confiado sucessivamente a duas amas de leite, ambas de má vida, recusou-lhes, com veemência o peito.

Entregue, para a educação, os eclesiásticos de São Juliano de Brioude, ali se formou na piedade. São Roberto teve uma juventude inocente. Passava as noites em oração, era caridosíssimo com os pobres e, a muitos deles, lavava-lhes e pensava as feridas.

Uma vez recebida a tonsura, nomearam-no cônego da igreja de São Juliano. Padre, rezava a santa missa com devoção jamais vista.

Contemplativo, São Roberto, um dia, decidiu abandonar a tudo para seguir Jesus Cristo. E, atraído pela fama de Cluny, sob o governo de Santo Hugo, resolveu procurar a célebre abadia. Confiou, então, a um companheiro, aquele intento, concertando, ambos, que deixariam São Juliano à noite, às escondidas.

Sem que se saiba como, porém, foram descobertos. E o Santo, envergonhadíssimo, cheio de dor, chegou até a adoecer.

Quando se curou, buscou por todos os meios uma solução que o levasse à vida monástica. E, tendo ido a Roma, para consultar o Senhor, longamente, e com fervor, orou sobre a tumba dos Santos Apóstolos suplicando que Deus lhe fizesse ver a vontade do céu.

De volta, esperando no Senhor com grande confiança, viu-se atendido nos rogos que fizera. Um soldado, chamado Estêvão, pouco depois do regresso, apareceu para consultá-lo sobre como devia fazer penitência.
– Deixa tudo, respondeu-lhe o santo, e transfere-te para a milícia do Senhor.
– Eu o farei gostosamente, disse-lhe o soldado com ardor, uma vez que possa realizar o sacrifício em tua companhia.

Era, sem dúvida, pensava Roberto, aquele soldado, enviado de Deus. E, a ele, deu-lhe a conhecer o seu secreto desejo. Sem tardança, o soldado fez uma peregrinação a Nossa Senhora do Puy-em-Velay, para implorar o socorro da Virgem, a orientação que deviam seguir. E, de regresso, descobriu, nas montanhas, entre matas, os escombros de uma igreja abandonada, distante de Brioude cinco léguas pouco mais ou menos. Não restava ali um ótimo retiro?

Alegre, Estêvão foi referir a descoberta ao Santo. E, não demorou muito, um segundo soldado veio pedir ao confessor que o aceitasse como discípulo. Chamava-se Dalmácio e queria viver sob sua orientação.

Roberto determinou provar os dois durante alguns meses, findo os quais, demandaram a ermida arruinada, perdida nas montanhas e nas florestas. Os três, despojados de tudo, alegraram-se com aquele estado de indigência.

Passaram, então, a viver no êremo. E os habitantes das redondezas, desconfiados, ao invés de ajudá-los, injuriavam-nos. Roberto e os dois ex-soldados, suportaram os maus tratos como enviados por Deus, mas a brutalidade dos moradores daquela região acabou por se arrefecer e, afinal, desapareceu. Alguns, mesmo do lugar, tocados, edificados por tanta piedade e renúncia dos solitários juntaram-se a eles. E o número destes últimos, crescendo, levou a São Roberto a necessidade de construir um mosteiro.

O bispo de Clermont, deu-lhes a permissão, e, com o tempo, pessoas piedosas começaram a contribuir, estas com dinheiro aquelas com materiais indispensáveis.

Assim surgiu a abadia de Chaise-Dieu, em 1050, para a qual se obtiveram, do Papa, então Leão IX, os privilégios e as autorizações necessárias.

Abade, embora relutasse na aceitação do cargo, Roberto conseguiu, pela doçura, a pureza de intenção e os milagres, reunir no mosteiro de Chaise-Dieu perto de trezentos religiosos submetidos à regra de São Bento.

Deus deu-lhe a conhecer a hora da morte. Então, reunindo os filhos todos, exortou-os a perseverar, abraçando-os um por um. Quando faleceu, a 17 de Abril de 1067, todos lhe choraram a morte.

Referência:
ROHRBACHER, Padre. Vida dos santos: Volume VII. São Paulo: Editora das Américas, 1959. Edição atualizada por Jannart Moutinho Ribeiro; sob a supervisão do Prof. A. Della Nina. Adaptações: Equipe Pocket Terço. Disponível em: obrascatolicas.com. Acesso em: 11 abr. 2022.

São Roberto Turlande, rogai por nós!

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QUINTA-FEIRA, DIA 16 DE ABRIL DE 2026

II SEMANA DA PÁSCOA
Cor Litúrgica branca

Primeira leitura
— At 5, 27-33
Leitura dos Atos dos Apóstolos
Naqueles dias, 27os guardas levaram os apóstolos e os apresentaram ao Sinédrio. O sumo sacerdote começou a interrogá-los, 28dizendo: “Nós tínhamos proibido expressamente que vós ensinásseis em nome de Jesus. Apesar disso, enchestes a cidade de Jerusalém com a vossa doutrina. E ainda nos quereis tornar responsáveis pela morte desse homem!”
29Então Pedro e os outros apóstolos responderam: “É preciso obedecer a Deus, antes que aos homens. 30O Deus de nossos pais ressuscitou Jesus, a quem vós matastes, pregando-o numa cruz. 31Deus, por seu poder, o exaltou, tornando-o Guia Supremo e Salvador, para dar ao povo de Israel a conversão e o perdão dos seus pecados. 32E disso somos testemunhas, nós e o Espírito Santo, que Deus concedeu àqueles que lhe obedecem”. 33Quando ouviram isto, ficaram furiosos e queriam matá-los.
– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

Salmo Responsorial — Sl 33(34), 2 e 9. 17-18. 19-20 (R. 7a)
R. Este infeliz gritou a Deus e foi ouvido.
– Bendirei o Senhor Deus em todo o tempo, seu louvor estará sempre em minha boca. Provai e vede quão suave é o Senhor! Feliz o homem que tem nele o seu refúgio!
– Este infeliz gritou a Deus e foi ouvido.
– Mas ele volta a sua face contra os maus, para da terra apagar sua lembrança. Clamam os justos, e o Senhor bondoso escuta e de todas as angústias os liberta.
– Este infeliz gritou a Deus e foi ouvido.
– Do coração atribulado ele está perto e conforta os de espírito abatido. Muitos males se abatem sobre os justos, mas o Senhor de todos eles os liberta.
– Este infeliz gritou a Deus e foi ouvido.
– Acreditaste, Tomé, porque me viste. Felizes os que creem sem ter visto. (Jo 20, 29)
– Aleluia, Aleluia, Aleluia.

Evangelho — Jo 3, 31-36
– O Senhor esteja convosco.
– Ele está no meio de nós.
– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo ✠ segundo João
– Glória a vós, Senhor.
31“Aquele que vem do alto está acima de todos. O que é da terra, pertence à terra e fala das coisas da terra. Aquele que vem do céu está acima de todos. 32Dá testemunho daquilo que viu e ouviu, mas ninguém aceita o seu testemunho. 33Quem aceita o seu testemunho atesta que Deus é verdadeiro. 34De fato, aquele que Deus enviou fala as palavras de Deus, porque Deus lhe dá o espírito sem medida.
35O Pai ama o Filho e entregou tudo em sua mão. 36Aquele que acredita no Filho possui a vida eterna. Aquele, porém, que rejeita o Filho não verá a vida, pois a ira de Deus permanece sobre ele”.
– Palavra da Salvação.
– Glória a vós, Senhor.

SANTO DO DIA
Santa Bernadete Soubirous

Há quase 150 anos, o corpo da santa francesa permanece intacto, intrigando a Igreja, as autoridades e atraindo turistas
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Bernardete nasceu no dia sete de janeiro de 1844, na cidade de Lourdes, uma região montanhosa da França. Sua família camponesa era numerosa, religiosa e muito pobre. Desde a infância, a pequena tinha problemas de saúde em conseqüência da asma. Era analfabeta mas tinha aprendido a rezar o terço, o que fazia diariamente enquanto cuidava dos afazeres da casa.
Numa tarde úmida e fria, enquanto recolhia gravetos para a fogueira, Bernardete foi atraída por uma luz radiante. Era Nossa Senhora que a chamava para rezar. Era o dia 11 de fevereiro de 1858.
Durante vários meses a Virgem Maria, Imaculada Conceição, apareceu para a menina, sempre pedindo que rezasse o terço em favor da humanidade. Apesar da honestidade da menina, a maioria das pessoas não acreditava na aparição, mas Bernardete ficava extasiada, rezando e conversando com Nossa Senhora.
Bernadete chamava a atenção pela sua modéstia, autenticidade e simplicidade. Compreendeu que tinha sido escolhida como instrumento para a mensagem que a Virgem queria transmitir ao mundo: a conversão, a necessidade de rezar o terço e o amor pela “Imaculada Conceição”.
Bernardete sofreu muito, mas sempre confiou-se a amor de Maria. Da gruta onde a Virgem aparecia, brotou uma fonte de água que jorra até hoje. O lugar tornou-se conhecido e converteu-se num dos maiores santuários marianos do mundo.
Durante seus anos de vida, a mulher passou por interrogatórios, intimidações e assédio moral, até que decidiu se isolar em sua cidade natal
Ingressou na congregação das Irmãs de Caridade. Sempre bem humorada, trabalhou silenciosamente como enfermeira no interior do convento, depois foi sacristã. Contudo, uma doença a obrigou viver nove anos numa cama, entre a vida e a morte.
Rezava não para se livrar do sofrimento mas para ter paciência e forças para tudo suportar, pois queria se purificar para poder rever Nossa Senhora. Em 16 de abril de 1879, estando muito mal de saúde e tendo apenas 35 anos, exclamou emocionada: “Eu vi a Virgem. Sim, a vi, a vi! Que formosa era!” E depois de alguns momentos de silêncio disse emocionada: “Rogai Senhora por esta pobre pecadora”, e apertando o crucifixo sobre seu coração faleceu. O Papa Pio XI a canonizou em 08 de dezembro de 1933, dia da Imaculada Conceição, designando sua festa para o dia de sua morte.
Reflexão
Bernadete era uma jovenzinha quando encontrou-se com a Virgem Maria. Assim como Jesus, Maria fala aos pequeninos: “aproximem-se de mim e recebam o amor de Deus”. Maria, mãe carinhosa, acolhe cada um de nós com especial atenção, mas aos meninos e meninas ela dedica maior atenção, pois a fragilidade dos pequeninos exige maior dedicação da mãe. Hoje, celebrando a festa de santa Bernardete, queremos rezar pelas crianças de todo o mundo, sobretudo por aquelas que são mais esquecidas e abandonadas. “Levantai a vossa mãozinha, Deus-Menino, e abençoai estes vossos amiguinhos, abençoai as crianças de toda a terra”.
Oração
Ó Deus, concedei-nos, pelas preces de Santa Bernadete, a quem destes perseverar na imitação de Cristo pobre e humilde, seguir a nossa vocação com fidelidade e chegar àquela perfeição que nos propusestes em vosso Filho. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso filho, na unidade do Espírito Santo. Amém.
A12 / Colaboração: Padre Evaldo César de Souza, CSsR
Santa Bernadete Soubirous, rogai por nós!

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QUARTA-FEIRA, DIA 15 DE ABRIL DE 2026

II SEMANA DA PÁSCOA
Cor Litúrgica branca

Primeira leitura
— At 5, 17-26
Leitura dos Atos dos Apóstolos
Naqueles dias, 17levantaram-se o sumo sacerdote e todos os do seu partido — isto é, o partido dos saduceus — cheios de raiva 18e mandaram prender os apóstolos e lançá-los na cadeia pública.
19Porém, durante a noite, o anjo do Senhor abriu as portas da prisão e os fez sair, dizendo: 20“Ide falar ao povo, no Templo, sobre tudo o que se refere a este modo de viver”. 21Eles obedeceram e, ao amanhecer, entraram no Templo e começaram a ensinar. O sumo sacerdote chegou com os seus partidários e convocou o Sinédrio e o Conselho formado pelas pessoas importantes do povo de Israel. Então mandaram buscar os apóstolos à prisão. 22Mas, ao chegarem à prisão, os servos não os encontraram e voltaram dizendo: 23“Encontramos a prisão fechada, com toda segurança, e os guardas estavam a postos na frente da porta. Mas, quando abrimos a porta, não encontramos ninguém lá dentro”.
24Ao ouvirem essa notícia, o chefe da guarda do Templo e os sumos sacerdotes não sabiam o que pensar e perguntavam-se o que poderia ter acontecido. 25Chegou alguém que lhes disse: “Os homens que vós colocastes na prisão estão no Templo ensinando o povo!” 26Então o chefe da guarda do Templo saiu com os guardas e trouxe os apóstolos, mas sem violência, porque eles tinham medo que o povo os atacasse com pedras.
– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

Salmo Responsorial — Sl 33(34), 2-3. 4-5. 6-7. 8-9 (R. 7a)
R. Este infeliz gritou a Deus, e foi ouvido.
– Bendirei o Senhor Deus em todo o tempo, seu louvor estará sempre em minha boca. Minha alma se gloria no Senhor; que ouçam os humildes e se alegrem!
– Este infeliz gritou a Deus, e foi ouvido.
– Comigo engrandecei ao Senhor Deus, exaltemos todos juntos o seu nome! Todas as vezes que o busquei, ele me ouviu, e de todos os temores me livrou. 
– Este infeliz gritou a Deus, e foi ouvido.
– Contemplai a sua face e alegrai-vos, e vosso rosto não se cubra de vergonha! Este infeliz gritou a Deus, e foi ouvido, e o Senhor o libertou de toda angústia. 
– Este infeliz gritou a Deus, e foi ouvido.
– O anjo do Senhor vem acampar ao redor dos que o temem, e os salva. Provai e vede quão suave é o Senhor! Feliz o homem que tem nele o seu refúgio!
– Este infeliz gritou a Deus, e foi ouvido..

Evangelho — Jo 3, 16-21
Aleluia, Aleluia, Aleluia.
– Deus o mundo tanto amou, que lhe deu seu próprio Filho, para que todo o que nele crer, encontre vida eterna. (Jo 3, 16)
– Aleluia, Aleluia, Aleluia.

– O Senhor esteja convosco.
– Ele está no meio de nós.
– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo ✠ segundo João
– Glória a vós, Senhor.
16Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho unigênito, para que não morra todo o que nele crer, mas tenha a vida eterna. 17De fato, Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por ele. 18Quem nele crê, não é condenado, mas quem não crê, já está condenado, porque não acreditou no nome do Filho unigênito.
19Ora, o julgamento é este: a luz veio ao mundo, mas os homens preferiram as trevas à luz, porque suas ações eram más. 20Quem pratica o mal odeia a luz e não se aproxima da luz, para que suas ações não sejam denunciadas. 21Mas quem age conforme a verdade aproxima-se da luz, para que se manifeste que suas ações são realizadas em Deus.
– Palavra da Salvação.
– Glória a vós, Senhor.

SANTO DO DIA
São Benedito José Labre

Peregrino, leigo da Terceira Ordem (1748-1783). Canonizado no dia 8 de dezembro de 1881 por Leão XIII
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“O cigano de Cristo”, este também é seu apelido, que demonstra claramente o que foram os trinta e cinco anos de vida de Bento José Labre, treze deles caminhando e evangelizando pelas famosas e seculares estradas de Roma. Aliás, o antigo ditado popular que diz que “todos os caminhos levam a Roma” continua sendo assim para todos os cristãos. Entretanto, principalmente no século XVII, em qualquer um deles era possível cruzar com o peregrino Bento José e nele encontrar o caminho que levava a Deus.
Ele era francês, nasceu em Amettes, próximo a Arras, no dia 27 de março de 1748, o mais velho dos quinze filhos de um casal de agricultores pobres. Frequentou a modesta escola local, mas aprendeu latim com um tio materno. Ainda muito jovem, quis tornar-se monge trapista, mas não conseguiu o consentimento dos pais.
Com dezoito anos, pediu ingresso no convento trapista de Santa Algegonda, mas os monges não aprovaram sua entrada. Percorreu a pé, então, centenas de quilómetros até a Normandia, debaixo de um inverno extremamente rigoroso, onde pediu admissão no Convento Cisterciense de Montagne. Também foi recusado ali, tentando, ainda, a entrada nos Cartuchos de Neuville e Sept-Fons, com o mesmo resultado. Foi então que, com vinte e dois anos, tomou a decisão mais séria da sua vida: seu mosteiro, já que não encontrava guarida em nenhum outro, seriam as estradas de Roma.
No embornal de peregrino carregava apenas o Novo Testamento e um breviário, além de um terço nas mãos. Durante a noite, dormia nas ruínas do Coliseu e, de dia, percorria as estradas peregrinando nos lugares sagrados e evangelizando sem pedir esmolas. Quando recebia a caridade alheia, mesmo sem pedir, ainda dividia o que ganhava com os pobres. Isso lhe valeu, certa vez, algumas pancadas de um certo cidadão que encarou sua atitude como um insulto. Na maior parte dos dias, comia um pedaço de pão e ervas colhidas no caminho.
Os maus tratos do quotidiano, ou seja, a maneira insatisfatória de higiene a que se submetera durante muitos anos e as penitências que se auto-impusera, acabaram por causar o seu fim. Um dia, ainda muito jovem, seu corpo foi encontrado nos fundos da casa de um amigo arquiteto, perto da igreja de Santa Maria dos Montes. Houve uma grande aglomeração de populares que admiravam e até veneravam o singelo peregrino.
Bento José acabou sendo sepultado ali mesmo, próximo daquela igreja, local que logo passou a ser procurado pelos devotos e peregrinos. Imediatamente, tornou-se palco de muitas graças e prodígios, por intercessão daquele que em vida percorreu o caminho da santidade. O papa Leão XIII canonizou são Bento José Labre em 1881, determinando sua festa para o dia 16 de abril, data de sua morte no ano 1783.
Fonte: franciscanos.org.br
São Benedito José Labre, rogai por nós.

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TERÇA-FEIRA, DIA 14 DE ABRIL DE 2026

II SEMANA DA PÁSCOA
Cor Litúrgica branca

Primeira leitura
— At 4, 32-37
Leitura dos Atos dos Apóstolos
32A multidão dos fiéis era um só coração e uma só alma. Ninguém considerava como próprias as coisas que possuía, mas tudo entre eles era posto em comum.
33Com grandes sinais de poder, os apóstolos davam testemunho da ressurreição do Senhor Jesus. E os fiéis eram estimados por todos. 34Entre eles ninguém passava necessidade, pois aqueles que possuíam terras ou casas, vendiam-nas, levavam o dinheiro, 35e o colocavam aos pés dos apóstolos. Depois, era distribuído conforme a necessidade de cada um.
36José, chamado pelos apóstolos de Barnabé, que significa filho da consolação, levita e natural de Chipre, 37possuía um campo. Vendeu e foi depositar o dinheiro aos pés dos apóstolos.
— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus.

Salmo Responsorial — Sl 92(93), 1ab. 1c-2. 5 (R. 1a)

– Reina o Senhor, revestiu-se de esplendor.

— Deus é Rei e se vestiu de majestade, revestiu-se de poder e de esplendor! ℟.

– Reina o Senhor, revestiu-se de esplendor.

— Vós firmastes o universo inabalável, vós firmastes vosso trono desde a origem, desde sempre, ó Senhor, vós existis! ℟.

– Reina o Senhor, revestiu-se de esplendor.

— Verdadeiros são os vossos testemunhos, refulge a santidade em vossa casa, pelos séculos dos séculos, Senhor! ℟.

– Reina o Senhor, revestiu-se de esplendor.

Evangelho — Jo 3, 7b-15
℟. Aleluia, Aleluia, Aleluia.
℣. O Filho do homem há de ser levantado, para que, quem nele crer, possua a vida eterna. (Jo 3, 14b. 15) ℟.

℣. O Senhor esteja convosco.
℟. Ele está no meio de nós.

℣. Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo ✠ segundo João 
℟. Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, disse Jesus a Nicodemos: 7b“Vós deveis nascer do alto. 😯 vento sopra onde quer e tu podes ouvir o seu ruído, mas não sabes de onde vem, nem para onde vai. Assim acontece a todo aquele que nasceu do Espírito”.
9Nicodemos perguntou: “Como é que isso pode acontecer?” 10Respondeu-lhe Jesus: “Tu és mestre em Israel, mas não sabes estas coisas? 11Em verdade, em verdade te digo, nós falamos daquilo que sabemos e damos testemunho daquilo que temos visto, mas vós não aceitais o nosso testemunho. 12Se não acreditais, quando vos falo das coisas da terra, como acreditareis se vos falar das coisas do céu? 13E ninguém subiu ao céu, a não ser aquele que desceu do céu, o Filho do Homem. 14Do mesmo modo como Moisés levantou a serpente no deserto, assim é necessário que o Filho do Homem seja levantado, 15para que todos os que nele crerem tenham a vida eterna”.
— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

SANTO DO DIA
São Benezet de Avignon (Memória Facultativa)

Local: Avignon, França
Data: 14 de Abril † 1184

São Benezet costumava pastorear no campo as ovelhas de sua mãe e, ainda uma simples criancinha, já se dedicava às práticas de piedade. Como muitas pessoas se afogassem ao atravessar o Ródano, Benezet foi inspirado por Deus a construir uma ponte sobre as corredeiras de Avignon. Obteve a aprovação do bispo, atestou sua missão pelos milagres e começou seu trabalho em 1177, conduzindo-o por sete anos. Morreu quando já se encerrara a parte mais difícil da empreitada, em 1184. Isto se confirma por monumentos públicos construídos naquele tempo e ainda preservados em Avignon, onde a história também sobreviveu na boca do povo.

Seu corpo foi enterrado na própria ponte, que só veio a ser totalmente concluída quatro anos após o falecimento, e assim a estrutura recebeu o auxílio de milagres desde a primeira fundação até seu acabamento, em 1188. Outros milagres ocorridos no túmulo de S. Benezet depois disso induziram a cidade a construir uma capela sobre a ponte, na qual seu corpo residiu por quase 500 anos. Mas em 1669, a maior parte da estrutura ruiu pelo ímpeto das águas, e o caixão foi removido, sendo aberto em 1670, na presença do vigário-geral, durante a vacância da sé arquiepiscopal. Acharam o corpo intacto, sem qualquer sinal de corrupção, mesmo com as entranhas em perfeito estado, e os olhos de cor viva, embora as barras de ferro em torno do caixão estivessem tomadas de ferrugem, por causa da umidade do ambiente. O corpo foi encontrado nas mesmas condições pelo arcebispo de Avignon em 1674, quando, acompanhado pelo bispo de Orange e uma grande comitiva de nobres, realizou o seu traslado com grande pompa até a igreja dos Celestinos – ordem monástica que obtivera de Luís XIV a honra de custodiar suas relíquias até a época em que a ponte e a capela fossem reconstruídas.

REFLEXÃO

Rezemos pela perseverança nas boas obras. S. Agostinho diz: “Quando os santos rezam com as palavras que Cristo ensinou, pedem pouco mais que o dom da perseverança”

BUTLER, Alban. Vida dos Santos: para todos os dias do ano. Dois Irmãos, RS: Minha Biblioteca Católica, 2021. 560 p. Tradução de: Emílio Costaguá. Adaptação: Equipe Pocket Terço.

São Benezet de Avignon, rogai por nós!

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SEGUNDA-FEIRA, DIA 13 DE ABRIL DE 2026

II SEMANA DA PÁSCOA
Cor Litúrgica branca

Primeira leitura
— At 4, 23-31
Leitura dos Atos dos Apóstolos
23Naqueles dias, logo que foram postos em liberdade, Pedro e João voltaram para junto dos irmãos e contaram tudo o que os sumos sacerdotes e os anciãos haviam dito. 24Ao ouvirem o relato, todos eles elevaram a voz a Deus, dizendo: “Senhor, tu criaste o céu, a terra, o mar e tudo o que neles existe. 25Por meio do Espírito Santo, disseste através do teu servo Davi, nosso pai: ‘Por que se enfureceram as nações, e os povos imaginaram coisas vãs? 26Os reis da terra se insurgem e os príncipes conspiram unidos contra o Senhor e contra o seu Messias’. 27Foi assim que aconteceu nesta cidade: Herodes e Pôncio Pilatos uniram-se com os pagãos e o povo de Israel contra Jesus, teu santo servo, a quem ungiste, 28a fim de executarem tudo o que a tua mão e a tua vontade haviam predeterminado que sucedesse.
29Agora, Senhor, olha as ameaças que fazem e concede que os teus servos anunciem corajosamente a tua palavra. 30Estende a mão para que se realizem curas, sinais e prodígios por meio do nome do teu santo servo Jesus”. 31Quando terminaram a oração, tremeu o lugar onde estavam reunidos. Todos, então, ficaram cheios do Espírito Santo e anunciavam corajosamente a palavra de Deus.
– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

Salmo Responsorial — Sl 2, 1-3. 4-6. 7-9 (R. cf. 12d)
R. Felizes hão de ser todos aqueles que põem sua esperança no Senhor.
– Por que os povos agitados se revoltam? Por que tramam as nações projetos vãos? Por que os reis de toda a terra se reúnem e conspiram os governos todos juntos contra o Deus onipotente e o seu Ungido? “Vamos quebrar suas correntes”, dizem eles, “e lançar longe de nós o seu domínio!”
– Felizes hão de ser todos aqueles que põem sua esperança no Senhor.
– Ri-se deles o que mora lá nos céus; zomba deles o Senhor onipotente. Ele, então, em sua ira os ameaça, e em seu furor os faz tremer, quando lhes diz: “Fui eu mesmo que escolhi este meu Rei, e em Sião, meu monte santo, o consagrei!”
– Felizes hão de ser todos aqueles que põem sua esperança no Senhor.
– O decreto do Senhor promulgarei, foi assim que me falou o Senhor Deus: “Tu és meu Filho, e eu hoje te gerei! Podes pedir-me, e em resposta eu te darei por tua herança os povos todos e as nações, e há de ser a terra inteira o teu domínio. Com cetro férreo haverás de dominá-los, e quebrá-los como um vaso de argila!”
– Felizes hão de ser todos aqueles que põem sua esperança no Senhor.

Evangelho — Jo 3, 1-8
Aleluia, aleluia, aleluia:
– Se com Cristo ressurgistes, procurai o que é do alto, onde Cristo está sentado à direita de Deus Pai. (Cl 3, 1)
– Aleluia, Aleluia, Aleluia.

– O Senhor esteja convosco.
– Ele está no meio de nós.
– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo ✠ segundo João
– Glória a vós, Senhor.
1Havia um chefe judaico, membro do grupo dos fariseus, chamado Nicodemos, 2que foi ter com Jesus, de noite, e lhe disse: “Rabi, sabemos que vieste como mestre da parte de Deus. De fato, ninguém pode realizar os sinais que tu fazes, a não ser que Deus esteja com ele”.
3Jesus respondeu: “Em verdade, em verdade te digo, se alguém não nasce do alto, não pode ver o Reino de Deus”. 4Nicodemos disse: “Como é que alguém pode nascer, se já é velho? Poderá entrar outra vez no ventre de sua mãe?”
5Jesus respondeu: “Em verdade, em verdade te digo, se alguém não nasce da água e do Espírito, não pode entrar no Reino de Deus. 6Quem nasce da carne é carne; quem nasce do Espírito é espírito. 7Não te admires por eu haver dito: Vós deveis nascer do alto. 😯 vento sopra onde quer e tu podes ouvir o seu ruído, mas não sabes de onde vem, nem para onde vai. Assim acontece a todo aquele que nasceu do Espírito”.
– Palavra da Salvação.
– Glória a vós, Senhor.

SANTO DO DIA
São Martinho I, Papa e Mártir

Local: Roma, Itália
Data: 13 de Abril † 656

Originário de Todi e diácono da Igreja romana, Martinho foi eleito ao sumo pontificado após a morte do papa Teodoro (13 de maio de 649) e logo mostrou mão firme no governo do leme da barca de Pedro. Não pediu nem aguardou o consentimento à sua eleição da parte do imperador Constante II que no ano anterior promulgara o Tipo, documento em defesa da tese herética dos monotelitas. Para barrar a difusão dessa heresia, três meses após sua eleição, o papa Martinho convocou, na basílica de são João de Latrão, grande concílio, para o qual foram convidados todos os bispos do Ocidente.

A condenação de todos os escritos monotelitas, sancionada nas cinco sessões solenes, provocou irritadíssima reação da corte bizantina. O imperador ordenou ao exarca de Ravena, Olímpio, que fosse a Roma e prendesse o papa. Olímpio quis cumprir as ordens imperiais com algumas alterações e tentou, por meio do seu escudeiro, assassinar o papa durante a celebração da missa em Santa Maria Maior. No momento de receber a hóstia consagrada das mãos do pontífice o sicário puxou o punhal, mas foi imediatamente atingido por uma cegueira total.

Provavelmente esse fato convenceu Olímpio a trocar de atitude e a reconciliar-se com o santo pontífice e projetar uma luta armada contra Constantinopla. Em 653, morto Olímpio de peste, o imperador pôde cumprir a sua vingança, fazendo com que o novo exarca de Ravena, Teodoro Calíopa, prendesse o papa.

Martinho, acusado de ter-se apossado ilegalmente do alto cargo de sumo pontífice e de haver tramado com Olímpio contra Constantinopla, foi conduzido por via marítima até à cidade do Bósforo. A longa viagem, que durou quinze meses, foi o início de um cruel martírio. Durante as numerosas escalas, a nenhum dos tantos fiéis que foram encontrar-se com o papa foi concedido aproximar-se dele. Ao prisioneiro não era dada nem água para se lavar. Chegando a Constantinopla a 17 de setembro de 654, o papa ficou estendido numa cama na rua pública recebendo os insultos do povo durante um dia inteiro, antes de ser fechado por três meses na prisão Prandiária. Depois iniciou-se o longo e exaustivo processo, durante o qual os sofrimentos foram tão grandes a ponto de o acusado murmurar: “Façam de mim o que quiserem; qualquer morte será para mim um benefício”.

Humilhado publicamente, despido e exposto aos rigores do frio, carregado de correntes, foi fechado na cela reservada aos condenados à morte. A 16 de março de 655 fizeram-no partir secretamente para o exílio em Quersoneso, na Crimeia. Sofreu fome e foi se enfraquecendo no mais absoluto abandono durante outros quatro meses, até que a morte o colheu, fraco de corpo, mas não de vontade, aos 16 de setembro de 655.

Referência:
SGARBOSSA, Mario; GIOVANNI, Luigi. Um santo para cada dia. São Paulo: Paulus, 1983. 397 p. Tradução de: Onofre Ribeiro. Adaptações: Equipe Pocket Terço.

São Martinho I, rogai por nós!

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DOMINGO, DIA 12 DE ABRIL DE 2026

II Domingo da Páscoa — Domingo da Divina Misericórdia

Primeira leitura
— At 2, 42-47
Leitura dos Atos dos Apóstolos

Os que haviam se convertido 42eram perseverantes em ouvir o ensinamento dos apóstolos, na comunhão fraterna, na fração do pão e nas orações. 43E todos estavam cheios de temor por causa dos numerosos prodígios e sinais que os apóstolos realizavam. 44Todos os que abraçavam a fé viviam unidos e colocavam tudo em comum; 45vendiam suas propriedades e seus bens e repartiam o dinheiro entre todos, conforme a necessidade de cada um.
46Diariamente, todos frequentavam o Templo, partiam o pão pelas casas e, unidos, tomavam a refeição com alegria e simplicidade de coração.
47Louvavam a Deus e eram estimados por todo o povo. E, cada dia, o Senhor acrescentava ao seu número mais pessoas que seriam salvas.
— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus.

Salmo Responsorial — Sl 117(118), 2-4. 13-15. 22-24 (R. 1)

– Dai graças ao Senhor, porque Ele é bom; eterna é a sua misericórdia!

— A casa de Israel agora o diga: “Eterna é a sua misericórdia!” A casa de Aarão agora o diga: “Eterna é a sua misericórdia!” Os que temem o Senhor agora o digam: “Eterna é a sua misericórdia!” ℟.

Dai graças ao Senhor, porque Ele é bom; eterna é a sua misericórdia!

— Empurraram-me, tentando derrubar-me, mas veio o Senhor em meu socorro. O Senhor é minha força e o meu canto, e tornou-se para mim o Salvador. “Clamores de alegria e de vitória ressoem pelas tendas dos fiéis”. ℟.

Dai graças ao Senhor, porque Ele é bom; eterna é a sua misericórdia!

— “A pedra que os pedreiros rejeitaram tornou-se agora a pedra angular”. Pelo Senhor é que foi feito tudo isso: Que maravilhas ele fez a nossos olhos! Este é o dia que o Senhor fez para nós, alegremo-nos e nele exultemos! ℟.

Segunda leitura
Leitura da Primeira Carta de São Pedro

Bendito seja Deus, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo. Em sua grande misericórdia, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, ele nos fez nascer de novo, para uma esperança viva, 4para uma herança incorruptível, que não se mancha nem murcha, e que é reservada para vós nos céus.
5Graças à fé, e pelo poder de Deus, vós fostes guardados para a salvação que deve manifestar-se nos últimos tempos. 6Isto é motivo de alegria para vós, embora seja necessário que agora fiqueis por algum tempo aflitos, por causa de várias provações.
7Deste modo, a vossa fé será provada como sendo verdadeira — mais preciosa que o ouro perecível, que é provado no fogo — e alcançará louvor, honra e glória no dia da manifestação de Jesus Cristo.
8Sem ter visto o Senhor, vós o amais. Sem o ver ainda, nele acreditais. Isso será para vós fonte de alegria indizível e gloriosa, 9pois obtereis aquilo em que acreditais: a vossa salvação.
— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus.

℟. Aleluia, Aleluia, Aleluia.
℣. Acreditaste, Tomé, porque me viste. Felizes os que creram sem ter visto! (Jo 20, 29) ℟.
Evangelho — Jo 20, 19-31

℣. O Senhor esteja convosco.
℟. Ele está no meio de nós.

℣. Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo ✠ segundo João 
℟. Glória a vós, Senhor.

Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas, por medo dos judeus, as portas do lugar onde os discípulos se encontravam, Jesus entrou e, pondo-se no meio deles, disse: “A paz esteja convosco”.
20Depois dessas palavras, mostrou-lhes as mãos e o lado. Então os discípulos se alegraram por verem o Senhor.
21Novamente, Jesus disse: “A paz esteja convosco. Como o Pai me enviou, também eu vos envio”. 22E, depois de ter dito isso, soprou sobre eles e disse: “Recebei o Espírito Santo. 23A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados; a quem os não perdoardes, eles lhes serão retidos”.
24Tomé, chamado Dídimo, que era um dos doze, não estava com eles quando Jesus veio. 25Os outros discípulos contaram-lhe depois: “Vimos o Senhor!” Mas Tomé disse-lhes: “Se eu não vir a marca dos pregos em suas mãos, se eu não puser o dedo nas marcas dos pregos e não puser a mão no seu lado, não acreditarei”.
26Oito dias depois, encontravam-se os discípulos novamente reunidos em casa, e Tomé estava com eles. Estando fechadas as portas, Jesus entrou, pôs-se no meio deles e disse: “A paz esteja convosco”.
27Depois disse a Tomé: “Põe o teu dedo aqui e olha as minhas mãos. Estende a tua mão e coloca-a no meu lado. E não sejas incrédulo, mas fiel”. 28Tomé respondeu: “Meu Senhor e meu Deus!” 29Jesus lhe disse: “Acreditaste, porque me viste? Bem-aventurados os que creram sem terem visto!”
30Jesus realizou muitos outros sinais diante dos discípulos, que não estão escritos neste livro. 31Mas estes foram escritos para que acrediteis que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e, para que, crendo, tenhais a vida em seu nome.
— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

A Divina Misericórdia e a ação do Espírito Santo
Neste Domingo da Divina Misericórdia, a Igreja nos convida a contemplar o amor de Deus, que, ao se inclinar sobre a nossa miséria, manifesta-se como perdão e vida nova. Mas, como descreveu Santa Faustina, o que mais fere o Coração de Cristo é a falta de confiança na sua infinita misericórdia.
Neste Domingo da Oitava de Páscoa, isto é, o Domingo da Divina Misericórdia, a Igreja proclama o Evangelho de São João, capítulo 20, versículos do 19 ao 31. Este domingo também é tradicionalmente conhecido como Domingo in albis, pois, na liturgia da Igreja antiga, aqueles que eram batizados na Vigília Pascal se apresentavam, uma semana depois, ao bispo com suas vestes cândidas, como sinal do esforço por conservar a pureza batismal.
São João Paulo II foi, sem dúvida alguma, o Papa da Divina Misericórdia. Foi ele quem instituiu esta Festa na Oitava de Páscoa, a partir das revelações privadas recebidas por Santa Faustina Kowalska, uma religiosa polonesa que viveu no início do século XX e faleceu em 1938, aos 33 anos, vítima de tuberculose. Ao longo de sua vida, ela passou por diversas purificações espirituais, próprias daqueles místicos que se aproximam profundamente de Deus, e recebeu dons sobrenaturais, como visões de Jesus e até mesmo os estigmas.
Por obediência ao seu confessor, ela escreveu um diário no qual registrou essas revelações. Apesar de sua instrução muito simples — tendo estudado por apenas três semestres na escola —, sua linguagem, embora elementar, revelou-se admiravelmente clara e, sobretudo, sem qualquer erro teológico ou dogmático.
Entre os pedidos de Jesus, estava o de que fosse pintada a imagem da Divina Misericórdia: Ele com uma das mãos levantadas abençoando e a outra sobre o peito, de onde saem dois raios — um vermelho e outro pálido —, representando aquilo que aconteceu na Cruz, quando do Coração de Cristo jorraram sangue e água.
Jesus insiste fortemente na necessidade de confiarmos, ensinando que nada mais entristece o seu Coração do que a falta de confiança na sua misericórdia. Aqui se encontra, de certo modo, o pecado contra o Espírito Santo: o desespero, cometido quando uma pessoa orgulhosa — como Judas — afirma que seus pecados são maiores do que a misericórdia de Deus — o que é impossível, pois a misericórdia divina é infinita, enquanto o pecado humano é sempre finito, por pior que seja. Por causa disso, Jesus quis que essa devoção fosse propagada no mundo inteiro, revelando práticas concretas: a recitação, às três horas da tarde, do terço da Divina Misericórdia e a instituição dessa Festa no domingo após a Páscoa.
Após a morte de Santa Faustina, seus confessores e outros sacerdotes deram continuidade a essa missão. A devoção começou a se difundir lentamente, embora tudo parecesse improvável — afinal, tratava-se de uma freira escondida em um convento na Polônia.
Entretanto, uma tradução inadequada do diário levou o Santo Ofício, em 6 de março de 1959, a proibir a propagação da devoção, tanto do diário quanto da imagem. Isso perdurou por cerca de vinte anos.
Contudo, por Providência Divina, Deus suscitou também na Polônia uma figura decisiva: o arcebispo de Cracóvia, Karol Wojtyła. Mesmo diante das dificuldades, ele iniciou o processo de beatificação de Faustina e incentivou um estudo mais profundo do diário, pedindo uma nova tradução que fosse fiel ao texto original. Desse modo, quando a riqueza espiritual e teológica dessas revelações foi devidamente reconhecida, Roma retirou a proibição em 15 de abril de 1978 — exatamente o mesmo ano em que, alguns meses depois, em outubro, o Cardeal Wojtyła seria eleito Papa João Paulo II.
Posteriormente, Santa Faustina foi beatificada em 1993 e canonizada no ano 2000. Então, com sua canonização, São João Paulo II instituiu oficialmente para toda a Igreja o Domingo da Divina Misericórdia, concedendo também indulgências especiais ligadas a essa devoção.
Mas o que é, afinal, a misericórdia? A própria Santa Faustina ensina: “O amor é a flor, a misericórdia é o fruto”. Deus é amor em si mesmo, na comunhão eterna do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Contudo, quando esse amor se manifesta na história — isto é, na Criação e na Redenção —, ele se revela como misericórdia.
A misericórdia supõe a miséria humana. Por isso, antes da Criação, não havia essa manifestação misericordiosa do amor de Deus. Mas, a partir do momento em que tudo começou a existir, Deus passou a demonstrar o seu amor como misericórdia, inclusive na Redenção, nos sacramentos, na justiça divina e em todas as ações salvíficas ao longo da história. Essa misericórdia torna-se principalmente visível na Cruz de Cristo, quando do seu Coração aberto brotam sangue e água, sinais concretos do amor de Deus. 
Santa Faustina, ao viver grandes sofrimentos, encontrava consolo justamente nas chagas de Cristo, contemplando nelas a expressão máxima da misericórdia divina — essa espiritualidade já estava presente na Tradição da Igreja, como vemos também na vida de Santa Catarina de Sena.
No Evangelho de hoje, vemos Jesus aparecer aos Apóstolos no próprio dia da Ressurreição e, após saudá-los duas vezes com a paz, Ele sopra sobre eles, dizendo: “Recebei o Espírito Santo. A quem perdoardes os pecados, eles serão perdoados; a quem não os perdoardes, eles lhes serão retidos” (Jo 20, 22).
Santo Tomás de Aquino explica que, embora toda a Trindade seja autora do perdão dos pecados, esse perdão é, por apropriação, atribuído ao Espírito Santo, pois Ele é o Amor entre o Pai e o Filho. E, como ensina a Escritura, “o amor cobre todas as faltas” (Pr 10, 12). Portanto, é o Paráclito quem nos torna amigos de Deus, renova-nos, purifica-nos e introduz-nos na intimidade divina. Assim, podemos afirmar que a misericórdia que brota do Coração de Cristo é o próprio Espírito Santo, derramado sobre nós como amor vivo, o qual se comunica por meio dos sacramentos, da pregação da Palavra e de toda a vida da Igreja.
Todo o Tempo Pascal está apontando para o Domingo de Pentecostes, mostrando que o grande fruto da Ressurreição é o dom do Espírito Santo, que realiza em nós a remissão dos pecados. Por isso, somos chamados, neste domingo, a renovar não somente a nossa fé, mas, sobretudo, a nossa confiança na infinita misericórdia de Deus.
Santa Teresinha do Menino Jesus, durante sua enfermidade, confidenciou à sua irmã:
“Se eu tivesse cometido todos os crimes possíveis, eu conservaria sempre a mesma confiança, porque essa multidão de ofensas não passaria de uma gota d’água no braseiro ardente do amor de Deus”. Lancemos, portanto, a nossa miséria nesse amor infinito, e assim celebraremos verdadeiramente a Divina Misericórdia.

SANTO DO DIA
São Giuseppe Moscati (Memória Facultativa)

Local: Nápoles, Itália
Data: 12 de Abril † 1927

Giuseppe Moscati nasceu em 25 de julho de 1880 em Benevento, sétimo entre os nove filhos do magistrado Francesco Moscati e Rosa De Luca, do Marquês de Roseto. Ele foi batizado em 31 de julho de 1880.

Em 1881 a família Moscati mudou-se para Ancona e depois para Nápoles, onde Giuseppe fez sua primeira comunhão na festa da Imaculada Conceição de 1888. De 1889 a 1894 Giuseppe completou o ensino médio e depois os estudos escolares no “Vittorio Emanuele”, obtendo o diploma do ensino médio com notas brilhantes em 1897, com apenas 17 anos. Alguns meses depois, iniciou seus estudos universitários na faculdade de medicina da Universidade Napolitana.

É possível que a decisão de escolher a profissão médica tenha sido influenciada em parte pelo fato de que na adolescência Joseph foi confrontado, de forma direta e pessoal, com o drama do sofrimento humano. Em 1893, de fato, seu irmão Alberto, um tenente de artilharia, foi trazido para casa depois de sofrer um trauma incurável após uma queda de cavalo. Durante anos, José derramou seus cuidados carinhosos ao seu amado irmão, e então ele teve que experimentar a relativa impotência dos remédios humanos e a eficácia dos confortos religiosos, os únicos que podem nos dar a verdadeira paz e serenidade. É, no entanto, um fato que, desde muito jovem, Giuseppe Moscati demonstra uma sensibilidade aguda pelos sofrimentos físicos dos outros; mas seu olhar não se detém neles: penetra até os últimos recessos do coração humano.

Em 4 de agosto de 1903, Giuseppe Moscati formou-se em medicina com nota máxima e direito à imprensa, coroando assim o “currículo” de seus estudos universitários de forma digna. Cinco meses após a formatura, o Dr. Moscati participa do concurso público para o cargo de assistente ordinário nos Hospitais Unidos de Nápoles; quase ao mesmo tempo apoia outro concurso para auxiliar extraordinário nos mesmos hospitais, com base em provas e qualificações. Na primeira das competições, de vinte e um classificados, ele ocupa o segundo lugar; no outro, consegue o primeiro lugar geral, e isso de forma tão triunfal que – como se lê em um julgamento qualificado – “deixa os examinadores e companheiros espantados”.

Desde 1904 Moscati trabalha como assistente no hospital degl Incurabili, em Nápoles, e entre outras coisas organiza a hospitalização de pessoas afetadas pela raiva e, através de uma intervenção pessoal muito corajosa, salva os pacientes no hospital de Torre del Greco, durante a erupção do Vesúvio em 1906.

Nos anos seguintes Giuseppe Moscati obteve a idoneidade, em concurso de exames, para o serviço de laboratório do hospital de infectologia “Domenico Cotugno”. Em 1911, ele participou do concurso público para seis postos de ajuda ordinária no Ospedali Riuniti e ganhou sensacionalmente. Há as nomeações como coadjutor ordinário nos hospitais e depois, na sequência do concurso para médico ordinário, a nomeação como diretor de sala, ou seja, médico chefe. Durante a Primeira Guerra Mundial, foi diretor dos departamentos militares do Ospedali Riuniti. Este “currículo” hospitalar é ladeado pelas várias etapas da universidade e da científica: desde os anos universitários até 1908, Moscati é assistente voluntário no laboratório de fisiologia; a partir de 1908 foi assistente pleno no Instituto de Química Fisiológica. Por concurso, obtém um local de estudo na estação zoológica. Na sequência de um concurso foi nomeado formador voluntário da III Clínica Médica, e responsável pelo departamento de química até 1911. Ao mesmo tempo, cobriu os vários níveis de ensino.

Em 1911 obteve, por habilitação, o Livre Docência em Química Fisiológica; ele é responsável pela liderança da pesquisa científica e experimental no Instituto de Química Biológica. Desde 1911 leciona, ininterruptamente, “Investigações laboratoriais aplicadas à clínica” e “Química aplicada à medicina”, com exercícios e demonstrações práticas. A título privado, durante alguns anos letivos, leciona semiologia hospitalar, semiologia clínica e patológica e casuística a numerosos licenciados e estudantes. Durante vários anos letivos concluiu a substituição nos cursos oficiais de Química Fisiológica e Fisiologia. Em 1922, obteve a Livre Docência em Clínica Médica Geral, com dispensa da aula ou da prova prática por unanimidade de votos da comissão.

Famoso e muito procurado no meio napolitano ainda muito jovem, o professor Moscati logo ganhou fama nacional e internacional por suas pesquisas originais, cujos resultados foram publicados por ele em várias revistas científicas italianas e estrangeiras. Essas pesquisas pioneiras, que se concentram especialmente no glicogênio e tópicos relacionados, garantem a Moscati um lugar de honra entre os pesquisadores médicos da primeira metade do nosso século.

No entanto, não são apenas ou mesmo principalmente as qualidades geniais e os sucessos sensacionais de Moscati – sua metodologia seguramente inovadora no campo da pesquisa científica, seu extraordinário olhar diagnóstico – que despertam o espanto de quem a aborda. Mais do que tudo, é a sua própria personalidade que deixa uma impressão profunda em quem o encontra, a sua vida límpida e coerente, toda impregnada de fé e caridade para com Deus e para com os homens. Moscati é um cientista de primeira linha; mas para ele não há contrastes entre fé e ciência: como pesquisador, ele está a serviço da verdade e a verdade nunca está em contradição consigo mesma, muito menos com o que a Verdade eterna nos revelou. A aceitação da Palavra de Deus não é, por outro lado, para Moscati um simples ato intelectual, abstrato e teórico: para ele a fé é, por outro lado, a fonte de toda a sua vida, a aceitação incondicional, calorosa e entusiástica da realidade do Deus pessoal e de nossas relações com ele. Moscati vê o Cristo sofredor em seus pacientes, o ama e o serve neles. É este impulso de amor generoso que o impele a fazer o melhor sem parar pelos que sofrem, não para esperar que os doentes venham até ele, mas para procurá-los nos bairros mais pobres e abandonados da cidade, para curar de graça, na verdade, para ajudá-los com os próprios ganhos de seus pais. E todos, mas sobretudo os que vivem na miséria, intuem na admiração o poder divino que anima o seu benfeitor. Assim Moscati torna-se o apóstolo de Jesus: sem nunca pregar, ele anuncia, com a sua caridade e com o modo como vive a sua profissão de médico, o Divino Pastor e conduz a ele os oprimidos e sedentos de verdade e de bondade. Com o passar dos anos, o fogo do amor parece devorar Giuseppe Moscati. Sua atividade externa cresce constantemente, mas suas horas de oração também são prolongadas e seus encontros com Jesus no sacramento são progressivamente internalizados.

Quando, em 12 de abril de 1927, Moscati morreu subitamente, abatido em plena atividade, com apenas 46 anos, a notícia de sua morte foi anunciada e espalhada de boca em boca com as palavras: “O santo doutor está morto”. Estas palavras, que resumem toda a vida de Moscati, recebem hoje o selo oficial da Igreja.

Fonte: causesanti.va (adaptado)

São Giuseppe Moscati, rogai por nós!

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SÁBADO, DIA 11 DE ABRIL DE 2026

OITAVA DA PÁSCOA
Cor Litúrgica branca

Primeira leitura
— At 4, 13-21
Leitura dos Atos dos Apóstolos
Naqueles dias, os chefes dos sacerdotes, os anciãos e os escribas, 13ficaram admirados ao ver a segurança com que Pedro e João falavam, pois eram pessoas simples e sem instrução. Reconheciam que eles tinham estado com Jesus. 14No entanto viam, de pé, junto a eles, o homem que tinha sido curado. E não podiam dizer nada em contrário.
15Mandaram que saíssem para fora do Sinédrio, e começaram a discutir entre si: 16“O que vamos fazer com esses homens? Eles realizaram um milagre claríssimo, e o fato tornou-se de tal modo conhecido por todos os habitantes de Jerusalém, que não podemos negá-lo. 17Contudo, a fim de que a coisa não se espalhe ainda mais entre o povo, vamos ameaçá-los, para que não falem mais a ninguém a respeito do nome de Jesus”. 18Chamaram de novo Pedro e João e ordenaram-lhes que, de modo algum, falassem ou ensinassem em nome de Jesus. 19Pedro e João responderam: “Julgai vós mesmos, se é justo diante de Deus que obedeçamos a vós e não a Deus! 20Quanto a nós, não nos podemos calar sobre o que vimos e ouvimos”.
21Então, insistindo em suas ameaças, deixaram Pedro e João em liberdade, já que não tinham meio de castigá-los, por causa do povo. Pois todos glorificavam a Deus pelo que havia acontecido.
– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

Salmo Responsorial — Sl 117(118),1 e 14-15.16ab-18.19-21 (R. 21a)
R. Dou-vos graças, ó Senhor, porque me ouvistes.
– Dai graças ao Senhor, porque ele é bom! “Eterna é a sua misericórdia!” O Senhor é minha força e o meu canto, e tornou-se para mim o Salvador. “Clamores de alegria e de vitória ressoem pelas tendas dos fiéis.
R. Dou-vos graças, ó Senhor, porque me ouvistes.
– A mão direita do Senhor fez maravilhas, a mão direita do Senhor me levantou, a mão direita do Senhor fez maravilhas!” O Senhor severamente me provou, mas não me abandonou às mãos da morte.
R. Dou-vos graças, ó Senhor, porque me ouvistes.
– Abri-me vós, abri-me as portas da justiça; quero entrar para dar graças ao Senhor! “Sim, esta é a porta do Senhor, por ela só os justos entrarão!” Dou-vos graças, ó Senhor, porque me ouvistes e vos tornastes para mim o Salvador!
R. Dou-vos graças, ó Senhor, porque me ouvistes.
– Este é o dia que o Senhor fez para nós, alegremo-nos e nele exultemos! (Sl 117, 24) 
– Aleluia, Aleluia, Aleluia.

Evangelho — Mc 16, 9-15
– O Senhor esteja convosco.
– Ele está no meio de nós.
– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo ✠ segundo Marcos 
– Glória a vós, Senhor.
Depois de ressuscitar, na madrugada do primeiro dia após o sábado, Jesus apareceu primeiro a Maria Madalena, da qual havia expulsado sete demônios. 10Ela foi anunciar isso aos seguidores de Jesus, que estavam de luto e chorando. 11Quando ouviram que ele estava vivo e fora visto por ela, não quiseram acreditar.
12Em seguida, Jesus apareceu a dois deles, com outra aparência, enquanto estavam indo para o campo. 13Eles também voltaram e anunciaram isso aos outros. Também a estes não deram crédito. 14Por fim, Jesus apareceu aos onze discípulos enquanto estavam comendo, repreendeu-os por causa da falta de fé e pela dureza de coração, porque não tinham acreditado naqueles que o tinham visto ressuscitado.
15E disse-lhes: “Ide pelo mundo inteiro e anunciai o Evangelho a toda criatura!”
– Palavra da Salvação.
– Glória a vós, Senhor.

SANTO DO DIA
Santa Gemma Galgani, Virgem (Memória Facultativa)

Local: Lucca, Itália
Data: 11 de Abril † 1903

Em 12 de março de 1878, no pitoresco vilarejo de Borgonuovo di Camigliano, próximo a Lucca, nascia uma criança extraordinária. Era a primeira menina entre os oito filhos do farmacêutico Enrico Galgani e Aurelia Landi. Um tio sugeriu que a menina fosse chamada de Gemma, mas a mãe relutou, alegando não haver nenhuma santa com esse nome para interceder por sua filha. Um sacerdote, ao presenciar a discussão, interveio, lembrando que “Gemma”, de origem latina, significa “pedra preciosa”, e acrescentou: “Há muitas gemas no céu; esperemos que ela também seja um dia outra gema no Paraíso.” Essas palavras se revelaram proféticas, pois a menina seria batizada no dia seguinte e um dia seria conhecida como Santa Gemma Galgani.

Desde muito pequena, Gemma aprendeu com a mãe a rezar. Sua mãe era uma dona de casa muito piedosa, e junto com as primeiras palavras, a menina já aprendia a rezar para o Papai do Céu. Sua atração pela vida espiritual era evidente e, desde cedo, demonstrava grande interesse pela religião, tanto que alguns parentes a encontraram no quarto, rezando de joelhos diante de uma imagem da Virgem Maria. Gemma tinha apenas quatro anos. Ao perguntarem o que ela estava fazendo, a menina disse: “Estou rezando a Ave Maria. Estou em oração.” Dotada de uma inteligência excepcional, absorvia os ensinamentos com facilidade e rapidez. Aos cinco anos, já conseguia ler no breviário o Ofício de Nossa Senhora e dos defuntos, sempre ansiosa para ouvir as histórias de Jesus contadas por sua mãe.

Entretanto, a saúde frágil de sua mãe era motivo de preocupação. No dia de sua confirmação, Gemma ouviu uma voz interior perguntando se ela ofereceria sua mãe a Deus. Sem hesitar, respondeu afirmativamente, desde que também fosse levada junto. A voz lhe disse para esperar junto ao pai e que mais tarde a levaria para o céu. Esse sinal marcou o início de uma jornada de entrega total a Deus, que incluiria o sofrimento pela salvação das almas. Como previsto pela voz, a mãe de Gemma adoeceu gravemente e faleceu pouco depois.

Incapaz de cuidar da menina devido às suas obrigações, o pai a matriculou como seminterna na escola das Irmãs de Santa Zita, em Lucca, fundada pela Beata Elena Guerra. Gemma destacou-se como aluna exemplar, dedicando-se especialmente ao estudo da religião. Seu desempenho acadêmico era notável, mas sua maior preocupação estava na vida espiritual, onde sua influência positiva sobre as colegas era evidente. Uma de suas professoras afirmou que Gemma era a alma da escola.

Nesse ponto de sua vida, o maior desejo de Gemma era receber a primeira comunhão. Insistia com as freiras para que lhe permitissem participar desse sacramento tão aguardado. Naquela época, não era comum que crianças recebessem a primeira comunhão, mas Gemma estava determinada. Ela dizia: “Dê-me Jesus e verá como serei boa. Mudarei completamente. Não cometerei mais nenhum pecado. Dê-me Jesus. Eu o desejo tanto que não consigo viver sem Ele.” Aos nove anos, o Bispo de Lucca, Monsenhor Giovanni Volpi, autorizou sua primeira comunhão, reconhecendo sua pureza de coração. Gemma fez um retiro de 15 dias em um convento de freiras, onde, ao ouvir a narrativa da Paixão de Cristo, sentiu profundas dores e uma febre alta. Em 17 de junho de 1887, na festa do Sagrado Coração de Jesus, Gemma recebeu sua primeira Eucaristia com a presença solene de seu pai, tornando-se um dos dias mais felizes de sua vida.

Em 1894, Gemma enfrentou a perda de seu irmão Gino, que aspirava a ser sacerdote. Três anos depois, outra provação se abateu sobre ela com o diagnóstico de câncer na garganta de seu pai. Gemma continuou os estudos no colégio das freiras, mas aos 19 anos, enquanto seu pai enfrentava sérias dificuldades financeiras, veio a falecer devido ao câncer. A família, agora sem recursos e enfrentando a miséria, sofreu um golpe devastador. Ainda com o pai em seu leito de morte, os credores tomaram tudo o que restava da família, deixando seus irmãos na miséria. Gemma confidenciou: “Chegaram a ponto de meter as mãos nos meus bolsos, levando as cinco ou seis moedas, apenas uns centavos, que eu guardava comigo.”

Com a família em ruínas, ela não podia ajudar devido à sua saúde precária. A meningite a deixou surda por um tempo, e uma curvatura na espinha dorsal causava-lhe dores intensas. Acrescentando-se à perda do pai e à miséria, Gemma sofreu imensamente. A família se dispersou; um irmão partiu para o Brasil, onde veio a falecer, enquanto Gemma foi viver com tios em Capannori, próxima a Lucca.

Seu desejo era ingressar no convento das Irmãs Passionistas e se consagrar a Jesus, mas suas doenças a impediam de sair de casa. Para piorar, abscessos se formaram em sua cabeça, e ela perdeu os cabelos. Os médicos não conseguiam curá-la; nenhum tratamento surtia efeito. Pouco tempo depois, ficou paralisada aos 20 anos, parecendo que sua vida chegaria ao fim.

Apesar das doenças e dores insuportáveis, Gemma não descuidava de sua vida de oração. Devorava as histórias de santos e dedicava-se à oração. São Gabriel da Virgem Dolorosa, um santo passionista, foi quem mais a impressionou. Ela mesma escreveu: “Comecei a admirar suas virtudes e seus hábitos. Minha devoção por ele crescia. À noite, eu não dormia sem ter sua imagem debaixo do travesseiro, e depois disso passei a vê-lo perto de mim. Não sei como explicar isso, mas eu sentia a sua presença a cada momento e em cada ação. O irmão Gabriel vinha à minha mente.”

No dia 23 de fevereiro de 1899, à noite, ela ouviu o ruído de um rosário. Olhou para o lado de onde vinha o ruído e viu São Gabriel. Ele lhe disse: “Vê como o teu sacrifício foi agradável? Eu mesmo vim ver-te. Você quer ficar curada? Reze com fé toda a noite a novena ao Sagrado Coração de Jesus. Eu virei até a novena terminar e rezarei com você a este sacratíssimo Coração.” Enquanto transcorriam os dias da novena, Gemma melhorava inexplicavelmente. No último dia, ela estava totalmente curada. A família estava em volta de seu leito para rezar a última parte da novena. Ao terminar, Gemma levantou-se. Todos choravam de alegria pelo grande milagre.

Além disso, o anjo da guarda de Gemma era uma presença constante, incentivando-a em suas virtudes. Era ele quem se encarregava de transportar suas correspondências para o céu ou para seu diretor espiritual. Gemma escrevia suas cartas e seu anjo da guarda as recolhia e as entregava aos destinatários.

Pouco tempo depois, em 8 de junho de 1899, desfrutando de uma saúde perfeita, Gemma recebeu uma graça especial ao receber a comunhão. Uma voz interior lhe anunciou que algo extraordinário estava prestes a acontecer: “Meu Filho Jesus te ama sem medida e deseja te dar uma graça. Eu serei uma mãe para ti. Serás uma verdadeira filha.” Nossa Senhora então abriu seu manto e cobriu Gemma com ele. Naquele momento, Jesus apareceu com todas as suas chagas abertas, mas daquelas chagas não saía sangue, e sim chamas de fogo. Num instante, aquelas chamas vieram tocar suas mãos, seus pés e seu coração. Sentiu como se estivesse morrendo e teria caído no chão se sua Mãe não a tivesse segurado. Enquanto permaneceu sob o manto de Maria, ficou várias horas naquela posição. Finalmente, Ela beijou sua testa. Tudo desapareceu, e Gemma se viu de joelhos, mas sentia uma dor forte nas mãos, pés e coração. Levantou-se para ir para a cama quando percebeu que saía sangue dessas partes onde sentia dor. Cobriu as feridas o melhor que pôde, ajudada por seu anjo, e então pôde ir para a cama.

Inúmeras testemunhas, incluindo renomados membros do clero, presenciaram esse milagre dos estigmas de Cristo no corpo de Santa Gemma, que se repetia semanalmente, das tardes de quinta-feira até por volta das 15 horas de sexta-feira. Depois disso, as feridas sempre se fechavam, deixando apenas cicatrizes. As marcas eram evidentes: pulsos e pés perfurados, a cabeça marcada pelas feridas da coroa de espinhos, além das cicatrizes das chibatadas nas costas e uma ferida proeminente no ombro, que correspondia à ferida de Jesus ao levar a cruz.

Apesar dos esforços para ocultar as chagas, logo foram descobertas, transformando Gemma em alvo de insultos e acusações. Rotulada de farsante e histérica, enfrentou um período desafiador. Até mesmo seu confessor, Monsenhor Giovanni Volpi, chegou a duvidar dos estigmas.

Ao completar 21 anos, seus irmãos não podiam mais sustentá-la, pois a fama da família Galgani estava arruinada. Conseguiram então que Gemma fosse acolhida pela generosa família Giannini, farmacêuticos locais. Ajudando nos afazeres domésticos, principalmente auxiliando a senhora Cecília Giannini, Gemma demonstrou uma eficiência notável, realizando suas tarefas com rapidez para dedicar todo o tempo livre à oração. Frequentava a missa diariamente e comungava. A senhora Giannini, em testemunho posterior, afirmou: “Posso jurar que durante os 3 anos e 8 meses que Gemma esteve conosco, eu nunca soube do menor problema em nossa família que fosse por ela, e nunca vi nela o menor defeito. Repito: nem o menor problema, nem o menor defeito.”

Nesse período, Gemma encontrou seu diretor espiritual, Padre Germano Ruoppolo, da Congregação dos Padres Passionistas, que reconhecendo sua profunda vida de oração e sua estreita união com Deus, a considerava uma joia de Cristo já avançada em sua espiritualidade. Foi ele quem a encorajou a registrar tudo o que experimentava durante as aparições, que totalizaram cerca de 150 ao longo de sua vida. Padre Germano testemunhou Gemma em êxtase, dialogando com Jesus e Nossa Senhora, intercedendo para que a Mãe de Deus contivesse o braço de seu Filho sobre algum pecador. Em muitas ocasiões, após esses êxtases, alguém vinha em profundo arrependimento buscar o Padre Germano para se confessar. Ele também foi o biógrafo de Santa Gemma, recebendo elogios do Papa Pio X pela obra.

Apesar do sofrimento causado pelos estigmas, Gemma encontrava consolo em seu anjo da guarda. Em conversas íntimas, compartilhavam orações e reflexões. Certa vez, o anjo lhe disse: “Olha para o que Jesus sofreu pelos homens. Considera uma por uma estas chagas. Foi o amor que abriu todas elas. Veja como o pecado é horrível, já que, para expiá-lo, tanta dor e tanto amor foram necessários.”

Além de enfrentar o escárnio na cidade e a desconfiança de seu confessor, Gemma também encarou o ódio do demônio, que muitas vezes aparecia na forma de um cão feroz que lhe mordia ou de outras criaturas monstruosas. Após esses ataques, era Jesus Cristo quem vinha e curava todas as feridas.

A pedido de Padre Germano, Gemma começou a escrever um diário sobre sua vida espiritual. No entanto, o demônio interveio e levou o diário para o inferno, só o devolvendo após o padre realizar um exorcismo diante do túmulo de São Gabriel da Virgem Dolorosa. O documento, todo chamuscado pelo fogo, permanece exposto na residência da família Giannini.

Em 1902, Santa Gemma, que desfrutava de boa saúde desde sua cura milagrosa, decidiu se oferecer como vítima expiatória pela salvação das almas. Sua oferta foi aceita por Jesus. Subitamente, ela adoeceu gravemente, sem apetite e incapaz de se levantar da cama. Os médicos não conseguiam diagnosticar sua enfermidade, mas, tão repentinamente quanto chegara, a doença desapareceu. Gemma recuperou-se e voltou à sua rotina.

Em 21 de setembro de 1902, ela começou a tossir violentamente, expelindo sangue. Ao mesmo tempo, foi envolvida por uma aridez espiritual total: não mais experimentava consolações nem graças palpáveis em sua vida de oração. A tentação a acometia, sugerindo que fora abandonada por Jesus. Em meio a essas batalhas espirituais, ela clamava incessantemente pelos nomes de Jesus e Maria.

Sobre esse período terrível de sofrimento e tentações, seu diretor espiritual, Padre Germano, escreveu: “A pobre sofredora passou dias, semanas e meses desse modo, dando-nos um exemplo de paciência heroica e razões para um medo saudável pelo que pode acontecer conosco, que não temos os méritos de Gemma na terrível hora da morte.”

Apesar do sofrimento aparentemente interminável, ela nunca se queixou. Sua fé permanecia inabalável, mesmo diante da aridez espiritual e da sensação de abandono. Mantinha-se em constante oração. Enquanto sua doença progredia, tornando-a esquelética, sua beleza interior e exterior persistiam, irradiando pureza de alma.

À medida que sua situação se agravava, Padre Germano lhe ministrou a extrema unção. Em 11 de abril de 1903, todos perceberam que o fim se aproximava e cercaram seu leito de morte. Segurando o crucifixo, Gemma proferiu: “Agora é mesmo verdade que não me resta mais nada. Jesus, eu recomendo a minha pobre alma a ti.” Em seguida, dirigindo-se a uma imagem da Virgem Santíssima, suplicou: “Minha Mãe, encomende a minha pobre alma a Jesus. Dizei a Ele que tenha misericórdia de mim.” Essas foram suas últimas palavras. Com um largo sorriso, inclinou a cabeça para o lado e expirou.

Gemma partiu em serenidade tão pacífica que muitos acreditavam que ela apenas adormecera. Contudo, seu coração havia cessado de bater. Era o Sábado Santo. Aos jovens 25 anos, ela deixava este mundo.

Ao longo de sua vida, nutriu um grande desejo: consagrar-se a Deus na Congregação das Irmãs Passionistas. Apesar de ter sido recusada mais de 20 vezes devido às suas doenças, seu desejo foi realizado após sua morte. As Irmãs Passionistas de Lucca a receberam oficialmente na congregação, e ela foi sepultada com o hábito de freira passionista.

Em 24 de abril do mesmo ano, uma comissão médica realizou a autópsia do corpo de Santa Gemma. Uma descoberta impressionante aguardava os especialistas: seu coração parecia vivo, repleto de sangue e flexível. Colocado em um relicário, permanece intacto até hoje. Suas relíquias são veneradas na capela do convento das Irmãs Passionistas de Lucca.

Durante sua vida, Gemma viveu de forma discreta e simples, permanecendo praticamente desconhecida. Foi somente após sua morte que seu valor foi reconhecido. Padre Germano e outros recolheram as magníficas cartas que ela escreveu ao longo de sua vida. Nessas cartas, revela-se a profunda experiência de Gemma com Jesus, refletindo sua ardente teologia do amor de Deus.

Para Gemma, o amor de Deus não era apenas uma emoção, mas uma resposta ao amor de Cristo manifestado em sua Palavra. Ela aspirava a compartilhar os sofrimentos de Jesus, a ponto de se tornar uma vítima expiatória por amor aos pecadores. Essa foi sua missão: salvar os pecadores, não por meio de palavras ou ensinamentos, mas com sua própria vida.

A reputação de santidade de Gemma já existia quando ela morreu, mas somente em 1917 seu processo de beatificação foi iniciado. Testemunhos sob juramento foram coletados, todos destacando suas virtudes heroicas. Os milagres oficialmente confirmados por juntas médicas ratificaram sua santidade.

Em 1933, ela foi beatificada pelo Papa Pio XI (não Pio X, como alguns relatos afirmam). Embora tenha havido alguma oposição à sua beatificação e canonização, o Papa enfatizou que Gemma seria beatificada não por suas visões, mas por sua vida santa e exemplar. Em 2 de maio de 1940, ela foi canonizada na Basílica de São Pedro, em Roma, pelo Papa Pio XII.

Santa Gemma foi declarada padroeira dos farmacêuticos e de todos que trabalham em farmácias, além de modelo para a juventude. Foi contemporânea de outros dois grandes santos: Santa Teresinha do Menino Jesus e São Padre Pio de Pietrelcina. Podemos ver em Gemma o amor de Santa Teresinha e os dons místicos de Padre Pio.

Santa Gemma Galgani, rogai por nós!

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SEXTA-FEIRA, DIA 10 DE ABRIL DE 2026

OITAVA DA PÁSCOA
Cor Litúrgica branca

Primeira leitura
At 4,1-12
Leitura dos Atos dos Apóstolos 4,1-12
Naqueles dias, depois que o paralítico fora curado,
1 Pedro e João ainda estavam falando ao povo, quando chegaram os sacerdotes, o chefe da guarda do Templo e os saduceus.
2 Estavam irritados porque os apóstolos ensinavam o povo e anunciavam a ressurreição dos mortos na pessoa de Jesus.
3 Eles prenderam Pedro e João e os colocaram na prisão até ao dia seguinte, porque já estava anoitecendo.
4 Todavia, muitos daqueles que tinham ouvido a pregação acreditaram. E o número dos homens chegou a uns cinco mil.
5 No dia seguinte, reuniram-se em Jerusalém os chefes, os anciãos e os mestres da Lei.
6 Estavam presentes o Sumo Sacerdote Anás, e também Caifás, João, Alexandre, e todos os que pertenciam às famílias dos sumos sacerdotes.
7 Fizeram Pedro e João comparecer diante deles e os interrogavam: “Com que poder ou em nome de quem vós fizestes isso?”
8 Então, Pedro, cheio do Espírito Santo, disse-lhes: “Chefes do povo e anciãos:
9 hoje estamos sendo interrogados por termos feito o bem a um enfermo e pelo modo como foi curado.
10 Ficai, pois, sabendo todos vós e todo o povo de Israel: é pelo nome de Jesus Cristo, de Nazaré, – aquele que vós crucificastes e que Deus ressuscitou dos mortos – que este homem está curado, diante de vós.
11 Jesus é a pedra, que vós, os construtores, desprezastes, e que se tornou a pedra angular.
12 Em nenhum outro há salvação, pois não existe debaixo do céu outro nome dado aos homens pelo qual possamos ser salvos”.
℣. Palavra do Senhor.
℟. Graças a Deus.

SALMO RESPONSORIAL
Sl 117(118),1-2.4.22-24.25-27a (R. 22)

A pedra que os pedreiros rejeitaram, tornou-se agora a pedra angular. Ou: Aleluia, Aleluia, Aleluia.

1 Dai graças ao Senhor, porque ele é bom! * “Eterna é a sua misericórdia!”
2 A casa de Israel agora o diga: * “Eterna é a sua misericórdia!”

A pedra que os pedreiros rejeitaram, tornou-se agora a pedra angular. Ou: Aleluia, Aleluia, Aleluia.

4 Os que temem o Senhor agora o digam: * “Eterna é a sua misericórdia!”
22 “A pedra que os pedreiros rejeitaram, * tornou-se agora a pedra angular.
23 Pelo Senhor é que foi feito tudo isso: * Que maravilhas ele fez a nossos olhos!

A pedra que os pedreiros rejeitaram, tornou-se agora a pedra angular. Ou: Aleluia, Aleluia, Aleluia.

24 Este é o dia que o Senhor fez para nós, * alegremo-nos e nele exultemos!
25 Ó Senhor, dai-nos a vossa salvação, * ó Senhor, dai-nos também prosperidade!”

A pedra que os pedreiros rejeitaram, tornou-se agora a pedra angular. Ou: Aleluia, Aleluia, Aleluia.

26 Bendito seja, em nome do Senhor, * aquele que em seus átrios vai entrando! Desta casa do Senhor vos bendizemos. *
27a Que o Senhor e nosso Deus nos ilumine!

℟. A pedra que os pedreiros rejeitaram, tornou-se agora a pedra angular. Ou: Aleluia, Aleluia,

ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO
Sl 117(118),24
℟. Aleluia, Aleluia, Aleluia.
℣. Este é o dia que o Senhor fez para nós, alegremo-nos e nele exultemos!
℟. Aleluia, Aleluia, Aleluia.
Cruz de Santiago
EVANGELHO
Jesus aproximou-se, tomou o pão e distribuiu-o por eles. E fez a mesma coisa com o peixe.
Cruz do Evangelho Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João 21,1-14
Naquele tempo,
1 Jesus apareceu de novo aos discípulos, à beira do mar de Tiberíades. A aparição foi assim:
2 Estavam juntos Simão Pedro, Tomé, chamado Dídimo, Natanael de Caná da Galileia, os filhos de Zebedeu e outros dois discípulos de Jesus.
3 Simão Pedro disse a eles: “Eu vou pescar”. Eles disseram: “Também vamos contigo”. Saíram e entraram na barca, mas não pescaram nada naquela noite.
4 Já tinha amanhecido, e Jesus estava de pé na margem. Mas os discípulos não sabiam que era Jesus.
5 Então Jesus disse: “Moços, tendes alguma coisa para comer?” Responderam: “Não”.
6 Jesus disse-lhes: “Lançai a rede à direita da barca, e achareis”. Lançaram pois a rede e não conseguiam puxá-la para fora, por causa da quantidade de peixes.
7 Então, o discípulo a quem Jesus amava disse a Pedro: “É o Senhor!” Simão Pedro, ouvindo dizer que era o Senhor, vestiu sua roupa, pois estava nu, e atirou-se ao mar.
8 Os outros discípulos vieram com a barca, arrastando a rede com os peixes. Na verdade, não estavam longe da terra, mas somente a cerca de cem metros.
9 Logo que pisaram a terra, viram brasas acesas, com peixe em cima, e pão.
10 Jesus disse-lhes: “Trazei alguns dos peixes que apanhastes”.
11 Então Simão Pedro subiu ao barco e arrastou a rede para a terra. Estava cheia de cento e cinquenta e três grandes peixes; e apesar de tantos peixes, a rede não se rompeu.
12 Jesus disse-lhes: “Vinde comer”. Nenhum dos discípulos se atrevia a perguntar quem era ele, pois sabiam que era o Senhor.
13 Jesus aproximou-se, tomou o pão e distribuiu-o por eles. E fez a mesma coisa com o peixe.
14 Esta foi a terceira vez que Jesus, ressuscitado dos mortos, apareceu aos discípulos.
℣. Palavra da Salvação.
℟. Glória a Vós, Senhor.

SANTO DO DIA
Santa Madalena de Canossa exclamava: façam conhecer a Jesus Cristo!

Origens
Madalena Gabriela de Canossa nasceu em Verona, no dia 1° de março de 1774, de família nobre e rica, terceira de seis irmãos. Com apenas cinco anos, ficou órfã de pai; dois anos depois, foi abandonada pela mãe, que recasou com o marquês Zenetti de Mântua. A educação de Madalena de Canossa e de seus quatro irmãos foi confiada, nos anos seguintes, a uma governanta francesa, bastante severa, que não compreendendo o caráter da menina, a tratava com excessiva dureza.
Doença
Aos quinze anos, Madalena foi acometida por uma febre misteriosa, como também por uma dor isquiática violentíssima e uma grave forma de varíola. Essas doenças causaram-lhe asma crônica e uma dolorosa contração nos braços, que pioraram com o passar dos anos. Durante a convalescença, desabrochou nela a vocação religiosa e o desejo de entrar para o convento, porém não conseguia deixar o pensamento dos pobres e necessitados, que frequentavam o átrio do palácio paterno. Ela sustentava-os de muitas maneiras.
Discernimento vocacional
Aos 17 anos, seu confessor, o carmelita Estêvão do Sagrado Coração, aconselhou-a a fazer um período de experiência no mosteiro de Santa Teresa, em Verona e, depois, naquele das Carmelitas Descalças, em Conegliano. Após alguns meses, ambas as experiências concluíram-se com sua volta a casa, por não ser idônea à vida claustral. Porém, a Priora do Convento de Verona escreveu-lhe: “Deus manifestou, com clareza, a sua não idoneidade para a vida de religiosa Descalça; porém, isso não queria dizer que a recusava como Esposa”. Então, a Priora propôs-lhe outro diretor espiritual, Padre Luís Ribera, que a exortou a prestar um serviço de caridade na sua família e no mundo. Em 1799, Madalena de Canossa recolheu da rua duas jovens abandonadas e as colocou, provisoriamente, em um apartamento no bairro mal afamado de São Zeno.
Santa Madalena de Canossa e a Ordem Terceira das Filhas da Caridade
As filhas da caridade
Em 1804, hospedou, em seu palácio, Napoleão Bonaparte, de passagem por Verona. Napoleão teve a oportunidade de conhecer e admirar Madalena de Canossa e seu zelo apostólico; por isso, ofereceu-lhe um ex-Mosteiro das Agostinianas. Assim nasceu o primeiro Instituto das Filhas da Caridade, aprovado, em 1816, pelo Papa Pio VII. Ali, Madalena deu catecismo e assistência aos enfermos, mas, sobretudo, instituiu escolas para a educação e formação de moças. Muitas jovens foram atraídas pelo carisma de Madalena e das suas coirmãs.
Novos Institutos 
Com o passar do tempo, surgiram novos Institutos em Veneza, Milão, Bergamo e Trento. Na Congregação, era rejeitada toda forma de tristeza ou melancolia. A fundadora aconselhava, mais que um rigor excessivo, um sereno abandono a vontade de Deus. No Instituto de Bergamo, Madalena fundou o primeiro centro para professoras camponesas e, a seguir, a Ordem Terceira das Filhas da Caridade, aberto também às mulheres casadas ou viúvas, que se dedicavam, sobretudo, à formação das enfermeiras e professoras.
O Amor do Crucificado e as Filhas da Caridade
Campo de missão
O Amor do Crucificado Ressuscitado arde no coração de Madalena de Canossa que, com as companheiras, torna-se testemunha do mesmo Amor em cinco âmbitos específicos: a escola de caridade para a promoção integral da pessoa; a catequese a todas as categorias, privilegiando os distantes; a assistência voltada principalmente aos enfermos dos hospitais; os seminários residenciais para formar jovens professoras de áreas rurais e preciosas colaboradoras dos párocos nas atividades pastorais; cursos de exercícios espirituais anuais para as damas da alta nobreza, com o objetivo de incentivá-las espiritualmente e envolvê-las nas várias áreas caritativas.
Um amor estendido 
Em seguida, esta atividade se estende a todas as categorias de pessoas. “Sobretudo, façam conhecer Jesus Cristo! A grande paixão do coração de Madalena, é a grande herança que as Filhas, e os Filhos da Caridade são chamados a viver, uma disponibilidade radical, ‘dispostos pelo divino serviço a ir a qualquer país, até mesmo o mais remoto’” (Madalena, Ep. II / I, p. 266).
Último suspiro
Nos últimos anos da sua existência, Madalena de Canossa começou a ter frequentes crises de asma e fortes dores nas pernas e nos braços. Na rude cela do seu convento, não havia nem um genuflexório: para rezar – dizia – eram suficientes os degraus diante da janela. Em 10 de abril de 1835, pediu à suas coirmãs para segurá-la em pé, a fim de rezar as três Ave-Marias a Nossa Senhora das Dores, à qual tinha uma devoção toda especial. Na terceira Ave-Maria – narram –, elevou os braços ao céu e, com um grito de alegria e de mãos postas, reclinou a cabeça no ombro de uma coirmã. Madalena Gabriela de Canossa foi beatificada, em 1941, por Pio XII e, em 1988, canonizada por João Paulo II.
Devoção a Santa Madalena de Canossa
Oração
Deus de amor e de bondade, que criastes o ser humano para a felicidade, ajudai-nos, pela intercessão de Santa Madalena de Canossa, a descobrir que a nossa alegria só e completa quando repartimos nosso tempo e nossos bens com aqueles os mais pobres. Por Cristo Nosso Senhor. Amém!
Minha oração
“Querida santa, a tua lembrança nos ensina a alegria da caridade. Não podemos viver na tristeza e no egoísmo próprios do nosso tempo, por isso, ajuda-nos a viver a caridade para com os mais necessitados ao nosso lado e a descobrir aí a face de Cristo crucificado. Amém!”
Santa Madalena de Canossa, rogai por nós!

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QUINTA-FEIRA, DIA 09 DE ABRIL DE 2026

OITAVA DA PÁSCOA
Cor Litúrgica branca

Primeira leitura
— At 3, 11-26
Leitura dos Atos dos Apóstolos
Naqueles dias, 11como o paralítico não deixava mais Pedro e João, todo o povo, assombrado, foi correndo para junto deles, no chamado “Pórtico de Salomão”.
12Ao ver isso, Pedro dirigiu-se ao povo: “Israelitas, por que vos espantais com o que aconteceu? Por que ficais olhando para nós, como se tivéssemos feito este homem andar com nosso próprio poder ou piedade? 13O Deus de Abraão, de Isaac, de Jacó, o Deus de nossos antepassados glorificou o seu servo Jesus. Vós o entregastes e o rejeitastes diante de Pilatos, que estava decidido a soltá-lo.
14Vós rejeitastes o Santo e o Justo, e pedistes a libertação para um assassino. 15Vós matastes o autor da vida, mas Deus o ressuscitou dos mortos, e disso nós somos testemunhas. 16Graças à fé no nome de Jesus, este Nome acaba de fortalecer este homem que vedes e reconheceis. A fé que vem por meio de Jesus lhe deu perfeita saúde na presença de todos vós.
17E agora, meus irmãos, eu sei que vós agistes por ignorância, assim como vossos chefes. 18Deus, porém, cumpriu desse modo o que havia anunciado pela boca de todos os profetas: que o seu Cristo haveria de sofrer. 19Arrependei-vos, portanto, e convertei-vos, para que vossos pecados sejam perdoados. 20Assim podereis alcançar o tempo do repouso que vem do Senhor. E ele enviará Jesus, o Cristo, que vos foi destinado.
21No entanto, é necessário que o céu o receba, até que se cumpra o tempo da restauração de todas as coisas, conforme disse Deus, nos tempos passados, pela boca de seus santos profetas. 22Com efeito, Moisés afirmou: ‘O Senhor Deus fará surgir, entre vossos irmãos, um profeta como eu. Escutai tudo o que ele vos disser. 23Quem não der ouvidos a esse profeta, será eliminado do meio do povo’.
24E todos os profetas que falaram, desde Samuel e seus sucessores, também eles anunciaram estes dias. 25Vós sois filhos dos profetas e da aliança, que Deus fez com vossos pais, quando disse a Abraão: ‘Através da tua descendência serão abençoadas todas as famílias da terra’. 26Após ter ressuscitado o seu servo, Deus o enviou em primeiro lugar a vós, para vos abençoar, na medida em que cada um se converta de suas maldades”.
– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

Salmo Responsorial — Sl 8, 2a e 5. 6-7. 8-9 (R. 2ab)
R. Ó Senhor, nosso Deus, como é grande vosso nome por todo o universo!
– Ó Senhor, nosso Deus, como é grande vosso nome por todo o universo! Perguntamos: “Senhor que é o homem, para dele assim vos lembrardes e o tratardes com tanto carinho?”
– Ó Senhor, nosso Deus, como é grande vosso nome por todo o universo!
– Pouco abaixo de Deus o fizestes, coroando-o de glória e esplendor; vós lhe destes poder sobre tudo, vossas obras aos pés lhe pusestes:
– Ó Senhor, nosso Deus, como é grande vosso nome por todo o universo!
– As ovelhas, os bois, os rebanhos, todo o gado e as feras da mata; passarinhos e peixes dos mares, todo ser que se move nas águas.
– Ó Senhor, nosso Deus, como é grande vosso nome por todo o universo!

Evangelho — Lc 24, 35-48
Aleluia, aleluia aleluia.
– Este é o dia que o Senhor fez para nós, alegremo-nos e nele exultemos! (Sl 117, 24)
– Aleluia, Aleluia, Aleluia.

– O Senhor esteja convosco.
– Ele está no meio de nós.
– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo ✠segundo Lucas 
– Glória a vós, Senhor.
Naquele tempo, 35os discípulos contaram o que tinha acontecido no caminho, e como tinham reconhecido Jesus ao partir o pão. 36Ainda estavam falando, quando o próprio Jesus apareceu no meio deles e lhes disse: “A paz esteja convosco!”
37Eles ficaram assustados e cheios de medo, pensando que estavam vendo um fantasma. 38Mas Jesus disse: “Por que estais preocupados, e por que tendes dúvidas no coração? 39Vede minhas mãos e meus pés: sou eu mesmo! Tocai em mim e vede! Um fantasma não tem carne, nem ossos, como estais vendo que eu tenho”.
40E dizendo isso, Jesus mostrou-lhes as mãos e os pés. 41Mas eles ainda não podiam acreditar, porque estavam muito alegres e surpresos. Então Jesus disse: “Tendes aqui alguma coisa para comer?” 42Deram-lhe um pedaço de peixe assado. 43Ele o tomou e comeu diante deles. 44Depois disse-lhes: “São estas as coisas que vos falei quando ainda estava convosco: era preciso que se cumprisse tudo o que está escrito sobre mim na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos”.
45Então Jesus abriu a inteligência dos discípulos para entenderem as Escrituras, 46e lhes disse: “Assim está escrito: o Cristo sofrerá e ressuscitará dos mortos ao terceiro dia 47e no seu nome serão anunciados a conversão e o perdão dos pecados a todas as nações, começando por Jerusalém. 48Vós sereis testemunhas de tudo isso”.
– Palavra da Salvação.
– Glória a vós, Senhor.

SANTO DO DIA
Santa Valtrudes (Memória Facultativa)

Local: Mons, Bélgica
Data: 09 de Abril † 688

É impossível dizer pormenorizadamente os santos e santas que lustraram a França durante o sétimo século, bem como os mosteiros que se fundaram, muitos dos quais serviram de início a outras tantas cidades. Assim, duas irmãs Santa Valtrudes e Santa Aldegonda fundaram dois mosteiros para jovens, os quais foram os começos das cidades de Mons e de Maubeuge.

Eram filhas de São Valberto e de Santa Bertila, ambos de ascendência ilustre. Santa Valtrudes casou-se muito jovem com o conde Maldegário. O esposo, a esposa e quatro filhos, que lhes nasceram, Landric, Aldetruda, Maldeberte e Dentelin são venerados como santos. Este último morreu muito moço. Maldegário, a conselho da esposa, Santa Valtrudes, consagrou-se a Deus e tomou o nome de Vicente. Fundou então, o mosteiro de Soignies. Valtrudes fundou o de Mons e Aldegonda o de Maubeuge.

Santa Valtrudes após retirada do marido, ficou ainda dois anos no mundo. Praticou todos os exercícios de piedade, sob direção do santo abade Guislan, seu diretor. Por fim, livre de todos os estorvos, recebeu em 656, o véu sagrado das mãos de Santo Aubert, bispo de Cambrai e encerrou-se em uma pequena cela, à qual uma capela fazia vizinhança. Essa cela ficava em um lugar solitário. Várias mulheres piedosas se reuniram à santa. Formou, então, uma comunidade religiosa. Sua reputação, bem como a do mosteiro deram nascimento à cidade de Mons, capital de Hainaut.
Valdetrudes, ocupava-se unicamente da santificação de si própria e com esse objetivo trabalhou sem cessar pela prática da pobreza, da doçura, da paciência e da mortificação.

Recebia algumas vezes visitas de Santa Aldegonda, sua irmã, que dirigia o mosteiro de Maubeuge. A virtude e a constância de Valtrudes foram duramente experimentadas. Mas ela triunfou e gozou, depois, da paz e da consolação que Deus faz suceder as grandes tormentas.

Morreu no dia 9 de Abril de 686. Suas relíquias se encontram na igreja que dela recebeu o nome. É patrona titular da cidade de Mons e de toda a região de Hainaut.

Referência:
ROHRBACHER, Padre. Vida dos santos: Volume VI. São Paulo: Editora das Américas, 1959. Edição atualizada por Jannart Moutinho Ribeiro; sob a supervisão do Prof. A. Della Nina. Adaptações: Equipe Pocket Terço. Disponível em: obrascatolicas.com. Acesso em: 08 abr. 2022.

Santa Valtrudes, rogai por nós!