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Liturgia Diária

SEGUNDA-FEIRA, DIA 12 DE OUTUBRO DE 2026

Bem-aventurada Virgem Maria da Conceição Aparecida, PADROEIRA DO BRASIL,Solenidade
Cor Litúrgica branca

Primeira leitura
— Est 5, 1b-2; 7, 2b-3

Leitura do Livro de Ester

Ester revestiu-se com vestes de rainha e foi colocar-se no vestíbulo interno do palácio real, frente à residência do rei. O rei estava sentado no trono real, na sala do trono, frente à entrada. 2Ao ver a rainha Ester parada no vestíbulo, olhou para ela com agrado e estendeu-lhe o cetro de ouro que tinha na mão, e Ester aproximou-se para tocar a ponta do cetro.
7, 2bEntão, o rei lhe disse: “O que me pedes, Ester; o que queres que eu faça? Ainda que me pedisses a metade do meu reino, ela te seria concedida”. 3Ester respondeu-lhe: “Se ganhei as tuas boas graças, ó rei, e se for de teu agrado, concede-me a vida — eis o meu pedido! — e a vida do meu povo — eis o meu desejo!”
— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus.

Salmo Responsorial — Sl 44(45), 11-12a. 12b-13. 14-15a. 15b-16 (R. 11a. 12a)

℟. Escutai, minha filha, olhai, ouvi isto: que o Rei se encante com vossa beleza!

— Escutai, minha filha, olhai, ouvi isto: “Esquecei vosso povo e a casa paterna! Que o Rei se encante com vossa beleza! Prestai-lhe homenagem: é vosso Senhor! ℟.

℟. Escutai, minha filha, olhai, ouvi isto: que o Rei se encante com vossa beleza!

— O povo de Tiro vos traz seus presentes, os grandes do povo vos pedem favores. Majestosa, a princesa real vem chegando, vestida de ricos brocados de ouro. ℟.

℟. Escutai, minha filha, olhai, ouvi isto: que o Rei se encante com vossa beleza!

— Em vestes vistosas ao Rei se dirige, e as virgens amigas lhe formam cortejo; entre cantos de festa e com grande alegria, ingressam, então, no palácio real”. ℟.

℟. Escutai, minha filha, olhai, ouvi isto: que o Rei se encante com vossa beleza!

Segunda leitura
— Ap 12, 1. 5. 13a. 15-16a

Leitura do Livro do Apocalipse de São João

Apareceu no céu um grande sinal: uma mulher vestida do sol, tendo a lua debaixo dos pés e sobre a cabeça uma coroa de doze estrelas. 5E ela deu à luz um filho homem, que veio para governar todas as nações com cetro de ferro. Mas o filho foi levado para junto de Deus e do seu trono. 13aQuando viu que tinha sido expulso para a terra, o dragão começou a perseguir a mulher que tinha dado à luz o menino.
15A serpente, então, vomitou como um rio de água atrás da mulher, a fim de a submergir. 16aA terra, porém, veio em socorro da mulher.
— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus.

℟. Aleluia, Aleluia, Aleluia.
℣. Disse a Mãe de Jesus aos serventes: “fazei tudo o que Ele disser!” (Jo 2, 5b) ℟.
℟. Aleluia, Aleluia, Aleluia.
Evangelho — Jo 2, 1-11

℣. O Senhor esteja convosco.
℟. Ele está no meio de nós.

℣. Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo ✠ segundo João 
℟. Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 1houve um casamento em Caná da Galileia. A mãe de Jesus estava presente. 2Também Jesus e seus discípulos tinham sido convidados para o casamento. 3Como o vinho veio a faltar, a mãe de Jesus lhe disse: “Eles não têm mais vinho”.
4Jesus respondeu-lhe: “Mulher, por que dizes isto a mim? Minha hora ainda não chegou”. 5Sua mãe disse aos que estavam servindo: “Fazei o que ele vos disser”. 6Estavam seis talhas de pedra colocadas aí para a purificação que os judeus costumam fazer. Em cada uma delas cabiam mais ou menos cem litros.
7Jesus disse aos que estavam servindo: “Enchei as talhas de água”. Encheram-nas até a boca. 8Jesus disse: “Agora tirai e levai ao mestre-sala”. E eles levaram. 9O mestre-sala experimentou a água, que se tinha transformado em vinho. Ele não sabia de onde vinha, mas os que estavam servindo sabiam, pois eram eles que tinham tirado a água.
10O mestre-sala chamou então o noivo e lhe disse: “Todo mundo serve primeiro o vinho melhor e, quando os convidados já estão embriagados, serve o vinho menos bom. Mas tu guardaste o vinho melhor até agora!” 11Este foi o início dos sinais de Jesus. Ele o realizou em Caná da Galileia e manifestou a sua glória, e seus discípulos creram nele.
— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

Homilia do dia 12/10/2026

Corredentora e Medianeira de todas as graças

Nesta Solenidade de Nossa Senhora Aparecida, somos chamados a olhar para as maravilhas que Deus realizou em nossa Mãe Santíssima, tornando-a cooperadora da Redenção de Cristo e fazendo-a, pela união com o Filho, instrumento de mediação de todas as graças.

Meditação. — Nas bodas de Caná, Maria percebe a necessidade dos noivos antes mesmo que alguém lhe peça ajuda e dirige-se ao Filho: “Eles não têm mais vinho.” Depois, volta-se para os serventes e pronuncia aquelas palavras que resumem toda a sua missão materna: “Fazei tudo o que Ele vos disser.” Nossa Senhora aparece, assim, como aquela que intercede, conduz a Cristo e prepara os corações para receber a graça.

A intercessão de Maria, porém, não deve ser compreendida simplesmente como a de mais uma santa entre os santos. Desde os primeiros séculos, a Igreja contempla um vínculo singular entre a Virgem e a obra da nossa salvação. Cristo é o único Redentor, mas Deus quis associar sua Mãe de maneira única e inteiramente subordinada à obra realizada por Ele.

É nesse sentido que a tradição cristã contempla Maria como a Nova Eva . A antiga Eva, ainda virgem, foi abordada pelo anjo caído e, pela desobediência, cooperou para a entrada do pecado no mundo. Maria, Virgem Imaculada, recebe o anúncio do anjo Gabriel e responde com fé e obediência. Pela primeira mulher veio a desobediência; pela nova Eva, Deus quis que viesse ao mundo o Salvador.

Essa comparação é muito antiga. Padres da Igreja como São Justino, Santo Irineu e outros autores dos primeiros séculos já contemplavam Maria à luz desse paralelo: aquilo que fora ligado pela incredulidade de Eva começa a ser desatado pela fé da Virgem. Maria não ocupa o lugar de Cristo; ao contrário, toda a sua grandeza vem precisamente de sua união com Ele.

Por isso, na tradição teológica, Nossa Senhora é chamada Corredentora . O termo não significa que existam dois redentores, como se Jesus e Maria estivessem no mesmo nível. Somente Cristo nos salva. Maria, porém, cooperou de maneira singular com essa única Redenção: deu ao Filho de Deus a humanidade que seria oferecida na Cruz e, aos pés dela, permaneceu unida ao sacrifício de Jesus com uma fé e uma entrega incomparáveis.

Há aqui um belíssimo contraste. Eva, diante da árvore, estendeu a mão para tomar o fruto. Maria, diante da árvore da Cruz, não toma para si o fruto bendito de seu ventre, mas o entrega. Seu coração materno participa dolorosamente da oblação do Filho, acolhendo a vontade de Deus mesmo quando uma espada lhe atravessa a alma.

A Redenção realizada por Cristo também precisa alcançar concretamente cada um de nós. A porta do Céu foi aberta pelo sacrifício do Senhor, mas cada alma precisa receber a graça, corresponder a ela e deixar-se transformar. É nesse sentido que a tradição mariana fala também de Nossa Senhora como Medianeira de todas as graças , sempre em dependência da única mediação de Jesus Cristo.

Essa presença materna aparece desde o início do Evangelho. Na Visitação, Maria leva Jesus em seu ventre até a casa de Isabel, e São João Batista exulta ainda no seio de sua mãe. Em Caná, é por sua intercessão que a necessidade dos esposos é apresentada ao Senhor e acontece o primeiro dos sinais de Cristo.

Depois, no Calvário, Jesus entrega Maria ao discípulo amado: “Eis aí tua mãe.” A maternidade que começara em Nazaré abre-se agora para todos os discípulos de Cristo. E, após a Ressurreição e a Ascensão, encontramos novamente Nossa Senhora no Cenáculo, perseverando em oração com os Apóstolos quando a Igreja espera a vinda do Espírito Santo.

Esses acontecimentos revelam uma admirável continuidade: Maria está presente quando Cristo entra no mundo; está presente quando manifesta sua glória em Caná; permanece junto à Cruz e está em oração quando o Espírito Santo desce sobre a Igreja. Sua missão é sempre materna: receber de Deus para conduzir-nos a Deus.

A devoção da Medalha Milagrosa oferece uma bela imagem dessa verdade. Na aparição a Santa Catarina Labouré, Nossa Senhora é contemplada com as mãos estendidas, das quais partem raios simbolizando as graças de Deus derramadas sobre o mundo. A imagem exprime de forma simples uma realidade profundamente cristã: as graças passam pelas mãos daquela por cujas mãos o próprio Cristo quis passar para vir até nós.

Essa mediação materna não significa que Maria substitua nossa oração ou a intercessão dos santos. Quando rezamos, é Deus quem concede a graça; quando os santos intercedem, é Cristo quem permanece a fonte de todo dom. Maria está inteiramente dentro dessa ordem querida por Deus, intercedendo como Mãe e conduzindo todas as coisas ao seu Filho.

Embora a fórmula “Medianeira de todas as graças” não tenha sido definida pela Igreja como dogma, ela está profundamente ligada à tradição de oração e piedade do povo cristão. Lex orandi, lex credendi: a lei da oração manifesta a fé da Igreja. Há séculos os cristãos recorrem espontaneamente à Virgem, constroem-lhe santuários, invocam sua proteção e confiam-lhe suas necessidades, certos de que a Mãe leva os filhos ao Coração de Cristo.

É também à luz desse mistério que contemplamos Nossa Senhora da Conceição Aparecida. Deus quis conceder ao Brasil uma particular expressão do carinho materno de Maria. Ao chamá-la Padroeira e Rainha, colocamos esta Terra de Santa Cruz sob sua intercessão e pedimos que ela conduza nossa pátria, nossas famílias e cada um de nós ao seu Filho.

Quando Deus concede privilégios à Virgem, portanto, não a afasta de nós; ao contrário, torna-a ainda mais nossa. Tudo o que recebeu foi recebido em vista de Cristo e de sua missão materna. Quanto mais contemplamos as maravilhas realizadas por Deus em Maria, mais somos chamados a glorificar aquele que fez nela grandes coisas.

Recorramos, pois, com confiança à nossa Mãe. Talvez nem saibamos quantas vezes sua oração materna já nos acompanhou, quantas graças nos alcançaram quando sequer percebíamos sua presença e quantas vezes ela nos conduziu silenciosamente de volta a Jesus.

Que Nossa Senhora nos ensine a repetir o seu “sim”, a permanecer junto à Cruz quando a fé for provada e a guardar no coração sua grande orientação de Caná: “Fazei tudo o que Ele vos disser.” Sob sua proteção, deixemo-nos formar à imagem de Cristo, para que a graça recebida nesta vida amadureça em nós até a comunhão perfeita com Deus no Céu.
Deus abençoe você!

SANTO DO DIA
Nossa Senhora Aparecida (Solenidade)

“Salva das águas” . A solenidade do dia 12 de outubro celebra Nossa Senhora da Conceição Aparecida. Em 1930 ela foi solenemente proclamada Padroeira do Brasil por Pio XI.

Para compreendermos e celebrarmos devidamente esta solenidade parece importante situá-la no contexto da mensagem dos santuários. A devoção deu origem a um santuário, situado na cidade de Aparecida, no Vale do Paraíba, Estado de São Paulo. Cada santuário tem sua mensagem própria, seja por fatos históricos, seja pela topografia. Deus comunica-se com a humanidade também através de lugares especiais de graças, transformando-se, desta forma, em santuários.

O mesmo aconteceu com Aparecida. Lá, numa curva do rio Paraíba, em 1717, é encontrada nas águas por três pescadores uma imagem; primeiro, o corpo e, depois, a cabeça. Ela é recomposta e começa a ser venerada. Aos poucos, aparecem os milagres e as graças alcançadas. Constrói-se uma capelinha, depois uma igreja maior e, finalmente, a grande basílica nacional, dedicada pelo papa João Paulo II em 1980, em sua visita ao Brasil.

Nossa Senhora da Conceição faz parte da devoção do povo brasileiro a Nossa Senhora. Nela, os cristãos contemplam a própria vocação à santidade. A partir do seu santuário, Nossa Senhora da Conceição revela uma mensagem muito rica: Ela é salva das águas; é restaurada; é morena; foi entronizada numa colina como Rainha e Padroeira do Brasil. Dentro da linguagem simbólica, podemos perceber o conteúdo da mensagem. Maria é sinal escatológico de toda a Igreja, de toda a humanidade. Toda a Igreja nasce das águas do batismo por ação do Espírito Santo. Nestas águas ela é purificada e santificada, iniciando sua caminhada para a perfeição da caridade. Maria foi imaculada por privilégio, os cristãos são chamados a serem santos e imaculados pela graça. Assim, através da fé e das águas do batismo, o ser humano é restaurado, readquire sua identidade.

Maria, a Imaculada, manifesta-se em cor morena. Também isso pode ter seu significado. Ela é a mãe de todos, a mãe do povo brasileiro, formado de muitas raças. Todas se confraternizam num mesmo povo. Imitando a Imaculada Conceição e sob a sua proteção, todo o povo brasileiro é enaltecido, tornando-se um povo sacerdotal, real e profético. Ele alcança o alto de sua realização.

As leituras realçam a mensagem da mediação de Maria na figura de Ester (cf. 1ª leitura, Est 5, 1b-2; 7 ,2b-31) e na solicitude de Maria nas bodas de Caná (cf. Evangelho, Jo 2, 1-11). Na 2ª leitura, Maria é apresentada como grandioso sinal que apareceu no céu, ameaçada, mas não tragada pelas águas de um rio. A mulher foi socorrida pela terra (cf. Ap 12, 1-5. 13a. 15-16a).

Salvos das águas pela fé e pelo batismo, os cristãos podem atingir algo daquilo que contemplam em Maria, a Imaculada, se seguirem o seu conselho: Fazei tudo o que ele vos disser.

A Oração coleta traduz bem o mistério celebrado: Ó Deus todo-poderoso, ao rendermos culto à Imaculada Conceição de Maria, Mãe de Deus e Senhora nossa, concedei que o povo brasileiro, fiel à sua vocação e vivendo na paz e na justiça, possa chegar um dia à pátria definitiva.

Referência:
BECKHÄUSER, Frei Alberto. Os Santos na Liturgia: testemunhas de Cristo. Petrópolis: Vozes, 2013. 391 p. Adaptações: Equipe Pocket Terço.

Nossa Senhora Aparecida, rogai por nós!

Como ganhar indulgências plenárias ou parciais

Doutrina
Teologia
Aprenda a lucrar indulgências para si e para as almas do Purgatório
Dai-lhes, Senhor, o repouso eterno, e brilhe para eles a vossa luz.

O que são as indulgências?
O tema das indulgências para muitos católicos ainda hoje é desconhecido ou pouco entendido. Este é o motivo pelo qual poucos são os que aproveitam as abundantes graças que o Senhor Todo-Poderoso concede aos fiéis por sua Santa Igreja. Certamente, você ficará surpreso ao perceber que a graça das indulgências está mais disponível do que, em geral, se pensa e que se não aproveitamos este dom de Deus é por negligência própria.
Antes de falar das indulgências faz-se necessário relembrar alguns pontos da doutrina Católica para bem compreender sua finalidade e importância. O primeiro deles refere-se ao livre-arbítrio do homem em poder rejeitar a Deus, sua Revelação, seu amor e bondade, sua graça e todos os meios ordinários de santificação confiados à Santa Igreja. Este ato de rejeição, de revolta  à vontade divina é o que chamamos de pecado.
Deste modo, o pecado constitui uma ofensa ao amor infinito de Deus e, como sabemos, para todo ato há consequências, no caso do pecado, além da culpa por tê-lo cometido há também a pena que ele acarreta. A culpa nos é perdoada pelo sacramento da Penitência (confissão), já a pena, precisamos satisfazer nesta vida com boas obras, jejuns, esmolas, mortificações, orações e indulgências para reparar o mal causado pelo pecado, visto que ofendemos a infinita dignidade de Deus, Nosso Senhor e Criador.
Não se trata apenas de um dever de justiça, mas principalmente de um ato de amor. Reparar o mal causado para com Aquele que tanto nos ama. Assim, por meio da Santa Igreja Católica, a guardiã e dispensadora das graças de Deus, podemos satisfazer com perfeição essas penas devidas pelo pecado e fortalecer nossa íntima união de amor com Jesus Cristo, nosso Salvador, pelas indulgências.
A Igreja define que “indulgência é a remissão, diante de Deus, da pena temporal devida pelos pecados já perdoados quanto à culpa, que o fiel, devidamente disposto e em certas e determinadas condições, alcança por meio da Igreja, a qual, como dispensadora da redenção, distribui e aplica, com autoridade, o tesouro das satisfações de Cristo e dos Santos”. [1]
A indulgência é parcial ou plenária, conforme liberta, em parte ou no todo, da pena temporal devida pelos pecados. Todos os fiéis podem alcançar indulgências para si mesmos ou aplicá-las em favor dos defuntos [2]. A intenção da Igreja ao conceder as indulgências é auxiliar a nossa incapacidade de expiar neste mundo toda a pena temporal e facilitar o acesso a essa graça, por elas se satisfaz a justiça divina mais depressa e mais facilmente se alcança o Céu [3]. Aquelas pessoas que se salvaram sem expiar totalmente essas penas durante a vida, passarão pelo Purgatório até que estejam completamente purificadas para que depois possam entrar na bem-aventurança eterna.
Com a explicação apresentada até aqui, compreendemos o quanto é importante alcançar indulgências durante a vida, seja para si ou para alguém já falecido. Como ensina São João, se estamos em comunhão com Cristo, caminhamos na luz e também estamos em comunhão uns com os outros, de tal modo que o sangue de Jesus nos purifica de todo pecado (cf. 1 Jo 1, 7). Esta comunhão reflete a perfeita união entre a Igreja triunfante no Céu, a padecente no Purgatório e a peregrina (militante) na terra, que constitui uma só Igreja, um só corpo do qual Jesus Cristo é a cabeça, sendo o mesmo espírito que as anima e as une [4].    
Sendo assim, nós que estamos peregrinando neste mundo, podemos e devemos ajudar aqueles irmãos que padecem no Purgatório, com nossas boas obras e orações, a satisfazerem suas penas, visto que eles nada podem fazer por si mesmos. E para aplicar as satisfações abundantes que Jesus Cristo alcançou por sua Paixão e Morte na cruz, a Igreja estabeleceu algumas condições específicas para dispensar este tesouro aos fiéis. É o que veremos a seguir.
Condições para lucrar indulgência
Para se lucrar indulgência plenária é preciso rejeitar todo o apego ao pecado, qualquer que seja, mesmo venial. Requer fazer uma obra enriquecida de indulgência e preencher as seguintes condições: confissão sacramental, comunhão eucarística e oração nas intenções do Sumo Pontífice, o Papa. As três condições podem ser preenchidas em dias diversos, antes ou após a realização da obra prescrita, mas convém que a comunhão e a oração nas intenções do Papa se façam no mesmo dia em que se faz a obra [5]. Também é importante lembrar que para receber a Sagrada Comunhão é preciso estar em estado de graça.    
Com uma só confissão podem ganhar-se várias indulgências, mas com uma só comunhão e uma só oração alcança-se uma só indulgência plenária [6]. As orações nas intenções do Papa cumprem-se rezando um Pai-Nosso e uma Ave-Maria, mas é facultado a todos os fiéis rezar qualquer outra oração conforme sua piedade e devoção para com o Romano Pontífice [7].
Se faltar a devida disposição de rejeitar todo apego ao pecado, ou não se cumprem as condições necessárias, a indulgência será parcial [8]. Sem dúvida, este é o aspecto mais importante, cumprir as condições necessárias não é tão difícil, mas desapegar-se de toda a afeição ao pecado é uma luta para todos nós, graça que alcançamos com muitas orações e penitências. Também é importante dizer que a indulgência plenária só se pode ganhar uma vez ao dia, enquanto a parcial mais de uma vez [9] e qualquer fiel pode lucrar indulgência para si mesmo ou aplicá-la aos defuntos como sufrágio. [10]
Tende compaixão das pobres almas do Purgatório
As pobres almas do Purgatório precisam de nós. Por isso, de modo especial, a Igreja concede um período de oito dias, de 1 a 8 de novembro, para lucrarmos indulgências plenárias em sufrágio das almas dos fiéis falecidos. Cumpridas as condições já mencionadas, temos a oportunidade de obter uma indulgência plenária por dia, aplicável apenas às almas do Purgatório, visitando devotamente um cemitério e rezando, mesmo em espírito, pelos defuntos. [11]
Na comemoração dos fiéis defuntos, dia 2 de novembro, não é necessário visitar o cemitério, apesar de ser um costume piedoso, a Igreja ensina que para lucrar indulgência basta cumprir as condições de costume e visitar piedosamente uma igreja ou oratório para recebê-la, aplicada apenas aos defuntos [12]. Também podemos recitar a oração: “Dai-lhes, Senhor, o repouso eterno, e brilhe para eles a vossa luz. Descansem em paz! Amém”. Neste caso a indulgência é parcial, também aplicável apenas às almas do Purgatório.
Lembremo-nos que o Purgatório é um lugar de expiação, onde aqueles que morrem na amizade com Deus passam por uma purificação, a fim de obter a santidade necessária para entrar na alegria do Céu. A Igreja denomina Purgatório esta purificação final dos eleitos [13]. Os cristãos podem ajudar a abreviar este período de purificação, não hesitemos em socorrer os que partiram e em oferecer nossas orações por eles. [14] 
Vamos, portanto, recapitular as condições para lucrar indulgências de 01 a 08 de novembro:
1. Uma confissão para os oito dias;
2. Visitar um cemitério e rezar pelas almas (opcional no dia 02 de novembro, bastando a visita a uma igreja);
3. Uma comunhão por dia;
4. Recitar as orações nas intenções do Papa (Pai-Nosso, Ave-Maria, Glória)
Práticas e orações que a Igreja concede indulgências
Das várias orações e práticas em que a Igreja Católica dispensa a graça das indulgências, citaremos algumas para que o fiel, conhecendo-as, possa viver mais profundamente a fé e usufruir deste dom que Deus concede por sua bondade.  [15]
1. A Igreja concede indulgência plenária a todo fiel que o recitar o hino “Te Deum” em ação de graças em público no último dia do ano.
2. A indulgência também será plenária se o fiel recitar devotamente o hino “Veni Creator” no dia primeiro de janeiro e na solenidade de Pentecostes.
3. Concede-se indulgência plenária ao fiel que, na sexta-feira da Paixão e Morte do Senhor, toma parte piedosamente na adoração da Cruz da solene ação litúrgica.
4. Concede-se indulgência plenária aos fiéis que se aproximarem pela primeira vez da Sagrada Comunhão ou que assistem a outros que se aproximam.
5. Concede-se indulgência plenária ao sacerdote que, em dia marcado, celebra sua primeira missa, diante do povo, e aos fiéis que devotamente a ela assistem.
6. A récita do Santo Rosário na igreja ou oratório ou em família, na comunidade religiosa ou em piedosa associação, indulgência plenária, em outras circunstâncias parcial. Também é possível lucrar indulgência plenária recitando o Terço. Basta rezar as cinco dezenas juntas, com piedosa meditação acompanhada da oração vocal. Na recitação pública, devem-se anunciar os mistérios, conforme o costume aprovado do lugar, na recitação privada, basta que o fiel ajunte a meditação dos mistérios à oração vocal.
7. A visita ao Santíssimo Sacramento para adorá-lo a indulgência é parcial, se o fizer por ao menos meia hora, a indulgência será plenária.
8. Concede-se indulgência parcial ao fiel que ler a Sagrada Escritura, com a veneração devida à palavra divina, e a modo de leitura espiritual. A indulgência será plenária, se o fizer pelo espaço de pelo menos meia hora.
9. Ao fiel que renovar as promessas do batismo concede-se indulgência parcial; e ganhará indulgência plenária, se o fizer na celebração da Vigília Pascal ou no aniversário de seu batismo.
10. O fiel cristão que usa objetos de piedade (crucifixo ou cruz, rosário, escapulário, medalha) devidamente abençoados por qualquer sacerdote ou diácono, ganha indulgência parcial.
Deste rico tesouro que a Santa Igreja dispõe apresentamos apenas algumas práticas e orações piedosas acessíveis a todos os cristãos, as graças que elas conferem podem ser aplicadas em favor próprio ou dos defuntos. De fato, não sabemos ao certo onde estão as almas dos nossos familiares e amigos já falecidos, mas isso não impede de rezarmos por elas e oferecermos nossas indulgências e orações, auxiliar as almas do purgatório a satisfazer suas penas para poderem estar na presença de Deus no Céu é uma grande obra de misericórdia espiritual. Sejamos então generosos para com essas pobres almas, pois em breve podemos estar na mesma condição que elas.
Dai-lhes, Senhor, o repouso eterno, e brilhe para eles a vossa luz. Descansem em paz! Amém.
Referências:
[1] CIC, 1471.
[2] Ibid.
[3] Catecismo Maior de São Pio X, nº 800, 801.
[4] Catecismo Maior de São Pio X, nº 146, 147.
[5] Indulgentiarum Doctrina, 7, 8.
[6] Manual de Indulgências, 23, § 2.
[7] Indulgentiarum Doctrina, 10.
[8] Manual de Indulgências, 23, § 4.
[9] Ibid, 21.
[10] Ibid, 4.
[11] Ibid, Concessões, 13.
[12] Indulgentiarum Doctrina, 15.
[13] CIC, 1030, 1031.
[14] Ibid, 1032.
[15] Manual de Indulgências, Concessões.
Fonte: padrealexnogueira.com