Publicado em

SEXTA-FEIRA, DIA 02 DE OUTUBRO DE 2026

Santos Anjos da Guarda, Memória
Cor Litúrgica branca

Primeira leitura
— Ex 23, 20-23

Leitura do Livro do Êxodo

Assim diz o Senhor: 20“Vou enviar um anjo que vá à tua frente, que te guarde pelo caminho e te conduza ao lugar que te preparei. 21Respeita-o e ouve a sua voz. Não lhe sejas rebelde, porque não suportará as vossas transgressões, e nele está o meu nome. 22Se ouvires a sua voz e fizeres tudo o que eu disser, serei inimigo dos teus inimigos, e adversário dos teus adversários. 23O meu anjo irá à tua frente e te conduzirá à terra dos amorreus, dos hititas, dos fereseus, dos cananeus, dos heveus e dos jebuseus, e eu os exterminarei”.
— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus.

Salmo Responsorial — Sl 90(91), 1-2. 3-4. 5-6. 10-11 (R. 11)

℟. O Senhor deu uma ordem aos seus anjos, para em todos os caminhos te guardarem.

— 1Quem habita ao abrigo do Altíssimo e vive à sombra do Senhor onipotente, 2diz ao Senhor: “Sois meu refúgio e proteção, sois o meu Deus, no qual confio inteiramente”. ℟.

℟. O Senhor deu uma ordem aos seus anjos, para em todos os caminhos te guardarem.

— 3Do caçador e do seu laço ele te livra. Ele te salva da palavra que destrói. 4Com suas asas haverá de proteger-te, com seu escudo e suas armas, defender-te. ℟.

℟. O Senhor deu uma ordem aos seus anjos, para em todos os caminhos te guardarem.

— 5Não temerás terror algum durante a noite, nem a flecha disparada em pleno dia; 6nem a peste que caminha pelo escuro, nem a desgraça que devasta ao meio-dia. ℟.

℟. O Senhor deu uma ordem aos seus anjos, para em todos os caminhos te guardarem.

— 10Nenhum mal há de chegar perto de ti, nem a desgraça baterá à tua porta; 11pois o Senhor deu uma ordem a seus anjos para em todos os caminhos te guardarem. ℟.

℟. O Senhor deu uma ordem aos seus anjos, para em todos os caminhos te guardarem.

℟. Aleluia, Aleluia, Aleluia.
℣. Bendizei ao Senhor Deus, os seus poderes, seus ministros que fazeis sua vontade! (Sl 102(103), 21) ℟.
Evangelho — Mt 18, 1-5. 10

℣. O Senhor esteja convosco.
℟. Ele está no meio de nós.

℣. Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo ✠ segundo Mateus
℟. Glória a vós, Senhor.

Naquela hora, 1os discípulos aproximaram-se de Jesus e perguntaram: “Quem é o maior no Reino dos Céus?” 2Jesus chamou uma criança, colocou-a no meio deles 3e disse:
“Em verdade vos digo, se não vos converterdes, e não vos tornardes como crianças, não entrareis no Reino dos Céus. 4Quem se faz pequeno como esta criança, esse é o maior no Reino dos Céus. 5E quem recebe em meu nome uma criança como esta, é a mim que recebe. 10Não desprezeis nenhum desses pequeninos, pois eu vos digo que os seus anjos nos céus veem sem cessar a face do meu Pai que está nos céus”.
— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

SANTO DO DIA
Santos Anjos da Guarda (Memória)

Data: 02 de Outubro

A primeira manifestação de uma comemoração dos Santos Anjos da Guarda aparece em 1411 em Valência, na Espanha. Em 1590, o papa Sisto V concedeu a Portugal um Ofício especial. Da Espanha e Portugal esta memória passou para o Calendário romano, em 1608.

Creio que todos nos lembramos, na nossa infância, daquelas figuras da criança protegida por um anjo ao atravessar uma ponte arruinada! A comemoração dos Anjos da Guarda está mais na compreensão comum da fé do que no nível da discussão teológica.

A Igreja, em sua piedade, sempre acreditou na existência não só de anjos em geral, dos quais nos falam repetidamente as páginas da Sagrada Escritura, mas também de anjos destinados a guardar e proteger os homens na caminhada terrestre.

Na História da Salvação, Deus confia aos anjos o encargo de proteger os patriarcas, os seus servos (Sl 90, 11-13) e todo o povo eleito (Ex 23, 20-23). No Novo Testamento o papel dos anjos é mais claro. Os anjos anunciam o nascimento de Cristo e acompanham a vida toda do Divino Mestre. Aparecem por ocasião de sua paixão e morte e são testemunhas de sua ressurreição. Igualmente nos Atos dos Apóstolos é bem evidente a intervenção dos anjos que vai marcando os primeiros passos da Igreja. Eles tomam parte ativa nos progressos do Evangelho, manifestando assim que a comunidade eclesial se liga intimamente ao ministério de Cristo.

O autor da Carta aos Hebreus dá testemunho disso quando escreve, falando dos anjos de Deus: Não são todos eles espíritos servidores, enviados para servir os que devem herdar a salvação? (Hb 1, 14).

Para justificar a existência dos anjos da guarda poderemos citar primeiramente o Sl 90, que se refere ao futuro Messias, fala explicitamente que Deus mandou seus anjos guardar o Messias: Em todos os seus passos, eles o sustentarão em suas mãos para que não tropece em alguma pedra. Se Cristo, em sua humanidade, apesar de unida com a Divindade, era continuamente protegido por anjos, muito mais devemos ser nós, seus membros. Certa vez, Jesus, falando das crianças, que propunha como modelos de inocência, de simplicidade e de docilidade, teve palavras fortes contra os possíveis escandalizadores das crianças e acrescentou: Cuidado para não desprezar um desses pequeninos, porque eu vos digo que seus anjos estão continuamente no céu, na presença do meu Pai celeste (Mt 18, 10). Quando Pedro, libertado da cadeia, por intervenção de um anjo (At 12, 7-9; cf. tb. At 5, 19), se dirigia à noite à casa do amigo Marcos, bateu à porta, mas de dentro não se atreviam a abrir, embora reconhecendo que fosse sua voz, pois diziam: Deve ser o anjo dele (At 12, 15). Esta frase faz pensar na convicção dos primeiros cristãos relativa à existência de um anjo que acompanha cada um de nós. Esta é, de fato, a crença universal e pacífica da Igreja em todos os tempos.

Os temas da proteção e dos anjos como guias perpassam toda a Liturgia. Eles são vistos como seres que bendizem o Senhor e cantam a sua glória e o louvam eternamente e os fiéis são convidados a louvarem a Deus na presença dos anjos (cf. Antífona da entrada e da Comunhão).

A Oração coleta reconhece que Deus na sua providência manda os seus anjos para guardar-nos. Na Oração sobre as oferendas a Igreja pede que as nossas oferendas em honra dos Santos Anjos façam com que eles nos guardem dos perigos desta vida e nos levem à vida eterna. Na Oração depois da Comunhão se pede que Deus nos guie por meio dos seus Anjos no caminho da salvação e da paz.

Podemos dizer que toda a celebração se volta para Deus que, na sua providência, coloca seus espíritos amigos, que o louvam e glorificam, a serviço dos seres humanos no caminho da salvação e da paz.

Importa que sejamos gratos a Deus por nos proteger e guiar pelos seus anjos, que nos unamos a eles na glorificação de Deus como o somos convidados a fazer em cada Missa na hora do Santo, e que todos também sejamos cada vez mais anjos do Senhor, mensageiros da Paz e do Bem, mensageiros do Cristo morto e ressuscitado.

Referência:
BECKHÄUSER, Frei Alberto. Os Santos na Liturgia: testemunhas de Cristo. Petrópolis: Vozes, 2013. 391 p. Adaptações: Equipe Pocket Terço.

Santos Anjos da Guarda, rogai por nós!

Oração. — Santo Anjo do Senhor, meu zeloso guardador, se a ti me confiou a piedade divina, sempre me rege, guarda, governa e ilumina. Amém.

Publicado em

QUINTA-FEIRA, DIA 01 DE OUTUBRO DE 2026

Santa Teresinha do Menino Jesus, Virgem e Doutora da Igreja, Memória
Cor Litúrgica branca

Primeira leitura
— Jó 19, 21-27

Leitura do Livro de Jó

Disse Jó: 21“Piedade, piedade de mim, meus amigos, pois a mão de Deus me feriu! 22Por que me perseguis como Deus, e não vos cansais de me torturar? 23Gostaria que minhas palavras fossem escritas e gravadas numa inscrição 24com ponteiro de ferro e com chumbo, cravadas na rocha para sempre! 25Eu sei que o meu redentor está vivo e que, por último, se levantará sobre o pó; 26e depois que tiverem destruído esta minha pele, na minha carne, verei a Deus. 27Eu mesmo o verei, meus olhos o contemplarão, e não os olhos de outros. Dentro de mim consomem-se os meus rins”.
— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus.

Salmo Responsorial — Sl 26(27), 7-8a. 8b-9abc. 13-14 (R. 13)

℟. Sei que a bondade do Senhor eu hei de ver, na terra dos viventes.

— 7Ó Senhor, ouvi a voz do meu apelo, atendei por compaixão! 8aMeu coração fala convosco confiante e os meus olhos vos procuram. ℟.

℟. Sei que a bondade do Senhor eu hei de ver, na terra dos viventes.

— 8bSenhor é vossa face que eu procuro; não me escondais a vossa face! 9aNão afasteis em vossa ira o vosso servo, sois vós o meu auxílio! 9bNão me esqueçais nem me deixeis abandonado, 9cmeu Deus e Salvador! ℟.

℟. Sei que a bondade do Senhor eu hei de ver, na terra dos viventes.

— 13Sei que a bondade do Senhor eu hei de ver na terra dos viventes. 14Espera no Senhor e tem coragem, espera no Senhor! ℟.

℟. Sei que a bondade do Senhor eu hei de ver, na terra dos viventes.

℟. Aleluia, Aleluia, Aleluia.
℣. Convertei-vos e crede no Evangelho, pois o Reino de Deus está chegando! (Mc 1, 15)℟.
℟. Aleluia, Aleluia, Aleluia.
Evangelho — Lc 10, 1-12

℣. O Senhor esteja convosco.
℟. Ele está no meio de nós.

℣. Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo ✠ segundo Lucas
℟. Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 1o Senhor escolheu outros setenta e dois discípulos e os enviou dois a dois, na sua frente, a toda cidade e lugar aonde ele próprio devia ir. 2E dizia-lhes: “A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. Por isso, pedi ao dono da messe que mande trabalhadores para a colheita. 3Eis que vos envio como cordeiros para o meio de lobos. 4Não leveis bolsa, nem sacola, nem sandálias, e não cumprimenteis ninguém pelo caminho!
5Em qualquer casa em que entrardes, dizei primeiro: ʽA paz esteja nesta casa!ʼ 6Se ali morar um amigo da paz, a vossa paz repousará sobre ele; se não, ela voltará para vós. 7Permanecei naquela mesma casa, comei e bebei do que tiverem, porque o trabalhador merece o seu salário. Não passeis de casa em casa.
8Quando entrardes numa cidade e fordes bem recebidos, comei do que vos servirem, 9curai os doentes que nela houver e dizei ao povo: ʽO Reino de Deus está próximo de vós.ʼ
10Mas, quando entrardes numa cidade e não fordes bem recebidos, saindo pelas ruas, dizei: 11ʽAté a poeira de vossa cidade, que se apegou aos nossos pés, sacudimos contra vós. No entanto, sabei que o Reino de Deus está próximo!ʼ 12Eu vos digo que, naquele dia, Sodoma será tratada com menos rigor do que essa cidade”.
— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

SANTO DO DIA
Santa Teresinha do Menino Jesus (Memória)

Local: Lisieux, França
Data: 01 de Outubro † 1897

Importante tomar em consideração que Santa Teresinha foi religiosa carmelita que viveu muito em pouco tempo. Colocou o amor no centro de sua vida. Morreu com apenas 24 anos de idade a 30 de setembro de 1897.

Maria Francisca Teresa, na vida religiosa carmelitana, Teresa do Menino Jesus e da Sagrada Face, chamada também Santa Teresa de Lisieux e, entre nós no Brasil, chamada Santa Teresinha do Menino Jesus ou, simplesmente, Santa Teresinha, nasceu em Alençon, na Normandia, em 1873. Seus pais, Luís Martin e Maria Zélia Guérin, quando jovens, aspiravam, ambos, a se consagrarem a Deus na vida religiosa. Por circunstâncias especiais não foram admitidos. Ao se casarem Zélia pediu a Deus a graça de ter muitos filhos e que se consagrassem a Deus. Do piedoso casal, beatificado por João Paulo II em 2008, nasceram nove filhos. Três faleceram em tenra idade e os demais, todas meninas, tornaram-se religiosas conforme o desejo da mãe.

Teresinha ficou órfã de mãe aos 4 anos. O pai, depois da morte da esposa, mudou-se com a família para Lisieux, onde tinha um cunhado, cuja esposa zelava pela educação das filhas.

Numa audiência com o papa Leão XIII, Teresinha lhe pediu a licença de entrar no Carmelo sem a idade exigida. O Papa naturalmente deixou a questão nas mãos das autoridades competentes. Pouco mais tarde ela recebeu do seu bispo a permissão de entrar no Carmelo de Lisieux.

Viveu no Carmelo não mais de oito anos. Graças à sua autobiografia, a História de uma alma, sabemos que a jovem carmelita não fez nada de extraordinário: apenas cumpriu de modo extraordinário os seus deveres de religiosa carmelita. Teresinha pelo próprio temperamento aspirava a grandes coisas; queria ser santa de verdade. Num momento de entusiasmo, escreve que por amor do Amor desejava ser guerreiro, padre, apóstolo, mártir. Procurava ansiosamente o caminho para tal realização. Vale a pena transcrever o modo como ela encontrou este caminho, o caminho do amor, conforme se pode ler na autobiografia, trecho que constitui a leitura hagiográfica do Ofício das Leituras:

“Meus imensos desejos me eram um autêntico martírio. Fui, então, às cartas de São Paulo a ver se encontrava uma resposta. Meus olhos caíram por acaso nos capítulos doze e treze da Primeira Carta aos Coríntios. No primeiro destes li que todos não podem ser ao mesmo tempo Apóstolos, profetas, doutores, e que a Igreja consta de vários membros; os olhos não podem ser mãos ao mesmo tempo. Resposta clara, sem dúvida, mas não capaz de satisfazer meu desejo e dar-me paz. Perseverei na leitura sem desanimar e encontrei esta frase sublime: Aspirai aos melhores carismas. E vos indico um caminho ainda mais excelente (1Cor 12, 31). O Apóstolo esclarece que os melhores carismas nada são sem a caridade e esta caridade é o caminho mais excelente que leva com segurança a Deus. Achara enfim o repouso. Ao considerar o Corpo místico da Igreja, não me encontrara em nenhum dos membros enumerados por São Paulo, mas, ao contrário, desejava ver-me em todos eles. A caridade deu-me o eixo de minha vocação. Compreendi que a Igreja tem um corpo formado de vários membros e neste corpo não pode faltar o membro necessário e o mais nobre: entendi que a Igreja tem um coração, e este coração está inflamado de amor. Compreendi que os membros da Igreja são impelidos a agir por um único amor, de forma que, extinto este, os Apóstolos não mais anunciariam o Evangelho, os mártires não mais derramariam o sangue. Percebi e reconheci que o amor encerra em si todas as vocações, que o amor é tudo, abraça todos os tempos e lugares, numa palavra, o amor é eterno. Então, delirante de alegria, exclamei: Ó Deus, meu amor, encontrei, afinal, minha vocação: minha vocação é o amor. Sim, encontrei o meu lugar na Igreja, tu me deste este lugar, meu Deus. No coração da Igreja, minha mãe, eu serei o amor e desse modo serei tudo, e meu desejo se realizará”.

Eis o pequeno caminho de Teresinha, o caminho da infância espiritual ou das almas pequeninas, o caminho da confiança e da entrega total, da vivência do ordinário do dia a dia tornado extraordinário pelo amor. O caminho de Santa Teresinha, assim chamado na Oração coleta, é mais uma prática do que um ensino teórico. Consiste na intimidade com Deus, o abandono nas mãos de sua providência, a simplicidade e a transparência como virtudes ordenadoras da vida. Teresinha ofereceu sua imolação interior, sobretudo pela santificação dos missionários, com alguns dos quais manteve edificante correspondência epistolar. Por este seu espírito foi proclamada por Pio XI, em 1927, padroeira dos missionários que se dedicam à conversão dos infiéis, juntamente com São Francisco Xavier. Ela mesma, antes da doença que a levou à morte, estava propensa a responder ao apelo das carmelitas de Hanói, na Indochina, que desejavam tê-la consigo.

Teresinha passou seus últimos anos de vida minada por uma terrível doença, que suportou com heroica paciência; padeceu simultaneamente uma dura provação interior que lhe purificou o espírito. Morreu no dia 30 de setembro de 1897. Teresinha havia prometido que faria descer sobre a terra uma chuva contínua de rosas. Seu culto se espalhou em pouco tempo por todos os recantos da terra. Foi beatificada em 1923 e canonizada em 1925. Em 1997, como terceira mulher, foi declarada doutora da Igreja por João Paulo II.

O culto a Santa Teresinha é um dos mais populares no mundo inteiro. No Brasil são inúmeras as capelas, as igrejas paroquiais e mesmo catedrais dedicadas a Santa Teresinha. O seu caminho espiritual da simplicidade, da humildade e do amor vivido no cotidiano da vida é modelar para todos.

Os textos litúrgicos estão perpassados desta espiritualidade da infância espiritual das almas pequeninas. A Oração coleta resume bem esse caminho espiritual: Ó Deus, que preparais o vosso reino para os pequenos e humildes, dai-nos seguir confiantes o caminho de Santa Teresinha, para que, por sua intercessão, nos seja revelada a vossa glória.

Referência:
BECKHÄUSER, Frei Alberto. Os Santos na Liturgia: testemunhas de Cristo. Petrópolis: Vozes, 2013. 391 p. Adaptações: Equipe Pocket Terço.

Santa Teresinha do Menino Jesus, rogai por nós!

Publicado em

QUARTA-FEIRA, DIA 30 DE SETEMBRO DE 2026

São Jerônimo, Presbítero e Doutor da Igreja, Memória
Cor Litúrgica branca

Primeira leitura
— Jó 9, 1-12. 14-16

Leitura do Livro de Jó

1Jó respondeu a seus amigos e disse: 2“Sei muito bem que é assim: como poderia o homem ser justo diante de Deus? 3Se quisesse disputar com ele, entre mil razões não haverá uma para rebatê-lo. 4Ele é sábio de coração e poderoso em força; quem poderia enfrentá-lo e ficar ileso? 5Ele desloca as montanhas, sem que elas percebam e as derruba em sua cólera. 6Ele abala a terra em suas bases e suas colunas vacilam. 7Ele manda ao sol que não brilhe e guarda escondidas as estrelas. 8Sozinho desdobra os céus, e caminha sobre as ondas do mar. 9Criou a Ursa e o Êrion, as Plêiades e as constelações do Sul. 10Faz prodígios insondáveis, maravilhas sem conta. 11Se passa junto de mim, não o vejo, e quando se afasta, não o percebo. 12Se ele apanha uma presa, quem ousa impedi-lo? Quem pode dizer-lhe: – ʽO que está fazendo?ʼ 14Quem sou eu para replicar-lhe, e contra ele escolher meus argumentos? 15Ainda que eu tivesse razão, não poderia replicar, e deveria pedir misericórdia ao meu juiz. 16Se eu clamasse e ele me respondesse, não creio que daria atenção à minha voz”.
— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus.

Salmo Responsorial — Sl 87(88), 10bc-11. 12-13. 14-15 (R. 3a)

℟. Chegue a minha oração até a vossa presença!

— 10bClamo a vós, ó Senhor sem cessar, todo o dia, 10cminhas mãos para vós se levantam em prece. 11Para os mortos, acaso, faríeis milagres? poderiam as sombras erguer-se e louvar-vos? ℟.

℟. Chegue a minha oração até a vossa presença!

— 12No sepulcro haverá quem vos cante o amor e proclame entre os mortos a vossa verdade? 13Vossas obras serão conhecidas nas trevas, vossa graça, no reino onde tudo se esquece? ℟.

℟. Chegue a minha oração até a vossa presença!

— 14Quanto a mim, ó Senhor, clamo a vós na aflição, minha prece se eleva até vós desde a aurora. 15Por que vós, ó Senhor, rejeitais a minh’alma? E por que escondeis vossa face de mim? ℟.

℟. Chegue a minha oração até a vossa presença!

℟. Aleluia, Aleluia, Aleluia.
℣. Eu tudo considero como perda e como lixo, a fim de eu ganhar Cristo e ser achado nele! (Fl 3,
℟. Aleluia, Aleluia, Aleluia.
Evangelho — Lc 9, 57-62

℣. O Senhor esteja convosco.
℟. Ele está no meio de nós.

℣. Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo ✠ segundo Lucas
℟. Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 57enquanto Jesus e seus discípulos caminhavam, alguém na estrada disse a Jesus: “Eu te seguirei para onde quer que fores”. 58Jesus lhe respondeu: “As raposas têm tocas e os pássaros têm ninhos; mas o Filho do Homem não tem onde repousar a cabeça”.
59Jesus disse a outro: “Segue-me”. Este respondeu: “Deixa-me primeiro ir enterrar meu pai”. 60Jesus respondeu: “Deixa que os mortos enterrem os seus mortos; mas tu, vai anunciar o Reino de Deus”.
61Um outro ainda lhe disse: “Eu te seguirei, Senhor, mas deixa-me primeiro despedir-me dos meus familiares”. 62Jesus, porém, respondeu-lhe: “Quem põe a mão no arado e olha para trás, não está apto para o Reino de Deus”.
— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

SANTO DO DIA
São Jerônimo (Memória)

Local: Belém, Israel
Data: 30 de Setembro † 420

Estamos diante de uma figura única da história da Igreja: polemista, apologeta, estudioso das Escrituras, penitente e santo. São Jerônimo imortalizou-se por sua tradução da Bíblia para o latim, denominada Vulgata, e pelos muitos comentários bíblicos que legou à Igreja. Por isso, ela o celebra como o doutor máximo das Sagradas Escrituras.

Eusébio Jerônimo Sofrônio nasceu em Estridão, Dalmácia, cerca do ano 340. Estudou em Roma e aí foi batizado. Viajou depois para o Oriente, onde passou algum tempo junto aos monges. Foi ordenado presbítero em Antioquia meio contra a sua vontade. Aí não permanecendo, dirigiu-se a Constantinopla, onde travou amizade com Gregório de Nazianzo e Gregório de Nissa. Depois disso, o papa São Dâmaso o reteve em Roma como seu secretário. Por seu grande conhecimento do latim, do grego e do hebraico, o Papa lhe confiou a tradução da Bíblia para o latim. Na tradução, mas sobretudo nas anotações ao texto, Jerônimo revela agudo senso crítico. O Papa, de fato, desejava uma tradução da Bíblia mais fiel em tudo aos textos originais, traduzida e apresentada em latim mais correto, que pudesse servir de texto único e uniforme na Liturgia. O conjunto de sua tradução da Bíblia em latim chamou-se “Vulgata” e foi o texto usado largamente nos séculos posteriores, tornando-se oficial com o Concílio de Trento e só cedeu o lugar ultimamente às novas traduções à luz dos novos estudos exegéticos.

Em Roma, criou-se em torno ao sábio e penitente presbítero, largo círculo de amizades, sobretudo de senhoras da alta sociedade, que ele orientou nos ásperos caminhos da santidade de cunho monástico. Mas, quando São Dâmaso morreu, em 384, e ele perdeu o apoio para o cargo de secretário, São Jerônimo se viu numa situação bastante difícil. Nos dois anos posteriores, mesmo tendo impressionado toda a cidade de Roma por sua santidade pessoal, seu saber e sua honestidade, ao mesmo tempo, arranjou um vasto círculo de pessoas que não gostavam dele. Por mais que se justificasse sua indignação, o seu modo de falar as coisas provocava ressentimentos. A própria reputação dele foi objeto de ataques. Levantaram-se até calúnias contra ele. Jerônimo ficou sobremodo indignado com tudo isso e resolveu retornar ao Oriente, a fim de lá encontrar um refúgio na calma.

Viveu os últimos 35 anos em Belém, na oração, na penitência, na direção de cenáculos de vida ascética e monástica. Continuou a dedicar-se à tradução da Bíblia a partir dos textos originais e à revisão da antiga versão latina. Escreveu muitos comentários da Bíblia e vários tratados. São Jerônimo foi uma personalidade vigorosa, de inteligência extraordinária, de temperamento indomável. Teve uma correspondência literária muito vasta, de grande interesse histórico; ele se sentia presente e engajado como escritor em todos os problemas doutrinários do seu tempo.

Morreu em Belém no ano 420. Foi declarado padroeiro dos estudos bíblicos. Ele deixou escrito: “Se, conforme o apóstolo Paulo, Cristo é o poder de Deus e a sabedoria de Deus, e quem ignora as Escritura ignora o poder de Deus e sua sabedoria, ignorar as Escrituras é ignorar Cristo” (cf. Leitura hagiográfica).

Os textos da Missa traduzem um homem apaixonado pelas Sagradas Escrituras.

Que todo cristão possa viver o que reza a Antífona da entrada: Que as palavras da Escritura estejam sempre em teus lábios, para que, meditando-as dia e noite, te esforces para realizar tudo aquilo que ensinam, e terá sentido e valor a tua vida (Js 1,8).

A Oração do dia realça o amor pela Sagrada Escritura dado por Deus a São Jerônimo; que este Deus conceda ao seu povo alimentar-se cada vez mais da sua palavra e nela encontre a fonte da vida.

Na Oração sobre as oferendas, a Igreja pede que, à semelhança de São Jerônimo meditando vossa palavra em nossos corações, sejamos mais solícitos em oferecer-vos o sacrifício que nos salva.

A Oração depois da Comunhão pede que, sempre atentos às Sagradas Escrituras, conheçamos o caminho a seguir e cheguemos por ele à vida eterna.

Convém fechar esta reflexão com a Antífona da Comunhão: Vossas palavras foram encontradas e eu as devorei; elas se tornaram minha delícia e a alegria do meu coração; porque vosso nome, Senhor Deus, foi invocado sobre mim.

Referência:
BECKHÄUSER, Frei Alberto. Os Santos na Liturgia: testemunhas de Cristo. Petrópolis: Vozes, 2013. 391 p. Adaptações: Equipe Pocket Terço.

São Jerônimo, rogai por nós!

Publicado em

TERÇA-FEIRA, DIA 29 DE SETEMBRO DE 2026

Santos Miguel, Gabriel e Rafael, Arcanjos, Festa
Cor Litúrgica branca

Primeira leitura
— Dn 7, 9-10. 13-14

Leitura da Profecia de Daniel

9Eu continuava olhando até que foram colocados uns tronos, e um Ancião de muitos dias aí tomou lugar. Sua veste era branca como neve e os cabelos da cabeça, como lã pura; seu trono eram chamas de fogo, e as rodas do trono, como fogo em brasa. 10Derramava-se aí um rio de fogo que nascia diante dele; serviam-no milhares de milhares, e milhões de milhões assistiam-no ao trono; foi instalado o tribunal e os livros foram abertos. 13Continuei insistindo na visão noturna, e eis que, entre as nuvens do céu, vinha um como filho de homem, aproximando-se do Ancião de muitos dias, e foi conduzido à sua presença. 14Foram-lhe dados poder, glória e realeza, e todos os povos, nações e línguas o serviam: seu poder é um poder eterno que não lhe será tirado, e seu reino, um reino que não se dissolverá.
— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus.

Ou:

Primeira Leitura — Ap 12, 7-12a

Leitura do Apocalipse de São João

7Houve uma batalha no céu: Miguel e seus anjos guerrearam contra o Dragão. O Dragão lutou juntamente com os seus anjos, 8mas foi derrotado, e não se encontrou mais o seu lugar no céu. 9E foi expulso o grande Dragão, a antiga Serpente, que é chamado Diabo e Satanás, o sedutor do mundo inteiro. Ele foi expulso para a terra, e os seus anjos foram expulsos com ele. 10Ouvi então uma voz forte no céu, proclamando: “Agora realizou-se a salvação, a força e a realeza do nosso Deus, e o poder do seu Cristo. Porque foi expulso o acusador dos nossos irmãos, aquele que os acusava dia e noite diante do nosso Deus. 11Eles venceram o Dragão pelo sangue do Cordeiro e pela palavra do seu próprio testemunho, pois não se apegaram à vida, mesmo diante da morte. 12aPor isso, alegra-te, ó céu, e todos os que viveis nele”.
— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus.

Salmo Responsorial — Sl 137(138), 1-2a. 2bc-3. 4-5 (R. 1c)

℟. Perante os vossos anjos vou cantar-vos, ó Senhor!

— Ó Senhor, de coração eu vos dou graças, porque ouvistes as palavras dos meus lábios! Perante os vossos anjos vou cantar-vos e ante o vosso templo vou prostrar-me. ℟.

℟. Perante os vossos anjos vou cantar-vos, ó Senhor!

— Eu agradeço vosso amor, vossa verdade, porque fizestes muito mais que prometestes; naquele dia em que gritei, vós me escutastes e aumentastes o vigor da minha alma. ℟.

℟. Perante os vossos anjos vou cantar-vos, ó Senhor!

— Os reis de toda a terra hão de louvar-vos, quando ouvirem, ó Senhor, vossa promessa. Hão de cantar vossos caminhos e dirão: “como a glória do Senhor é grandiosa!” ℟.

℟. Perante os vossos anjos vou cantar-vos, ó Senhor!

℟. Aleluia, Aleluia, Aleluia.
℣. Bendizei ao Senhor Deus, os seus poderes, seus ministros que fazeis sua vontade! (Sl 102, 21) ℟.
℟. Aleluia, Aleluia, Aleluia.
Evangelho — Jo 1, 47-51
℣. O Senhor esteja convosco.
℟. Ele está no meio de nós.

℣. Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo ✠ segundo João 
℟. Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 47Jesus viu Natanael que vinha para ele e comentou: “Aí vem um israelita de verdade, um homem sem falsidade”. 48Natanael perguntou: “De onde me conheces?” Jesus respondeu: “Antes que Filipe te chamasse, enquanto estavas debaixo da figueira, eu te vi”. 49Natanael respondeu: “Rabi, tu és o Filho de Deus, tu és o Rei de Israel”. 50Jesus disse: “Tu crês porque te disse: “Eu te vi debaixo da figueira? Coisas maiores que esta verás!” 51E Jesus continuou: “Em verdade, em verdade, eu vos digo: Vereis o céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem”.
— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

SANTO DO DIA
São Miguel, São Gabriel e São Rafael, Arcanjos (Festa)

Data: 29 de Setembro

A festa dos três arcanjos, agora celebrados numa só data, e a dos Anjos da Guarda no dia 2 de outubro como memória obrigatória, expressa a fé da Igreja em seres espirituais que vivem junto a Deus. A fé em seres celestiais, comumente chamados anjos, encontra-se expressa também em outros momentos da Liturgia. No Confesso a Deus do Ato penitencial, no convite à grande doxologia do Santo, Santo, Santo, na Missa, no Oficio dos Defuntos, sobretudo na Encomendação dos mortos.

A palavra anjo significa mensageiro de Deus. Neste sentido, Santo Ambrósio chama João Batista de Anjo, porque anunciou a vinda de Jesus Cristo. Assim, todo cristão pode ser considerado anjo, ou seja, mensageiro do Evangelho.

Nas Homilias sobre os Evangelhos, de que temos um trecho na leitura hagiográfica do Ofício das Leituras da Festa, São Gregório Magno faz interessante distinção entre anjos e arcanjos. Começa dizendo: “A palavra anjo indica o ofício, não a natureza”. E continua: “Estes santos espíritos da pátria celeste são sempre espíritos, mas nem sempre podem ser chamados anjos, porque somente são anjos quando por eles é feito algum anúncio. Aqueles que anunciam fatos menores são ditos anjos; os que levam as maiores notícias, arcanjos.

Foi por isto que à Virgem Maria não foi enviado um anjo qualquer, mas o arcanjo Gabriel; para esta missão era justo que viesse o máximo anjo para anunciar a máxima notícia. Por isso, também a eles são dados nomes especiais para designar, pelo vocábulo, seu poder na ação. Quando vêm até nós para cumprir uma missão, trazem também entre nós um nome derivado desta missão. Assim Miguel significa: Quem como Deus?; Gabriel, Força de Deus; e Rafael, Deus curou”.

Dos sete arcanjos venerados tanto pela tradição judaica como pela tradição cristã, como sendo os anjos que ocupam um lugar proeminente diante do trono de Deus, apenas três são mencionados pelo nome na Bíblia: Miguel, Gabriel e Rafael. Estes três foram venerados pela Igreja desde os primórdios, principalmente no Oriente, mas somente a partir do pontificado do papa Bento XV é que as festividades litúrgicas dos dois últimos se tornaram obrigatórias em toda a Igreja do Ocidente.

O culto a São Miguel (Quem como Deus?) é o mais espalhado na Igreja. Miguel é o arcanjo que se insurgiu contra satanás e seus seguidores (Jd 9; Ap 12, 7; cf. Zc 13, 12), defensor dos amigos de Deus (Dn 10. 12. 21), protetor de seu povo (Dn 12, 1). O arcanjo São Miguel é venerado sobretudo na Europa como o chefe do exército celeste, protetor dos exércitos, e com a função de proteger o povo, de conduzir as almas a Deus e de pesar as almas no juízo.

São Gabriel (Força de Deus) era comemorado desde 1921, com Bento XV, no dia 24 de março, véspera da festa da Anunciação. Gabriel é um dos espíritos que estão diante de Deus (Lc 1, 19), revela a Daniel os segredos do plano de Deus (Dn 8. 16; 9, 21-22), anuncia a Zacarias o nascimento de João Batista (Lc 1. 11-20) e a Maria, o nascimento de Jesus (Lc 1, 26-39). É venerado desde o século II como arcanjo e, na Igreja síria, como o primeiro entre os anjos. Trata-se de um arcanjo que, como Miguel e Rafael, também está profundamente ligado à História da Salvação.

São Rafael (Deus curou), ele também está entre os sete anjos que estão diante do trono de Deus (Tb 12, 15; cf. Ap 8, 2), acompanha e protege Tobias nas peripécias de sua viagem e cura-lhe o pai cego.

Seria longo realçar todos os aspectos comemorados na festa dos três arcanjos. Os textos falam por si. Nesta festa somos convidados de modo particular a render graças a Deus pela glória de que os anjos gozam e a nos rejubilar pela sua felicidade; a agradecer a Deus pela sua misericórdia por ter constituído estes seres celestiais para nos assistirem e serem nossos protetores; a nos unirmos a eles no culto de adoração e de louvor a Deus, elevando nossas preces aos céus para que sempre façamos a sua santa vontade, assim como estes bem-aventurados espíritos celestiais a cumprem lá no céu. E, por fim, somos convidados a honrá-los e a invocar a sua ajuda e intercessão. Tudo isso vem sintetizado no Prefácio: É a vós que glorificamos, ao louvarmos os anjos, que criastes e que foram dignos do vosso amor. A admiração que eles merecem nos mostra como sois grande e como deveis ser amado acima de todas as criaturas. Pelo Cristo, vosso Filho e Senhor nosso, louvam os Anjos a vossa glória, as Dominações vos adoram e, reverentes, vos servem Potestades e Virtudes. Concedei-nos também a nós associar-nos à multidão dos Querubins e Serafins, cantando a uma só voz: Santo, Santo, Santo…

Referência:
BECKHÄUSER, Frei Alberto. Os Santos na Liturgia: testemunhas de Cristo. Petrópolis: Vozes, 2013. 391 p. Adaptações: Equipe Pocket Terço.

São Miguel, São Gabriel e São Rafael, rogai por nós!

Publicado em

SEGUNDA-FEIRA, DIA 28 DE SETEMBRO DE 2026

XXVI SEMANA DO TEMPO COMUM
Cor litúrgica verde

Primeira leitura
— Jó 1, 6-22

Leitura do Livro de Jó

6Um dia, foram os filhos de Deus apresentar-se ao Senhor; entre eles também Satanás. 7O Senhor, então, disse a Satanás: “Donde vens?” “Venho de dar umas voltas pela terra”, respondeu ele. 😯 Senhor disse-lhe: “Reparaste no meu servo Jó? Na terra não há outro igual: é um homem íntegro e correto, teme a Deus e afasta-se do mal”.
9Satanás respondeu ao Senhor: “Mas será por nada que Jó teme a Deus? 10Porventura não levantaste um muro de proteção ao redor dele, de sua casa e de todos os seus bens? Tu abençoaste tudo o que ele fez, e seus rebanhos cobrem toda a região. 11Mas, estende a mão e toca em todos os seus bens; e eu garanto que ele te lançará maldições no rosto!”
12Então o Senhor disse a Satanás: “Pois bem, de tudo o que ele possui, podes dispor, mas não estendas a mão contra ele”. E Satanás saiu da presença do Senhor. 13Ora, num dia em que os filhos e filhas de Jó comiam e bebiam vinho na casa do irmão mais velho, 14um mensageiro veio dizer a Jó: “Estavam os bois lavrando e as mulas pastando a seu lado, 15quando, de repente, apareceram os sabeus e roubaram tudo, passando os criados ao fio da espada. Só eu consegui escapar para trazer-te a notícia”.
16Estava ainda falando, quando chegou outro e disse: “Caiu do céu o fogo de Deus e matou ovelhas e pastores, reduzindo-os a cinza. Só eu consegui escapar para trazer-te a notícia”. 17Este ainda falava, quando chegou outro e disse: “Os caldeus, divididos em três bandos, lançaram-se sobre os camelos e levaram-nos consigo, depois de passarem os criados ao fio da espada. Só eu consegui escapar para trazer-te a notícia”.
18Este ainda falava, quando chegou outro e disse: “Teus filhos e tuas filhas estavam comendo e bebendo vinho na casa do irmão mais velho, 19quando um furacão se levantou das bandas do deserto e se lançou contra os quatro cantos da casa, que desabou sobre os jovens e os matou. Só eu consegui escapar para trazer-te a notícia”.
20Então, Jó levantou-se, rasgou o manto, rapou a cabeça, caiu por terra e, prostrado, disse: 21“Nu eu saí do ventre de minha mãe e nu voltarei para lá. O Senhor deu, o Senhor tirou: como foi do agrado do Senhor, assim foi feito. Bendito seja o nome do Senhor!” 22Apesar de tudo isso, Jó não cometeu pecado nem se revoltou contra Deus.
— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus.

Salmo Responsorial — Sl 16(17), 1. 2-3. 6-7 (R. 6b)

℟. Inclinai o vosso ouvido e escutai-me!

— Ó Senhor, ouvi a minha justa causa, escutai-me e atendei o meu clamor! Inclinai o vosso ouvido à minha prece, pois não existe falsidade nos meus lábios! ℟.

℟. Inclinai o vosso ouvido e escutai-me!

— De vossa face é que me venha o julgamento, pois vossos olhos sabem ver o que é justo. Provai meu coração durante a noite, visitai-o, examinai-o pelo fogo, mas em mim não achareis iniquidade. ℟.

℟. Inclinai o vosso ouvido e escutai-me!

— Eu vos chamo, ó meu Deus, porque me ouvis, inclinai o vosso ouvido e escutai-me! Mostrai-me vosso amor maravilhoso, vós que salvais e libertais do inimigo quem procura a proteção junto de vós. ℟.

℟. Inclinai o vosso ouvido e escutai-me!

℟. Aleluia, Aleluia, Aleluia.
℣. Veio o Filho do Homem, a fim de servir e dar sua vida em resgate por muitos. (Mc 10, 45) ℟.
℟. Aleluia, Aleluia, Aleluia.
Evangelho — Lc 9, 46-50

℣. O Senhor esteja convosco.
℟. Ele está no meio de nós.

℣. Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo ✠ segundo Lucas 
℟. Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 46houve entre os discípulos uma discussão, para saber qual deles seria o maior. 47Jesus sabia o que estavam pensando. Pegou então uma criança, colocou-a junto de si 48e disse-lhes: “Quem receber esta criança em meu nome, estará recebendo a mim. E quem me receber, estará recebendo aquele que me enviou. Pois aquele que entre todos vós for o menor, esse é o maior”.
49João disse a Jesus: “Mestre, vimos um homem que expulsa demônios em teu nome. Mas nós lho proibimos, porque não anda conosco”. 50Jesus disse-lhe: “Não o proibais, pois quem não está contra vós, está a vosso favor”.
— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

SANTO DO DIA
São Venceslau (Memória Facultativa)

Local: Stará Boleslav, República Checa
Data: 28 de Setembro † 929/935

No assassinato de Venceslau da Boêmia houve grande confusão de motivos religiosos e políticos. Este jovem príncipe, nascido na Boêmia por volta de 907, foi educado pela avó paterna, Santa Ludmila, que, depois, foi morta por ordem de Drahomira, a mãe de Venceslau. Estamos nos inícios dos anos em que a Boêmia se converteu ao catolicismo. Venceslau era profundamente religioso, de bons costumes e caridoso para com os pobres. Mas, com a morte súbita do pai, sendo Venceslau ainda menor, o ducado ficou sob a responsabilidade de Drahomira, que procurava restaurar o paganismo, inclusive, com a expulsão dos missionários católicos. A situação do reino era de confusão e de revolta. Pressionado por nobres, o príncipe herdeiro Venceslau, com um golpe de força contra a regente sua mãe, promotora do paganismo, assumiu a direção do ducado em 925.

Formado por sua avó dentro dos padrões da piedade e da moral cristã, não se interessou apenas em governar seu povo, mas também em promover o cristianismo através de missionários católicos e, sobretudo, de monges beneditinos. Nos oito anos de reinado, Venceslau deu exemplo de moderação e tino administrativo. Venceslau governou com tanta justiça e, ao mesmo tempo, com tanta brandura, que em pouco tempo se tornou muito querido pelo povo. Era amigo e protetor dos pobres, dos doentes, dos encarcerados, sendo para as viúvas e os órfãos um verdadeiro pai.

Por vários motivos, sobretudo o combate ao paganismo patrocinado por sua mãe, formou-se um partido de oposição, chefiado pela mãe e pelo irmão Boleslau. Tramou-se seu assassinato. Boleslau deu uma grande festa para a qual convidou o duque e seus cortesãos. Depois da festa o jovem duque se retirou para rezar numa igreja. O delito fratricida foi consumado no dia seguinte de manhã, quando Venceslau estava para ir à igreja. Foi assassinado pelo próprio irmão Boleslau, ajudado por seus sicários.

Venceslau foi logo venerado pelo povo como santo e mártir, embora o seu assassinato, segundo parece, apenas muito indiretamente estivesse ligado a motivos religiosos. No século XI, São Venceslau já era considerado o santo padroeiro dos habitantes da Boêmia; e como padroeiro da moderna República Tcheca, a devoção a ele às vezes, vem impregnada com uma alta dose de sentimento nacionalista.

A Oração do dia comemora São Venceslau como rei e mártir, que preferiu o reino do céu ao da terra. Apesar do manto do poder, deu prova de uma santidade que atraía muitos eruditos, monges e sacerdotes. Sua comemoração nos ensina que todos os caminhos, todos os estados de vida e todas as funções na sociedade e na Igreja podem conduzir ao testemunho de Cristo e podem levar à perfeição da caridade, à santidade de vida.

Referência:
BECKHÄUSER, Frei Alberto. Os Santos na Liturgia: testemunhas de Cristo. Petrópolis: Vozes, 2013. 391 p. Adaptações: Equipe Pocket Terço.

São Venceslau, rogai por nós!

Publicado em

DOMINGO, DIA 27 DE SETEMBRO DE 2026

XXVI DOMINGO DO TEMPO COMUM
CCor Litúrgica verde

Primeira leitura
— Ez 18, 25-28

Leitura da Profecia de Ezequiel

Assim diz o Senhor: 25Vós andais dizendo: “A conduta do Senhor não é correta”. Ouvi, vós da casa de Israel: É a minha conduta que não é correta, ou antes é a vossa conduta que não é correta?
26Quando um justo se desvia da justiça, pratica o mal e morre, é por causa do mal praticado que ele morre. 27Quando um ímpio se arrepende da maldade que praticou e observa o direito e a justiça, conserva a própria vida. 28Arrependendo-se de todos os seus pecados, com certeza viverá; não morrerá”.
— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus.

Salmo Responsorial — Sl 24, 4bc-5. 6-7. 8-9 (R. 6a)

℟. Recordai, Senhor meu Deus, vossa ternura e compaixão!

— Mostrai-me, ó Senhor, vossos caminhos, e fazei-me conhecer a vossa estrada! Vossa verdade me oriente e me conduza, porque sois o Deus da minha salvação; em vós espero, ó Senhor, todos os dias! ℟.

℟. Recordai, Senhor meu Deus, vossa ternura e compaixão!

— Recordai, Senhor meu Deus, vossa ternura e a vossa compaixão que são eternas! Não recordeis os meus pecados quando jovem, nem vos lembreis de minhas faltas e delitos! De mim lembrai-vos, porque sois misericórdia e sois bondade sem limites, ó Senhor! ℟.

℟. Recordai, Senhor meu Deus, vossa ternura e compaixão!

— O Senhor é piedade e retidão, e reconduz ao bom caminho os pecadores. Ele dirige os humildes na justiça, e aos pobres ele ensina o seu caminho. ℟.

℟. Recordai, Senhor meu Deus, vossa ternura e compaixão!

Segunda leitura
— Fl 2, 1-11 ou mais breve 2, 1-5

Leitura da Carta de São Paulo aos Filipenses

Irmãos: [1Se existe consolação na vida em Cristo, se existe alento no mútuo amor, se existe comunhão no Espírito, se existe ternura e compaixão, 2tornai então completa a minha alegria: aspirai à mesma coisa, unidos no mesmo amor; vivei em harmonia, procurando a unidade.  3Nada façais por competição ou vanglória, mas, com humildade, cada um julgue que o outro é mais importante, 4e não cuide somente do que é seu, mas também do que é do outro. 5Tende entre vós o mesmo sentimento que existe em Cristo Jesus.]
6Jesus Cristo, existindo em condição divina, não fez do ser igual a Deus uma usurpação, 7mas esvaziou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo e tornando-se igual aos homens. Encontrado com aspecto humano, 8humilhou-se a si mesmo, fazendo-se obediente até à morte, e morte de cruz. 9Por isso, Deus o exaltou acima de tudo e lhe deu o Nome que está acima de todo nome.
10Assim, ao nome de Jesus, todo joelho se dobre no céu, na terra e abaixo da terra, 11e toda língua proclame: “Jesus Cristo é o Senhor!” — para a glória de Deus Pai.
— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus.

℟. Aleluia, Aleluia, Aleluia.
℣. Minhas ovelhas escutam a minha voz, minha voz estão elas a escutar; eu conheço, então, minhas ovelhas, que me seguem, comigo a caminhar! (Jo 10, 27) ℟.
℟. Aleluia, Aleluia, Aleluia.
Evangelho — Mt 21, 28-32

℣. O Senhor esteja convosco.
℟. Ele está no meio de nós.

℣. Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo ✠ segundo Mateus 
℟. Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, Jesus disse aos sacerdotes e anciãos do povo: 28“Que vos parece? Um homem tinha dois filhos. Dirigindo-se ao primeiro, ele disse: ‘Filho, vai trabalhar hoje na vinha!’ 29O filho respondeu: ‘Não quero’. Mas depois mudou de opinião e foi. 30O pai dirigiu-se ao outro filho e disse a mesma coisa. Este respondeu: ‘Sim, senhor, eu vou’. Mas não foi. 31Qual dos dois fez a vontade do pai?”
Os sumos sacerdotes e os anciãos do povo responderam: “O primeiro”.
Então Jesus lhes disse: “Em verdade vos digo que os cobradores de impostos e as prostitutas vos precedem no Reino de Deus. 32Porque João veio até vós, num caminho de justiça, e vós não acreditastes nele. Ao contrário, os cobradores de impostos e as prostitutas creram nele. Vós, porém, mesmo vendo isso, não vos arrependestes para crer nele”.
— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

SANTO DO DIA
São Vicente de Paulo, Presbítero (Memória)

Local: Paris, França
Data: 27 de Setembro † 1660

São Vicente de Paulo, o santo “gigante da caridade”, deve ser situado no tempo do pós-Concílio de Trento, participando decisivamente da Contrarreforma católica na França do século XVII. Neste século a França se elevava à categoria de primeira potência na Europa. Apesar de ter sido o século de Luís XIV, o Rei Sol, foi na realidade também o século das grandes misérias: crianças abandonadas, prostituição, pobreza e ruínas ocasionadas por revoluções e guerras, além de ignorância religiosa das populações rurais e do estado lamentável de boa parte do clero.

Neste triste quadro da situação social e religiosa da França, Deus suscitou um grande apóstolo, um dos santos mais extraordinariamente fecundos na Igreja. Vicente, nascido em 1581, era natural de Pouy, aldeia próxima a Dax. Seus pais eram proprietários de um pequeno sítio. O pai, observando com satisfação as excelentes qualidades de espírito do filho, atendendo ao desejo de Vicente, fez os maiores esforços para lhe favorecer os estudos eclesiásticos. Estudou com os franciscanos em Dax, tornando-se membro da Ordem Terceira da Penitência de São Francisco de Assis. Foi ordenado sacerdote em 1600 com apenas 19 anos, esperando que o estado eclesiástico fosse ocasião para afirmação social.

Vicente trabalhou nos primeiros anos de sacerdócio na pequena paróquia de Clichy, nas vizinhanças de Paris. Em Paris, Vicente travou conhecimento com o santo sacerdote Pedro de Bérulle, mais tarde cardeal. Bérulle tinha grande estima por Vicente e o persuadiu a que fosse o tutor dos filhos de Filipe de Gondi, conde de Joigny. Madame de Gondi ficou encantada com Vicente e o escolheu como seu diretor espiritual e confessor.

Aos poucos, porém, no meio de tantas misérias, seu espirito foi se abrindo para sua futura vocação de apóstolo e organizador de grandiosas obras sociais. É difícil sintetizar em poucas linhas a múltipla operosidade de São Vicente. Podemos destacar quatro campos ou quatro frentes de ação apostólica.

A evangelização dos agricultores: Pastor sensível aos problemas pastorais, deu-se com empenho à pregação nos meios rurais, onde grassava lamentável ignorância religiosa. Com um grupo de colaboradores, instituiu a Congregação da Missão com a qual procurou dar resposta a tal necessidade de evangelização. A primeira residência destes padres no priorado de São Lázaro, em Paris, os fará conhecidos popularmente como lazaristas. Às vezes, são chamados também de vicentinos.

A reforma do clero: Obra de grande importância foi a criação de seminários para a formação do clero, que ele promoveu com outros eclesiásticos do tempo. Seus padres lazaristas, além das missões populares, tornaram-se beneméritos por sua obra de direção de seminários, que desenvolverão, também no Brasil, desde o século XIX.

O serviço aos pobres: Com Santa Luísa de Marillac, Vicente enfrentará o problema da miséria, fundando a Sociedade das Filhas da Caridade, conhecidas popularmente como irmãs vicentinas. Com ela a assistência aos pobres tornou-se organizada. A Congregação Vicentina dedica-se ao serviço dos abandonados, dos órfãos, dos velhos, dos inválidos, das moças em perigo, dos doentes. Talvez seja esta a instituição cristã dedicada à pura prática da caridade de maior extensão na geografia e no tempo. Até hoje as Irmãs de Caridade trabalham em leprosários, orfanatos, hospitais, manicômios, escolas e asilos, continuando a presença de São Vicente. O livre acesso de São Vicente aos palácios dos grandes foi-lhe de imensa ajuda no seu apostolado. Ele sabia tirar do rico para dar aos pobres, não pela força, mas pela persuasão.

Luta contra o jansenismo: Por fim, é preciso lembrar o empenho de São Vicente em opor um dique à triste corrente espiritual de seu século, o jansenismo, que com seu rigorismo e pessimismo resfriava a espiritualidade católica. Foi ele que convenceu muitos bispos franceses a apresentar ao Papa uma súmula das ideias corrosivas do jansenismo, condenadas depois pela Igreja.

São Vicente morreu no dia 27 de setembro de 1660. Seu nome continua vivo como padroeiro das obras de caridade. O grande apóstolo foi canonizado pela Igreja como um santo que levou a sério a mensagem cristã de que o amor a Deus e o amor ao próximo andam de mãos dadas.

As orações da Missa relacionam São Vicente, sobretudo, com a evangelização dos pobres. A Antífona da entrada canta: Repousa sobre mim o Espírito do Senhor; ele me ungiu para levar a boa-nova aos pobres, e curar os corações contritos (cf. Lc 4,18).

A Oração coleta comemora o socorro dos pobres e a formação do clero praticados por São Vicente, enriquecido pelas virtudes apostólicas.

A Oração sobre as oferendas recorda o espírito com que São Vicente celebrava os sagrados mistérios. Lembra, indiretamente, o trabalho de Vicente na renovação do Clero. Que os sacerdotes vivam de acordo com os mistérios que celebram.

A Oração depois da Comunhão recorda novamente a pregação do Evangelho aos pobres: Ó Deus, alimentados por esta Eucaristia, nós vos pedimos que, a exemplo de São Vicente e amparados por sua proteção, imitemos o vosso Filho na pregação do evangelho aos pobres.

Em conclusão, a força da mensagem evangélica de São Vicente de Paulo é imensa. Foi, realmente, uma testemunha do Cristo Senhor. Ele soube unir ação e oração, o amor a Deus e o amor ao próximo.

Referência:
BECKHÄUSER, Frei Alberto. Os Santos na Liturgia: testemunhas de Cristo. Petrópolis: Vozes, 2013. 391 p. Adaptações: Equipe Pocket Terço.

São Vicente de Paulo, rogai por nós!

Publicado em

SÁBADO, DIA 26 DE SETEMBRO DE 2026

Memória Facultativa
Santa Maria no Sábado ou Santos Cosme e Damião, Mártires
Cor Litúrgica verde

Primeira leitura
— Ecl 11, 9-12, 8

Leitura do Livro do Eclesiastes

11, 9Alegra-te, jovem, na tua adolescência, e que o teu coração repouse no bem nos dias da tua juventude; segue as aspirações do teu coração e os desejos dos teus olhos; fica sabendo, porém, que de tudo isso Deus te pedirá contas. 10Tira a tristeza do teu coração, e afasta a malícia do teu corpo, pois a adolescência e a juventude são vaidade.12, 1Lembra-te do teu Criador nos dias da juventude, antes que venham os dias da desgraça e cheguem os anos dos quais dirás: “Não sinto prazer neles”; 2 — antes que se obscureçam o sol, a luz, a lua e as estrelas, e voltem as nuvens depois da chuva; 3quando os guardas da casa começarem a tremer, e se curvarem os homens robustos; quando as poucas mulheres cessarem de moer, e ficarem turvas as vistas das que olham pelas janelas 4e se fecharem as portas que dão para a rua; quando enfraquecer o ruído do moinho, e os homens se levantarem ao canto dos pássaros, e silenciarem as vozes das canções, 5e houver medo das alturas e sobressaltos no caminho, enquanto a amendoeira floresce, o gafanhoto se arrasta e a alcaparra perde o seu gosto, porque o homem se encaminha para a morada eterna, e os que choram já rondam pelas ruas; 6— antes que se rompa o cordão de prata e se despedace a taça de ouro, a jarra se parta na fonte, a roldana se arrebente no poço, 7— antes que volte o pó à terra, de onde veio, e o sopro de vida volte a Deus que o concedeu. 8Vaidade das vaidades, diz o Eclesiastes, tudo é vaidade.
— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus.

Salmo Responsorial — Sl 89(90), 3-4. 5-6. 12-13. 14 e 17 (R. 1)

℟. Ó Senhor, vós fostes sempre um refúgio para nós.

— Vós fazeis voltar ao pó todo mortal, quando dizeis: “Voltai ao pó, filhos de Adão!” Pois mil anos para vós são como ontem, qual vigília de uma noite que passou. ℟.

℟. Ó Senhor, vós fostes sempre um refúgio para nós.

— Eles passam como o sono da manhã, são iguais à erva verde pelos campos: de manhã ela floresce vicejante, mas à tarde é cortada e logo seca. ℟.

℟. Ó Senhor, vós fostes sempre um refúgio para nós.

— Ensinai-nos a contar os nossos dias, e dai ao nosso coração sabedoria! Senhor, voltai-vos! Até quando tardareis? Tende piedade e compaixão de vossos servos! ℟.

℟. Ó Senhor, vós fostes sempre um refúgio para nós.

— Saciai-nos de manhã com vosso amor, e exultaremos de alegria todo o dia! Que a bondade do Senhor e nosso Deus repouse sobre nós e nos conduza! Tornai fecundo, ó Senhor, nosso trabalho. ℟.

℟. Ó Senhor, vós fostes sempre um refúgio para nós.

℟. Aleluia, Aleluia, Aleluia.
℣. Jesus Cristo Salvador destruiu o mal e a morte; fez brilhar, pelo Evangelho, a luz e a vida imperecíveis. (cf.
℟. Aleluia, Aleluia, Aleluia.
2Tm 1, 10) ℟.
Evangelho — Lc 9, 43b-45

℣. O Senhor esteja convosco.
℟. Ele está no meio de nós.

℣. Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo ✠ segundo Lucas 
℟. Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 43btodos estavam admirados com todas as coisas que Jesus fazia. Então Jesus disse a seus discípulos: 44“Prestai bem atenção às palavras que vou dizer: O Filho do Homem vai ser entregue nas mãos dos homens”. 45Mas os discípulos não compreendiam o que Jesus dizia. O sentido lhes ficava escondido, de modo que não podiam entender; e eles tinham medo de fazer perguntas sobre o assunto.
— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

SANTO DO DIA
São Cosme e São Damião, Mártires (Memória Facultativa)

Local: Cirro, Síria
Data: 26 de Setembro † c. s. III

O culto aos dois santos Cosme e Damião teve início no Oriente, passando, a seguir, para o Ocidente, onde gozou de muita popularidade. Em Roma foram dedicadas a eles várias igrejas, sendo a mais importante a construída pelo papa Félix IV, que governou a Igreja de 526 a 530.

Pouquíssima coisa se sabe sobre quem eles foram, quando viveram e quando foram martirizados. O único elemento historicamente constatável é que foram mártires da fé cristã. Uma tradição posterior, certamente lendária, diz que os dois eram irmãos, médicos, que viveram em Egeia, na Ásia Menor, muito caridosos e martirizados na perseguição dos inícios do século IV.

Em outras tradições lendárias eles são apresentados como irmãos gêmeos. Contudo, as lendas em torno de São Cosme e São Damião apresentam, inclusive, três duplas de irmãos médicos chamados Cosme e Damião, ou seja, em Constantinopla, em Roma e na Cilícia. Segundo a tradição grega, eram médicos e chamados anárgiros, sem dinheiro, porque exerciam a medicina gratuitamente.

No século VI, estes santos orientais conquistaram o Ocidente. Os dois médicos sírios estão, pois, no vértice da fileira dos mártires “curadores”. Conhecemos outras duplas como Ciro e João, Zenóbio e Zenóbia, Gervásio e Protásio. Desde a Idade Média os médicos veneraram São Cosme e São Damião como os seus padroeiros, junto com São Pantaleão e, depois, São Lucas. Cosme e Damião, enfim, são venerados como padroeiros dos médicos, dos farmacêuticos e das faculdades de Medicina.

Durante a história até se chegou a relacionar Cosme e Damião à mitologia grega. Houve quem quisesse demonstrar que eles seriam apenas a versão cristã da lenda dos filhos gêmeos de Zeus, Castor e Pólux. Talvez por esta via Cosme e Damião se tenham relacionado com as religiões afro-brasileiras.

A Igreja Católica celebrava a festa dos santos Cosme e Damião no dia 27 de setembro. No Calendário romano reformado em 1969, porém, pelo fato de no dia 27 comemorar a memória obrigatória São Vicente de Paulo, São Cosme e São Damião tiveram a memória facultativa removida para o dia 26. Sabe-se que em geral o costume popular tende a manter e impor sua tradição, como em outras datas religiosas.

As orações da Missa realçam simplesmente os santos como mártires, testemunhas de Cristo. Na Oração coleta a Igreja proclama neles a grandeza de Deus, pois em sua admirável providência lhes deu a glória eterna e os fez nossos protetores. Na Oração sobre as oferendas se diz que do sacrifício de Cristo nascem o ideal e a força dos mártires. Na Oração depois da Comunhão se pede que a Comunhão na festa dos mártires nos faça obter a salvação e a paz. Eis uma vaga alusão aos médicos curadores. Em latim, salvação significa tanto a saúde como a salvação eterna. Aqui, parece que a tradução deveria ser a saúde e a paz. A saúde é, pois, unida à paz.

Referência:
BECKHÄUSER, Frei Alberto. Os Santos na Liturgia: testemunhas de Cristo. Petrópolis: Vozes, 2013. 391 p. Adaptações: Equipe Pocket Terço.

São Cosme e São Damião, rogai por nós!

Publicado em

SEXTA-FEIRA, DIA 25 DE SETEMBRO DE 2026

XXV SEMANA DO TEMPO COMUM
Cor Litúrgica

Primeira leitura
— Ecl 3, 1-11

Leitura do Livro do Eclesiastes

1Tudo tem seu tempo. Há um momento oportuno para tudo que acontece debaixo do céu. 2Tempo de nascer e tempo de morrer; tempo de plantar e tempo de colher a planta. 3Tempo de matar e tempo de salvar; tempo de destruir e tempo de construir. 4Tempo de chorar e tempo de rir; tempo de lamentar e tempo de dançar. 5Tempo de atirar pedras e tempo de as amontoar; tempo de abraçar e tempo de se separar. 6Tempo de buscar e tempo de perder; tempo de guardar e tempo de esbanjar. 7Tempo de rasgar e tempo de costurar; tempo de calar e tempo de falar. 8Tempo de amar e tempo de odiar; tempo de guerra e tempo de paz.
9Que proveito tira o trabalhador de seu esforço? 10Observei a tarefa que Deus impôs aos homens, para que nela se ocupassem. 11As coisas que ele fez são todas boas no tempo oportuno. Além disso, ele dispôs que fossem permanentes; no entanto o homem jamais chega a conhecer o princípio e o fim da ação que Deus realiza.
— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus.

Salmo Responsorial — Sl 143(144), 1a e 2abc. 3-4 (R. 1a)

℟. Bendito seja o Senhor, meu rochedo!

— Bendito seja o Senhor, meu rochedo. Ele é meu amor, meu refúgio, libertador, fortaleza e abrigo. É meu escudo: é nele que espero. ℟.

℟. Bendito seja o Senhor, meu rochedo!

— Que é o homem, Senhor, para vós? Por que dele cuidais tanto assim, e no filho do homem pensais? Como o sopro de vento é o homem, os seus dias são sombra que passa. ℟.

℟. Bendito seja o Senhor, meu rochedo!

℟. Aleluia, Aleluia, Aleluia.
℣. Veio o Filho do Homem, a fim de servir e dar sua vida em resgate por muitos. (Mc 10, 45) ℟.
℟. Aleluia, Aleluia, Aleluia.
Evangelho — Lc 9, 18-22

℣. O Senhor esteja convosco.
℟. Ele está no meio de nós.

℣. Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo ✠ segundo Lucas 
℟. Glória a vós, Senhor.

Aconteceu que Jesus 18estava rezando num lugar retirado, e os discípulos estavam com ele. Então Jesus perguntou-lhes: “Quem diz o povo que eu sou?” 19Eles responderam: “Uns dizem que és João Batista; outros, que és Elias; mas outros acham que és algum dos antigos profetas que ressuscitou”.
20Mas Jesus perguntou: “E vós, quem dizeis que eu sou?” Pedro respondeu: “O Cristo de Deus”. 21Mas Jesus proibiu-lhes severamente que contassem isso a alguém.
22E acrescentou: “O Filho do Homem deve sofrer muito, ser rejeitado pelos anciãos, pelos sumos sacerdotes e doutores da Lei, deve ser morto e ressuscitar no terceiro dia”.
— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

SANTO DO DIA
São Cléofas (Memória Facultativa)

Data: 25 de Setembro † s. I

Cléofas é um dos dois discípulos que no dia da ressurreição de Jesus, voltando a Emaús ao término das celebrações pascais, foram alcançados na estrada e acompanhados pelo Ressuscitado, que reconheceram somente depois de terem sido advertidos e terem generosamente oferecido hospitalidade. “Nós esperávamos que fosse ele quem redimiria Israel; mas…”. Nas palavras que os dois discípulos dirigem ao desconhecido há um tom de frustração comum a todos os apóstolos naquela hora de provação. “É verdade que algumas mulheres, que são dos nossos, nos assustaram”.

Deste reflexo de esperança, o desconhecido faz penetrar a luz da Boa Nova, explicando-lhes as Escrituras e depois, aceitando o convite deles: “Fica conosco, porque a noite está chegando e o dia está para acabar”; revela-se “ao partir o pão”, o gesto eucarístico da última ceia, à qual também Cléofas devia estar presente. Mas não é só este o privilégio do qual podia orgulhar-se. Se dermos uma olhada à etimologia do seu nome, descobrimos que Cléofas e Alfeu são a transcrição e a pronúncia do mesmo nome hebraico Halphai, ou dois nomes usados pela mesma pessoa. Presume-se por isso que Cléofas-Alfeu seja o pai de Tiago, o Menor, e José, irmãos, isto é, primos do Senhor. No evangelho de João, Maria, mãe de Tiago e José, é chamada esposa de Cléofas, e irmã, em sentido mais ou menos próprio, da Mãe de Jesus.

O historiador palestinense Hegesipo afirma que Cléofas é irmão de são José e pai de Judas e Simão, eleito, este último, para suceder a Tiago Menor, como bispo de Jerusalém. Fazendo os cálculos, podemos identificar no emocionado discípulo de Emaús o Cléofas que João chama marido da irmã de Nossa Senhora, aquela Maria de Cléofas, presente com as outras piedosas mulheres no drama do Calvário.

Como Maria de Cléofas é mãe de Tiago Menor, de José, de Judas e de Simão, naturalmente Cléofas é o pai deles. Pai de três apóstolos! Segundo Eusébio e são Jerônimo, Cléofas era natural de Emaús. Em Emaús, conforme uma antiga tradição, Cléofas, “testemunha da Ressurreição”, foi trucidado por seus conterrâneos, intolerantes do seu zelo e da sua certeza de fé no Messias ressuscitado. São Jerônimo nos assegura que já no século IV sua casa tinha sido transformada em igreja. O Martirológio Romano inseriu seu nome na data de hoje e confirmou seu martírio ocorrido pelas mãos dos judeus.

Referência:
SGARBOSSA, Mario; GIOVANNI, Luigi. Um santo para cada dia. São Paulo: Paulus, 1983. 397 p. Tradução de: Onofre Ribeiro. Adaptações: Equipe Pocket Terço.

São Cléofas, rogai por nós!

Publicado em

QUINTA-FEIRA, DIA 24 DE SETEMBRO DE 2026

XXV SEMANA DO TEMPO COMUM
Cor Litúrgica verde

Primeira leitura
— Ecl 1, 2-11

Leitura do Livro do Eclesiastes

2“Vaidade das vaidades, diz o Eclesiastes, vaidade das vaidades! Tudo é vaidade”. 3Que proveito tira o homem de todo o trabalho com o qual se afadiga debaixo do sol? 4Uma geração passa, outra lhe sucede, enquanto a terra permanece sempre a mesma. 5O sol se levanta, o sol se deita, apressando-se para voltar ao seu lugar, donde novamente torna a levantar-se. 6Dirigindo-se para o sul e voltando para o norte, ora para cá, ora para lá, vai soprando o vento, para retomar novamente o seu curso. 7Todos os rios correm para o mar, e contudo o mar não transborda; voltam ao lugar de onde saíram para tornarem a correr. 8Tudo é penoso, difícil para o homem explicar. A vista não se cansa de ver, nem o ouvido se farta de ouvir. 9O que foi, será; o que aconteceu, acontecerá: 10não há nada de novo debaixo do sol. Uma coisa da qual se diz: “Eis aqui algo de novo”, também esta já existiu nos séculos que nos precederam. 11Não há memória do que aconteceu no passado, nem também haverá lembrança do que acontecer, entre aqueles que viverão depois.
— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus.

Salmo Responsorial — Sl 89(90), 3-4. 5-6. 12-13. 14 e 17 (R. 1)

℟. Ó Senhor, vós fostes sempre um refúgio para nós.

— Vós fazeis voltar ao pó todo mortal, quando dizeis: “Voltai ao pó, filhos de Adão!” Pois mil anos para vós são como ontem, qual vigília de uma noite que passou. ℟.

℟. Ó Senhor, vós fostes sempre um refúgio para nós.

— Eles passam como o sono da manhã, são iguais à erva verde pelos campos: De manhã ela floresce vicejante, mas à tarde é cortada e logo seca. ℟.

℟. Ó Senhor, vós fostes sempre um refúgio para nós.

— Ensinai-nos a contar os nossos dias, e dai ao nosso coração sabedoria! Senhor, voltai-vos! Até quando tardareis? Tende piedade e compaixão de vossos servos! ℟.

℟. Ó Senhor, vós fostes sempre um refúgio para nós.

— Saciai-nos de manhã com vosso amor, e exultaremos de alegria todo o dia! Que a bondade do Senhor e nosso Deus repouse sobre nós e nos conduza! Tornai fecundo, ó Senhor, nosso trabalho. ℟.

℟. Ó Senhor, vós fostes sempre um refúgio para nós.

℟. Aleluia, Aleluia, Aleluia.
℣. Sou o Caminho, a Verdade e a Vida; ninguém vem ao Pai senão por mim. (Jo 14, 6) ℟.
℟. Aleluia, Aleluia, Aleluia.
Evangelho — Lc 9, 7-9

℣. O Senhor esteja convosco.
℟. Ele está no meio de nós.

℣. Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo ✠ segundo Lucas 
℟. Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 7o tetrarca Herodes ouviu falar de tudo o que estava acontecendo, e ficou perplexo, porque alguns diziam que João Batista tinha ressuscitado dos mortos. 8Outros diziam que Elias tinha aparecido; outros ainda, que um dos antigos profetas tinha ressuscitado. 9Então Herodes disse: “Eu mandei degolar João. Quem é esse homem, sobre quem ouço falar essas coisas?” E procurava ver Jesus.
— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

SANTO DO DIA
São Gerardo Sagredo (Memória Facultativa)

Local: Panônia
Data: 24 de Setembro † 1046

Santo Bispo Gerardo, que segundo o testemunho do martirológio romano, merece o título de Apóstolo da Hungria, era natural de Veneza, onde nasceu, filho de pais ilustres e piedosos.

Educado numa escola beneditina, recebeu, além da instrução científica, ensinamentos sólidos na ciência de Deus e dos Santos. Foi no contato com sábios e santos mestres, que se lhe comunicou o amor pelas coisas divinas e aquele zelo pela salvação das almas, que mais tarde o habilitou a ser um digno sucessor dos Apóstolos.

Grande desejo nutria de visitar os santos lugares da Palestina, o que lhe foi dado satisfazer. Voltando do Oriente, passou pela Hungria, onde teve fidalga recepção do santo Rei Estêvão, o qual, descobrindo no hóspede dotes extraordinários, que o habilitavam para trabalhos apostólicos, pediu-lhe insistentemente não mais saísse da Hungria, e cooperasse na grande obra a que se propusera o santo monarca — de converter ao cristianismo todos os súditos.

Gerardo anuiu ao pedido do Rei, e com o fim de habilitar-se para tão importante missão, retirou-se com os companheiros para a solidão, onde passou um espaço de tempo entregue exclusivamente à prática de exercícios espirituais. Terminado o retiro, atirou-se ao trabalho apostólico, com a energia e dedicação próprias do seu caráter e da sua fé.

Pouco depois faleceu o Bispo de Chonad. Indicado pelo Rei, Gerardo foi-lhe nomeado sucessor, embora tudo fizesse para seu nome não aparecer na lista dos apresentados. Em obediência à Santa Sé, aceitou o pesado cargo, e a admirável administração que deu ao Bispado, justificou largamente as esperanças nele colocadas. Não só procurou destruir os últimos restos da idolatria, como também consolidar os fiéis na fé. Para alcançar uma e outra coisa, recorreu ao poder maternal de Maria Santíssima, cuja veneração muito calorosamente recomendava ao clero e ao povo.

Muito caridoso, destacava-se-lhe a caridade para com os pobres e doentes. Convidava leprosos para sua casa, onde lhes dispensava o mais caridoso trato, a ponto de ceder-lhes a própria cama, preferindo para si o chão. Sendo um pai para os pobres e infelizes, para si próprio reservava exercícios da mais dura penitência.

Ajudado pela graça divina, ganhou muitos pagãos para o grêmio da Igreja.

A morte do rei Estêvão deu início a múltiplas perseguições da parte dos sucessores. Tanto o Rei Pedro, que foi expulso por causa da sua requintada crueldade, como o usurpador Abas, declararam-se inimigos do santo Bispo. Pedro voltou, para ser novamente expulso, e Abas morreu sob os golpes do algoz. A coroa foi oferecida a André, filho de Ladisláu, parente próximo de Estêvão, que a aceitou, apesar da condição infamante de restabelecer no reino o regime pagão com o culto dos deuses. Gerardo, com mais três Bispos, pôs-se a caminho de Stuhlweissenburg, para junto ao Rei se empenharem pela conservação da Religião Católica como oficial. Chegados a Giod, Gerardo, após a Missa por ele celebrada, disse aos companheiros: “Nós todos ainda hoje, com exceção do Bispo de Benethe, seremos mártires pela fé”. Transpuseram o Danúbio, e mal tinham chegado à outra banda do rio, foram agredidos por um grupo de soldados do Duque de Vatha, um dos mais aferrados idólatras e ferrenho inimigo de Estêvão. Gerardo foi apedrejado e por fim mortalmente ferido por uma lançada. Dois outros Bispos, Bextardo e Buld, morreram na mesma ocasião. No meio da confusão do morticínio, apareceu o Rei, que pôde ainda arrancar o quarto Bispo das mãos dos verdugos. Ele mesmo se declarou a favor do Cristianismo, continuou a obra encetada por Santo Estêvão e reinou com muita felicidade.

O martírio de São Gerardo teve lugar em 24 de setembro de 1046, e as relíquias estão guardadas em Veneza, na igreja de Nossa Senhora de Murano.

Referência:
LEHMANN, Padre João Batista. Na Luz Perpétua. 2. ed. Juiz de Fora: Typ. do “Lar Catholico”, 1935. 550 p. Volume II. Adaptações: Equipe Pocket Terço.

São Gerardo Sagredo, rogai por nós!

Publicado em

QUARTA-FEIRA, DIA 23 DE SETEMBRO DE 2026

São Pio de Pietrelcina, Presbítero, Memória
Cor Litúrgica branca

Primeira leitura
— Pr 30, 5-9

Leitura do Livro dos Provérbios

5A Palavra de Deus é comprovada. Ele é um escudo para os que nele se abrigam. 6Não acrescentes nada às suas palavras, para que ele não te repreenda e passes por mentiroso! 7Duas coisas eu te pedi; não mas recuses, antes de eu morrer: 8afasta de mim a falsidade e a mentira, não me dês pobreza nem riqueza, mas concede-me o pão que me é necessário. 9Não aconteça que, saciado, eu te renegue e diga: “Quem é o Senhor?” Ou que, empobrecido, eu me ponha a roubar e profane o nome de meu Deus.
— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus.

Salmo Responsorial — Sl 118(119), 29. 72. 89. 101. 104. 163 (R. 105a)

℟. Vossa palavra é uma luz para os meus passos!

— Afastai-me do caminho da mentira e dai-me a vossa lei como um presente! ℟.

℟. Vossa palavra é uma luz para os meus passos!

— A lei de vossa boca, para mim, vale mais do que milhões em ouro e prata. ℟.

℟. Vossa palavra é uma luz para os meus passos!

— É eterna, ó Senhor, vossa palavra, ela é tão firme e estável como o céu. ℟.

℟. Vossa palavra é uma luz para os meus passos!

— De todo mau caminho afasto os passos, para que eu siga fielmente as vossas ordens. ℟.

℟. Vossa palavra é uma luz para os meus passos!

— De vossa lei eu recebi inteligência, por isso odeio os caminhos da mentira. ℟.

℟. Vossa palavra é uma luz para os meus passos!

— Eu odeio e detesto a falsidade, porém amo vossas leis e mandamentos! ℟.

℟. Vossa palavra é uma luz para os meus passos!

℟. Aleluia, Aleluia, Aleluia.
℣. Convertei-vos e crede no Evangelho, pois o Reino de Deus está chegando! (Mc 1, 15) ℟.
℟. Aleluia, Aleluia, Aleluia.
Evangelho — Lc 9, 1-6

℣. O Senhor esteja convosco.
℟. Ele está no meio de nós.

℣. Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo ✠ segundo Lucas 
℟. Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 1Jesus convocou os Doze, deu-lhes poder e autoridade sobre todos os demônios e para curar doenças, 2e enviou-os a proclamar o Reino de Deus e a curar os enfermos. 3E disse-lhes: “Não leveis nada para o caminho: nem cajado nem sacola nem pão nem dinheiro nem mesmo duas túnicas. 4Em qualquer casa onde entrardes, ficai aí; e daí é que partireis de novo. 5Todos aqueles que não vos acolherem, ao sairdes daquela cidade, sacudi a poeira dos vossos pés, como protesto contra eles”. 6Os discípulos partiram e percorriam os povoados, anunciando a Boa Nova e fazendo curas em todos os lugares.
— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

SANTO DO DIA
São Pio de Pietrelcina, Presbítero (Memória)

Local: Apúlia, Itália
Data: 23 de Setembro † 1968

Este muito digno seguidor de São Francisco de Assis nasceu em 25 de maio de 1887 em Pietrelcina, na Arquidiocese de Benevento, filho de Grazio Forgione e Maria Giuseppa De Nunzio. Ele foi batizado no dia seguinte com o nome de Francesco Forgione. Aos 12 anos recebeu o sacramento da Confirmação e da Primeira Comunhão.

Aos 16 anos, no dia 6 de janeiro de 1903, entrou no noviciado da Ordem dos Frades Menores Capuchinhos de Morcone, onde no dia 22 do mesmo mês assumiu o hábito franciscano e foi chamado de Frei Pio. No final do ano do noviciado emitiu os votos simples e, a 27 de janeiro de 1907, os votos solenes.

Depois da ordenação sacerdotal, recebida a 10 de agosto de 1910 em Benevento, permaneceu na família até 1916 por motivos de saúde. Em setembro do mesmo ano foi enviado para o convento de San Giovanni Rotondo, onde permaneceu até sua morte.

Iluminado pelo amor de Deus e pelo amor ao próximo, Padre Pio viveu a sua vocação à plenitude de contribuir para a redenção do homem, segundo a missão especial que caracterizou toda a sua vida e que desempenhou através da direção espiritual dos fiéis, pela reconciliação sacramental dos penitentes e pela celebração da Eucaristia. O momento culminante de sua atividade apostólica foi aquele em que celebrou a Santa Missa. Os fiéis que dela participaram perceberam o ápice e a plenitude de sua espiritualidade.

No plano da caridade social, trabalhou para aliviar a dor e a miséria de muitas famílias, principalmente com a fundação da “Casa Sollievo della Sofferenza”, inaugurada em 5 de maio de 1956.

Para o Padre Pio, fé era vida: ele queria tudo e tudo fazia à luz da fé. Ele estava assiduamente orando. Passou o dia e a maior parte da noite conversando com Deus e disse: “Nos livros buscamos a Deus, na oração o encontramos. A oração é a chave que abre o coração de Deus ”. A fé sempre o levou a aceitar a misteriosa Vontade de Deus.

Ele sempre estava imerso em realidades sobrenaturais. Ele não era apenas um homem de esperança e total confiança em Deus, mas infundia essas virtudes em todos os que se aproximavam dele, com palavras e exemplo.

O amor de Deus o encheu, satisfazendo todas as suas expectativas; a caridade era o princípio inspirador de sua época: amar a Deus e ser amado por Deus. A sua preocupação particular: crescer e fazer crescer na caridade.

Expressou a máxima caridade para com o próximo acolhendo, durante mais de 50 anos, muitas pessoas que se aglomeraram no seu ministério e confessionário, para o seu conselho e conforto. Foi quase um cerco: procuravam-no na igreja, na sacristia, no convento. E ele se entregou a todos, reavivando a fé, distribuindo graça, trazendo luz. Mas sobretudo nos pobres, sofredores e enfermos, viu a imagem de Cristo e se entregou especialmente por eles.

Ele exerceu a virtude da prudência de maneira exemplar, atuou e aconselhou à luz de Deus.

Seu interesse era a glória de Deus e o bem das almas. Ele tratou a todos com justiça, lealdade e grande respeito.

A virtude da fortaleza brilhou nele. Ele logo entendeu que seu caminho seria o da Cruz e imediatamente o aceitou com coragem e por amor. Ele experimentou os sofrimentos da alma por muitos anos. Durante anos, ele suportou as dores de suas feridas com admirável serenidade.

Quando teve que se submeter a investigações e restrições em seu serviço sacerdotal, tudo aceitou com profunda humildade e resignação. Diante de acusações injustificadas e calúnias, ele sempre se calou, confiando no julgamento de Deus, de seus superiores diretos e de sua própria consciência.

Costumava usar a mortificação para atingir a virtude da temperança, de acordo com o estilo franciscano. Ele era temperante na mentalidade e no modo de vida.

Consciente dos compromissos assumidos com a vida consagrada, observou com generosidade os votos professados. Ele obedecia em tudo às ordens de seus superiores, mesmo quando eram pesadas. Sua obediência era sobrenatural em intenção, universal em extensão e integral em execução. Ele exerceu o espírito de pobreza com total desapego de si mesmo, dos bens terrenos, confortos e honras. Ele gostava muito da virtude da castidade. Seu comportamento era modesto em todos os lugares e com todos.

Ele se considerava sinceramente inútil, indigno dos dons de Deus, cheio de miséria e ao mesmo tempo de graças divinas. Em meio a tanta admiração do mundo, ele repetiu: “Eu só quero ser um pobre frade que reza”.

Sua saúde, desde a juventude, não foi muito próspera e, especialmente nos últimos anos de sua vida, piorou rapidamente. A Irmã Morte o pegou preparado e sereno em 23 de setembro de 1968, aos 81 anos. Seu funeral foi caracterizado por uma multidão de pessoas completamente extraordinária.

Sob o pontificado do Papa São João Paulo II foi beatificado no dia 02 de maio de 1999 e canonizado a 16 de junho de 2002.

Fonte: causesanti.va

São Pio de Pietrelcina, rogai por nós!